31 de mai de 2011


[Continuação] FIC Os dezenove anos, e além [13]

Capitulo 15 – Servo Slim


Alvo não dormia bem há dias. O frio nunca o fizera muito bem, e dês de o mergulho noturno no lago gelado, ele se sentia adoecendo. Lá fora, as cores secas do Outono deram lugar ao gelo branco do inverno. Com a proximidade do Natal, o castelo havia sido todo decorado com enormes pinheiros enfeitados, visgos e lantejoulas. As férias de Inverno estavam se aproximando, mas Rosa parecia enxergar apenas os exames que havia antes disso. E ela parecia totalmente indiferente ao fato de Alvo se sentir resfriado.
- Se está doente, vá até a Ala Hospitalar! – dizia ela


A última coisa que Alvo queria era ir até a Ala Hospitalar. Tinha medo que Madame Pomfrey lhe perguntasse como havia ficado daquele jeito, e não estava a fim de receber detenção por sair à noite. Por outro lado, Escórpio parecia estar bem com tudo aquilo.
- Dá um tempo! Aquilo foi demais! Andar com vocês malucos foi a melhor coisa que já fiz! Quando vai ser a próxima loucura que vamos fazer? Saltar da Torre de Astronomia?
- Tá ficando doido é? – disse Alvo
- Só estou brincando! – disse Escórpio - Mas não seria ruim um mergulho de lá usando uma vassoura, certo? Quer dizer, seria uma manobra bem sinistra!
- NÓS SOMOS DO PRIMEIRO ANO! – berrou Rosa



Descobri o interesse do Escórpio por adrenalina estava sendo meio chocante pra Rosa, mas por outro lado era fácil pra ele falar, ele não havia feito um mergulho de quase zero graus no Lago da escola.



Os três caminhavam para a Sala de Defesa Contra as Artes das Trevas. Aparentemente, seria um teste prático.
- Mas de qualquer jeito! Qual é a daquele Servo Slim afinal? – disse Escórpio a Alvo – Saindo assim toda noite... O que será que o cara está querendo na floresta?



Alvo deu de ombros. Estava se sentindo mal no momento, e queria se concentrar no teste que estava pra enfrentar. Fosse ele qual fosse.



Eles chegaram a porta, mas encontraram um aviso pregado nela. A letra era do Prof. Jordan.



Caros Alunos.

A aula hoje será no Grande Salão. Por favor, não cheguem atrasados.

Prof. Jordan


Alvo e Rosa se entreolharam.
- Acho que será um teste prático! – disse Rosa
- Ou talvez os testes tenham sido cancelados! – disse Escórpio esperançoso
Alvo desejou que Escórpio estivesse certo, pois o resfriado estava começando a lhe provocar náuseas. Mesmo assim, os três desceram até o andar térreo para ver do que se tratava. Desceram as escadas e correram para o Grande Salão.


Quando Rosa abriu as grandes portas de madeira à frente, Alvo sentiu um frio horrível no estômago, pior do que o que o resfriado estivera provocando até então. Um palco fora montado no centro do salão, e o ambiente se coloria com as cores Vermelho Sangue e Verde Esmeralda das casas Grifinória e Sonserina. Segurando uma prancheta sobre esse palco, estava o Prof. Jordan.



- Bem vindos! – disse ele sorrindo – Já estão atrasados! Mas não há problema, nos ainda não começamos os testes!
- Do que se trata? – disse Escórpio com os olhos arregalados



- Os testes dessa vez serão diferentes!



Alvo, Rosa e Escórpio saltaram ao se darem conta da presença de Skiper LoveGood exatamente ao seu lado.
- Não mata agente do coração Lovegood!
O colega os encarou com aqueles olhos que parecem lentes de uma câmera fotográfica, como se tentasse ler a mente deles. Alvo nunca havia notado o quão furtivo aquele sujeito conseguia ser. Não que fosse a primeira vez que ele era pego desprevenido por Skiper, mas fora a única em que o colega havia pego os três no susto.



- Ok! – disse Rosa – E então, o que você nos informa?


Skiper sorriu. 
- Os professores em geral estão optando por formas práticas de exames! Com algumas exceções é claro, mas à maioria está assim!
- E qual é o exame DESTA matéria? – disse Escórpio
- Como treinamos técnicas de duelo! – disse Skiper – Iremos fazer um campeonato de duelos! Uma luta de cada vez! O professor vai avaliar nossas técnicas enquanto duelamos!


Alvo nunca quis tanto que alguma confusão ou loucura acontecesse no Grande Salão. Quem sabe talvez se aquele pistoleiro aparecesse de novo, saltando com sua capa e chapéu pra dentro do castelo, e fazendo um estardalhaço enorme. Os testes seriam cancelados, assim como as aulas, e ele poderia se deitar em sua cama com cortinas e dormir o resto do dia.



