14 de jun de 2011


[Continuação] FIC Os dezenove anos, e além [15]


Capítulo 17: Um natal diferente

Alvo olhou para seu irmão. Na cara dele, deu pra ver a mesma cara de desagrado que deveria estar inundando sua própria cara. Sua irmãzinha Lilian se mantinha com uma cara emburrada tão exagerada, que a fazia parecer ainda mais nova.
- Por que não podemos ir pra casa do Tio! – falou ela para a mãe
- Temos que visitar todos os parentes no Natal, baixinha! – disse Gina – Até os desagradáveis!


Alvo viu Gina trocar um olhar com Harry. Ela também não ficava muito feliz quando iam visitar os Dursley. Ele sempre os descrevia como “Um bando de trasgos hediondos e descerebrados”. Na verdade, eles não eram especialmente ruins ou abomináveis, apenas desagradáveis, e extremamente chatos;



O casal de velhos era na opinião de Alvo, o pior de tudo. Eram os pais do homem da casa, e pareciam ter vindo de um tempo onde ser gentil queria dizer o contrario. Era um velho gordo com um enorme bigode, e uma velha que mais parecia uma girafa. Os dois não paravam de soltar “comentários inocentes” criticando os nomes, as vestes, o jeito de se mexer, o jeito de agir e de falar, dele e de seus irmãos. Isso era sem duvida irritante, e quando se tornava insuportável, Harry sempre se levantava e levava a família embora.



O pai da família, Duda Dursley, até que se esforçava para ser agradável. Porém, até mesmo uma criança sabia o quanto o homem se esforçava para conseguir aquela façanha, e o fato de só terem noticias do mesmo no Natal reforçava aquilo. Ele era um tipo enorme, parrudo e rosado, que intimidava com o tamanho e força. Outro ponto que deixava a situação horrível, é que ele tinha o péssimo habito de achar que todos ao redor dele deveriam servi-lo (não era raro ele pedir a Alvo e seus irmãos que tirassem a mesa).

A esposa do homem por outro lado, era justamente o oposto de todos os parentes anteriores. Era uma mulher de cabelos e olhos escuros, e parecia ter o dom de nunca se aborrecer. Sem falar que era ótima cozinheira. Seu nome era Chloe. O que ela havia visto no Sr. Dursley, era na concepção de Alvo, um dos muitos mistérios do universo. Talvez gostasse de porcos, ou de lutadores de sumo, ou sabe Deus o que.


E por último. Os três filhos do casal. O mais velho se chamava Matthew. Um garoto que era cuspido o pai, só que com cabelos negros. O segundo parecia muito com a avó, só que com braços grandes que o deixavam parecido com um macaco. Esse se chamava Duncan. Os dois eram sem tirar nem por, dois valentões, com aversão a perder em qualquer coisa. A inveja era um ponto forte na personalidade dos dois.



O filho mais novo, Alain, era, assim como a mãe, a exceção da regra. Era pequeno e magro, tinha olhos e cabelos escuros. Dele, os Potter gostavam. O Pai de Alvo em especial, adorava fazer mágicas para ele ver quando era pequeno. O garotinho vibrava de alegria.



- Bom! – disse Harry – Eu vou tocar a campainha!
- Vamos tentar ser agradáveis! – disse Gina
- Tem hora que eu queria que ele parasse de nos convidar todo ano! – disse Harry entre dentes
- Pelo menos o Alain é um bom garoto! – disse Gina
- Ultimamente, isso tem tido o efeito inverso em mim! – disse Harry



Gina abraçou o marido. Alvo nunca entendeu direito o olhar do pai quando visitavam os parentes. Era como se estivesse acuado, e achasse que era necessário a qualquer momento iniciar um duelo.



Eles tocaram a campainha. A porta se abriu. Foram saldados pela sorridente Tia Chloe. Alvo achava que ela sempre arrumava um jeito de sorrir.
- Bem vindos! – disse ela – Entrem, entrem!

