26 de abr de 2011


[Continuação] FIC Os dezenove anos, e além [8]

Próximo capítulo...


Capítulo 10 - No rastro das feras

Harry abriu os olhos, acordando e interrompendo um sonho. Ele havia sonhado com várias coisas, muitas das quais eram reflexo do que ele estava vivendo no momento. Lobisomens por exemplo, tinham muitos deles em seus sonhos. Ele olhou em volta, sem reconhecer o local onde estava. Não era a Toca, e muito menos o Largo Grimmald. Onde diabos...


- Harry!

Ele ouviu a voz de Rony do lado de fora da porta. Só então ele se lembrou finalmente. Estava no Caldeirão Furado, em Londres. Junto com ele, estava Rony, Gina, e alguns outros aurores novatos que num passado não muito distante haviam sido da Armada de Dumbledore, aliás, pensavam ainda ser. 



Ele se levantou rápido. Como é que ele chegara ali mesmo? Ah sim, ele se lembrava. A duas semanas atrás, Kingsley havia montado o grupo, que agora ele liderava. Bastou uma olhada no grupo, e Harry viu que tinha coisa errada, ou alguma coisa certa dependendo do ponto de vista. Viu ali Dino Tomas, Lilá Brown, Zacarias Smith, Miguel Córner, e o pior de todos os membros, Gina.

- Mas que... O que... KIGNSLEY!

Se entender com o Ministro foi bem difícil para Harry, por que ele tinha um ótimo argumento.
- Eles já vêem você como líder, vai ser fácil fazê-los agir como equipe!
- Por que é que eles estão aqui?
- Todos passaram no teste!
- Qualé!
- Não tive nada haver com isso! Eles passaram por mérito próprio! Só os coloquei na sua equipe!



A parte que Harry mais odiou foi ver Gina lá no meio. Por que de todos os ramos que podiam ser escolhidos no Mundo Bruxo, ela tinha que escolher o cargo mais perigoso de todos. AUROR. É claro, ele nunca poderia falar isso pra ela, por que se algum dia abrisse a boca, ele ouviria varias verdades que não estava disposto a ouvir. Como por exemplo, “Sei me cuidar tão bem quanto você, ou qualquer um” ou “Está agindo com um idiota super protetor”. Então não tinha jeito, ele teria que engolir.


Não é preciso dizer que todos ficaram muito felizes de estarem de novo no mesmo time. Harry nem imaginava o quanto havia inspirado os antigos colegas.
- Eu só pensei em ser Aurora depois de fazer parte da Armada! – disse Lilá Brown
- Sério? – disse Dino Tomas – Eu até pensei em ser, assim, depois que descobri o que era um Auror, por que meus pais são trouxas!
- Depois do último ano, acho impressionante que tão poucos tenham querido ser Aurores – disse Zacarias Smith, baixando a voz – Não vai haver momento mais fácil para entrar se tornar Auror do que agora, o Ministério está precisando de pessoas!
- Que bobagem Zacarias! – disse Miguel Córner
- Mas é verdade...


Depois de conhecer sua nova equipe, Harry tinha outro problema, as revoltas de lobisomens que precisavam ser contidas. E ele tinha que por aquela equipe de novatos em forma até lá. Ficou se perguntando se eles ainda lembravam do que haviam aprendido na A.D no quinto ano.

- Devem lembrar! - Garantiu Rony – Afinal, durante o sétimo ano, tiveram que por tudo em prática!

Rezando para que Rony estivesse certo, Harry assumiu a sua primeira missão oficial.



Como dissera Kingsley, havia revoltas de lobisomens por todos os lados, e ele, Harry, seria o encarregado de conte-las. Então, ele não esperava nada menos, quando recebeu a noticia de que teria que...