- ALVO! – Rosa berrou no seu ouvido, lhe tirando do devaneio
- Que foi?
- Vamos! Precisamos dar nossos nomes para o professor! Os Duelos vão começar!



Alvo assentiu, e seguiu Rosa em meio à multidão de Sonserinos que compunham o núcleo da multidão. O primeiro Duelo seria entre dois “Serpentes” por isso, todos daquela casa estava se acotovelando para ver. Alvo não pode deixar de prestar a atenção também, pois um dos competidores, seria nada mais nada menos que Servo Slim.


- Muito bem! – disse o Prof. Jordan – Vamos repassar as regras! Os feitiços podem ser de desarme, ou de imobilização, porém, qualquer feitiço que busque ferir ou machucar está proibido, e qualquer engraçadinho que fingir que não ouviu vai ganhar uma passagem só de ida para uma detenção de duas semanas! ESTOU FALANDO SÉRIO!


Os alunos da Sonserina engoliram em seco, mas ainda assim, mantinham um sorriso matreiro no rosto. Os “Leões” por outro lado assentiram seriamente, e Alvo quase riu ao notar essa diferença de atitudes.



Servo Slim se encaminhou para o palco. Sua cara de inocência infantil era quase cômica. O colega com quem ele iria competir parecia feroz, e quando os dois subiram, ele disse algo no ouvido de Slim que Alvo leu como “É hoje que você morre” ou coisa semelhante. Aparentemente, Slim não era muito popular entre as pessoas de sua própria casa.



O que antes era uma suposição, se tornou confirmado para Alvo, quando todos os alunos da Sonserina começaram a gritar coisas como “Acaba com esse pirralho, Atila” ou então “Esse nenê já perdeu! Você é o maior, Atila”.



Alvo tinha que concordar em uma coisa. O tal do Atila era realmente o maior. O maior aluno do primeiro ano inteiro, com Um Metro e Cinqüenta, parrudo e forte.



Slim ergueu a varinha. Atila o imitou. Prof. Jordan contou até três.



No instante exato em que se ouviu “3”. Uma luz vermelha pulou da ponta da varinha de Slim, e fez com que Atila fosse arremessado três metros pra cima, para depois cair deslizando sobre o tablado, e escorregar pela cabeceira, caindo com um baque surdo no chão do Grande Salão.


O silencio que veio a seguir era algo impressionante. A única coisa que rompia aquele silêncio, eram os espirros de Alvo, que vinham só de vez em quando. 
- Um feitiço Estuporante É um feitiço para imobilizar! – disse Servo Slim sorrindo – Estou dentro das regras!


A cabeça de mais de cinqüenta alunos se virou para o Lino Jordan, que concordou com a cabeça.
- Sim, é! – disse ele – Mas não me lembro de ter ensinado esse feitiço nas aulas!
- Andei estudando! – disse ele
E nesse momento, ele lançou um olhar em direção à Rosa, cujo o rosto pareceu entrar em ebulição.



Ele desceu do tablado a passos leves. Imediatamente, os alunos da casa Sonserina foram até o colega vencedor, prontos para cumprimentá-lo pela vitória. Aparentemente ele acabara de virar a opinião pública a seu favor, bem diante dos olhos de Alvo e Rosa.
- Não acredito! – disse Rosa


Alvo segurou um espirro. Não queria que o Professor percebesse que ele estava gripado, pois se fizesse isso, Rosa estaria sozinha. Ao ver àquela demonstração de força por parte de Servo Slim, o sangue Grifinoriano dela parecia estar queimando, e Alvo se preocupava muito com o que poderia acontecer, em parte com Rosa, em parte com quem ela duelasse.


O palco à frente estava formado. Os duelos transcorriam normalmente. Em geral os resultados eram típicos; um “Expeliarmus” no ângulo certo, e o resultado era defino, em no máximo três movimentos por duelo. 
O Prof. Jordan tomava notas enquanto observava os movimentos dos alunos, acompanhado por Skiper, que não somente riscava o pergaminho vorazmente, como tirava fotos usando uma enorme e antiquada câmera.



- Certo! Malfoy VS Slim! – disse o Prof. Jordan
Rosa e Alvo olharam para o tablado. Escórpio sorriu para eles e subiu.
- Não se preocupem! – disse ele olhando para Rosa – Vou dar uma lição nele por vocês!
Alvo assou num pedaço de papel.
- Ele parece bastante confiante, não acha? – disse Alvo
- É um Malfoy! – disse Rosa – É a área dele se fingir de confiante!



