19 de abr de 2011


[Continuação] FIC Os dezenove anos, e além [7]

Vamos ao próximo capítulo....


Capítulo 9 - O Ninho da Fênix

Alvo acordou naquela manha com o coração batendo, como sempre tem sido desde o começo do mês. Ele correu, se vestiu, e desceu para esperar Rosa na Sala Comunal.

Desde o dia em que os dois haviam descoberto que Servo Slim tinha o costume de andar até a Floresta Proibida, os dois haviam se mantido alertas. Rosa ficava até de meia noite com o Mapa do Maroto aberto, procurando qualquer sinal do garoto, e depois contava tudo para Alvo, quando chegava à manha. Alvo já havia tentado subir no dormitório feminino para ver o mapa junto da prima, mas os degraus se transformaram numa rampa, e ele acabou levando uma grande bronca dos monitores.

- Você nunca vai me contar por que tentou subir no dormitório delas, certo? – disse Escórpio, depois do ocorrido.
- Já disse a você o porquê! – disse Alvo – A Rosa tinha ficado com meus mapas de Astronomia, e eu fui buscá-los.
O amigo não engoliu essa de jeito nenhum. Alvo queria poder contar a ele o que estava acontecendo, mas Rosa se recusava a contar sobre o Mapa do Maroto para ele.
- Você ainda não confia nele, certo? – disse Alvo
- Não é isso! – disse Rosa – Mas não custa ter cuidado! Ele ainda é filho de um ex-Comensal da Morte!

Um mês de vigília a Servo Slim, e eles haviam descoberto algumas coisas interessantes. Primeiro, ele só saía de madrugada. Segundo, saía de forma aleatória, mas sempre uma vez por semana. Terceiro, conseguia sair, de forma que nem mesmo os fantasmas conseguiam saber.
- Ele deve ser um bruxo competente! – disse Rosa
- Mais até que você? – disse Alvo brincando.

Ela suspirou. Isso fez Alvo pensar, que talvez a prima realmente enxergasse um desafio naquele garoto. O que era uma grande surpresa, pois ninguém da Classe deles conseguia se equiparar a ela em qualquer coisa, tirando voar e desarmar, na qual Alvo se destacava.


Naquela tarde, eles tiveram aula de poções com os alunos da Sonserina. Alvo e Rosa finalmente puderam olhar mais de perto o tal Servo Slim. Era um garoto magro, de olhar calmo. Não parecia de forma alguma um Sonserino. Nem mesmo parecia ter a perspicácia característica da casa. Porém, ao fim da aula...
- Terminou o tempo! Apresentem-me seus antídotos para venenos simples! – disse o professor Zabini, com seu jeito sinistro.

Como sempre, a poção de Rosa tinha um aspecto perfeito. Fios de fumaça branca, e cristalina como água. Zabini observou, olhou, e aprovou.
- Dois pontos para Grifinória! – disse ele
Alvo sorriu para ela. Nesse mesmo instante, o Professor analisou a poção de Servo.
- Excelente Sr. Slim! Está perfeita! Dez pontos para Sonserina!

A poção de Servo estava com o mesmo aspecto da de Rosa. Eram idênticas por que as duas eram perfeitas.
- Nossa! – disse Escórpio – O professor cometeu uma injustiça, ele deu mais pontos para Sonserina!

No entanto, Alvo percebeu que Rosa não estava preocupada com isso. Ele viu que no final, a intuição dela estava certa. Servo Slim de fato era com certeza, um rival para sua inteligência.

