23 de out de 2017


[Resenha] Delícia, Delícia - Donna Kauffman

Ficha Técnica 

Título: Delícia, Delícia
Título Original: Sugar Rush
Autor: Donna Kauffman
ISBN: 978-85-65859-96-7
Páginas: 296
Ano: 2016
Tradutor: Ana Death Duarte
Editora: Valentina
Quando a extraordinária confeiteira Leilani Trusdale trocou a agitação de Nova York pela pacata e doce Ilha de Sugarberry, não esperava que seu passado a seguisse. Seu antigo chefe, Baxter Dunne, também conhecido como Chef Hot Cakes, o homem que ensinou a ela que o creme compensa, reaparece desejando filmar seu famoso programa de culinária. O problema é que ele escolheu filmar na Cakes by The Cup, a minúscula e aconchegante confeitaria de Leilani. Com seu olhar de brigadeiro de colher e aquele irresistível sotaque britânico -- que faz a moça babar e seu rosto corar como calda de cereja --, ele fez as fofocas de cozinha rolarem soltas. Lani, lá no fundo, só deseja que algumas sejam deliciosamente verdadeiras... Os amigos estão convencidos de que o ex-chefe é o ingrediente que falta para a definitiva receita de felicidade dela. Porém, Baxter terá que botar a mão na massa se quiser tirar do forno um grande, verdadeiro, quentinho e saboroso amor. No Clube do Cupcake, cozinhar é apenas um detalhe. Entre altos papos e doces lambidas, amizades crescem como pão quentinho e a vida vai ficando, hummmm, mais saborosa. Mas quando é preciso decidir entre a vida que você sempre sonhou e o amor da sua vida, só as melhores amigas, as melhores receitas e uma caixa cheia de Red Velvets podem ajudar. É hora de praticar boloterapia!!!

Resenha


Assim que vi a capa de Delícia, Delícia tive vontade de ler o livro. Depois de ler a sinopse essa vontade se intensificou, mas ainda faltava a oportunidade, que veio agora. Como o tema do Clube do Livro Leitura Salvador de Novembro será Clube dos Cupcakes, não tinha como essa leitura não ser agora e realmente ela foi uma delícia.

Nesse romance conheceremos Leilani Trusdale, uma pâtissière de 31 anos que deixou uma carreira de sucesso em Nova Iorque para morar em Sugarberry, uma pequena ilha na Geórgia, onde pôde ficar perto do pai - agora seu único parente vivo - e onde abriu sua confeitaria, a Cakes By The Cup.

Lani se apaixonou por cozinhar - em especial os doces - com a convivência na cozinha da avó. Depois de anos estudando nos Estados Unidos e na Europa ela retornou e fixou residência em Nova Iorque onde cresceu profissionalmente e muito disso foi por conta do tempo que trabalhou com o talentoso chef Baxter Dunne, de quem havia ouvido falar muito enquanto estava na Europa. Lani acabou trabalhando com ele em seu primeiro emprego - como confeiteira em um hotel cinco estrelas no Upper East Side (chique ela, não é mesmo? kkk) e depois foi trabalhar na confeitaria que ele abriu, o Gateau. Lá foi onde mais aprendeu e onde a admiração profissional pelo chef ganhou como aliada a atração física. Entretanto, a disputa profissional nessa área é muito acirrada e, vendo o crescimento e a visível preferência do chef por Lani, os seus colegas de trabalho passaram a criar muitas fofocas sobre eles, mas enquanto Lani sofria com os comentários que sabia existir, Baxter não se abalava. Quando o pai ficou doente, pouco tempo depois de ter perdido a mãe, Lani foi para Sugarberry e acabou ficando por lá, mas agora, um ano depois, Baxter está de volta a sua vida, tudo isso porque o programa que ele apresenta, o Chef Hot Cakes terá parte da próxima temporada gravada na pequena cidade.
Ela já sabia muita coisa sobre Baxter, mais do que a maioria das pessoas, tendo ouvido falar dele durante o tempo que passara na Europa. Era três anos mais novo do que ela e estava anos-luz à sua frente em todas as formas mensuráveis em termos de trabalho. A confeiteira em Lani queria ser Baxter quando crescesse. E a parte dela já adulta queria estar com ele como mulher. Tinha sido uma adoração e uma fantasia inofensivas.
Então ela havia conseguido a oportunidade de sua vida.
Fora convencida de que Deus e o destino estavam lhe enviando uma mensagem direta quando tentou e conseguiu o emprego tão perto dele.
Tão perto dele.
P. 21
Baxter Dunne é um homem bem sucedido, e embora a Donna nos diga que ele é três anos mais novo que a Lani, ou seja, ele tem 28 anos, não consegui ver essa diferença de idade, ele na verdade parece ser até um pouco mais velho do que ela e vamos descobrir o porquê disso quando conhecermos seu passado, e nos apaixonarmos ainda mais por ele. Baxter é um homem decidido e desde que viu Lani pela primeira vez, encantou-se com seu profissionalismo e depois essa admiração só cresceu, mas não podia sequer pensar em investir em nada com ela, afinal trabalhavam juntos, mas agora que ela não trabalha mais para ele no Gateau e seu programa de culinária gravará alguns episódios da temporada em Sugarberry, é a oportunidade que ele tem de investir nessa possível relação.
- Quero conhecer o seu mundo, Leilani, o seu novo mundo. Eu adorei te ter no meu. Sempre achei fantástico o jeito como você simplesmente entrou no único universo que já conheci e o transformou em algo completamente diferente. Sabe, acho que não devia nem estar surpreso por você ainda continuar fazendo o inesperado, escolhendo um caminho que eu nunca teria previsto. Você sempre seguiu seu próprio ritmo. Posso até não saber tudo sobre você, Leilani, mas sou louco por todas as partes que conheço.
P. 102
Mas eles não sabiam que a atração era mútua. Enquanto Lani tentava a todo custo manter sua paixonite pelo chef apenas para si, Baxter manteve-se o mais afastado emocionalmente possível dela. Tanto que, ele atribui sua decisão de aceitar apresentar um programa de culinária na TV o motivo de afastar-se de sua confeitaria e consequentemente de Lani, alguém que certamente não estava interessada nele (sabe de nada, inocente, kkkk).
- Lembra quando disse que aceitou a oferta de fazer o programa para se afastar de mim?
- Sim. E é verdade Leilani. É uma vida louca, e as coisas mudaram de um jeito que eu jamais imaginaria, geralmente pra melhor. E não voltaria atrás, mas não foi uma decisão que tomei por ambição. Eu só queria me afastar do que não poderia ter.
- Bom - disse ela, determinada a manter seu olhar fixo no dele -, optar por ficar em Sugarberry foi eu decidindo me afastar de você também.
P. 190-191
Como eu já disse, Baxter é bastante decidido e agora que ele decidiu investir em Lani ele não pensa em desistir. Convencê-la a aceitar que a cozinha de sua confeitaria fosse cenário do programa e gravar ao lado dele os episódios era apenas parte de seu plano para se aproximar dela e mostrar o quanto ele sempre a admirou e a quis, mas isso não será nada fácil.