Alvo adentrou junto com Tiago e Lilian a casa. Tudo estava impecavelmente limpo e arrumado, mas de um jeito meio opressivo, como se estivessem entrando num museu ou coisa assim, onde era proibido tocar em qualquer coisa. E para salientar essa semelhança, lá estava a Velha Petúnia.


- Oh! Então vieram novamente! – disse ela com ar de quem tem a esperança perdida – Certo! Podem se sentar, a comida está ali!



Alvo teve vontade de lembrar a velha, que quem mais comia na família era o marido rabugento dela. Mas não teve tempo, por que no instante seguinte, veio o tropel de passos, e as três crianças chegaram correndo pela escada. Todas vestidas de frio.



- Pronto mãe! – disse Matthew para Tia Chloe exibindo as luvas – Botamos casacos, botas e luvas! Podemos ir lá fora?



Chloe olhou para os três. Somente os olhos de dois deles brilhavam de ansiedade. Alain se encontrava um pouco mais atrás, quase como se dissesse “a idéia foi deles”. Alvo se perguntou se havia alguma coisa acontecendo.



- Estou muito curiosa! – disse Chloe – Para saber, por que de repente os três decidiram brincar de Guerra de Neve!



Nessa hora, os olhos de Matthew pousaram sobre Alvo e seus irmãos.
- É que agora tempos dois times! – falou ele apontando para os primos – Certo? Potters?



Alvo olhou para o irmão e soube na mesma hora no que ia dar. O Potter mais velho e o Dursley se encaravam como dois cachorros prontos para cair um em cima do outro. “Não estúpido” pensou Alvo “Não caia na provocação! Lilian também terá que entrar nessa se você aceitar”.



- É claro! – disse Tiago quase sem pensar duas vezes – Estaremos lá! Podemos, não é mãe?



Gina olhou para Harry. O pai de Alvo pareceu bem indeciso. Ele olhou de Alvo para Lilian, que de repente parecia bem menor e frágil do que de fato era. Por um momento, Alvo achou que o pai iria livrá-lo daquela. Foi quando duas coisas enormes adentraram a sala.

- Petúnia, cadê o resto do jantar? O aperitivo já foi... – e nesse momento o Velho Valter olhou para as crianças – Ó! Já chegaram!
Logo atrás dele, estava Duda Dursley. E Alvo de repente notou que o melhor lugar no momento era sem duvida no quintal


- Podem ir! – disse Harry, como se lesse os pensamentos dele – À vontade!



Os seis garotos correram para fora. Alvo já sabendo o que lhes esperava. No instante em que deixaram a casa para o quintal coberto de neve, o sorriso de bonzinho dos dois Dursley mais velhos se apagaram.



- Prontos para levarem um sacode, Potters? – disse Matthew



Tiago se aproximou rindo e sorrindo. Matthew também se aproximou.
- Espero que sua avozinha cretina tenha preparado seu mingau e sua canja, por que vai precisar de muito remédio contra gripe depois que eu te soterrar de neve. 



- Talvez sua mãe possa limpar seu nariz com o cabelo Potter! – disse Matthew – Quem sabe assim fique menos ruivo!



Os dois mantiveram o olhar assassino durante mais um minuto, até julgarem seguro falarem de regras.
- Muito bem! Vamos começar! – disse Matthew – Não tem graça se for só jogar neve pra cima igual um monte de criancinhas! Que tal isso!



Para a surpresa de Alvo, o garoto tirou de dentro do casaco uma enorme cueca. Pelo modo volumoso como se inflava toda com o vento frio, Alvo deduziu que devia ser do Velho Valter. Nem mesmo o Sr. Dursley podia ter um traseiro tão grande!



- Essa vai ser a nossa bandeira! – disse ele – Legal, não é?
- Ela fede! – disse Lilian
- Talvez! – disse Matthew – Mas ela é o objetivo de vocês!



- E qual é o de vocês? – falou Tiago



Matthew ficou pensando um pouco.
- Não sei, que tal... ELA! – disse apontando para Lilian
Lilian se agarrou a Alvo. Bem, pelo menos ele tinha certeza de que Tiago jamais concordaria com algo como...
- Está bem! – disse Tiago sorrindo



Alvo quase engasgou. Duncan ficou rindo atrás deles, e Alain ficou apenas observando.