Nas aulas que se seguiram. Alvo pode notar que Rosa tinha um afinco maior ao estudar. Lia, perguntava e praticava com mais força de vontade do que antes.
- Calma Rosa! – disse Alvo baixinho para ele – Não vai ser se matando em sala que a gente vai descobrir qual é a do Servo!
- Não é só isso que está em jogo aqui! – disse Rosa, ao mesmo tempo em que detonava um livro de Encantamentos com o olhar – Você não entende Alvo! A minha mãe sempre foi a melhor aluna de Hogwarts! Ela até ficou famosa, escreveu um monte de livros sobre História, Curandeirismo, Runas Antigas, e até Defesa Contra as Artes das Trevas! Alvo, minha mãe era uma “Bruxa Completa”!
Alvo sabia disso. Alguns dos livros que carregava na bolsa haviam sido escritos por Hermione Granger Weasley.


- Você tem idéia do que ela espera de mim! – disse Rosa – Eu não posso permitir que um Sonserinosinho qualquer tome o lugar que é nosso por direito!

Ao ouvir isso, o estômago de Alvo se torceu. Lembrou de como o pai era famoso, e de como, antes mesmo de chegar ao segundo ano, ele se tornara um campeão de Quadribol. E mais ainda, em como ele fora um bruxo incrível. Se perguntou se seu pai também esperava que ele o superasse.

Naquela tarde, Alvo, acompanhado de Rosa, e Escórpio foram estudar nos gramados. Estava começando a esfriar, mas ainda estava quente o suficiente para que alguns se arriscassem a ir lá fora estudar.
- Pessoal! – disse Escórpio – É serio! Os últimos resquícios de verão, e vamos perdê-los nos matando de estudar! Puts, ainda estamos no inicio do ano letivo, lembra!

Rosa fechou o livro com força. Alvo se escondeu atrás do seu.
- Escuta aqui, Malfoy! SE VOCÊ É LOUCO O SUFICIENTE DE NÃO REVISAR A MATÉRIA TODOS OS DIAS E DEIXAR PARA A ÚLTIMA HORA TUDO O PROBLEMA É SEU!
- Revisar? – disse Escórpio, meio assustado com a reação dela – Estamos lendo coisas que nem foram passadas ainda! É isso que chama de revisar?
- SIM!
- Escuta Rosa! – começou Alvo
- QUE FOI!
Ela própria se assustou com a reação. Limpou a garganta.
- Sim? – começou ela de novo
- Olha só! Por que não podemos dar uma olhada no treino de Quadribol da Grifinória! – disse Escórpio, antes que Alvo falasse qualquer coisa.
Alvo arregalou os olhos.
- O treino é hoje? – disse Alvo sentindo o pulso acelerar
- É! – disse Escórpio – O time foi decidido a uma semana! Hoje vai ser o primeiro treino do ano!

Alvo se levantou na mesma hora.
- Tenho que ver isso! – ele disse
- Mas e os estudos! – disse Rosa
- Depois a gente estuda! – disse Alvo – Vamos Rosa!
Rosa suspirou, mas acabou indo.


Alvo, Escórpio e Rosa se dirigiram para o Campo de Quadribol. Havia alguns alunos da Grifinória na platéia quando chegaram, todos olhando para o céu, onde muitas pessoas, voando em vassouras rodopiavam pelo céu. 

Alvo colocou as mãos sobre os olhos, para ver melhor. Lá estavam os sete jogadores. Um goleiro, dois batedores, três artilheiros, e um... Alvo arregalou os olhos quando olhou para o Apanhador do Time da Grifinória.
- Hei! Alvo! - disse Escórpio - Aquele lá não seu irmão?

Alvo mal pode acreditar, quando Tiago rodou voando por cima das arquibancadas, fazendo um loop com a vassoura.
- IRRA! - berrou ele
Alvo ainda estava estupefado, olhando para o irmão, sem acreditar. Tiago conseguira uma vaga no time, e como Apanhador.

- Não acredito! - disse Alvo
- Isso não é demais - disse Rosa - Seu irmão conseguiu uma vaga no time! É ISSO AÍ TIAGO!! VIVA!!