Apesar dessa resposta, Alvo achou que Rosa estava bastante feliz com o que ele havia dito.



Escórpio subiu no tablado. 
- Hora, hora! O tão falado desertor! – disse Slim olhando para Escórpio – Sabe, eu tenho escutado muito sobre você na Sala Comunal da Sonserina! Tem muita gente querendo um pedaço de você por lá!
- Tem muita gente querendo pedaço de mim na Grifinória também! – disse Escórpio – Aprendi a não me importar muito com isso!
- Estou curioso! – disse Slim, brincando displicentemente com a própria varinha – E com a opinião de sua própria família? Você se import...
- EXPELIARMUS!
- PROTEGO!


O feitiço foi bloqueado com perfeição. Alvo ficou boquiaberto com a velocidade com que Slim reagiu. Pelo jeito, o colega não era só inteligente, mas também um excelente duelista.
- Eu não dei permissão ainda! – disse Lino Jordan – Mais uma infração e eu reprovo você, Sr. Malfoy!
Escórpio assentiu. Os alunos da Grifinória observava tudo com atenção, mas com neutralidade. Os da Sonserina por outro lado, pareciam pedir sangue. Os dois se armaram.
- Um, dois, TRÊS!
- ESTUPEFAÇA!


Escórpio foi arremessado três metros para trás de costas no tablado.
- Eu ouvi ele gritando PROTEGO! – disse Rosa em voz alta
E de fato, no próximo segundo, Malfoy começou a se levantar. Alguns poucos Grifinorianos comemoraram, entre eles, Rosa e Alvo.



- Levante logo! – disse Slim se aproximando – Estou entediado com essa prova, e você parece um pouco mais hábil que a média geral!
- Escuta! – disse Malfoy – Qual é a sua afinal? Abre logo o jogo! O que você esta querendo com aquela fênix?



Slim pareceu ter tomado um grande choque. Deu dois passos incertos para trás. Essa parecia ser a vantagem que Escórpio estava procurando, por que ele se levantou de um pulo, e lançou um Expeliarmus certeiro direto no tórax.



Slim voou cinco metros pelo tablado a fora, a varinha subiu até o alto, quase encostando no teto encantado. A Grifinória explodiu em vivas. Alvo e Rosa sorriram um para o outro.



- Venci? – disse Escórpio


Porém Slim se levantou. Andou para trás alguns passos, e apanhou sua varinha no ar.
- Parece que não! – disse Servo Slim! – EXPELIARMUS!
Escórpio bloqueou. Ele o pressionou com mais um feitiço, e Escórpio bloqueou. Continuou com essa artilharia por um tempo.
- O que está tentando fazer? – disse Escórpio sorrindo – Testando meu Feitiço Escudo? Cara, eu não vou perder assim!
- Nem ganhar, tampouco! – disse Slim
quilo continuou por uns cinco minutos. Alvo ficou observando tentando entender do que se tratava. Escórpio defendia os ataques o mais rápido que conseguia, porém, era só o que sua velocidade lhe permitia; bloquear. Alvo imaginou que o pulso do amigo logo estaria doendo com o esforço de tantos bloqueios.
- Expeliarmus! Expeliarmus! - berrava Slim – Expeliarmus! ACCIO VARINHA!


Todos prenderam a respiração. A varinha de Escórpio saiu bobamente de sua mão e acabou caindo à meio caminho entre os dois oponentes.
- Um Feitiço Convocatório! – disse Rosa de olhos arregalados – Eu não acredito! Esse é um feitiço de nível alto demais pra nós do Primeiro Ano! Até eu tenho problemas para executá-lo!
Mesmo que Rosa dissesse aquilo, o feitiço havia sido executado. Aparentemente, Servo Slim também ainda não o havia conseguido aperfeiçoá-lo, pois a varinha de Malfoy fora puxada fracamente e caíra à meio caminho do trajeto. Por isso ele o havia bombardeado com feitiços de desarme; para tornar mais fácil a convocação da varinha.



A cena toda pareceu andar em câmara lenta. Escórpio se atirou para apanhar a varinha. Slim também saltou, mas não para apanhar a varinha do adversário, e sim, para que o feitiço que viesse a seguir causasse mais estrago.
- ESTUPEFAÇA!


Slim estava a apenas um metro de Escórpio. A luz vermelha atingiu diretamente no estômago, e atirou o garoto para cima como uma carcaça velha. Ele voou muito mais alto do que Atila havia atirado, e bateu com muito mais violência no chão.