- Salvar um vilarejo Trouxa? – disse Zacarias

- Sim! – disse Harry – Algo contra?
- Tá brincando! – disse ele – Devem ter dezenas de lobisomens por lá
- Centenas! – corrigiu Gina – Quinhentos e oitenta e três! Um bruxo da região se encarregou de contar! Eles estão se reunindo na floresta atrás do lugar, e planejam atacar quando a lua aparecer!
- Isso é suicídio! – disse Miguel
- Se tá com medo, pula fora! – desafiou Rony



- Não


Todos olharam para Harry.
- Ninguém aqui vai pular fora! – disse Harry
- Você não pode falar pela gente! – disse Zacarias
Harry se aproximou dele.
- Não foi você mesmo que disse que o ministério estava com falta de gente? Por que você acha que essa batata quente caiu na nossa mão? Por que os Aurores mais experientes estão cuidando de coisas piores do que isso!
Harry olhou em volta. Sua recém montada equipe parecia um pouco assustada.
- Se nos esquivarmos disso aqui, não vai haver ninguém para proteger as pessoas daquele vilarejo! Se alguém quiser sair, tudo bem, mas que possa viver com a culpa de ter abandonado os amigos numa situação dessas!


Todos se entreolharam. Harry sentiu que havia conseguido alguma coisa.

- Então vamos! – disse ele – Com calma! Façam o que eu disser... eu já tenho um plano de como agir!



Ao ouvir isso todos ficaram mais animados, e encorajados. Rony se aproximou de Harry

- E então? Qual é o plano?

- Quando eu tiver um eu falo!
- Ah... Saquei!



Passaram pelos corredores do Ministério, até atingirem o saguão de entrada, que era o melhor lugar para aparatação.

- Todos prontos? – disse Harry

Todos confirmaram com a cabeça
- Certo! Então vamos!
No segundo seguinte, todos haviam aparatado do Ministério.


Harry sentiu a brisa fria da noite. Ele e os sete companheiros estavam nos arredores de uma pequena vila trouxa, onde por perto havia uma floresta de pinheiros muito nevoenta.
- Isso aqui está arrepiante! – disse Miguel Córner
- Agora vai ficar com medo? – disse Zacarias Smith desdenhoso
- Fiquem juntos – disse Harry


Harry olhou para o céu e suspirou aliviado. A lua estava totalmente coberta por névoa. Talvez a missão fosse mais fácil do que parecera a primeira vista.

- Todo mundo aqui sabe fazer o feitiço desilusório? – disse Harry

- Dá um tempo! – disse Zacarias – Não nos subestime



Harry teve que se segurar para não mandar uma meia resposta para o companheiro. Zacarias tinha uma personalidade muito irritante.



Todos prepararam seus feitiços. Harry sentiu a sensação de frieza escorrendo pelo topo de sua cabeça. Logo, todos os feitiços estavam prontos. Harry olhou em volta para ver como haviam se saído os companheiros. Rony ele pode ver claramente pois os objetos em volta dele ficavam meio arredondados quando ele passava. Zacarias Smith e Miguel Córner haviam feito feitiços competentes apesar de tudo. Contudo, Lilá Brown e Gina haviam quase desaparecido.

- Muito bom! – disse ele



- Harry? – disse Rony – Cadê você?



- Aqui! – disse Harry



Um silencio geral.

- Nossa Harry! – disse Rony – Você está invisível!

- É eu sei! – disse Harry, se perguntando se o amigo tinha esquecido a intenção de um feitiço desilusório.

- Não! – disse Lilá – Invisível mesmo! Esse é o feitiço desilusório mais poderoso que já vi!
- Se não tivesse visto você fazer o feitiço pensaria que está usando a capa! – disse Miguel Córner
- Hum... Certo! – disse Harry, sem saber o que diser– Se organizem em duplas! Córner e Smith, fiquem à direita! Rony e Lilá! Fiquem logo atrás, e Gina...
- Eu ficarei com a Lilá! – disse ela – Você tem feito dupla com o Rony no combate as Artes das Trevas faz tempo! Já tem o passo acertado!
Harry se perguntou o que raios ela estava querendo.
- Eu sou o líder aqui! – disse ela
- Ótimo! – disse ela – Então se concentre em proteger as pessoas daquele vilarejo, e não uma única companheira Aurora!


Aquilo foi um belo tapa. Era verdade, ele queria ficar perto da Gina por que estava preocupado.

- Escuta Gina...

- Esquece cara! – disse Rony – Ela não vai ceder!



E não cedeu, nem havia como impedir, uma vez que ela estava quase invisível. O grupo continuou a adentrar na floresta. A névoa estava muito espessa, e não se via quase nada. Harry ficou se perguntando onde estariam os inimigos



Todos foram passando por entre as árvores, com os ouvidos atentos para qualquer coisa. Foi quando Harry começou a ouvir vozes.



