24 de mai de 2011


[Continuação] FIC Os dezenove anos, e além [12]

Capitulo 14 – Preparando a Viagem


Harry andava de um lado para o outro em seu cômodo no Largo Grimmald. A perspectiva da viajem o deixava entre o nervoso e o ansioso. Se perguntou que tipo de coisas inacreditáveis encontraria pela frente. Lá embaixo, Monstro preparava um lanche para viajem de má vontade. Ele queria ajudar Harry a preparar sua mala, mas este insistiu em fazer isso sozinho, afinal, o que o um Elfo entende de America do Sul?

Ele olhou para os itens espalhados pela cama. Algumas capas, roupas, alguns livros, e frascos de poções. Estes últimos, ele separou como sendo importantíssimoos, afinal, se tratavam de uma Veritasserum, uma Poção Polissuco, e até um pequenino frasco de Felix Felicis, este último preparado por Hermione para qualquer eventualidade.

Olhou para as capas. Talvez precisasse delas. Era verão na Inglaterra, mas no Brasil podia até estar nevando. Ele não tinha muita certeza, sua noção de geografia não era muito boa. Decidiu-se por algumas roupas mais leves, já que se decidira levar a capa. E escolheu a maioria dos livros sobre Defesa Contra As Artes das Trevas, Criaturas Mágicas e Onde Habitam, última edição, e um livro comum de Geografia, que pretendia estudar mais tarde.

Tendo feito isso, ele fechou o malão e o arrastou para baixo.
- Monstro está vendo que o Senhor conseguiu se virar sem ele! – disse o Elfo com amargor
- Dá um tempo Monstro! – disse Harry – Essa viajem é diferente! Preciso me preparar melhor!

Monstro fez uma reverencia, e entrou na cozinha, trazendo de lá logo em seguida um pacote com comida.
- Obrigado! – disse Harry – Espero que cuide da casa direito enquanto eu estiver fora!
Mais uma reverencia exagerada por parte do Elfo.

- Com toda certeza, senhor!

E com essa última frase, Harry aparatou do Largo em direção à Toca.

Logo que chegou, notou duas malas prontas perto da escada de madeira. Uma estava aberta em cima da mesa, com várias coisas jogadas lá.

- Ò! PELO AMOR DE DEUS, RONY!!!


A voz de Hermione ressoou. Harry sorriu. Ela veio descendo, com Rony em seu encalço.
- É impossível que nesse país não se precise de um único agasalho! – disse Rony
- Não! – insistiu Hermione – Acredite! Estamos indo pro meio de Florestas Tropicais abafadas! Acha mesmo que vai nevar no meio da SELVA?
- Agente pegou muito frio aqui quando ficou acampando pelas florestas ano passado! – disse Rony, só então notando a presença de Harry – OI Harry! Me ajude a convencer a Hermione a me deixar levar umas capas!

- Ah! – disse a garota – Você não entende! Eu pesquisei tudo a respeito daquele continente! E lá é muito QUENTE! Eu garanto! Fala pra ele Harry!

Harry corou. De repente se sentia meio tolo por ter colocado as capas em seu malão.
- E então? – disse Harry – Descobriu mais alguma coisa sobre esse país!

Hermione suspirou com cara de quem havia tirado um “nove” numa prova.
- Não tanto quanto eu gostaria! Tudo o que li é muito superficial! Só falam sobre a vida Indígena local, e sobre o clima! AH, mas eu consegui descobrir que a língua mais falada na America do Sul é o espanhol.

Harry sentiu de repente um grande peso cair em seu estômago. Ele era péssimo em línguas estrangeiras, e nunca havia aprendido nada além da sua própria língua. Como pudera ter esquecido um detalhe tão importante.
- Isso não é bom! – disse Rony – Não falo uma palavra de espanhol, ou de qualquer outra coisa!

Hermione sorriu. E agora, era o sorriso de alguém que havia conseguido algo realmente esplêndido. Como se tivesse ganhado um Honra ao mérito ou coisa do tipo.

- Lembram-se do Felix Felicis que eu preparei?

Harry assentiu. Se lembrava bem, uma vez que havia colocado um frasco em sua mala a poucos minutos.
- Pois é! – disse ela – Não foi a toa que preparei! Eu precisava de sorte para poder... Inventar um feitiço!