Lani sabe que se Baxter insistir muito, acabará cedendo a essa relação, mas sabe também que ela não tem futuro, pois não pensa em deixar a cidade e sua confeitaria e sabe o quanto Baxter é viciado no agito das cidades grandes, jamais deixaria sua carreira e o agito para ficar em Sugarberry e um relacionamento à distância estava fora de cogitação. Talvez aproveitar o tempo que têm juntos, seja apenas o que possam ter. Mas será que vale a pena?
- Se nos deixarmos levar ou não, me afastar de você será a coisa mais difícil que vou precisar fazer na vida.
P. 225
A gente fica o tempo todo torcendo para que Baxter consiga convencer Lani, mas ao mesmo tempo é completamente compreensível o medo dela de sofrer quando esse período acabar e ele for embora. Ficar com o gostinho de como foi ou imaginar como poderia ter sido? Eu sinceramente ficaria na mesma dúvida que ela... Para ajudar nesse período de indecisão, Lani contará com o apoio de seus amigos e também colegas de profissão Charlotte e Franco, Alva, uma senhora moradora de Sugarberry e Dre, sua funcionária, que, nesse período acabarão criando de fato o Clube dos Cupcakes, que dá o nome da série dos livros da Donna Kauffman.

Falando em série, não sei quando e se a Valentina irá publicar os outros três livros da série (Sweet Stuff, Babycakes e Honey Pie), mas espero sinceramente que sim. Adorei a forma rápida de escrever da Donna e fiquei curiosa para saber o que os próximos livros nos reservam. Torcer para que sejam publicados aqui ;)

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22 de out de 2017


[Resenha] Para Depois que eu Partir - Heather McManamy & William Croyle

Ficha Técnica 

Título: Para Depois que eu Partir
Título Original: Cards for Brianna
Autor: Heather McManamy & William Croyle
ISBN: 978-85-503-0103-7
Páginas: 192
Ano: 2017
Tradutor: Jacqueline Valpassos
Editora: Universo dos Livros
Com trinta e cinco anos, após ser diagnosticada com câncer de mama em estágio terminal, Heather McManamy sentiu como se sua vida estivesse desmoronando. Sua rotina virou de cabeça para baixo e foi substituída por várias cirurgias e dezenas de sessões de quimioterapia que poderiam estender um pouco mais sua vida, mas não impedir a morte iminente. Com espírito vivaz e uma nova perspectiva, Heather começou a experimentar cada dia como se fosse o último. Ela aprendeu a aproveitar cada momento, apreciar a beleza ao seu redor e agradecer por suas bênçãos. Ponderou também a respeito da jornada futura de sua filha sem a mãe e, com dignidade, fez os preparativos para isso. Heather começou a escrever mensagens comemorativas para a filha, Brianna, com quatro anos na época. Mensagens para o seu primeiro dia de escola, para o seu aniversário de dezesseis anos, para o dia de seu casamento. Mensagens para quando as coisas estivessem indo bem e para quando não estivessem. Mensagens para quando Brianna precisasse de sua mãe – fosse dali a cinco ou a cinquenta anos – e Heather já não estivesse mais lá para lhe dar apoio. Para depois que eu partir é a história do poderoso amor de uma mãe por sua filhinha. E as incomparáveis experiências ​​de Heather, permeadas de humor e elegância, são um lembrete para que não tomemos como certo e seguro um dia sequer.

Resenha


Bora chorar? Bora. (mentira, nem chorei lendo esse)

Para depois que eu partir tem quase todos os elementos essenciais de um bom drama e eu já consigo imaginar as pessoas chorando no cinema se o livro virasse uma cinebiografia. Mas o conceito aqui é completamente diferente. Ao invés de uma biografia chorosa, que a autora não teria nem tempo nem disposição para escrever, temos uma coleção de conselhos vindos de uma pessoa cuja morte está mais próxima que a nossa. O livro intercala trechos dos cartões que Heather escreveu para a filha com relatos da descoberta do câncer, do tratamento e de como sua rede de apoio ajudou sua família a viver seus últimos dias da melhor forma possível.

Parte do livro é um manual do que não dizer a pessoas com câncer. Eu sei que as pessoas tem as melhores intenções do mundo mas às vezes a gente não percebe o quão ruim é o que a gente diz. h
Heather dá algumas dicas do que dizer e/ou fazer ou não. Seus conselhos são cheios de leveza e bom humor, e um pouco de tristeza também, mas ela acredita ter sorte por conseguir se acostumar com a ideia e planejar o futuro de sua família, o que é mais do que algumas pessoas conseguem (Caitlin Doughty chama de "a boa morte" aquela pra qual nós podemos nos preparar). Um dos momentos mais interessantes do llivro é quando ela fala sobre a invisibilização de pacientes terminais, sobre como eles são excluídos de grupos de apoio por serem "mórbidos demais" e sobre como seu sofrimento é ignorado porque preferimos focar nas histórias de superação. Heather aponta que nem todos vão sobreviver ao câncer e que é preciso falar sobre morte e cuidados paliativos e validas a vivência de pessoas como ela.

Se o livro parece um pouco curto é porque a autora faleceu logo depois de escrever os últimos capítulos no fim do ano passado. Isso poderia ter sido mencionado num epílogo, já que o livro não dá nenhuma informação a respeito dela ou da família depois do lançamento.

A princípio, este parece um projeto pessoal demais para ser publicado e parece ser mais um aglomerado de conselhos do tipo "passe mais tempocom sua família porque não se sabe o dia de amanhã". Mas Heather conta histórias sobre sua família e amigos e dá conselhos divertidos que nos fazem desejar tê-la conhecido pessoalmente. Este é um livro que nos ensina mais sobre uma doença de que muita gente já falou antes. Então pode ler sem medo de desabar de chorar e com a certeza de aprender um pouco.

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21 de out de 2017


[Seriando um Pouquinho] Atypical




Sinopse: Sam ( Keir Gilchrist) é um jovem autista de 18 anos que está em busca de sua própria independência. Nesta jornada, repleta de desafios, mas que rende algumas risadas, ele e sua família aprendem a lidar com as dificuldades da vida e descobrem que o significado de "ser um pessoa normal" não é tão óbvio assim.