- Logo, logo, estaremos nos deliciando com o sangue deles! Logo, estará em tempo de atacarmos!



O barulho de aparatações pôde ser ouvido. Harry mandou que todos se abaixassem fazendo sinais de som com a boca. 



No meio de uma clareira, estavam vários bruxos, todos com vestes muito ruins, pálidos e magros. Harry se lembrou da aparência que Lupin sempre apresentava. A maioria ali tinha sintomas físicos semelhantes. 

- São muitos! – ele ouviu a voz de Lilá comentar

Ela tinha razão, havia vários deles. Duzentos ou trezentos no mínimo. Harry começou a sentir um aperto muito forte no peito. Como é que ele faria meia dúzia de bruxos inexperientes vencerem uma luta contra um exercito lobisomem?
- E agora capitão? – Harry ouviu a voz de Zacarias lhe perguntando – É hora de um plano mirabolante, e milagroso!


Um plano milagroso? Sim, milagres viviam acontecendo quando ele enfrentava Voldemort. Como Fawkes voando para a Câmara Secreta para salva-lo do Basilisco, ou um feitiço protetor como quando salvara a Pedra Filosofal, ou tantas outras vezes que a sorte ou o acaso o levaram a derrotar o que parecia insuperável. “NÂO” disse ele a si mesmo “Não foi só a sorte, eu me esforcei, lutei, venci, e escapei de muitas coisas sem precisar de um milagre” e nisso, veio a sua mente as suas escapadas ao destruir as Horcruxes, o momento em que varou a cabeça do Basilisco com a espada de Godrick Griffindor, e os Dementadores que havia espantado no terceiro ano. Ele não precisara de ajuda com nada daquilo, e não precisaria agora.


- Certo! – disse ele pensando – Precisamos derrotar muitos, com pouco arsenal! Como é que vamos fazer isso?



Procurou em sua mente as vezes em que esteve em desvantagem numérica. À sua mente, veio a ida a Floresta proibida no segundo ano, onde se vira rodeado por aranhas. Aquilo não ajudava em nada, a menos que Lobisomens temessem um Ford Anglia voador, e eles tivessem um à disposição. 



Depois disso, sua mente passeou rapidamente pelo Torneio Tribruxo com os sereianos, pensando depois na Invasão do Ministério no quinto ano. Então pensou quando ele e Dumbledore foram resgatar a Horcrux da caverna...



- Fogo... – disse ele de repente – Ar árvores...

- Algum problema Harry? – disse Rony ao seu lado

- Já sei! – disse ele – Incendiamos a clareira!
- Tá maluco! – disse Rony horrorizado – Que idéia estúpida e louca é essa agora!
- Vamos esperar até que eles resolvam se transformar! – disse Harry, pensando como eles fariam aquilo sem lua – Quando eles se transformarem, incendiamos as árvores ao redor dessa clareira!
- Essa é a coisa mais louca que já ouvi! – disse Zacarias!
- Como faremos pra por fogo em tudo isso? – disse Miguel Corner


Harry olhou em volta analisando o terreno.
- Ok! – disse ele – Só precisamos nos posicionar do jeito certo!
Quanto mais Harry pensava no plano, mais bizarro ele parecia, mas não conseguia enxergar uma solução melhor. Mais e mais Lobisomens continuavam aparatando lá para o meio.


Depois que o plano fora explicado, Harry correu para sua posição com Rony. Cada dupla estava em uma extremidade do local. Harry e Rony haviam ficado em uma posição que os colocava de costas para a Aldeia Trouxa, fora da Floresta. As coisas estavam ficando movimentadas no fundo da Clareira. O lugar parecia uma bacia rasa e gramada, onde no fundo os lobisomens ficavam cada vez mais alvoroçados.


Harry ficou pensando em Gina, lá do outro lado da bacia. Ela devia estar em algum lugar com Lilá Brown. “Podia ser pior” Harry pensou “Ela podia estar fazendo dupla com o ex-namorado”. O pensamento não foi nada reconfortante.


Então, algo começou a mudar lá embaixo. A neblina havia adquirido uma cor clara e prateada no céu.