Harry e Rony se entreolharam assombrados.
- Você O QUE?
- Eu inventei um feitiço! – disse ela sorrindo triunfante – Aperfeiçoei ele a dois dias!
- Mas que feitiço é esse que você inventou! – disse Rony subitamente sem saber o que fazer – E PRA QUE você o inventou?

Hermione levantou os ombros de um jeito que era tudo menos humilde.
- Eu o inventei para nossa viajem! Eu o chamo de Feitiço Multidioma
- Multidi... QUE? – disse Rony
- Simples! – disse Hermione – É um feitiço com o qual você enfeitiça seus lábios e seus ouvidos para que estes ouçam e falem na língua desejada! É um pouco complicado, mas com a sorte da Poção Felix eu consegui completá-lo a tempo!

Rony pendurou o queixo.
- Isso é brilhante! – disse Rony – BRILHANTE! Tem idéia de o quanto você facilitou a relação entre as comunidades bruxas?
- Ainda não substitui aprender a língua! – disse Hermione rapidamente – Mas o Kingsley acha que esse feitiço realmente pode ajudar as pessoas!

- Kingsley? – disse Harry – Você foi até o Ministério falar disso?
Hermione balançou a cabeça.
- O que você esperava, que eu saísse por aí usando um feitiço Não Aprovado? Além disso, a patente desse feitiço vai render uma boa quantia!

No instante em que ouviu isso, Rony beijou Hermione na boca.
- Eu te amo! Eu realmente te amo!
- Estou sentindo um ar meio interesseiro por trás disso! – disse Hermione, apesar de corada


Depois de toda a bagagem arrumada, os três se dirigiram para o quintal, para poderem aparatar. De acordo com o que o Sr. Weasley havia dito, eles deveriam ir para King Cross, na Plataforma 9 ¹/2 para se encontrarem com o contato que daria os detalhes sobre a viajem. Harry ficou se perguntando por que iriam para a Estação de Trem, se o destino deles eram para outro continente, mas parando pra pensar sobre aquilo...

- COMO? – disse Harry alto, fazendo seus companheiros se sobre-saltarem
- Como o que? – disse Rony
- Como é que iremos para o Brasil?
- Ah! – disse Rony sorrindo – Você vai ver! É incrível! Vale a pena ver isto! Quando eu viajei pro Egito, bom foi uma das coisas mais legais de ter ido, quer dizer – ele pareceu um pouco sem jeito – Eu nunca tinha viajado pra fora antes!
Harry riu.
- Nem eu! – disse ele – Quando os Dursley viajavam, eles me deixavam na casa da Sra. Figg! Não pagariam uma passagem a mais de avião só pra me levar!
Rony olhou para ele impressionado.
- Eles viajam mesmo de avião? – disse Rony boquiaberto

Harry de repente se sentiu desnorteado de novo. Então, eles não iriam de avião para o Brasil? Mas se é assim, como iriam? Rony se recusou a dizer, falando que seria mais emocionante se ele e Hermione descobrissem quando chegassem a hora.

Eles aparataram em um beco vazio de Londres. Harry olhou em volta para ter certeza de que ninguém os havia visto. Uma vez lá, eles se encaminharam para King Cross. Era Julho, então o sol estava brilhando muito, e todo o ambiente parecia mais seco em Londres. A estação estava lotada com turistas estrangeiros, e Londrinos que queriam sair de férias. Os três, com suas malas e mochilas colocadas em carrinhos, atravessaram a Estação em direção a parede entre as Estações 9 e 10.


Harry olhou em volta curioso para os turistas. Havia gente de todo o tipo. Ele se lembrou da Reunião dos Líderes Bruxos, e se perguntou se poderiam identificar quem seria de cada país. Talvez houvesse Japoneses, Australianos ou até mesmo Brasileiros entre eles.

Foi nessa hora que Harry o viu. Sentiu um frio percorrer sua garganta. Lá estava, o Curandeiro. O mesmo que havia escapado da Pira de Voldemort. Ele estava conversando com um homem usando um terno, destoando completamente do visual de verão da maioria das pessoas, especialmente, pelo terno, camisa e gravata serem de um preto profundo.

- HEI! – disse Harry parando de repente

No instante seguinte que se seguiu ao momento em que os dois homens se viraram para ele, ao que Harry sacou a varinha, uma massa de turistas se interpôs entre eles. 