- ISSO FOI COVARDIA! – berrou Rosa – COVARDIA! VOCÊ ESTAVA PERTO DEMAIS!
- Srta. Weasley! – disse o Prof. Jordan – Peço que tenha calma! – Ele se virou para Slim, que ainda estava no palco – Seu movimento com o Feitiço convocatório foi impressionante, Sr. Slim, porém o modo como abateu o Sr. Malfoy com o Feitiço Estuporante foi uma tremenda deslealdade!
- Desculpe senhor! – disse Servo Slim, fazendo uma reverencia, porém fazendo sorriso zombeteiro.

Os alunos da Sonserina riram. Um grupo de alunos da Grifinória correu para ajudar Escórpio.

- Nós levamos ele para a Ala Hospitalar! – disse um deles
- Eu também vou! – disse Alvo, fazendo coro com Rosa



O Prof. Jordan assentiu. Então se virou para Slim.
- Detenção pra você! – disse ele – Para aprender melhor os conceitos de honra numa batalha!
- Creio ser essa uma virtude dispensável! – disse o garoto, fazendo todos na sala silenciarem – Numa luta e num duelo, a astucia é bem mais útil! Acho que provei isso hoje!



Ele se virou para Escórpio, sendo levado para a Ala Hospitalar nas costas dos colegas. Skiper fotografava tudo avidamente. Alvo só conseguiu observar a cena, sentindo um certo arrepio interno.
- Desce daí! – foi a única coisa que Jordan falou
Servo sorriu aquele sorriso angelical e inocente, e desceu do tablado.


Ir a Ala Hospitalar junto com os colegas levar Escorpio talvez tenha sido uma das mais sábias decisões de Alvo. Quando o grupo chegou, Madame Ponfrey primeiro se ocupou de Escorpio, porém, viu na mesma hora o estado do resfriado de Alvo.


- Garoto, você tem sorte que isso não virou uma pneumonia! E já está bem avançada essa sua doença!



Alvo foi forçado a ficar na Ala Hospitalar também, e recebeu dispensa pelo resto do dia. Ele ficou aliviado ao saber que o frio havia feito muitos ficarem gripados, o que significava que suas mais recentes aventuras noturnas estavam encobertas, por enquanto.



Rosa também os acompanhou até lá, porém não ficou muito nem conversou demais. Em poucos minutos ela já tinha voltado correndo de volta para a Classe de Defesa Contra as Artes das Trevas.
- Espero que ela não tenha ido comprar briga com o Slim! – disse Alvo, mesmo sabendo que provavelmente era isso o que ela iria fazer



Alvo e Escórpio foram colocados em camas vizinhas, por isso os dois poderiam trocar algumas idéias de o que fazer em seguida. Especialmente, frente aos últimos acontecimentos.



- Cara! – disse Escórpio – Aquele Slim! Ele é durão! Vai ser difícil agente continuar seguindo ele depois de hoje!
- É! – disse Alvo – Por que você falou da fênix pra ele? Agora ele sabe até aonde agente sabe, e vai ficar mais atento!
- Eu precisava de uma brecha! – disse Escórpio – Apostei na reação do cara! Acho que perdemos a vantagem sobre ele, não é?
- Não necessariamente! Quer dizer, ele ainda não sabe como agente conseguiu descobrir tanto!
- Mas ele vai! – disse Escórpio - Esse sujeito não é alguém com quem se deva brincar! Ele é MUITO ESPERTO!
- Eu vi! – disse Alvo – Quer dizer, tudo bem que o Feitiço Convocatório precisa de melhoras, mas você viu aquele Feitiço Estuporante?



- É! – disse Escórpio, frente à pergunta idiota – Eu VI! E senti também
- Ah é! – disse Alvo – Foi mal!


Os dois ficaram dois dias na Ala Hospitalar, sem ter a menor idéia do que Rosa estaria fazendo. O frio se intensificava, e nevascas caíam regularmente.

- Sabia que quando há uma nevasca muito forte, os Trouxas tem que cancelar as aulas? – disse Alvo
- Eles não conseguem limpar a neve? – disse Escórpio achando graça
- Conseguem, mas eles tem um veiculo apropriado pra isso, e ele só pode rodar se não houver nevasca!
- Isso não faz sentido nenhum!
- Eu sei!



Quando Alvo e Escórpio deixaram a Ala Hospitalar, se descobriram com um grande problema; Os exames haviam se acumulado, e faltavam apenas poucos dias para o Recesso de Natal. A última semana, Alvo e Escórpio não tiveram tempo pra pensar em Servo, ou muito menos em como se vingar pelos problemas que ele lhes causara no Exame de Defesa Contra Artes das Trevas.