Se você estiver com vontade de assistir uma série leve, divertida e que nos ensine algo, aqui está uma série perfeita para isso. Atypical é uma série original da Netflix de comédia dramática com oito episódios em sua primeira temporada e com uma média e 30 minutos por episódio. Dessa forma fica fácil de maratonar (eu mesmo assisto inteira em uma madrugada).


Vou começar falando do protagonista, Sam é um garoto de 18 anos com Síndrome de Asperger, dentro do espectro autista. Ele está no ensino médio e, por isso, vive todos os dramas de um adolescente nesta fase da vida, inclusive a descoberta ou desenvolvimento da sexualidade. Esse é o plot que dá início à trama, Sam deseja namorar, uma coisa simples para a maioria dos jovens. Mas como isso pode acontecer com alguém dentro do espectro do Autismo e como isso influencia nas relações familiares?


Eu me preocupei muito em usar a palavra “normal” neste texto, porque, o  que é ser normal? A série nos traz um panorama muito interessante sobre relações humanas. O protagonista é autista, mas temos diversos personagens com problemas e que estão presentes na vida de todos nós. Em um dado momento da série, Sam se mostra descontente por não ser “normal”, então um outro personagem diz para ele que na verdade, ninguém é normal. Poderíamos então voltar aquela campanha da Globo que diz que ser diferente é normal, pois se tem uma coisa que todos temos em comum, são as nossas diferenças ou a possibilidade de encarar e viver as situações da vida de maneiras diferentes.


Uma coisa que chama atenção na série é a capacidade de tratar dos assuntos sem muito clichê. Diversos personagens acabam interagindo com o protagonista desconsiderando a condição de um indivíduo dentro do espectro do autismo. Isso ajuda e atrapalha em alguns momentos. A série não contempla todas as pessoas que tem Autismo, pois o grau de comunicação e de interação com outras pessoas varia muito, mas é uma produção feita sob uma ótica interessante que traz à visão do público geral, particularidades que não estamos acostumados a ver.


Sam e muito carismático e nos faz torcer para que ele consiga uma namorada. isso nos leva a ver como uma mãe preocupada lida com essa decisão. O cuidado e o desejo que o filho não se machuque emocionalmente pode nos fazer a cometer erros. Erros que também podem ser cometidos se encaramos a situação sob a ótica de um amigo descolado, conquistador, e porque não dizer, descarado? Os dramas presentes na trama não são somente os que envolvem Sam diretamente. Temos um casal que está em crise no casamento, uma jovem atleta que está despertando sua sexualidade, assim como Sam. Relações de bullying na escola, preconceitos e a crueldade comum entre adolescentes.



Como iniciei falando, a série não é só dramática. É muito divertida. Ela traz um humor leve em situações presentes no cotidiano, isso é potencializado pelo protagonista e a maneira dele ver o mundo e como ele se comporta diante das situações. Como por exemplo, as “regras” existentes para que ele possa transar com uma menina. Ele tenta seguir todos os “estágios”, incluindo ver peitos (essa cena é muito legal). A forma como essa situação é tratada, coloca em análise a real necessidade de viver um jogo de conquista, existe regras nesse jogo? Porque, se todos somos diferentes, como que uma regra pode padronizar o comportamento, e assim, ser útil a todos?


A estética da série lembra uma outra produção da Netflix, Love. Que traz em seu enredo drama e comédia convivendo juntas no cotidiano. Atypical foi muito bem aceita pela crítica e pelo público em geral por trazer de maneira interessante as situações que estão presentes na nossa vida, mesmo que à nossa volta, os personagens sejam diferentes, com dramas diferentes. Isso nos torna iguais?



Elenco
Jennifer Jason Leigh como Elsa Gardner
Kier Gilchrist como Sam Gardner
Brigette Lundy-Paine como Casey Gardner
Amy Okuda como Julia Sasaki
Michael Rapaport como Doug Gardner
Graham Rogers como Evan Chapin
Nik Dodani como Zahid
Raúl Castillo como Nick
Jenna Boyd como Paige Hardaway

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20 de out de 2017


[Resenha] Ninguém Nasce Herói - Eric Novello

Ficha Técnica 

Título: Ninguém Nasce Herói
Autor: Eric Novello
ISBN: 978-85-5534-042-0
Páginas: 384
Ano: 2017
Editora: Seguinte
Num futuro em que o Brasil é liderado por um fundamentalista religioso, o Escolhido, o simples ato de distribuir livros na rua é visto como rebeldia. Esse foi o jeito que Chuvisco encontrou para resistir e tentar mudar a sua realidade, um pouquinho que seja: ele e os amigos entregam exemplares proibidos pelo governo a quem passa pela praça Roosevelt, no centro de São Paulo, sempre atentos para o caso de algum policial aparecer. Outro perigo que precisam enfrentar enquanto tentam viver sua juventude são as milícias urbanas, como a Guarda Branca: seus integrantes perseguem diversas minorias, incentivados pelo governo. É esse grupo que Chuvisco encontra espancando um garoto nos arredores da rua Augusta. A situação obriga o jovem a agir como um verdadeiro super-herói para tentar ajudá-lo — e esse é só o começo. Aos poucos, Chuvisco percebe que terá de fazer mais do que apenas distribuir livros se quiser mudar seu futuro e o do país.

Resenha


O timing desse livro é impressionante. Num momento político tão complicado, é até um pouco chocante ver tantos dos nossos medos impressos no papel.

O livro não é tanto uma distopia quanto é um cautionary tale (conto de advertência, em tradução livre), uma expressão usada para classificar histórias em que coisas ruins acontecem e que podem ser usadas como advertência para o futuro. Um dos contos de advertência distópicos mais famosos é O conto da aia, de Margaret Atwood (que toda mulher deveria ler). Em Ninguém nasce herói, Eric Novello nos avisa dos perigos de misturar religião e política e de como a ascensão de certos grupos religiosos ao poder é nociva para a sobrevivência de pessoas que fazem parte de grupos minoritários.

Imagine que um político que passava despercebido consegue chegar à presidência e implantar uma série de medidas que agradam grupos de fanáticos religiosos mas que dificultam a vida de mulheres, negros e LGBTs. Imagine que é implantada uma ditadura não-oficial e que pessoas são sequestradas, espancadas e mortas por uma milícia que tem o aval do governo. Imagine que certos livros são proibidos e o simples ato de distribuí-los pode te levar para a cadeia. É nesse cenário de medo e incerteza que somos jogados logo nos primeiros capítulos.

Chuvisco e seus amigos compõem um grupo étnica e sexualmente diverso que, apesar de pequenos atos de rebeldia (como distribuir livros proibidos), tenta passar despercebido pelos agentes do governo. O que fica muito mais difícil quando Chuvisco vê um grupo espancando um rapaz e intervém, o que já seria encrenca o suficiente se ele não tivesse catarses criativas. As catarses são episódios em que ele se desconecta da realidade e sua imaginaão se sobrepõe, fazendo com que ele tenha alucinações extremamente realistas. A busca pelo rapaz depois do incidente vai fazer com que ele repense seu papel nesse cenário político ao mesmo tempo em que tenta ter um controle maior sobre as catarses.