Alvo viu que Tiago os havia avistado. Ele acenou para eles, e fez acrobacias no ar.
- Hei! Potter! - disse o treinador - Volte para cá, isso não é hora de se exibir para as garotas!
- Achei que isso fosse o tempo todo! - disse Tiago ficando de pé sobre a vassoura, e rindo.

Ele voltou para o resto do time.
- Irado! - disse Escórpio - Seu irmão conseguiu uma vaga no time, e é apenas seu segundo ano em Hogwarts! Sabia que tem gente que só consegue entrar depois de muito tempo...HEI, Alvo, onde você vai!

Alvo saiu andando para fora do Campo. Por algum motivo, deixara de ter interesse no Quadribol. Ele ouviu seus amigos o seguindo. Pensou em seu pai, será que ele já sabia que seu irmão entrara pro mesmo time que ele havia jogado? Será que ele sabia, que ele, Alvo, não era tão bom quanto ele em voar, ou que Tiago. 

Alvo sabia que tinha certa destreza com a vassoura, mas nunca se comparou com as habilidades de Tiago. Seu irmão era perfeito quando estava no ar. Alvo pensou nas preocupações de Rosa em ser tão boa quanto sua mãe. Será que ele devia se preocupar mais em superar seu pai também? E conseqüentemente, seu irmão? Ele não sabia.


No fim daquele dia, Alvo ficou até tarde olhando as chamas crepitando. A Sala Comunal da Grifinória era bastante confortável em noites como aquela. Ameaçava cair uma tempestade, com trovões ribombando no céu de vez em quando, além de ventos fortes e frios.

Perto de Alvo, se encontrava Malfoy, quebrando a cabeça para desvendar o truque de um certo encantamento.
- Vingardium Leviosaaaa! Da um tempo, que feitiço enjoado cara! O que eu to fazendo de errado?
Ele re-leu o livro mais uma vez.
- Só pode ser o movimento! – disse ele – Quer dizer, eu não estou errando ao dizer o feitiço, certo?

Alvo não estava dando atenção para dever de casa naquele momento. Ele estava ainda pensando no Quadribol. Devia haver alguma coisa que ele pudesse fazer. Ele não era um bom apanhador, pois por mais que acelerasse, nunca conseguia agarrar a bola. Conseqüentemente, não era também um bom goleiro, o que lhe restava a posição de Artilheiro.
- AQUI! – disse Escórpio – A entonação de “Leviosa” estava errada!

Apesar de ser muito bom em voar, Alvo não tinha certeza se seria um bom Artilheiro. Gostava de jogar, mas toda vez que subiam aos céus, era Rosa quem primeiro pegava a Goles. Ela parecia ter uma grande pré-disposição para manejar a bola de madeira, mesmo sobre a vassoura.

- Olha Alvo! CONSEGUI! Seu tinteiro está flutuando!

Foi nessa hora, que ele teve uma idéia.
- É ISSO!
O susto foi tão grande, que Escórpio deixou o tinteiro cair, esparramando tudo por todo lado.

- O que? – disse Escórpio
Alvo o agarrou pelo colarinho.
- Você voa bem?
- Que?
- Você voa bem?!
Escórpio encarou Alvo totalmente desnorteado.
- Acho que sim! Meu pai me ensinou quando eu...
- ISSO! Eu acabei de ter uma idéia! Amanha, eu, você, e a Rosa...

- ALVO!
- Falando nela! – disse Alvo

Ela desceu sacudindo o Mapa do Maroto, sem nem se dar conta da presença de Escórpio.
- Alvo, eu descobri! O Slim acabou de sair pelos por...
Ela viu Malfoy estreitar os olhos.
- ... tões! – Ela completou


Escórpio olhou de um para o outro.
- To dizendo! – disse ele – Então vocês estavam tramando alguma coisa, e nem me falaram nada!
- Foi mau cara! – disse Alvo – É que...
- Foi péssimo! Pô! Eu achei que vocês confiavam em mim!
- Mas a gente confia! – disse Rosa – Mas é que...
- É que não o suficiente! – disse Malfoy
Alvo olhou para Rosa. Ela ficara vermelha de vergonha. Na verdade, ELA não confiara o suficiente nele.
- Me desculpa, OK! – disse ela ficando nervosa – Mas como é que eu ia... Ia saber, vai que... Sei lá...
- Ta! Ok! – disse Malfoy, mal humorado – Vão me contar o que está acontecendo, ou preferem que eu faça o Voto Perpetuo primeiro?