Rosa eles também haviam visto bem pouco. Ela mal os visitara na Ala Hospitalar, e quando retornaram para o dormitório, mal falava com eles. Ela ficava apenas trancada no dormitório feminino, entre uma enorme pilha de livros pegos na biblioteca. Não que aquilo fosse necessário, pois todo o tempo livre de que ela agora disponha era empreendido ao que parecia uma tentativa suicida de ler todos os livros da biblioteca.



Logo quando finalmente acabaram os últimos testes, e somente um final de semana os separava do Recesso do Natal, Alvo e Escórpio finalmente conseguiram respirar melhor. Se juntaram a Skiper e os outros Grifinorianos num campeonato amador de Smash Explosivo, e mais tarde, a uma verdadeira guerra de bolas de neve. 



No último dia, Tiago chamou Alvo (e por tabela, Malfoy) para uma peça no zelador. O pobre homem teve uma surpresa bastante fedorenta, quando ao abrir seu armário de vassouras uma avalanche de bombas de bosta o atingiu direto na cara (e nas pernas, nos braços no tórax, e em todo o resto).


As vésperas da partida, quando os dois estavam arrumando as malas, Alvo notou que Escorpio não parecia muito feliz. Ele jogava as roupas com força na mala, como se estivesse aborrecido.
- Algo errado?
- Não! – disse ele – Tudo ótimo!


Aquele “tudo ótimo” foi com uma entonação perfeita de “Fim de Papo”. Alvo não quis aumentar a conversa. Os dois desceram para o Grande Salão, para comerem a última refeição em Hogwarts antes do Natal. E foi onde finalmente Rosa reapareceu nas vidas deles.



Ela chegou arrastando uma mala mal feita, os cabelos ruivos desgrenhados, e a roupa desalinhada. Parecia que ela tinha acordado, e esquecido a higiene pessoal, o que para uma garota era ainda pior. Alguns olhares se viraram para ela quando ela sentou.



Escórpio olhou para ela como se ela tivesse de repente arrumado uma segunda cabeça, e Alvo não podia culpá-lo.
- Então... – ele arriscou – De volta dos mortos?



Ela olhou para Escórpio com uma fúria assassina.
- Ok, não falo mais nada!
- O que você ficou fazendo a semana toda? – disse Alvo indo direto ao ponto
- O que você acha! – disse ela, e Alvo notou que ela tinha olheiras – Tentando achar Feitiços de Duelo! Na próxima vez, eu acabo com aquele miserável do Slim! Tenho treinado e estudado feito uma maluca.



Alvo achou que Rosa nutria também um certo senso de rivalidade com o colega Sonserino. Ele olhou para Servo Slim na mesa da Sonserina. Ele sorria categoricamente enquanto conversava com seus amigos, recém adquiridos depois do último confronto. Alvo achou que eles pareciam mais seguidores do que amigos; o jeito como conversavam, de cabeça baixa, como se dividissem algum segredo, tendo Slim como epicentro, era muito estranho.


Slim também não tinha mala, o que significava que ele ficaria para o Natal. Alvo se perguntou por que ele não o passaria com a família.
- Olha! – disse Alvo – Não acha que o Alvo pode aproveitar a nossa ausência pra... sei lá, pegar os ovos da fênix?
- Não mesmo! – disse Rosa – Eu pesquisei! Fênix não chocam ovos como as outras aves! Elas fazem um ninho de palha, então na hora certa, eles se transformam em uma bola de fogo, e botam fogo no ninho!
- Isso me parece bem louco! – disse Escórpio 
- É! – concordou Rosa – Mas é assim! As labaredas se transformam em filhotes de fênix!
- Que doido! – disse Alvo
- Eu descobri outra coisa! – disse Rosa – Elas só fazem isso durante a PRIMAVERA! Vida nova entendem!
- Sei! – disse Escórpio mal humorado – Isso significa que podemos esperar até o fim do recesso! Legal!


Alvo e Rosa se entreolharam.


Depois disso, eles saíram para a fria manha lá fora. As carruagens que pareciam se puxar sozinhas já estavam prontas. Alvo olhou para o espaço entre as carruagens, e lembrou de seu pai lhe falando sobre os Testrálios, e de repente sentiu uma enorme saudade do pai.


Ele pôde ver Hagrid ali perto acenando para ele. Ele acenou de volta. Alvo estava louco para falar dele para seu pai, e também dos alucinantes vôos de Hipogrifo. Lembrou de sua mãe, e das deliciosas empadas, e de chocolate quente delicioso, e de sua irmãzinha, e só de pensar em seus primos, e sua família toda reunida em casa para o grande banquete de natal ele sentia uma enorme onde de ansiedade feliz.