A procura pelo rapaz que ele conheceu num momento de horror esbarra tanto na existência de um grupo de oposição (a Santa Muerte) quanto nas personalidades de seus amigos, que tentam protegê-lo e ajudá-lo, cada um à sua maneira. É interessante ver como os temperamentos distintos fazem eles reagirem de forma conflitante, apesar de verossívil, ao que acontece com o protagonista. Meu personagem favorito é o Pedro, tanto pelo carisma quanto pela paixão com que ele reage aos acontecimentos (suspeito que ele seja do  mesmo signo que eu).

A leitura do livro é rápida e interessante, apesar de algumas passagens não serem exatamente agradáveis. O sentimento que fica é de que a gente precisa se mobilizar pra não deixar o livro acontecer, de que essa história existe pra que a gente aprenda a combater o que ela representa.

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19 de out de 2017


No Escurinho do Cinema #218


Olá amores, tudo bem??

Seguindo o ritmo, temos muitas estreias essa semana e já estou de olho do filme Tempestade e o da Reese, e vocês?

A Comédia Divina
Direção: Toni Venturi
Com: Murilo Rosa, Monica Iozzi, Thiago Mendonça
Gênero: Comédia
Duração: 1h38min
País: Brasil
Sinopse: Em crise, um programa jornalístico demite uma repórter e em seu lugar contrata Raquel (Mônica Iozzi), jornalista recém-formada, caso do âncora garanhão, Mateus (Dalton Vigh). Incomodada pela convivência com Lucas (Thiago Mendonça), um inconformado ex-namorado que trabalha na produção, ela vê sua carreira decolar graças a um furo: o Diabo (Murilo Rosa) acaba de abrir sua própria igreja na Terra.



A Guerra dos Sexos
Direção:Jonathan Dayton, Valerie Faris
Com: Emma Stone, Steve Carell, Andrea Riseborough
Gênero: Biografia, Drama, Comédia
Duração: 2h01min
País: Reino Unido, EUA
Sinopse: Uma disputa de tênis entre o ex-campeão Bobby Riggs (Steve Carell) e a líder da classificação mundial Billie Jean King (Emma Stone) se torna centro de um debate global sobre igualdade de gêneros. Presos sob a atenção da mídia e com ideologias diferentes, Riggs tenta reviver as glórias do passado, enquanto King questiona sua sexualidade e luta pelos direitos das mulheres.



Além da Morte
Direção: Niels Arden Oplev
Com:Ellen Page, Diego Luna, Nina Dobrev
Gênero: Suspense, Terror, Ficção científica
Duração: 1h49min
País: EUA
Sinopse: Na esperança de fazer algumas descobertas, estudantes de medicina começam a explorar o reino das experiências de quase morte. Cada um deles passa pela experiência de ter o coração parado e depois revivido. Eles passam a ter visões em flash, como pesadelos da infância, e a refletir sobre pecados que cometeram. Os experimentos se intensificam, e eles passam a serem afetados fisicamente por suas visões enquanto tentam achar uma cura para a morte.



Bom Comportamento
Direção: Ben Safdie, Joshua Safdie
Com: Robert Pattinson, Ben Safdie, Buddy Duress
Gênero: Suspense, Policial
Duração: 1h41min
País: EUA, Luxemburgo
Sinopse: O plano de Constantine Nikas (Robert Pattinson) era assaltar um banco e descolar uma boa quantia em dinheiro, mas nada sai como o planejado e seu irmão mais novo acaba sendo preso. Decidido a resgatá-lo, Constantine embarca em uma perigosa corrida contra o relógio, e onde ele mesmo é o próximo alvo da polícia.


De Volta para Casa
Direção: Hallie Meyers-Shyer
Com: Reese Witherspoon, Nat Wolff, Pico Alexander
Gênero: Comédia , Romance
Duração: 1h38min
País: EUA
Sinopse: Recém-separada do marido, Alice Kinney (Reese Witherspoon) decide recomeçar a sua via se mudando para sua cidade natal, Los Angeles, com as duas filhas. Durante uma comemoração do seu aniversário de 40 anos, ela conhece três cineastas que precisam de um lugar para morar e acaba deixando os rapazes permanecerem em seu quarto de hóspede temporariamente, mas o acordo gera situações inesperadas.



Doentes de Amor
Direção: Michael Showalter
Com: Kumail Nanjiani, Zoe Kazan, Holly Hunter
Gênero: Comédia dramática, Romance
Duração: 2h00min
País: EUA
Sinopse: O comediante e motorista de Uber paquistanês Kumail (Kumail Nanjiani) e a estudante de psicologia Emily (Zoe Kazan) se apaixonam em Chicago, mas encontram dificuldades no momento em que suas culturas entram em conflito. Quando Emily contrai uma doença misteriosa e é colocada em coma, Kumail tenta enfim resolver o conflito emocional entre sua família e seu coração.



Tempestade: Planeta em Fúria
Direção: Dean Devlin
Com: Gerard Butler, Jim Sturgess, Abbie Cornish
Gênero: Ficção científica, Ação
Duração: 1h49min
País: EUA
Sinopse: A ocorrência cada vez mais frequente de eventos climáticos capazes de ameaçar a existência da humanidade faz com que seja criada uma extensa rede de satélites, ao redor de todo o planeta, de forma a controlar o próprio clima. Apelidado de "Danny Boy", este sistema construído a partir da cooperação de 17 países é coordenado pelo engenheiro Jake Lawson (Gerard Butler). Após anos de dedicação, ele é afastado da função devido a questões políticas e, em seu lugar, é nomeado seu irmão caçula, Max (Jim Sturgess). Três anos depois, quando a coordenação do "Danny Boy" está prestes a ser transferida dos Estados Unidos para a ONU, falhas pontuais provocam uma forte nevasca em pleno deserto no Afeganistão e altíssimas temperaturas em Hong Kong, que matam centenas de pessoas. Jake é então convocado para descobrir o que está acontecendo e, enviado para a estação internacional, desvenda uma imensa conspiração ao mesmo tempo em que precisa deixar para trás os atritos existentes com Max.



Uma Razão para Recomeçar
Direção: Drew Waters
Com: Jonathan Patrick Moore, Erin Bethea, Terry O'Quinn
Gênero: Drama, Romance
Duração: 1h28min
País: EUA
Sinopse: Ben (Jonathan Patrick Moore) conheceu Ava (Erin Bethea) aos sete anos quando ela estava de pé na entrada de sua garagem. À medida que o tempo passa, os dois viajam juntos através das estações da vida, até que ocorre uma tragédia que deixa todo o seu futuro em perigo.