- IRMÃOS! – gritou um bruxo lá no meio – A LUA ESTÁ A PINO AGORA POR BAIXO DESSA NEBLINA! QUANDO ELA FOR RETIRADA, NOSSO PODER SERÁ MAIOR DO QUE JAMAIS FOI! NESSE MOMENTO, IREMOS ATÉ O VILAREJO TROUXA E DOBRAREMOS O NUMERO DE NOSSA RAÇA! O MINISTÉRIO DA MAGIA ESTÁ FRACO DEMAIS PARA NOS IMPEDIR, GRAÇAS A LUTA COM OS BRUXOS DAS TREVAS! TEREMOS LIBERDADE TOTAL PARA MATARMOS E NOS MULTIPLICARMOS O QUANTO QUISERMOS! HOJE É O NOSSO DIA!



Urros grosseiros explodiram de todos os lados. Naquele momento, Harry se perguntou se ainda haveria alguma coisa humana naqueles homens lá embaixo. Pareciam mais lobos que homens, mesmo sem a lua cheia. Lhe lembraram Greyback.

- Agora! – disse o homem – É hora de removermos esta névoa!



Harry se preparou. Rezou para que todos tivessem entendido o que deveriam fazer.



- Tragam o aperitivo! – berrou o homem



Então, Harry sentiu um frio enorme no estômago. Para dentro da bacia, foram levadas duas crianças. Uma menina loira de aparência frágil, e um menino cujo cabelo era tão claro, que chegava a ser grisalho. Pareciam ter respectivamente seis e oito anos.



- E aqui temos! – berrou o Lobo líder – duas crianças! Uma bruxinha, e um garoto, cujo poder é zero! Sabe qual é a coisa mais engraçada nisso tudo? Os dois são irmãos! Sim, gêmeos! Um com magia, e o outro com magia! Por que, neste dia resolvemos trazer justamente estes dois para este dia tão especial para nossa raça?


E agora ele falou diretamente com os dois.
- É por que para nós lobisomens não interessa se tem magia ou não! Trouxa ou Bruxo, para nós tem o mesmo sabor! Não somos uma raça muito melhor? Muito mais igualitária? Aposto que na sua casa, eles dão muito mais valor a sua irmã do que há você, não é?


O garotinho olhou para o sujeito com um olhar selvagem, então cuspiu nos pés dele.

- Vá se danar!



O homem riu.

- Ele já está pegando o espírito! – disse ele – Mas não precisa se fazer de corajoso na frente da sua irmã, dá pra sentir o cheiro do seu medo!



Harry escutou tudo aquilo com uma sensação crescente de pânico. Todo o plano que ele havia bolado acabara de ir para o espaço. Ele já podia imaginar as caras hesitantes dos seus companheiros ao olharem para as duas criancinhas lá embaixo. Ele próprio não sabia o que fazer.



Então, o homem ergueu a varinha para o céu, e a névoa começou a limpar. A sensação de impotência e medo crescia em Harry, bloqueando qualquer pensamento racional. Ele olhou para a menininha apavorada e para o garoto que apesar de atitude desafio também parecia estar à beira das lágrimas.



- Rony! – disse Harry desfazendo o feitiço desilusório – De um jeito de avisar para os outros continuarem com o plano!

- QUE? – disse Rony – Mas e os...

- EU DOU UM JEITO! Você precisa avisar para os outros que o plano está de pé!
- Mas como é que eu vou...
-SE VIRA!



E saiu correndo para o meio da bacia. Ao mesmo tempo, os homens ali presentes começaram a abandonar suas vestes e suas formas iniciais. As presas e o pelo negro estavam surgindo. As duas pequenas figuras se encolheram na relva, paralisados de medo. O mais velho abraçou a irmãzinha.



No momento em que as feras saltaram, um impacto enorme atingiu a todos.

- EXPULSO!


Harry aparatara para o meio da bacia, exatamente para onde as duas crianças estavam. A força do seu feitiço jogara para o alto todos os lobos que saltaram.
- Fiquem junto de mim! – disse Harry aos dois garotos


Ele apanhou a menininha da relva, e a levou junto de si.

- Vem! – disse ele ao garotinho



Os lobos haviam acabado de notar a presença de Harry. Ele olhou em volta, e se achou cercado por todos os lados. Pensou em aparatar, mas ficou se perguntando se saberia como fazer uma aparatação acompanhada, com os dois pequeninos, no meio de tantos inimigos em profusão. Ele não podia arriscar.