Alvo olhou para Rosa. Ela baixou a cabeça.
- Tem um cara da Sonserina – disse Alvo – Um tal Servo Slim! De vez em quando, ele tem ido fazer sabe Deus o que na Floresta Proibida.
- E Alvo disse que viu ele andando pelos corredores no dia do Pique Esconde! – disse Rosa.
- Que cara mais suspeito! – disse Escórpio – Qual vocês acham que é a dele?
- É o que vamos descobrir hoje! – disse Rosa sorrindo

Ela foi até a janela da Sala, e abriu. Os ventos frios inundaram o lugar, e fizeram a chama na lareira se extinguir.
- Fecha isso! – disse Alvo

Mas Rosa continuava olhando pela janela. Ela estava focada em alguma coisa embaixo dela.
- O que você está vendo aí? – disse Escórpio

Ela pediu que se aproximassem.
- Vêem! – disse ela apontando para baixo
Logo abaixo da janela, havia uma marquise de pedra. Era larga o suficiente para que ficassem de pé ali.
- O que está sugerindo? – disse Escórpio – Sair do castelo POR FORA? Escalando a fachada e as torres?
Ela sorriu para Alvo. Ele bem que queria saber por que.
- É mais ou menos isso! Nós realmente vamos sair do castelo por aqui! Mas vamos precisar de você, Alvo! – disse ela sorrindo.


Alvo se perguntou do que diabos ela estava falando. Ele não sabia fazer ninguém voar... Ou sabia?
- Está sugerindo que...
- Isso mesmo! – disse ela
Ele sorriu.
- O que? – disse Escórpio – Do que estão falando?


Cerca de cinco minutos depois, Alvo voltava do dormitório. Ele trazia consigo capas para que não sentissem frio. Resolveu pegar aquela que Tio Jorge havia lhe dado de presente. Ela ainda era uma capa, apesar de tudo.

Os três vestiram as capas.
- Certo! – disse Rosa – Agora a parte difícil

Eles passaram por cima do parapeito da janela, e escorregaram com delicadeza, até seus dedos dos pés tocarem a marquise. Por fim, estavam do lado de fora da Torre da Grifinória, com o vento uivando por sobre suas capas.
- A gente vai morrer! – disse Escórpio
- Não vamos coisa nenhuma! – disse Rosa – Agora vamos, nossa carona está impaciente!

Eles olharam para o lado, para sua "carona". Ali perto, agarrado com os pés de águia a marquise, estava um ser metade pássaro, metade cavalo. Um ser que muitos conheciam por Asafugaz, mas eles o chamavam como Hagrid o chamava. Bicuço.


Alvo sentiu o ar frio gelar seu rosto, enquanto Bicuço cortava o céu, em direção a floresta. As torres do castelo pareciam dançar, enquanto o Hipogrifo as contornava.
- Isso é irado! – disse Escórpio sorrindo – Vou pedir pro meu pai comprar um desses pra mim!
- Eu prefiro vassouras! – disse Rosa

Alvo se agarrava firmemente as penas. Cada batida da asa era um solavanco. Porém, quando deixaram para trás as torres, e atravessaram a orla da floresta a uma altura que quase se equiparava a da Torre de Astronomia, Bicuço parou de bater as asas, e planou suavemente pelo ar.