Era bem mais do que se podia dizer de Escórpio. Ele ficou taciturno durante todo o passeio nas carruagens, e não melhorou durante a viajem no trem. Rosa não parecia estar ligando muito, porém, Alvo a pegou dando umas olhadas furtivas e preocupadas para o lado do amigo.



A viagem de trem transcorreu sem muitas emoções. Tiago passou falando com um grupo de amigos, que olhavam para ele admirados, e Alvo mais tarde descobriu que ele estava falando que seu pai passaria o feriado inteiro o ensinando a duelar, e de como não havia ninguém melhor que ele para isso.



- Sabe, vai ser meio estranho falar com meu pai depois de saber de tudo o que ele fez! – disse Alvo
- Eu entendo por que ele fez isso! – falou Rosa – Acho que ele queria que você o admirasse como pai e amigo antes de admirá-lo como herói!
Alvo pensou um pouco, e compreendeu. Curiosamente, Escórpio pareceu ficar ainda mais aborrecido com isso.



O trem foi parando vagarosamente, e Alvo sentiu um frio no estômago. Ele olhou pela janela, e viu a Plataforma, lotada de pais ansiosos. Porém, Alvo distinguiu claramente os cabelos vermelhos de sua mãe, como uma labareda no meio da escuridão.
- MÃE! MÃE!
- Não grita Alvo! – disse Rosa


Mas ele não ligava, a saudade batia fundo em seu peito. Ele correu para fora do trem como um louco, e se atirou contra a multidão de tal modo, que as pessoas saíram da frente pra evitá-lo.


- MÃE!



- AQUI!



Sua mãe apareceu saindo do meio das pessoas. Gina Weasley Potter sorriu para ele. Mesmo antes de abraçá-la, Alvo se sentiu cheio de coragem renovada. Ele poderia ter derrotado Lobisomens, Servo Slim, ou até a Lula Gigante sem nem pestanejar. 



- Que saudade! – disse ela
Alvo a abraçou com força. Não sabia por que, mas ela parecia maior e mais alta do que da última vez que a vira, apesar de provavelmente ter sido ele a crescer.



Sua irmãzinha Lilian estava ali perto, sorrindo para ele. 
- Com você está? – disse Gina – Comeu direitinho? Estudou bastante? Conheceu alguém legal!
- É! – disse ele – Você nem acredita no que eu fiz! Eu voei no Hipogrifo, eu aprendi a duelar, eu... – ele parou, notando que a mãe estava ficando meio branca – Deixa pra lá!



Ele olhou em volta, a procura de seu pai.
- Cadê o papai? – disse ele
Gina vacilou.
- Está meio ocupado! Logo vai chegar!
- O papai disse que nem que o mundo explodisse, ele iria chegar aqui a tempo – disse Lilian – Mas ele não chegou, então eu ganhei a aposta! Ele vai ter que me comprar uma caixa na Dedos de Mel!



Alvo engoliu em seco. Ele já vira muita coisa estranha, será que o mundo poderia mesmo explodir?



Então houve um grande estouro, e uma grande luz branca iluminou tudo. Alvo se jogou no chão pra tentar se proteger da explosão. Porém o que houve foi silêncio.



Alvo olhou para trás, e parou de respirar. Alguém havia acabado de aparatar para cima do trem. O sujeito pareceu bastante aturdido com o que estava vendo, e desceu rapidamente. Ele estava usando uma capa preta de inverno, com um capuz largo sobre a cabeça. Todos os olhares estavam no estranho.


- E agora? – disse Alvo arregalando os olhos para sua mãe


Mas Gina Weasley parecia mais preocupada do que abalada. O estranho se aproximou e sorriu.
- Oi! – disse ele – Cheguei um pouco atrasado pelo jeito! Achei que tudo estaria vazio quando eu chegasse, droga, é difícil calcular o tempo sob pressão!



Tiago e Alvo arregalaram os olhos.
- PAI???



Harry Potter sorriu para eles de trás dos seus óculos. Ele parecia bem humorado.
- Meu Deus Harry! – disse Gina – Quando deixei você lá você disse que estava tudo bem com aqueles cavalos!
- Tive um pequeno contra tempo! – disse ele – Envolvendo cavalos, alguns bruxos vingativos, e um gato!
Alvo não sabia mesmo o que dizer.
- Parece que você ganhou a aposta Lilian! – disse Harry
A pequenina parecia em choque, sem saber o que falar.
- Nossa papai, você esta horrível!



- Bem! – disse ele – O que se pode dizer! Quando eu digo que vou chegar a tempo, é por que eu vou chegar a tempo meeeeesm...



Perdeu o equilíbrio e apagou.