Matthew trincou os dentes de raiva. Tiago adorava mexer com objetos eletrônicos trouxas. Em especial se tinham haver com músicas. Ele conseguia fazê-los pegar todas as Rádios Bruxas e todas as trouxas, além de usar magia para deixar o som mais do que era possível com um aparelho pequeno como aquele. Além disso, Tiago adorava a idéia de Jogar Quadribol e ouvir música ao mesmo tempo. Eram seus maiores prazeres.


– Então, se nós vencermos, queremos uma daquelas suas malditas fotos que falam!



Alvo quase teve uma sincope. Matthew, Duncan e Alain sabiam que eles eram bruxos. Haviam se descuidado durante uma das vezes em que lhes fizeram visitas, e eles acabaram descobrindo. Mas jamais haviam encontrado uma prova para os pais e os amigos (principalmente para os amigos). Se tivessem uma das Fotografias Bruxas, eles teriam uma ótima prova.



- Fechado! – disse Tiago


Os dois grupos se dirigiram para posições diferentes. O quintal dos Dursley não era tão amplo quanto o dos Potters, onde era possível até mesmo ter um estábulo, mas não era pequeno. Tinha dois lados, e plantas rigorosamente escolhidas para estarem onde estavam.


Tiago conduziu os irmãos para o ponto mais longe possível do outro lado, até encostar-se à mureta que separava um jardim do vizinho. Lá, eles empilharam bastante neve, até subir uma barreira capaz de protegê-los de uma saraivada qualquer.



- Certo! – disse Tiago – Primeira providencia, proteger a bandeira!
- Não quero ser a bandeira! – disse Lilian nervosa – Sou a artilheira principal!
- Isso não é Quadribol Lilian! – disse Alvo
- Também tem Artilheiros nas Guerras e lutas! Eu vi na televisão! – disse a garotinha
- De qualquer forma! – disse Tiago – Precisamos proteger a bandeira, e é aí que temos a vantagem! A nossa bandeira pode proteger a si mesma! Não é Lilian?



Lilian sorriu, deixando os olhinhos castanhos brilharem. Alvo riu disso.
- Tá vendo aquela árvore? – disse Tiago apontando para um carvalho velho, que já devia estar lá dês de antes da construção da casa
- To sim! – disse Lilian sorrindo
- Muito bem! Você vai fazer o seguinte...



Enquanto isso, do outro lado, Alvo observou os Dursley. Dava pra ver a barreira que eles haviam construído. Era maior que a deles, porém, eles não tinham nenhum grande carvalho com eles. Isso parecia uma vantagem. Por outro lado, eles haviam feito tudo muito próximos de uma serie de arbustos muito bem podados, que podiam servir de esconderijo num ataque furtivo.



- Escuta Tiago – disse Alvo
- Dá um tempo aí! Entendeu tudo o que eu disse Lilian?
- Tendi! – disse Lilian
- Tiago!
- Só um minuto! Então vai lá, e faça seu trabalho!
- Tiago!
- Que Foi?
- OLHA!



Tiago olhou, bem na hora em que foi lançada a primeira saraivada de tiros. Varias bolas de neve foram arremessadas de trás dos arbustos podados.
- CARAMBA! – disse Tiago – Pelas barbas de Merlin, e nem deram um maldito aviso!

Lilian desapareceu de vista. Alvo e Tiago se abaixaram quando mais bolas de neve voaram. Algumas atingiam o muro, e o gelo resvalava neles, fazendo a pele de Alvo protestar com aquelas agulhadas de frio.


- Estão jogando pra valer! – disse Alvo – Pra arrebentar o ouvido de alguém!
- Sim, esse é o objetivo! – disse Tiago sorrindo – Mas eu trouxe ISTO!



E tirou do bolso um tampão de ouvido branco.
- Isso vai me proteger! Me cubra! YAAAAAH!