Alvo montado à frente, guiando o Hipogrifo. Rosa estava logo atrás dele, logo a frente de Escórpio. Alvo a sentiu se movimentando. Deu uma olhada para trás, e viu que ela se esforçava para olhar o Mapa do Maroto, sem deixá-lo voar.
- Pessoal! – disse ela – Acho que ele está... para aquele lado!
- Certo! – disse Alvo – Vamos então!

O Hipogrifo deu a volta, e foi planando até suas patas roçarem as copas das árvores. Mais tarde, Alvo se recordaria daquela, como a pior aterrissagem de sua vida. O Hipogrifo não podia descer como sempre, ou acabaria batendo nas árvores, então, quando Alvo mandou que descesse, ele perdeu a altitude o máximo possível, deu um solavanco para cima, e fechou as asas.
- AAAAaah!!

Os três sentiram a gravidade faltar quando aquilo aconteceu. Alvo se agarrou ao pescoço do Hipogrifo, e sentiu Rosa se agarrar nele. O animal alcançou a terra, causando impacto no chão.

Alvo escorregou do lombo com os joelhos tremendo.
- Nunca mais! – disse ele – Aterrisso esse bicho na floresta!

- EI! VOCÊS DOIS!

Alvo e Rosa olharam para cima.
- ME TIREM DAQUI!
Os dois quase soltaram gargalhadas, quando viram Escórpio preso pelo capuz da capa, em um galho.
- Como você foi parar aí em cima? – disse Rosa
- Quando essa maldita galinha ficou louca, ela me jogou do lombo! – disse Escórpio – QUEREM ME TIRAR DAQUI!


Rosa tomou a frente, e usou o Vingardium Leviosa para fazê-lo descer. Alvo não pode deixar de pensar que a chegada dele ao chão foi mais suave que a deles dois e do Hipogrifo.

- Certo! – disse Escórpio – Estamos aqui, e agora?

Eles olharam ao redor. As árvores os cercavam.
- E agora? – disse Rosa
Alvo olhou para ela de olhos arregalados.
- Como assim e agora? Você é quem tinha planejado isso tudo!
- Eu sei! – disse ela – O plano agora era seguir o Slim, mas como tivemos que pousar meio que longe dele para não chamar a atenção, não tenho certeza de como vamos encontrá-lo!

Eles se entreolharam. Alvo ficou meio sem saber o que fazer.
- Ta bom! – disse Escórpio – É por aqui, vamos!
Alvo e Rosa se entreolharam.
- Como é que você sabe?
- Não sei! – disse ele – Mas prefiro tomar logo uma decisão! Pelo menos alguma coisa vai acontecer!

Alvo torceu para que aquela “alguma coisa” não fosse algo ruim. Os três foram caminhando por entre as árvores, seguidos pelo hipogrifo.

A floresta era um lugar escuro e estranho para Alvo. Havia certo nevoeiro em alguns lugares do chão, o terreno estava sempre coberto de folhas secas. E o frio não ajudava em nada aquela situação. Bicuço parecia estar se divertindo. De vez em quando, ele agarrava algo no ar, que Alvo jurou serem morcegos.

- Lumus! – disse Rosa
Uma luz se acendeu da ponta de sua varinha.
- Isso deve bastar!
Eles continuaram andando. Nesse momento, eles começaram a ouvir uivos.
- Essa não! – disse Escórpio – Lobisomens!
- Parecem estar longe! - disse Alvo – Acho que é só não ir naquela direção!

Continuaram. O caminho parecia os estar levando para baixo. Cada vez mais, ele descia.
- To começando a achar isso uma perda de temp...
- Shhhh


Escórpio e Rosa se calaram. Havia um animal logo a frente. Era um quadrúpede alto e esquio, e até gracioso.
- Parece um Unicórnio! – disse Escórpio
- Não é! – afirmou Rosa – Unicórnios têm um pelo tão branco que chega a brilhar!
Alvo apertou os olhos.
- É uma corça! – disse ele sorrindo – É isso o que é!