- ESTUPEFAÇA! – berrou ele, derrubando um dos lobos que agora saltavam pra cima dele – ESTUPEFAÇA!



Ele saiu distribuindo feitiços estuporantes, abrindo caminho numa selva de pelos negros. Ele precisava ficar de olho nas feras, e no garotinho, que tentava se manter junto dele a qualquer custo. Começou a sentir um cansaço crescente, e quase não havia conseguido avançar.



Foi quando o fogo se acendeu do lado onde estava Rony. Os lobisomens se encolheram quando viram a luz alaranjada cheia de calor tomar conta de um pinheiro inteiro. Então, de repente, os pinheiros à esquerda, direita, e atrás também pegaram fogo. Os lobos ficaram desesperados e desorientados.



Harry aproveitou a deixa, e saiu correndo. Puxando o garoto pela gola da jaqueta, ele levou os dois para fora da bacia, e saltou para fora do circulo de chamas.



A menina chorava, e o garoto parecia se segurar para não acabar chorando também. Harry procurou ao redor o que fazer agora. O passo seguinte do plano era ir para a orla da floresta e assegurar que nenhum lobo extraviado acabaria indo para cima dos moradores, mas agora, com os garotinhos, o que fazer?


É! – disse Harry
Um estampido ecoou ao seu lado, e ele imediatamente ergueu a varinha
- Harry!
Eram Lilá e Gina. Ficou se perguntando como elas haviam conseguido achá-lo no meio daquela confusão
- Vimos você correndo pra esse lado do nosso esconderijo! – disse Lilá – Ainda estou boba com o que você acabou de fazer, Harry!
– NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FOI LÁ EMBAIXO! PODERIA ESTÁR MORTO!- disse Gina numa imitação perfeita da mãe dela


Harry não tinha tempo para aquilo.

- Sabem fazer Aparatação acompanhada? – disse Harry

- Sei! – disse Lilá! – Aprendi ano passado...
- Então levem estes dois para um lugar seguro! – disse Harry colocando a menininha nos braços de Lilá – Eu vou pra Orla procurar o resto do grupo!



Gina pareceu que ia reclamar, mas repensou.

- Tenha cuidado Harry! – disse ela simplesmente

- Você também! – disse Harry sem pensar – VAMOS!



No segundo seguinte, os ramos de árvores desapareceram, e tudo girou. No segundo seguinte, Harry havia despontado no gramado, onde à frente havia o vilarejo, e atrás a floresta, cheia de olhos brilhantes à espreita.



- HARRY! AQUI!!



Harry olhou para o lado, e viu Rony agachado atrás de uma pedra.

- Vem pra cá! – berrou o amigo!



Harry não esperou mais, correu para onde o amigo estava escondido. Os dois se esconderam atrás da pedra.



- Que dia em! – disse Rony



E voltamos ao começo. Com Harry e Rony agachados atrás das pedras, esperando reforços, e se perguntando se iriam sobreviver ao que vinha por aí.


- Onde foram parar o Smith e o Córner? – disse Harry
- Não sei! – disse Rony – Eu não sabia muito bem como fazer para chamar a atenção de todo mundo, então toquei fogo na árvore, e rezei pra todo mundo seguir meu exemplo!


Harry então começou a sentir medo. Lilá e Gina haviam incendiado suas árvores logo depois de Rony, mas e se Miguel e Zacarias hesitaram no último segundo? Os lobisomens com certeza teriam ido para cima deles, tentando escapar do circulo de fogo. “Não” disse Harry a si mesmo “O circulo se completou! Eles tocaram fogo nas árvores”. Mas se era assim, onde eles estavam?



Harry não teve muito tempo para pensar. Acabara de ouvir um barulho vindo do meio da orla.

- AGORA!- berrou Harry



Os dois pularam para fora do esconderijo, e partiram para cima.



- PAZ, PAZ!



Harry parou no ato de lançar um feitiço estuporante. Zacarias vinha carregando Miguel Córner. 