Ele saltou para o campo aberto, tacando bolas de neve com toda a força. Os Dursley perderam a cabeça e ficaram de pé, tacando a torto e a direito. Isso deu a Alvo uma ótima mira. Tacou seus projeteis contra os dois, mirando os ouvidos desprotegidos.



Em poucos minutos, os dois haviam recuado, segurando as orelhas. Deviam estar doendo um bocado, por que foram cinco minutos inteiros sem dar sinal de vida.



- Será que morreram? – disse Alvo
- Pelo cheiro daquela cueca, achei que Dursleys nasciam mortos! – disse Tiago



Foi quando o segundo round começou. Tudo pareceu bastante estranho. Alain do nada saiu de trás da barricada de mãos ao alto, e saiu andando em direção a eles.



- O que isso significa?
- Será que ele quer mudar de lado?



Tiago se levantou, tomando o cuidado de ver se era alguma emboscada.
- Oi! – disse ele – O que foi? Resolveu se juntar ao time campeão?



Mas Alain só continuou andando. Alvo sabia que Alain raramente desobedecia os irmãos mais velhos, pois se o fizesse a vida dele virava um pesadelo. E por algum motivo, Alvo viu nos olhos dele, que aquele era um péssimo momento para Tiago sair da barricada.



Tiago saiu da barricada, e andou ao encontro do primo.



- Vem! – disse Tiago – Mais alguns metros!



E mais alguns metros Tiago também andou. E no instante em que isso aconteceu, Alain saiu correndo de volta para a barricada inimiga.



- SAIA DAÍ! – ele ainda teve tempo de gritar, mas Tiago ficara meio sem ação com a súbita mudança nos acontecimentos

Logo em seguida, uma coisa inacreditável aconteceu. Irrigadores foram ligados, e água fria começou a chover em Tiago.


Alvo se escondeu atrás da barricada, pensando nos piores palavrões que conhecia. No instante seguinte, Tiago saltou para dentro.



- ATCHO!!! – Tiago espirrou violentamente – Frio! Tá frio!
- ISSO FOI SUJEIRA! – berrou Alvo



- Sim! É o que estamos fazendo! LIMPANDO A SUJEIRA! – berraram os Dursley gargalhando



- Que diabo! – disse Tiago – Por que aquele sujo do Alain não fez nada?
- Ele tentou de avisar! – disse Tiago
- Ele podia ter dito não para eles... ATCHOOO! 
- Ele só tem dez anos Tiago! É da Idade de Lilian! Não pode pedir para que fazer frente àqueles dois trogloditas!
- Claro que não! – disse Tiago sarcástico – ATCHOOO!
- É melhor entrarmos, ou vai pegar um resfriado!
- NÃO, SEM ESSA! – berrou Tiago – Precisamos vencer isso aqui! Quer que o bairro inteiro de mini trouxas saibam da existência de bruxos?
- Não mas...
- Então vê se inventa alguma coisa!



Foi então que Alvo teve aquela idéia. Tirou do bolso uma caixa fósforos Gemialidades Weasley.
- Não podemos fazer magia! Mas quem vai notar um pouco de fogo?
- E se sair alguma loucura? – disse Tiago – Volta e meia sai alguma loucura!
- Eu tenho sorte com esses fósforos!



Ele riscou um fósforo, e jogou no chão. A chama brotou, e dela saiu uma crepitante fogueira, com lenha empilhada em forma de cabana. Alvo suspirou fundo, por um momento, achou que sairiam fogos de artifício, ou uma lareira com chaminé e tudo, ou uma caldeira, ou qualquer uma dessas doideiras.



- Eu também trouxe uma coisa! – disse Tiago – É também é das Gemialidades Weasley
- O que? – disse Alvo, torcendo para que fosse um kit “Faça um Iglu em Quinze Segundos”, mas quando Tiago abriu a caixinha do tamanho uma mão espalmada, tirou de lá uma espécie de tubo de alumínio de um metro de comprimento.