A Corça pastava calmamente, sem nem se dar conta da presença deles.
- Não sabia que tinha esse tipo de animal aqui! – disse Escórpio
- Eles ficam desse lado da floresta para evitar predadores como os Lobisomens! – disse Rosa – Eu sabia que tinha deles aqui, pois de outro jeito, por que Hogwarts precisaria de um Guarda-Caça como Hagrid?

A corça levantou a cabeça e empinou as orelhas.
- Acho que ela nos viu! – disse Escórpio

Mas o animal se virou para o outro lado. No instante seguinte, ela tinha saltado para longe dali, e fugido floresta adentro. No chão, logo onde ela havia estado antes, uma flecha estava fincada.
- Um caçador! – disse Escórpio
- Será que é...
- HAGRID! – chamou Alvo

As árvores logo a frente se mexeram, e o som de cascos foi ouvido, quando algo saltou do meio das folhagens. No instante seguinte, Alvo se viu ameaçado pela ponta de uma flecha em sua garganta.

- Identifiquem-se invasores! – disse a voz de um jovem – Quem se atreve a invadir o território de caça dos centauros!

Rosa colocou a luz a frente. Um jovem centauro foi iluminado. Em semblante de surpresa estampado no rosto.
- Horas vejam! – disse ele – São apenas filhotes! Filhotes alunos da escola!
- Olha só quem fala! – disse Escórpio


O centauro parecia ter no máximo quatorze anos. O cabelo dele era castanho claro, e o pelo de seu lombo também, exceto as patas, que eram pretas.
- O que estão fazendo aqui? – disse ele baixando o arco – Achei que as normas diziam que filhotes humanos não podiam entrar na floresta sozinha!
- Que eu saiba! Crianças centauros também não podem andar por aí sozinhos! – disse Rosa se colocando a frente – De acordo com o que sei, tem uma espécie de ritual de passagem para se tornar adulto, envolvendo a posição das estrelas e essas coisas! 

O garoto pareceu meio sem jeito com a afirmação, mas de um jeito nobre que só um centauro poderia ter.
- Apesar de ser jovem para minha raça, creio ser mais experiente que vocês três juntos! – ele disse – E tenho certeza de que sei muito mais sobre meus próprios costumes também!

Rosa levantou o queixo com um gesto que Alvo julgou arrogante demais.
- De qualquer modo – disse o Centauro – Quem são vocês, e por que estão aqui?

Alvo engoliu em seco.
- Bom! Esses são Escórpio Malfoy, e Rosa Weasley! E eu sou Alvo Potter!
- Potter? – disse o centauro – Como Harry Potter?
Alvo ficou com a cabeça ligeiramente confusa. Até aonde ia a fama do seu pai?
- Ele...ele era meu pai!

O centauro arregalou os olhos, e riu.
- Agora eu entendi! Se você é filhote de Harry Potter, significa que é muito bem vindo à floresta, em qualquer hora ou lugar! Eu sou Aurin, estou honrado em conhecê-lo! Quando analisei as estrelas noite passada, elas me disseram que eu teria sorte na caçada, mas não sorte com a caça! Somente agora entendo o que elas queriam dizer!

Alvo sorriu, e olhou para os companheiros. Rosa e Escórpio pareciam desnorteados.


Alvo mal podia acreditar na sorte que estava tendo. Em um minuto, um vôo de hipogrifo com uma aterrissagem que tinha tudo pra matar ele e seus amigos, no outro, uma floresta escura, recheada de lobisomens, e feras desconhecidas. É claro, isso não poderia ser considerado sorte de forma alguma, se ele não tivesse sobrevivido a todas essas coisas, e ainda, ganhado o que parecia ser uma aventura que valeria a pena recordar.