E aí, algo agradou vocês????
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18 de out de 2017


[Resenha] As Sobreviventes - Riley Sager

Ficha Técnica

Título: As Sobreviventes
Título Original: Final Girls
Autor: Riley Sager
ISBN: 978-85-8235-462-9
Páginas: 335
Ano: 2017
Tradutor: Marcelo Hauck
Editora: Gutenberg
“Ela corria por instinto. Um alerta inconsciente de que precisava continuar, independentemente do que acontecesse.” Há dez anos, a estudante universitária Quincy Carpenter viajou com seus melhores amigos e retornou sozinha, foi a única sobrevivente de um crime terrível. Num piscar de olhos, ela se viu pertencendo a um grupo do qual ninguém quer fazer parte: um grupo de garotas sobreviventes com histórias similares. Lisa, que perdeu nove amigas esfaqueadas na universidade; Sam, que enfrentou um assassino no hotel onde trabalhava; e agora Quincy, que correu sangrando pelos bosques para escapar do homem a quem ela se refere apenas como Ele. As três jovens se esforçam para afastar seus pesadelos, e, com isso, permanecem longe uma da outra; apesar das tentativas da mídia, elas nunca se encontraram. Um bloqueio na memória de Quincy não permite que ela se lembre dos acontecimentos daquela noite, e por causa disso a jovem seguiu em frente: é uma blogueira culinária de sucesso, tem um namorado amoroso e mantém uma forte amizade com Coop, o policial que salvou sua vida naquela noite. Até que um dia, Lisa, a primeira sobrevivente, é encontrada morta na banheira de sua casa com os pulsos cortados; e Sam, a outra garota, surge na porta de Quincy determinada a fazê-la reviver o passado, o que provocará consequências cada vez mais assustadoras. O que Sam realmente procura na história de vida de Quincy? Quando novos detalhes sobre a morte de Lisa vem à tona, Quincy percebe que precisa se lembrar do que aconteceu naquela noite traumática se quiser as respostas para as verdades e mentiras de Sam, esquivar-se da polícia e dos repórteres insaciáveis. Mas recuperar a memória pode revelar muito mais do que ela gostaria.

Resenha

Um interessante suspense. As Sobreviventes, de Riley Sager, nos conta a história de três mulheres diferentes e que passaram pelo mesmo horror de sobreviver a um massacre. Contudo, a história é centrada em Quincy Carpenter, a terceira Garota Remanescente*, do massacre que aconteceu no Chalé Pine. As outras duas sobreviventes são muito importantes para o desenrolar do livro.

Quincy Carpenter, assim como Lisa Milner e Samantha Boyd, era uma garota cheia de planos, sonhos e que estava no início da vida adulta quando uma tragédia mudou o curso de sua vida. Uma viagem de comemoração do aniversário de sua amiga se tornou um verdadeiro filme de terror. Cinco jovens mortos, retalhados e uma jovem sobrevivente que seria marcada pelo massacre pelo resto de sua vida. Antes do ocorrido com Quincy, Lisa Milner foi a única sobrevivente de um massacre a uma república estudantil e Samantha Boyd foi sobrevivente de um ataque no motel onde trabalhava como camareira.

O laço que existia entre as três era o fato de que sobreviveram a massacres. Quincy, que após o evento trágico não conseguia se lembrar de muita coisa, desejava ser uma garota normal e deixar a história no passado. Tudo que pudesse relacionar ela ao massacre, ela fazia questão de não participar. Agora ela é uma blogueira culinária, tem sucesso nessa nova empreitada, tem um namorado apaixonada e atarefado - Jeff - e o policial prestativo Coop que a encontrou após o crime terrível. Mesmo com todas as tentativas de meios de comunicação em reunir as Garotas Remanescentes, um desejo também de Lisa, esse encontro nunca aconteceu. Até que Lisa é encontrada morta e Sam decide que deve procurar Quincy.
Foi o momento em que me dei conta de que coisas ruins podiam acontecer, de que o mal existia no mundo.
P. 19

A presença de Sam em sua casa causa desconforto inicial em Jeff e em Coop. O relacionamento de Quincy não é muito bom, então a personagem fica em segundo plano. Depois do que houve com Lisa, Quincy se via desesperada em ter Sam como amiga e evitar que ela fizesse o mesmo que Lisa, já que todos acreditavam que ela tinha tirado a própria vida. Só que ter Sam tão próxima desperta sensações e causa pressões que Quincy não desejava.
São os pesadelos, a culpa, a tristeza persistente. Principalmente, é a torturante e inabalável sensação de que não era para ter sobrevivido. De que não passo de um inseto desesperado e desconcertado que o destino esqueceu de esmagar.
P. 57
Todo o seu plano de deixar de ser uma Garota Remanescente cai por terra e Quincy se vê num mar de desconfianças, mentiras e pavor. Ela não consegue lembrar do que aconteceu durante o massacre, devido a um bloqueio de memória, e é pressionada constantemente por Sam. Será que a segunda Garota Remanescente foi visitá-la apenas preocupada com o seu bem estar?

Uma narrativa que se alterna entre primeira e terceira pessoa - Quincy contando sobre o que se passa e um narrador que conta os eventos antes, durante e após o massacre - As Sobreviventes é um livro de início um pouco lento mas que prende a atenção do leitor quando se concentra em mostrar que existe algo de errado nos eventos pós massacre Chalé Pine. Coisas que ficaram sem explicação, não só por conta do bloqueio de memória de Quincy. A revelação final é interessante, causa surpresa, e é perfeitamente coerente dentro de toda narrativa. Uma última observação fica por conta da capa. Quincy revela que quando tudo aconteceu ela estava com um vestido branco e como podemos ver não é o que se está na capa. Vale a pena conferir!
Sou criação dele, forjada com sangue, dor e no aço frio de uma lâmina.
P. 328
* Garotas Remanescentes é o termo utilizado para se referir a última mulher sobrevivente no final de um filme de terror, segundo o livro de Riley Sager.

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17 de out de 2017


[Resenha] O Jogo Perfeito - J. Sterling

Ficha Técnica

Título: O Jogo Perfeito 
Título Original: The Perfect Game
Autor: J. Sterling
ISBN: 978-85-62409-16-5
Páginas: 224
Ano: 2014
Tradutor: Carlos Szlak
Editora: Faro Editorial
Conta a história de dois jovens universitários, Cassie Andrews & Jack Carter. Quando Cassie percebe o olhar sedutor e insistente de Jack, o astro do beisebol em ascensão, ela sente o perigo e decide manter distância dele e de sua atitude arrogante. Mas Jack tem outras coisas em mente ... Acostumado a ser disputado pelas mulheres, faz tudo para conseguir ao menos um encontro com Cass. Porém, todas as suas investidas são tratadas com frieza. Ambos passaram por muitos desgostos, viviam prevenidos, cheios de desconfianças, antes de encontrar um ao outro, (e a si mesmos) nesta jornada afetiva que envolve amor e perdão. E criam uma conexão tão intensa que não vai apenas partir o seu coração, mas restaurá-lo, devolvendo inteiro novamente.