Godrick Hollow estava coberta de neve, e os enfeites de natal cobriam os lampiões na rua. Havia coros de crianças cantando às portas das casas, e as pessoas iam e vinham fazendo suas compras de Natal. Tudo parecia alegre, feliz no bairro que Alvo sempre chamou de lar.


Ou mais ou menos. Ele, sua mãe, e seu irmão ajudaram a carregar seu pai de volta pra casa. O pai havia desmaiado em plena estação, e Gina parecia mais do que preocupada.



- Certo! – disse a mãe de Alvo – Tiago, acenda a fogueira, Lilian, ajude e vá pegar lenha, Alvo, esquente água no forno para um chá! AGORA!



Alvo sabia por experiência própria que quando a mãe mandava era melhor obedecer. Por mais que quisesse mais detalhes de como o pai havia ficado naquele estado, Alvo tinha de obedecer.



A casa dos Potter era uma das maiores da região. Três andares bem estruturados, com lareira em cada quarto. No ponto mais alto, era o quarto do casal, que ocupava todo o andar. No andar inferior a esse, ficava o quarto de Alvo, Tiago, e o Quarto de Criança de Lilian. Entre as duas portas para os quartos, ficava uma pequena Sala de Estar, onde havia um Tabuleiro de Xadrez de Bruxo no centro, e um armário de vassouras onde Tiago guardava todo o equipamento de Quadribol.



No primeiro andar, ficava a Sala de Estar principal(toda decorada com uma enorme árvore de nata e enfeites), a cozinha, a lavanderia. Atrás da casa, ainda havia um amplo quintal, onde havia um estábulo de cavalos. Era onde provavelmente havia acontecido a confusão.


Alvo colocou a chaleira para esquentar na cozinha, e aproveitou para olhar pela janela para o quintal, para ver se achava algum sinal de luta. Porém, tudo o que viu foi Lilian catando lenha no chão. Os cavalos estava nas baias dormindo tranquilamente. Alvo havia ansiado pelo momento de voltar a casa no inverno, e ver os cavalos que seu pai comprara. Eles possuíam aqueles estábulos há muito tempo, mas só recentemente eles haviam decidido ocupá-los com cavalos. Afinal, sua mãe não os queria voando antes da hora.


Um miado baixo e grosso avisou da chegada de um outro animal. Alvo se virou, e deu com Tigre, o enorme gato laranja deles. “Cavalos, bruxos vingativos, e um gato”. Alvo apanhou o gato no colo e acariciou.
- Então? Não vai me dizer o que aconteceu?



O gato apenas ronronou preguiçosamente. A pelagem de inverno o fazia parecer ainda maior. E ele já era bem grande. Chegava quase a parecer um cachorro.



- Certo! – disse Alvo – Vai caçar uns ratos do campo.



O gato pareceu ouvi-lo, e saiu correndo. Alvo se apressou em terminar o chá. Estava ansioso por inspecionar os estábulos.



Terminado o chá, ele o levou para o terceiro andar, onde sua mãe cuidava do pai. Encontrou os dois lá. Seu pai estava deitado na cama, sorrindo despreocupadamente, e Gina enfaixava sua perna com uma expressão mal humorada.



- Você deu foi muita SORTE! – disse ela
- O que você chama de sorte, eu chamo de habilidade! – disse Harry sorrindo



Alvo deixou o chá em cima da mesa de cabeceira. Harry olhou para ele.
- Como vai o pequeno duelista? – disse Harry sorrindo para o filho – Soube pelo Lino Jordan que você se destacou mesmo nesse quesito!
Alvo corou.
- É! Eu, eu fui muito bem! – disse ele
- Tenho uma surpresa para você! – disse Harry – Embaixo da árvore de presentes!
- Harry! – disse Gina – O natal é só daqui a uma semana!


- Harry! – disse Gina – O natal é só daqui a uma semana!
- Esse presente ele pode pegar! – disse Harry – É especial!
Alvo sorriu. Ficou se perguntando do que se tratava, estava prestes a sair em disparada para o primeiro andar, quando parou de repente.


- Pai! – disse ele – O que foi que aconteceu com você?



Harry olhou para ele distraído.
- O que?
Alvo apontou para a perna machucada com cara de “Não me faça de idiota”.
- Ah! Isso?! Não demais! Estive perseguindo uma quadrilha de bruxos das trevas bem ao norte daqui! Retornei poucas horas depois do amanhecer!



Alvo se sentou para ouvir a história, e o pai sorriu ao contar a história para o filho. Gina balançou a cabeça.