Harry disparou em direção aos dois, sem cerimônia com os turistas que praguejavam em varias línguas. Harry nem sabia direito o que iria fazer quando disparou, mas quando chegou lá, não havia nem Curandeiro, nem homem de terno. Ele ficou intrigado.

- HARRY! – Hermione e Rony o alcançaram minutos depois – O que deu em você assim de repente!
- Eu vi ele! – disse Harry
- Ele quem?– disse Rony
- O maldito Curandeiro! Aquele que tentou roubar os segredos do corpo de Voldemort! DROGA! Deixei-o escapar mais uma vez!
- PSSS! – disse Hermione – Não fale tão alto! Você já chamou atenção demais pra você aqui

Harry olhou em volta, para descobrir muitos olhos de muitos países e continentes o encarando de forma bastante hostil e assustada. Ele corou.
- Vamos sair daqui! – disse ele imediatamente.

Ele, Rony e Hermione resolveram dar um tempo antes de entrar na Plataforma ¹/2, para que os turistas parassem de olhar para eles. Saíram da Estação, e foram a uma lanchonete próxima, onde acharam que estariam a salvo dos olhares curiosos.


- Certo! – disse Rony – Ainda temos algum tempo, certo?
- Bem! Sim! – falou Hermione olhando um relógio de pulso – São Dez horas agora! Nosso horário é às Dez e Meia, mas eu pensei em chegar lá mais cedo pra causar boa impressão...
- AH! FALA SERIO! – disse Rony – Dá um tempo Hermione! Já estamos indo lá fazer um trabalho de graça, e você ainda quer que cheguemos CEDO?
Harry riu.

Eles pediram sanduíches, e Harry contou aos amigos o que vira na Estação com mais detalhes. Hermione fez uma cara intrigada, mas Rony fez uma cara que a Harry parecia um “E lá vamos nós de novo”

- Certo! – disse Hermione com tom de quem estava pra assumir a situação – Acho que é melhor eu te contar!

Harry olhou para Rony, que devolveu o olhar intrigado.
- Contar o que?
- Quem é esse sujeito que você viu hoje! – disse Hermione
Harry quase saltou da cadeira.
- Está falando do homem de terno?
- Não! – disse Hermione levantando uma sobrancelha – Como eu saberia quem é esse sujeito? Estou falando do Curandeiro! Eu andei investigando no Ministério! Até fiz uma visitinha ao ST. Mungus! Descobri que ele se chama Frank Vanbelt, e era famoso por fazer dessecações mágicas!
- Credo! – disse Rony – Esse cara mais parece um abutre!
- É! – concordou Hermione com avidez – ele recebeu o apelido de Necrófago pelos colegas Curandeiros por causa daquele apego dele em estudar mortos! Não é uma atividade muito comum no Mundo Bruxo!
- Esse sujeito parece cada vez mais asqueroso! – disse Rony
Harry concordou.
- Mas a parte interessante vem agora! – disse Hermione – Nessa visita que eu fiz ao St. Mungus, um dos Curandeiros disse algo estranho!
Harry e Rony se entreolharam.
- E o que foi que eles disseram? – disse Harry
Hermione pensou um pouco. Parecia estar tentando lembrar das palavras exatas!
- Ele disse: “O Necrófago! Ah, ele é um daqueles infelizes, com certeza!”
Harry apertou os nós dos dedos.
- “Um daqueles infelizes”? – disse Harry – Comensais da Morte?


- Foi exatamente o que eu perguntei! – disse Hermione – Mas os outros Medi-bruxos não o deixaram continuar!
Rony engoliu em seco.
- Você acha que os Comensais da Morte continuam na ativa? Mesmo depois que o... Riddle... morreu?
- Não! – disse Harry firme – A maioria deles foi presa ou acabou morta! A organização não poderia continuar depois de um golpe tão forte!
- Concordo com o Harry! – disse Hermione – Não faria sentido! Os Comensais eram uma organização que seguia cegamente os desejos de Voldemort! Não faria sentido que continuassem!
- Então o que? – disse Rony

Hermione olhou para os dois companheiros de uma forma peculiar.
- Continuei fazendo perguntas! Os Curandeiros pareciam estar escondendo alguma coisa! Mas eu consegui descobrir...
- Só uma pergunta! – disse Rony – Como conseguiu que eles respondessem tantas perguntas?
Hermione olhou para ele de forma divertida.
- Não andei seduzindo ninguém, se é o que sugere!
NÃO!!!! NÃO É ISSO!- disse Rony, e Harry achou que ele imediatamente havia começado a se preocupar com isso – Você não andou dando Veritasserum pra eles não! Né?