Resenha


O Jogo Perfeito foi a minha primeira experiência com a escrita da Jenn Sterling. Quando ela veio ao Brasil no ano passado com a Tarryn Fisher em uma curta tour de divulgação no período da bienal, eu fiquei curiosa para saber quais eram os livros que ela estava divulgando e se eu iria gostar deles. Como estou toda embolada com minhas leituras, acabou que demorou mais do que eu imaginava para ler esse livro. 


O Jogo Perfeito nos apresenta Cassie Andrews, uma jovem que está entrando na universidade Fullton State, no sul da Califórnia após ter cursado dois anos de faculdade comunitária, que fez por obrigação por insistência dos pais, mas agora está super empolgada dividindo um apartamento com a melhor amiga, Melissa, e estudando no mesmo local que ela e ainda fazendo o melhor curso de fotojornalismo do estado. Ela só não sabia que iria cair rapidamente no radar de Jack Carter.

Jack é o cara popular da universidade, o melhor arremessador do time de beisebol e disputado a tapa por todos: as garotas querem ficar com ele - ainda que soubessem que ele transava apenas uma vez com cada e ponto final, os caras queriam ser seus amigos - e desfrutar de sua popularidade, é claro, e os dirigentes da universidade faziam de tudo para que sua estrela tivesse o máximo, afinal, ele atraía atenção da mídia para eles e reconhecimento para o time, era uma verdadeira máquina de marketing.

Logo que percebeu o interesse de Jack, Cassie soube que não deveria se envolver, ser mais uma na sua rede não fazia parte de seu objetivo e contou com Melissa - que já estava na Fullton há dois anos - para lhe dar o currículo do garanhão. Mas dizer "não" para Jack só despertou ainda mais o interesse dele.

Jack não corre atrás das garotas, elas caem aos montes no seu colo, mas Cassie não é como as outras, ela está focada em seu objetivo. Mas nem ela resiste a tanta insistência, de fato Jack a vence pelo cansaço, mas após o primeiro encontro, o casal logo estará junto.
Mas ninguém sabia o que se passava em meu íntimo. Enfim eu conhecera uma menina que não tentara me impressionar. Cassie não se interessava por aquilo que eu fazia como atleta, mas sim por aquilo que eu fazia como pessoa. Eu estava mergulhando de cabeça naquela história. Agarrando Cassie com as duas mãos.
P. 54
A história mostra um casal que precisa aprender a confiar um no outro e com o passar dos capítulos, conhecendo o passado deles, saberemos o quanto isso é difícil, cada um a sua maneira e Jack sendo um estrela em ascensão no esporte, fará com que eles precisem de fato confiar se quiserem que o relacionamento dê certo. É muito assédio e intriga, mas Melissa e Dean - irmão mais novo de Jack - serão um ótimo apoio ao casal nos momentos mais críticos.

Os personagens da Jenn são jovens, em busca da descoberta de seus futuros profissionais e nesse caminho encontram o amor e tentarão conciliar as duas coisas, afinal, isso é viver, nos equilibrar e tentar ser feliz na maioria de nossas escolhas. Como os relacionamentos reais, há momentos muito difíceis para o casal, mas o que eu gostei aqui foi que, mesmo mostrando o sofrimento de ambos em alguns momentos que não posso falar (kkk), eles sabiam que algumas atitudes deveriam ser tomadas pelo seu próprio bem.
- Não posso, Melissa. Tenho de ficar comigo. Esse emprego é uma oportunidade incrível, e preciso fazer algo por mim mesma. Se eu for ao jogo desta noite, não vou deixá-lo nunca mais. E tenho que ser capaz de deixá-lo. Por mim.
P. 194
Adorei o casal, adorei a Melissa e o Dean e como a Jenn mostrou que eles aprenderam com os erros e acertos ao longo da história e claro que já quero ler os outros dois livros da trilogia The Game Series - adoro quando começo uma série já toda publicada porque não preciso ficar me acabando de ansiedade para que os outros livros sejam publicados, kkkk.

Ah, para quem não está sabendo, a Editora Faro fará um Tour Mulheres Poderosas em alguns Estados então confiram se na cidade de vocês terá evento, ok? Galera de Salvador e região, espero vocês na Livraria Leitura do Shopping Bela Vista dia 25/11 às 15h para conversarmos sobre o tema, certinho?

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15 de out de 2017


[Resenha] Mauricio: A História que Não Está no Gibi - Mauricio de Sousa

Ficha Técnica 

Título: Mauricio: A História que não está no Gibi
Autor: Mauricio de Sousa
ISBN: 978-85-68377-14-7
Páginas: 318
Ano: 2017
Editora: Primeira Pessoa
“Tudo que está na minha biografia é verdade, aconteceu mesmo, ou eu acho que aconteceu.” – Mauricio de Sousa. “Ideias mudam o mundo – poucos chavões são tão verdadeiros e inspiradores. Não mudei o mundo nenhuma vez. Mas, à minha maneira, acho que o melhorei um pouquinho ao gerar bons momentos, diversão e entretenimento para milhões de brasileirinhos. Raros são os autores, no Brasil e no exterior, que podem dizer que foram lidos com o mesmo prazer por avós, filhos e netos. Ou que carregam na bagagem a honra e o privilégio de saber que suas criações, com gibis ou livrinhos agindo como cartilhas informais, ensinaram pelo menos três ou quatro gerações a ler – disparado, meu maior orgulho. Em última instância, sou um sobrevivente, um homem que começou do nada, realizou seu sonho e não quer desistir dele de jeito nenhum. Enquanto eu estiver por aqui, saiba que foi você quem sempre alimentou meus sonhos. Depois que eu partir, não se esqueça de que ideias, e também sonhos improváveis, é que movem o mundo. De um jeito ou de outro, sempre estarei com vocês.” Mauricio

Resenha

Com mais de 50 anos de carreira, Mauricio de Sousa construiu um dos maiores impérios culturais deste país. Gerações e mais gerações cresceram, e foram educadas, com a ajuda de seus icônicos e atemporais personagens. Mônica e seus amigos, são tão populares e queridos, que ouso dizer que é muito difícil achar hoje em dia uma pessoa que nunca tenha consumido a dentucinha e sua turma de alguma forma: seja através dos quadrinhos, dos desenhos animados, peças de teatro, dos brinquedos, das roupas e até mesmo dos produtos alimentícios. 