- Estive apenas fazendo um reconhecimento, e seguindo o rastro daqueles bruxos das trevas! Voltei horas antes para casa para cumprir a promessa que fiz de trazer os cavalos para os estábulos antes do Natal. Eu e sua mãe passamos a manha inteira fazendo isso!



- SIM! – disse Gina – Eu tive de sair pra fazer compras de Natal, e pedi para que ele me encontrasse na Plataforma! Perguntei a ele se ele ia conseguir controlar os malditos cavalos sem mim
- Eu disse que conseguiria! – falou Harry – Só não contava com os bruxos!
Alvo prendeu a respiração.
- Que bruxos?
- A maldita quadrilha! – disse Harry – três deles me seguiram até aqui em casa!
- CARAMBA! – disse Alvo
- Eles queriam me pegar de surpresa! – disse Harry – São peritos em aparatação silenciosa! Nem mesmo os cavalos os ouviram chegando! Eu estava passando uma escova no lombo e nas ASAS de um deles, quando o TIGRE, isso mesmo, nosso gato, soltou um silvo tão forte que pensei que estivesse tendo um ataque! Me virei bem a tempo de evitar o primeiro disparo das varinhas!



- Foi por pura sorte! – disse Gina
- Nada! Foi inteligência! – disse Harry – Eu te disse que era uma boa idéia agente ficar com um dos filhotes do Bichento, não disse!
Gina riu.
- E se o gato também tivesse sido enganado?
- Nem mesmo um ANIMAGO engana gatos da linhagem do Bichento! – disse Harry


- E aí? – disse Alvo – O que aconteceu?


Harry riu.
- Os cavalos entraram em disparada! A confusão foi enorme! Eu lutei contra os três bruxos sem problemas, porém fazer isso e desviar de todos os três cavalos em estouro já era pedir demais!
- Um deles pisou no seu pé! – disse Gina – Está uma luxação horrível aqui!
- Eu sei! – disse Harry – Me atrasei por que tive de levar os Bruxos das Trevas para o Ministério com esse pé horrível! E ainda tive de fazer um Feitiço de Memória, para que eles não se lembrem onde fica nossa casa!



Alvo não tinha muita certeza do que pensar.



- E o que aconteceu com os cavalos? – disse Alvo
- Tive que recolhe-los também! – disse Harry – Não sei o que foi mais difícil! Segurar os bichos, ou os bruxos!



Alvo quase riu.



Depois disso, ele desceu. Queria ver o presente que o pai havia comprado para ele. Seu pai havia dito que era um pequeno pacote, em vermelho e dourado. As cores da Grifinória.



Ele pegou o pacote. Por um momento, sentiu-se decepcionado. Descobriu, pelo peso do pacote, e pelo formato que não havia outra coisa que aquilo pudesse ser, que não um livro. Mas mesmo assim, ele rasgou o pacote e o abriu. Talvez fosse algum romance de aventura.



Porém, não era. Só que também não era um livro chato de escola do tipo que Rosa gostava de ler. O nome da escritora era oriental, e na capa, havia a pintura de um bruxo também oriental portando uma varinha no estilo da China antiga. O título era “A Arte do Duelo – Um Guia para os Jovens Bruxos mais combatentes aprenderem as melhores técnicas do mundo”.


Alvo se sentiu ao mesmo tempo apreensivo, e ansioso. Naquele livro, havia magias que poderia usar para duelar. Talvez até mesmo ganhar de Servo Slim. Nunca fora um mau leitor, embora não se comparasse a Rosa, e começou a ler o livro naquele momento.


Tiago terminou de acender a fogueira minutos depois. Lilian chegou e depositou a lenha ao lado da Lareira, e ele enfiou quase tudo no fogo. Então, depois disso, correu até onde estava Tiago.



- E aí pirralho! – disse ele – Vamos lá fora ver os cavalos? 



Alvo largou o livro e olhou para ele. Quase tinha esquecido os cavalos. Seu pai havia dito que pelo menos um deles seria um Graniana, a raça mais veloz. Os dois irmãos correram para fora, seguidos por Lilian gritando “Esperem por mim”. E naquele momento, Alvo só pensava na reunião de família no fim da semana, e no que Rosa diria quando visse seus novos Cavalos Alados.
Comentários
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3 comentários:

  1. Oi, adorei seu blog, muito fofo, estava passando em varios blogs e me deparei com o template do seu achei fofo sabe.

    Parabéns pelo blog
    bjksssss
    Ká Guimaraes

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  2. Oi Ká, que bom que gostou do meu blog fico realmente muito feliz!!!!!!

    Volte sempre que tiver vontade e deixe sempre a sua opinião!!!

    Bjusss

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  3. como ja escrevi por aqui, nao gosto do Harry!

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