Agora, o jovem centauro chamado Aurin, os guiava por entre as árvores da flore4sta proibida com o prazer de um anfitrião que mostra sua casa.
- Então, tem um aluno da escola por aqui? – disse Aurin – Faz sentido, eu achei mesmo que havia alguns rastros meio diferentes!
- Consegue identificar o animal pelos rastros? – disse Escórpio
Aurin olhou para ele como se achasse graça.
- Não é obvio? Para ser um bom caçador, é necessário primeiro reconhecer a caça! Mesmo antes de seu destino ser selado pelas estrelas, eu já tinha conhecimento que seguia um gamo!

Alvo e Rosa se entreolharam. Aurin pareceu notar isso.

- É que as estrelas não são muito exatas, então quando vamos caçar, temos que contar com nossa habilidade de ler a terra! Entende!

Alvo não entendia muito de centauros, e menos ainda de caçadas, mas achou que se havia algo importante naquele papo todo, devia ser o fato de que aquele individuo poderia levá-lo até onde estava Servo Slim.

- Escute... Hum...Você pode então nos dizer onde teria ido esse nosso colega?

Aurin sorriu.
- Ajudar um Potter a localizar um amigo perdido na floresta? É claro! Isso seria mais que uma honra!
Alvo sorriu para os companheiros.
- Obrigado!


As próximas horas foram ocupadas com uma caminhada pela floresta as escuras, seguindo o jovem centauro, que observava o chão. De vez em quando, ele galopava uma certa distancia, e dizia coisas como “A trilha está fresca” ou mesmo “Venham por aqui”

Em determinado momento, Rosa olhou para o centauro com cara de desconfiada.
- Você sabe mesmo pra onde está indo? Parece tudo tão igual pra mim!
Aurin se virou para ela, visivelmente arrogante.
- Eu sou o melhor caçador da minha idade no meu rebanho! Já persegui muitas presas astutas! E um filhote humano, vindo da escola com certeza não será um desafio!

Rosa deu os ombros.
- Se você está dizendo!

Eles continuaram a caminhada.


Alvo já havia perdido as esperanças de encontrar qualquer coisa mais interessante que o centauro que os guiava. O terreno continuava igual sob seus pés, enquanto Aurin continuava chamando-os cada vez mais para o fundo da Floresta.
- Conheço esse lugar! – disse o Centauro – Acho que seu amigo está procurando alguma coisa grande, por que estamos nos aproximando de uma verdadeira concentração de Magia!
- Um lugar que concentra magia? – disse Escórpio
- Sim! E magia poderosa, que vocês bruxos ainda não compreendem, ou compreendem muito pouco!
Rosa revirou os olhos. Alvo achou que a prima não havia gostado muito daquele novo amigo de outra raça que eles haviam arrumado.

Foi nesse momento, que o centauro parou, e sorriu. 

Aurin os chamou mais para perto, sorrindo. O terreno subiu um pouco.
- Não façam movimentos muito bruscos, e falem baixo! É serio

Ele afastou um galho. O que Alvo viu à frente naquele momento ficou guardado na lembrança dele para o resto de sua vida. Era uma clareira, com um lago límpido e azul, onde dezenas de unicórnios bebiam água, e nadavam.

- Caramba! – disse Alvo
- Nossa! – disse Escórpio
- G...grande coisa! – disse Rosa
Os três indivíduos olharam para ela.
- Nós bruxos usamos o pelo de unicórnio nas nossas varinhas! E usamos o chifre e muitas outras coisas nas nossas poções! Compreendemos SIM o poder deles...
Aurin riu.
- O que vocês aprenderam até agora sobre esses animais não é nem metade do que há para saber! Na verdade, cada raça de ser vivo que existe tem seus conhecimentos escritos nas estrelas! Mas seriam necessários anos para decifrá-las por completo!
- Bem mais fácil dissecá-los! – disse Rosa – E mais rápido
Aurin revirou os olhos, com raiva.
- Viu, é por isso que tantas raças odeiam os bruxos! Só conseguem compreender seus semelhantes depois de mortos...
- Fiquem quietos aí! – disse o Escórpio – Olhem lá!