Com quase 82 anos – que serão completados no final deste mês de Outubro –, Mauricio de Sousa lançou recentemente sua biografia pela editora Primeira Pessoa, selo da Sextante. Em “A História que Não Está no Gibi”, Mauricio narra desde o relacionamento de seus pais no interior do estado de São Paulo até os dias atuais, momento em que sua empresa recria seus personagens através dos mangás da Turma da Mônica Jovem, da série Mônica Toy no Youtube e da publicação dos aclamados MSP Graphic Novels

A trajetória de Maurico não podia ser mais interessante; com tantas reviravoltas e surpresas – tanto positivas quanto negativas –, a história deste paulista poderia dar um filme. Nestes poucos mais de 80 anos de vida, Mauricio foi preso (mesmo que injustamente), boicotado pela imprensa, teve 10 filhos (todos inspirando amados personagens da Turminha), conseguiu publicar suas obras no exterior, conheceu seus ídolos de infância – os mesmos que desenharam seus quadrinhos favoritos, criou um parque temático, etc. E mesmo assim, com tantos acontecimentos grandiosos, e apesar de existir uma multidão de fãs da Turma da Mônica e do próprio Mauricio, desconfio que a maioria só conheça o produto, mas não o criador. E está biografia abre as portas para não só conhecê-lo, mas também desvendar um pouco de suas inspirações.

Somando locuções, ilustrações para folhetos do comércio e desenhos para grandes empresas, eu ganhava mais do que meu pai na barbearia e na rádio. Eu separava algum dinheiro para comprar gibis, mas entregava o grosso dos meus ganhos para minha mãe, exemplar administradora do lar.
P. 47

Dizer que eu amei “Mauricio: A História que Não Está no Gibi”, seria muito simplificador, perante a grandiosidade e emoções que senti ao desbravar o livro. Se eu já amava e admirava Mauricio de Sousa, após a leitura o respeito e carinho só aumentaram. A vida difícil do desenhista não o impediu de sonhar, e pode até parecer clichê dizer isto, porém ele é a prova viva de quem acredita em seus sonhos, sempre os alcança. Mauricio não só acreditou em suas personagens, como as trata até hoje como seus próprios filhos – definição do próprio. 

Fato este que curiosamente perturbou um pouco o Mauricio, ao passo que seus queridos “filhos” estavam tomando rumos, além das aventuras criadas por sua própria imaginação. Acostumado desde o início desta bela jornada a trabalhar praticamente sozinho, ao passo que os anos passam, Sousa foi permitindo novas mentes criativas a lhe ajudarem nesse mágico processo que é criar centenas de histórinhas da Turma da Mônica. Hoje ele entende, e aceita, que a vida é assim mesmo, e que suas criações não poderiam estar em melhores mãos. 
"Mônica Toy", linha da turma que não foi idealizada pelo Mauricio

Uma das coisas desta biografia que achei mais interessante, foi descobrir os fracassos de Mauricio de Sousa. Espera, deixa eu explicar melhor. Quem vê de fora toda a grandiosidade que são seus produtos e suas infinitas conquistas, imagina que Mauricio sempre acertou, que conseguiu tudo de uma forma muito fácil e que continua sendo assim, mesmo após firmar seu nome no mercado. Porém a realidade é outra. Ainda hoje, Mauricio enfrenta dificuldades em concretizar alguns de seus sonhos, estes que ele afirma não abrir mão, na esperança de um dia conseguir realizá-los. 

Ainda nessa linha do que não foi concretizado, o que mais me chamou atenção foram dois projetos em especial. O primeiro deles seria a criação de um desenho dos Beatles no começo da década de 90, projeto que chegou a ser todo estruturado a nível internacional, mas que não viu a luz do dia porque um dos integrantes da banda – incluindo Yoko Ono, representante de John Lennon –, não aprovou. Definitivamente um projeto ousado, que teria colocado, e provavelmente eternizado, o trabalho de Mauricio em todo o planeta.


Esboço do projeto "Beatles 4 Kids", criado por Mauricio nos anos 90

O segundo destes projetos foi a idealização de um programa de TV na Rede Globo, aos moldes do famoso e elogiado Sítio do Pica-Pau Amarelo. O contrato foi assinado, a cidade cenográfica construída, testes de elenco feitos… porém nada de ir ao ar. O conceito de tal programa é extremamente genial, e teria sido definitivamente um sucesso no ínicio dos anos 2000, quando tal empreitada deveria estrear na telinha. Tenho que dizer que descobrir isso me deu uma certa tristeza, e nem imagino como o Mauricio se sentiu ao ver um projeto tão lindo e ousado ter um final tão melancólico.

[...] Mas o fato é que tomei uma decisão baseada apenas na minha intuição, algo que, com o tempo, se tornaria uma das minhas marcas registradas. Já disse que não me importo de estar errado, que gosto de ser convencido. Mas também há casos em que minha intuição acaba falando mais alto do que tudo.
P. 166

Falando em nível estrutural, a edição da obra é muito boa. Os capítulos são relativamente curtos, o que facilita bastante a leitura, dando aquele arzinho de “só mais um”, e quando vemos, já estamos no último. O livro conta também com fotografias coloridas, divididas em dois blocos. Essas fotografias foram a única coisa que me incomodaram, pois a disposição delas foi feita de uma forma que não segue a cronologia da narração. Sei que tal escolha foi feita, exatamente para poder publicá-las em papel especial e em cores, porém se tais fotos fossem postas nos capítulos dos eventos citados, acho que teria ficado melhor.

“Mauricio: A História que Não Está no Gibi” é um agrado aos olhos e também ao coração. Poder conhecer a vida de uma lenda viva como Maurício de Sousa e reconhecer suas conquistas e sua impressionante trajetória – tanto no quesito pessoal e no profissional –, faz com que nós, leitores, nos sintamos mais esperançosos e alegres, ao acreditar na iminência de um final feliz, independente das dificuldades. Seja você uma criança, um adolescente, ou já um adulto… tenho certeza que você vai se encantar com essa historinha que de fato não está nos gibis, mas que nem por isso deixa de ser uma grande aventura.
Aos 53 anos, pelo meu ponto de vista, às vezes achava que tinha atingido o ápice. A vida pessoal estava excepcional. Na carreira, não tinha do que reclamar, com um belo histórico de tiras, quadrinhos, revistas, publicações no exterior, peças de teatro e filmes de cinema, todos bem-sucedidos. Por mais que meus sonhos de menino fossem ambiciosos, eu tinha ido além de qualquer projeção. Mas o fato é que, enquanto as cortinas não descem, o show não pode parar.
P. 205
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14 de out de 2017


[Resultado] Top Comentarista de Setembro

Olá lindos, como estão?? E então, pessoal, quem está curioso para saber o resultado do Top Comentarista de Setembro? O sortudo irá receber em casa o exemplar do livro O Menino Feito de Blocos, do Keith Stuart.