Imediatamente Hermione ficou vermelha.
- Acha mesmo que eu seria tão baixa? Eu disse que era do Ministério da Magia, e que estava a serviço de Harry Potter! 

Harry quase deu uma gargalhada com aquela última.
- Não deixa de ser verdade! – disse Hermione dando os ombros!
Rony estava boquiaberto.
- Vem cá! Por que de todos nós, VOCÊ foi a que decidiu não ser Aurora!
Hermione riu.

Eles deixaram a Lanchonete faltando cinco minutos para as 10:30, e foram novamente para King Cross. A caminho da Plataforma 9¹/2, Hermione lhes disse o que o Curandeiro havia descoberto por último. Aparentemente, havia outra organização estranha, maior e menos direta do que os Comensais da Morte, andando por aí.


O clima na Estação estava melhor, porém mais desconfiado. Os turistas pareciam ter ouvido falar de um tumulto, provavelmente estavam temendo um arrastão, ou coisa semelhante.

Rony foi o primeiro a atravessar. Empurrou suas bolsas no carrinho em direção à parede e desapareceu por ela. Hermione foi a segunda, Harry queria dar uma última olhada na Estação. Era um pouco estranho, ninguém havia ido até a Estação se despedir dele, mas por outro lado, ele não havia anunciado pra ninguém que iria viajar pro exterior.

Atravessou a parede intangível, mantendo-se firme. Quando chegou ao outro lado, teve a sensação mais estranha da sua vida. À sua frente, não estava o Expresso de Hogwarts, mas outra espécie de trem, não era nem de longe um trem moderno das estações comuns, mas era mais avançado que a velha Maria Fumaça. Tinha uma lataria esverdeada, e uma chaminé gorda.

Outra coisa que Harry estranhou, foi que a Estação estava vazia. O trem não estava nem ligado, e não havia ninguém lá, a não ser ele, Rony e Hermione.

- Que estranho! – disse Rony – Onde foi parar nosso contato?
- Não deveria haver alguém aqui? – disse Hermione – Quer dizer, ao menos o Maquinista!

Harry olhou a Locomotiva, e viu que estava vazia. Imediatamente Harry pensou nos homens que havia visto do lado de fora. No tal Curandeiro Necrófago, e naquela suposta Organização Bruxa de Hermione.

- Eu achei que pelo menos a mamãe estaria aqui! – disse Rony – Quer dizer, ela não parou de chorar dês de que explicamos tudo a ela!

Harry realmente não queria se lembrar da Senhora Weasley, reclamando que os perigos nunca acabavam, e que seus filhos nunca ficavam fora de perigo. Mas mais importante, ele não queria se lembrar de Gina. Quando ela escutara o que havia acontecido na reunião, se recusara a falar com ele.
- Talvez devêssemos ter chamado a Gina! – disse Harry pela trigésima vez, dês de que eles haviam começado os preparativos para aquela viagem!

- Eu não entendo por que não chamou! – disse Hermione
Harry quis exclamar que era impossível conversar com alguém que se recusa a conversar, mas Rony lhe tomou a vez.
- Acho melhor assim! – disse Rony – Quer dizer! Nem eu nem Harry conseguiríamos lutar direito com ela por perto!

Hermione se virou para ele, e Harry previu um ataque de nervos começando a se iniciar. Quando dê repente, alguém entrou pela Porta Mágica da estação.

Os três se viraram repentinamente. Os passos ecoando pela Plataforma vazia ecoavam, enquanto um homem ligeiramente sujo se encaminhou em direção à Locomotiva. Ele assobiava uma música peculiar, com ritmo alegre. Era um homem de aparência forte, com a pele um pouco escura, mas nem tanto. Raça Latina Americana.

- É um Brasileiro! – disse Hermione – Ele deve ser o maquinista!