Ele apontou para o outro lado do lago. Lá estava Servo Slim.
- Bom olho! – disse Alvo, que quase não enxergou o garoto Sonserino, lá do outro lado.

Eles ficaram abaixados, observando. O outro não se mexia.
- O que esse cara ta esperando? – disse Escórpio
- Viemos aqui pra descobrir isso! – disse Alvo
- Isso é preocupante! – disse Aurin – Como um Filhote-Bruxo descobriu esse lugar?
- Mais importante, é o que ele quer com os unicórnios? – disse Rosa

Depois que Rosa dissera aquilo, Alvo ficou pensando. Realmente, o que Slim poderia querer ali? Havia um bom estoque de ingredientes vindos de unicórnios em Hogwarts, no armário de poções. Seria bem mais fácil rouba-lo, do que coletar ingredientes com as próprias mãos...
- Meu Deus! Olhem AQUILO! – disse Escórpio arregalando os olhos

Naquele momento, em meio a brancura do cenário, surgiu um vulto vermelho e dourado, planando em meio ao lago.
- É... É... É uma...é uma...
- Uma fênix! – disse Aurin com orgulho – Não víamos uma dessas a muitos anos aqui na floresta! Essa Apareceu a poucas décadas, e tem sido a única a muito tempo.

A fênix planou sobre água, enviando o bico no lago de vez em quando.
- Faz sentido que ela prefira esse lago! – disse Rosa – A magia aqui deve ser poderosa, e fênix são animais mágicos muito poderosos também!
E se virou para Aurin.
- Também fazemos nossas varinhas com elas!
Aurin deu um largo sorriso.
- Mas aposto que você não sabia que Fênixes só visitam Lagos de Unicórnios quando estão prestes a ter ninhada!
Rosa parou por um momento.
- Eu...
- Vejam!
A fênix deu mais uma volta
, e voou para longe, para a direção em que Servo estava escondido. O garoto sumiu, acompanhando o pássaro com a vista

- Caramba! – disse Alvo
- Pelo jeito, o seu amigo é um observador de pássaros! – disse Aurin – Acho que não é nada demais!

Rosa ficou de cara fechada por um tempo.
- Vamos voltar! – Ela disse – Já está tarde
- É, vamos! – disse Escórpio
- Eu os levo de volta ao seu Hipogrifo, não se preocupe! – disse o centauro


Porém, em quanto andavam, Rosa puxou Alvo para um canto.
- Esse centauro idiota não percebeu – disse ela – Mas se é verdade que a Fênix está tendo uma ninhada, então o Slim está aprontando uma coisa grande!
- O que poderia ser? – disse Alvo – Qual é o problema dele ficar observando a...
- ALVO! Quando uma fênix é um filhote, ela é fácil de domesticar! Ele deve estar tentando descobrir no ninho para roubar um filhote!

Alvo engoliu em seco. Ele não prestava muita atenção as aulas de Criaturas Mágicas, mas sabia que aquilo devia significar alguma coisa
- Ele poderia fazer milhares de coisas com isso! Não é? – disse Alvo
- Se é! – disse Rosa – Lagrimas curativas, capacidade de levantar cargas pesadas, e até mesmo aparatagem! E as fênix não se incomodam com os feitiços protetores de Hogwarts!
- Nossa! – disse Alvo
- E eu nem quero pensar no que ele poderia fazer usando poções! – disse Rosa
- Talvez seja alguma coisa boa... – arriscou Alvo
Rosa olhou para ele de esguelha. Não, não havia chance de ser nada bom, pois se fosse, ele iria querer receber méritos, ganhar medalhas, e ele não poderia fazer isso trabalhando na surdina e quebrando regras.

Fosse o que fosse que Servo Slim estivesse planejando, era algo ruim para eles, e ruim para a escola. Talvez, até houvesse alguma magia das trevas naquilo.


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