 Lara Caroline: 18 Comentários
 Lily Viana Music: 18 Comentários
 Rudynalva: 18 Comentários
 Franciele Débora: 17 Comentários
 Milena Moreira: 5 Comentários

Segundo as regras, quando houver empate um sorteio será realizado, então irei atribuir números para as pessoas de acordo com seus nomes (ordem alfabética).

Número 1 = Lara Caroline
Número 2 = Lily Viana Music
Número 3 = Rudynalva

Agora sortearemos pelo Random.org


Parabéns Lara!!! Você tem 48 horas para entrar em contato por e-mail, caso contrário, faremos outro sorteio.

Galera, super obrigada pela participação de todos!!
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13 de out de 2017


[Resenha] O Casamento - Victor Bonini

Ficha Técnica

Título: O Casamento
Autor: Victor Bonini
ISBN: 978-85-9581-004-4
Páginas: 365
Ano: 2017
Editora: Faro Editorial
Para os noivos é o dia mais importante de suas vidas. Meses atrás, os amigos diriam que o namoro de Plínio e Diana tinha prazo de validade. Eles se conheceram de um jeito bizarro, pensam completamente diferente e nenhuma das famílias aprova o relacionamento. Mas eles resistiram a tudo. E agora vão se casar. Para o detetive é a melhor chance de pegar um criminoso. O mais íntegro dos convidados esconde um segredo devastador. Mas alguém sabe e está disposto a espremê-lo com chantagens. É então que o detetive Conrado Bardelli se hospeda no hotel-fazenda onde ocorrerá o casamento. Ele precisa descobrir o lobo entre as ovelhas. E rápido. Pois, a cada nova ameaça, o chantagista eleva o tom e falta pouco para a bomba explodir. O casal está pronto para o sim. A noiva se prepara para caminhar pelo tapete vermelho. Até que alguém diz: não saia do carro! Enquanto a plateia espera ansiosa em frente ao altar, algo brutal acontece na antessala. Só quando veem as paredes lavadas com sangue é que os convidados se rendem ao desespero. Começa uma confusão para interromper a marcha nupcial e chamar a polícia. Ninguém sabe o que fazer. E Bardelli, que lidava com um caso de extorsão, descobre que se meteu em algo muito pior. Agora, ele é o único capaz de encontrar respostas. O problema é que as mortes não param de acontecer...

Resenha

Surpreendente. O Casamento, de Victor Bonini, é tão maravilhoso que valeu muito esperar por outro livro desde Colega de Quarto. Segundo livro do autor, publicado pela Faro Editorial e que nos conta a história de uma cerimônia incomum. Dia do casamento ou dia de pesadelo?

Todo casamento, como qualquer evento, exige preparação, planejamento e não foi diferente com o de Diana e Plínio. O local escolhido, uma cidade do interior, calma, sem nenhum caso de violência brutal e que durante um período de 5 dias seria o cenário perfeito da união do casal. É bom ressaltar que esse casamento não era desejado pelas famílias dos noivos, fora que os convidados percebiam uma certa incompatibilidade no casal. As pessoas comentavam como eles eram opostos - as mais próximas e até convidados que não viam Diana há anos. No dia 14/10, a cerimônia que selaria o amor de Diana e Plínio foi marcada por um terrível assassinato. Assassinato brutal, uma cena digna de filme de terror e que colocaria todos os presentes sob suspeita.
Ele tocou o fio para experimentar seu poder de destruição. E foi o suficiente para imaginar aquela lâmina de metal dilacerando pele, carne, osso.
P. 201
E uma figura conhecida retorna em O Casamento. Conrado Bardelli, o detetive Lyra, é amigo do pai da noiva e foi convidado para o momento de união. Contudo, ele não foi apenas como um simples convidado, mas também como detetive contratado por um dos presentes. Lyra tinha como missão descobrir quem estava chantageando e extorquindo um dos convidados e - no período de 11/10 até 15/10 - pretendia levantar informações que conseguissem ajudar chegar as respostas tão desejadas de seu cliente. Ele só não contava com um assassinato e com uma rede de intrigantes fatos que dificultariam a resolução de quem seria o chantagista.

Bardelli se vê em um emaranhado de possibilidades e motivos para os crimes. Sim, o hotel-fazenda onde aconteceria a cerimônia foi palco de mais de um assassinato e tudo indicava que se tratava do mesmo assassino. Além disso existia agora a possibilidade do assassino também ser o chantagista. A cada capítulo o quebra-cabeça vai se formando. Sabe quando você tem um quebra-cabeça com mais de 1000 peças e precisa prestar atenção aos detalhes para conseguir montar? A investigação de Bardelli é mais ou menos assim, tecida nos detalhes.
- Os dois... Desculpa, talvez não seja nada... Mas é que tudo aconteceu de forma tão... tão lógica. Quase como se alguém tivesse pensado em tudo... P
P. 306
Dividido em quatro partes, mais uma vez Bonini mostrou seu talento numa história com mistério,  suspense, assassinatos e investigação. O Casamento leva o leitor a imaginar diversas possibilidades, como Lyra imagina, o faz acreditar que está próximo do assassino e chega ao final acabando com todas as suas anotações de possíveis suspeitos. É surpreendente, bem escrito, a leitura flui, a ânsia de chegar as respostas nos coloca como parte da investigação. Confesso que fiquei com medo em algumas partes justamente por conta de me sentir dentro da história. Sou fã de Bonini! Fã da escrita envolvente e arrebatadora. Dos caminhos que ele escolhe durante a narrativa e que deixam o leitor ao final da história sem ação. E não se trata daquelas escritas presunçosas, pelo contrário, é uma escrita simples, próxima e que te envolve. Mais uma vez a Faro Editorial fez um trabalho gráfico incrível, minha única queixa é em relação aos dizeres do título. Livro novo e o título - a tinta - já está saindo. 

Não sei se foi referência a Rainha do Crime, mas durante uma conversa, Conrado Bardelli confessa que foi passado para trás pelo chantagista e ele solta a expressão "encontrar o gato entre os pombos" e isso me lembrou o título de um livro de Agatha Christie - autora que adoro. Uma autora que Victor Bonini já se declarou fã e que percebemos a influência dela em suas histórias. É maravilhoso ler um livro de Bonini e perceber como é importante apoiar novos autores em nosso país. Autores talentosos e que não deixam nada a desejar em relação autores estrangeiros. Ansiosa para as próximas histórias de Bonini. Leitura mais do que recomendada! 

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