- O que aconteceu? – perguntou Harry



O estomago de Harry deu uma cambalhota. Miguel tinha um verdadeiro rombo na perna esquerda. Zacarias o amparava com um ar desesperado de quem havia sido pego fazendo algum crime. Os dois estavam sujos de sangue, mas Miguel era o único que estava branco feito papel.



Harry sentiu náuseas. De repente se sentiu de volta no tempo, em um túnel em direção a Hogwarts, onde certo garoto de rosto redondo e amigável com o rosto marcado de hematomas lhe dizia “Não podia pedir a eles que suportassem o que Miguel suportou”



Eles o depositaram no chão. Havia muito sangue. Por sorte, Harry estava com um frasquinho de Dittamo que Hermione havia lhe preparado. As lembranças de como o Dittamo curara o braço de Rony quando estrunchou durante uma aparatação desesperada lutaram contra a sua certeza de que a ferida de um lobisomem não era como as demais.



Eles aplicaram o remédio, e o enfaixaram.

- O que raios aconteceu lá?


- NÃO FOI MINHA CULPA! – berrou Zacarias – EU QUERIA SEGUIR O PLANO! MAS ESSE IDIOTA DESENGONÇADO PULOU, DIZENDO QUE TINHA CRIANÇAS LA EMBAIXO! EU DISSE PRA ELE SAIR DA FRENTE, ELE... ELE...


Zacarias respirava com dificuldade. Harry pensou que ele ia ter um acesso.

- Ele caiu... Nós duelamos... e ele caiu... no meio deles, no meio dos lobos!



- C...calma cara! – disse Rony parecendo meio incerto

- O que eu vou fazer? – disse Zacarias – Eles vão me mandar pra Azkaban, não vão? Vão dizer que trai um companheiro! Eles...eles!



- CALMA! – berrou Harry

O medo irracional do colega secara toda a raiva que Harry começara a sentir pelo modo como Zacarias agira com Miguel. Era quase cômico o jeito como ele ficou desesperado. Ficou se perguntando se o colega havia se preocupado em imaginar o que acontecia de verdade em combate real. As aulas na A.D vieram à mente de Harry imediatamente. De fato, ele nunca havia conseguido introduzir na A.D exatamente o que acontecia em um verdadeiro combate, e agora, lá estavam os efeitos de suas “aulas”.



- Pelo menos você tirou ele de lá vivo! – disse Rony

Pela primeira vez, Zacarias pareceu se acalmar. Concordou com Rony com a cabeça.

- É! – disse ele – Trouxe, não trouxe?



Então ele se virou para Harry.

- Agora eu sei o que você sentiu no final do Torneio Tribruxo! Cara, tirar um amigo das garras da destruição, mesmo quando tudo parece tão perdido... Nossa!



De alguma forma, isso consolou Harry. Apesar de não ter conseguido nas Aulas da A.D mostrá-los o que era um combate real, lá estava o combate real, dando suas próprias lições.

- Eu acho... – disse Harry escolhendo bem as palavras – Que o único jeito de aprender! Aprender de verdade, estou falando! É sentir na pele o que é estar lá!



- No caso o “lá” é “aqui” agora! – disse Zacarias!


Os quatro se puseram de pé. As coisas pareciam estar se acalmando na floresta. Aparentemente, os lobisomens haviam decidido que não era seguro fazer nenhum ataque aquela noite.
- Vamos sair daqui! – disse Harry
- Mas e a Gina e a Lilá? – disse Rony 
- Estão bem! – assegurou Harry – Foram embora, levando as crianças!
- Você conseguiu salva-las? – disse Zacarias assombrado
- Consegui! Vamos para o Caldeirão Furado! – disse Harry – De lá, agente manda uma mensagem para elas!
- E teremos como cuidar da perna do Corner! – lembrou Zacarias


Os três assentiram, e aparataram logo em seguida. Doravante aos problemas ocorridos, a missão fora um sucesso. Contra todas as possibilidades, eles conseguiram impedir uma chacina naquele povoado. E foi nessa direção que Harry mandou os pensamentos. Não pensou em Miguel com o ferimento do lobisomem. Não pensou nele com as mesmas dificuldades de Lupin, no trabalho e na vida pessoal. Decididamente ele não queria pensar nisso.



Preferiu pensar que salvara duas crianças inocentes da morte. Uma jovem bruxa, e o seu irmão abortado de cabelos descoloridos.
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