Os três se aproximaram.
- Hei! Cara! – disse Rony – Que horas que essa lata velha sai? Já são mais de Dez e meia!

O homem não deu bola. Continuou fazendo o que estava fazendo; a manutenção da maquina.
- Hei! – chamou Rony mais uma vez – Você é surdo?
- (Lá vem o trem, LÁ VEM LÁ VEM, nesse balanço, eu vou TAMBÉM, com minha Portela, e você, meeeeu bem) – cantarolou o homem alegremente, e Rony, Harry e Hermione se entreolharam, sem entender uma única palavra

- Ele está delirando? – disse Rony
- É a língua dele Rony! – disse Hermione – Ele é brasileiro lembra!
- Tá! – disse Rony – Mas isso não parece espanhol! Eu já vi gente que fala espanhol, tem um time de Quadribol Espanhol!

Hermione olhou dele pro homem, que continuava a cantar.
- Isso não faz sentido! – disse Hermione – Quer dizer, como pode? Estava no livro que li que a língua mais falada na America do Sul é espanhol! I...isso não pode ser!
- Bem! – disse Harry – Temos que descobrir que língua esse cara fala, senão, teremos problemas!

Hermione bateu o pé, e começou a andar de um lado para o outro. Harry podia até ver as engrenagens em sua mente processando as milhões de informações lidas em milhares de livros.


- Sabe o que a língua desse cara me lembra! – disse Rony
- Fique quieto Rony! – disse Hermione – Não vê que estou tentando pensar!
- Me lembra o time de Quadribol Português! – disse Rony

Hermione parou.
- Espera! É ISSO! Rony, você é um gênio!
- Eu sou? – disse Rony
- É! Eu sabia que tinha encontrado Brasil em algum lugar na nossa história! Foi no Brasil que a corte portuguesa se refugiou quando rompeu-se o bloqueio de Napoleão Bonaparte!
- Peraí, PERAÍ! – disse Rony – Mãe de QUEM bom em parte?
- Esquece! – disse Hermione – É história Trouxa! Mas acho que descobri algo importante pra nossa viajem!
- E o que seria? – disse Harry, que havia se perdido em meio às idas e vindas de Hermione
- Eles falam PORTUGUÊS! – disse Hermione

- AH! – disse Rony – Entendi! Por que não disse logo?

- (Hei)

Os três se viraram. O brasileiro havia acabado de notá-los.
- (Cê que é o tal do Reri Poter, né não? Fala aí! Vou ser maquinista de vocês na viajem! Boa Sorte lá no Brazuca, aquilo lá é o Paraíso das morenas)
- Que diabos ele disse? – falou Rony
- Eu não sei! – disse Hermione – Preciso de um dicionário Inglês- Português pra executar meu feitiço com precisão!
- Temos que dizer alguma coisa pro cara! – disse Harry – E perguntar onde está o nosso contato! Isso é importante!

Rony deu um passo à frente.
- Deixa comigo! Vou tentar isso!

Rony fez uns gestos englobando o lugar, depois gestos rotatórios pra falar do movimento do relógio, e depois levantou os ombros. Harry imaginou que aquilo queria dizer “Que horas este trem irá partir”

- (Que?) – disse o Brasileiro – (O que? Se eu quero comer uma mistura? Não, obrigado, eu já comi agora a pouco! Nossa, a comida de vocês aqui é muito gordurosa, e o feijão é horrível, e nada pessoal, mas as ruas daqui de Londres fedem pra caramba, e tiraram meu apetite)

Rony olhou para Harry aparentando não estar entendendo nada.
- Ele parece bastante animado! – arriscou Hermione – Ele deve estar gostando daqui!


(Cara! Eu nunca senti um ar tão poluído assim desde que fui pra São Paulo! E as pessoas aqui não tomam banho não? Tenho enjôos só de andar na rua)

Ele fazia gestos rápidos com as mãos.
- Puxa, ele deve estar gostando mesmo da Inglaterra! – concordou Rony
Harry por algum motivo tinha suas duvidas.

Então, nesse momento, mais uma pessoa entrou pela Porta Mágica. Harry olhou, e viu Líder Bruxo Brasileiro em pessoa.

- Oi! – disse ele – Desculpe o atraso! Estava comprando mais uns doces pra levar pra casa!

Harry olhou para ele. Primeiro veio à surpresa de que o próprio Líder Brasileiro era o contato. Depois veio a descrença de que ele havia se atrasado para um compromisso tão importante por motivos tão fúteis. E mais uma reviravolta em seu pensamento quando viu que o estado das roupas, e o jeito como ele estava pisando de forma meio incerta. Parecia ter saído de uma luta.

- O Senhor teve problemas pelo caminho? – disse Harry
- Eu sou Brasileiro, estou sempre com problemas! – disse ele sorrindo 

Harry, Rony e Hermione se entreolharam.
– E não precisa me chamar de Senhor! Essa educação inglesa nós americanos dispensamos! Me chame de Ribeiro, Esse é o meu nome!
Então ele se voltou para o homem com quem eles não conseguiam falar.
- Ora! Já vi que conheceram nosso maquinista

O Maquinista baixou o chapéu.
-(Tarde, Seu Ribeiro)
-(Fala Ronaldo! E aí? Esse trem sai ou não sai?)
-(Quando o senhor quiser)
- Hei! O nome dele é Ronaldo? – disse Rony – É quase igual ao meu primeiro nome
- É parecido! – admitiu o maquinista – Mas muda um pouco a sonoridade!
- É mesmo! – concordou Rony – HEI! ESPERE UM MINUTO! Você fala a nossa língua?

- É claro que sim! – disse o maquinista – Sou Maquinista de Trem Internacional! Eu tenho que saber falar inglês!
- Mas então! – disse Hermione – Por que você não falou isso antes?
- Estava me divertindo! – disse Ronaldo


Harry não pode evitar não rir. Ribeiro deu de ombros, e olhou o relógio de pulso que possuía.
- Certo! Pois é! Estamos um pouco fora do horário!

Harry olhou no relógio, e viu que já eram onze horas. Estavam bastante fora do horário.
- Onde será que está aquela ruivinha? – disse Ribeiro – Ela disse que estaria aqui

Harry paralisou.
- Ruivinha?
- É! – disse ele – Encontrei com ela na loja de doces! Ela disse que ela era sua amiga! Estava de malas prontas, e disse que você não partiria sem ela – O Sr. Ribeiro coçou a nuca, meio incerto – Ela também disse outras coisas a seu respeito que não posso repetir aqui na Inglaterra! Jesus, onde uma menininha inglesa aprendeu palavras tão feias?

Rony e Harry se entreolharam. Pelo jeito, Gina estava realmente muito chateada com eles.
- Bem! – disse Harry – Ela era do Time de Quadribol na escola!
- É! Isso explica tudo! – disse o Sr. Ribeiro – Deixa eu adivinhar! Ex-namorada?
- Não! – disse Harry – Namorada atual!
- NOSSA! Piorou!
- Não tive como explicar pra ela tudo a respeito dessas viagens! – disse Harry
- Eu sugiro que você pense em algo muito rápido! – disse o Sr. Ribeiro – Por que ela ta chegando aí!

E no instante seguinte, Gina atravessou a Porta Mágica. Ela puxava uma mala com rodas atrás de si. Harry nunca à vira com uma aparência tão furiosa. Na cabeça de Harry passaram-se varias coisas para dizer, mas nenhuma delas lhe parecia uma boa iniciativa para fazer Gina conversar com ele.

A garota passou por ele como se o rapaz fosse um poste. E entrou no trem.
- Nossa! Nem um bom dia! – disse Rony
- Como sabia que ela estava chegando, Sr. Ribeiro? – disse Hermione

Mas o Brasileiro apenas sorriu, e embarcou no trem.
- Vamos! Tenho muito a explicar sobre a nossa magia! Ela difere em muita coisa da sua! Nossa comunidade bruxa tem uma relação diferente com os trouxas, e muita coisa que vocês conhecem aqui, lá é diferente!


A locomotiva começou a funcionar, e os motores se puseram a esquentar. Todos embarcaram. Apenas um vagão abrigou à todos eles. Dentro do trem, havia passageiros. Bruxos europeus que provavelmente desejavam dar uma volta turística pelas Américas, mas fora isso, o trem estava vazio.

- Muito bem! – disse o Líder Brasileiro – Vamos começar a explicação!

Harry logo notou a mudança na entonação de voz. Imediatamente se lembrou da reunião, e de como de inicio aquele líder parecia desleixado, mas que, porém, quando precisava falar serio, mudava de postura.

- Pra começar, saibam que o termo bruxo lá no Brasil é o mesmo que xingar a mãe de alguém! E acreditem, vocês não vão querer fazer isso!
- Mas por quê? – disse Hermione
- Somos um país Católico! – disse o Brasileiro – O termo bruxo não é muito aceito! Em geral, usamos o termo Bruxo pra designar os Bruxos das Trevas! Então cuidado com o que vão dizer!

Ele respirou fundo.
- Certo! Mais uma coisa! Ouvi dizer que aqui nesse país, essa coisa de Sangue Puro é muito valorizada, e que até tem gente que briga por causa disso! To certo? Lá no Brasil não temos isso! Nosso povo é formado por imigrante, mais precisamente, Imigrantes Portugueses e Espanhóis, Escravos Negros, Índios Nativos e Refugiados Italianos e Alemães da época das guerras, e por aí vai! Então se acostume com a mistureba!

Harry olhou para os companheiros.
- Não temos problemas com isso! – disse Harry sorrindo corajosamente – Famílias para nós não são coisas importantes!
- Estamos até felizes! – disse Hermione – Sabe de ver que existe um país assim, sem preconceitos!
- Sem preconceitos coisa nenhuma! – disse o Sr. Ribeiro – Somos mais do que desconfiados! Pessoas pobres e ricas se estranham, e definitivamente não gostamos de estranhos!

Harry olhou para os amigos meio em duvida.
- Mas adoramos turistas! – disse o Sr. Ribeiro sorrindo – Todos irão tratá-los muito bem lá, só por que são ingleses! Temos mania de achar que o que vem de fora é melhor também! Exceto é claro, as mulheres!


Harry achou aquela última muito cômica. Ele olhou para Gina, procurando seu olhar, mas só recebeu um olhar agressivo!

- Certo! Sobre a comunidade bruxa...

De repente, o trem começou a se mover. Harry olhou pela janela, e viu King Cross ser deixada cada vez mais pra trás. Ele engoliu em seco, quando os trilhos caminharam para fora da estação, e fizeram uma curva estranha, em direção ao mar. Isso fez com que ele ficasse momentaneamente preocupado. O trem estava indo para o mar???

- Não se preocupe! – assegurou o Sr. Ribeiro – Está tudo tranqüilo! Fique firme! Acho melhor fazermos uma pausa na nossa conversa.
- Espera! – disse Hermione, que bebia cada palavra do Sr Ribeiro como se fosse uma aula em Hogwarts – Conte um pouco da Comunidade Bruxa!

- O que há para contar? – disse o Sr. Ribeiro – Comunidades Bruxas rivais? Bibliotecas e Livrarias que se convertem em abrigos mágicos? As intricadas relações dos Bruxos Índios e suas Habilidades Secretas? Artefatos Místicos? Oh! Vocês não querem ouvir nada disso! Pelo menos não agora!

E dê repente o trem se tornou invisível. Harry teve a desagradável sensação de não poder ver nem a si mesmo, nem ao local onde estava sentado. O trem atravessou Londres em direção ao mar, quase que bem na cara de milhares de trouxas.

- Aí vem a melhor parte! – disse Rony sorrindo, apesar de Harry não poder vê-lo também

Harry se segurou na cadeira invisível. O trem se dirigiu para o mar, então de repente, eles estavam deslizando sobre a água. O mergulho que se seguiu quase fez Harry parar de respirar. O trem mergulhou debaixo d’água, mas mantendo seu interior totalmente impermeável.


Por um segundo, Harry apreciou um túnel feito de água no formato exato dos vagões.
- Reajustando a visibilidade! – disse uma voz num alto falante

O vagão reapareceu. Rony, e Hermione apareceram ao seu lado. Hermione branca, e Rony sorrindo. Até Gina parecia ter alterado o seu humor.

- Muito Legal não é? – disse Rony – Foi assim que eu cheguei no Egito no Segundo Ano!
Harry concordou.

O trem acelerou a uma grande velocidade. Cortando a água a sua frente como se fosse cristal. Em breve, toda a sujeira de Londres seria deixada para trás, e tudo o que eles veriam pela janela, seria um límpido azul esverdeado do mar.
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