- Que diabo é isso?
- Um “Dispara Neve Portátil” para eventuais reuniões de família chatas!
- Eu adoro o Tio Jorge! – falou Alvo

Tiago se aproximou da crepitante fogueira e ficou por perto. Alvo aumentou a barricada, de modo a reter um pouco de calor.


- Espero que a Lilian esteja bem!
- Está melhor lá em cima do que aqui embaixo! ATCHOOO!



Alvo ficou de olho vivo. Agora, estavam em grandes problemas, pois não podiam mais partir para o ataque. Se fizessem isso, os malditos iriam ligar os irrigadores e todos eles iam ficar molhados e enregelados.



- O jeito é esperar eles partirem pra ofensiva!
- Se forem espertos vão deixar que agente congele até morrer!
Os dois se olharam por um minuto inteiro.
- Cara, o que eu to dizendo! Eles não são espertos!
- Exato!



E no instante seguinte, os dois brutamontes saltaram de trás das barricadas, e vieram para cima atacando. Alvo e Tiago começaram o contra ataque imediatamente. Bolas de neve voavam para todo o lado, e explodiam com o impacto com toda a força.



- É só o que sabem fazer, palhaços! – berrou Duncan
- Você joga bolas de neve que nem a minha irmã! – berrou Tiago
- Então jogo como um monstrinho?



Alvo trincou os dentes, e jogou com mais força ainda. Os Dursley começaram a recuar para a esquerda, e para longe dos irrigadores.



- É nossa chance! – disse Tiago
- Ainda corremos risco – disse Alvo
- Alain nunca ligaria aqueles irrigadores! É NOSSA CHANCE!



E mais uma vez, Tiago saiu para o ataque, só que Alvo foi atrás. Os brutamontes recuaram para o ponto mais à esquerda do quintal, e foram acuados pelos Potters bem debaixo do Grande Carvalho.



- Vocês estão perdidos!
- Não! – disse Matthew – VOCÊS ESTÃO PERDIDOS!



No instante seguinte, os dois Dursleys tiraram de baixo da neve uma mangueira, e água voou para cima dos Potters.



- ESSA NÃO! – berrou Alvo tentando se proteger
- AH É! – disse Tiago sacando sua seu Dispara Neve Portátil – TOMEM!!



Neve voou com força pra cima dos Dursley. Então a coisa toda virou um verdadeiro pandemônio, com neve e água voando pra todo lado. Quem olhava da rua, pensava que era uma tempestade de gelo localizada.



Os Potters acabaram tendo que recuar. Alvo engoliu em seco quando viu que haviam acabado entrando na área dos irrigadores mais uma vez.



- AGORA ALAIN! – berrou Duncan
- QUAL É! – berrou Alain lá do esconderijo
- LIGUE LOGO, OU TORCEMOS SEU PESCOÇO!



Por mais que Tiago e Alvo corressem, não conseguiram fugir das saraivadas de água. Eles se sentiam o gelo nos ossos. Enquanto expiravam ar condensado, os dois recuaram contra a parede. Os dois Dursleys os cercaram com a mangueira.



- Agora, é hora de admitirem sua derrota! – disse Matthew – Cadê a garotinha?
- Vai se danar! – disse Tiago
- Resposta errada!



Mas antes que eles atirassem mais água, bolas de neve voaram do alto da árvore, a os atingiram nos ouvidos.
- AH! – berrou Matthew 
- Mas que... – disse Duncan



No instante seguinte, mais bolas. Lilian jogava as bolas de neve com força do seu Posto Especial de Observação. 
- Sua ruivinha miserável! – berrou Matthew fazendo a água da mangueira voar direto contra a pequena Lilian
- NÂO!!!!! – berrou Tiago, mas era tarde



O gelo fez a garota desequilibrar e cair na neve. Ela tremia da cabeça aos pés.
- SEU IDIOTA! ELA ESTAVA RESFRIADA SEMANA PASSADA! – berrou ele



Para Alvo, pareceu que Tiago ia partir para cima com punhos e não com neve. Só que mais água fria jorrou sobre eles, e todo aquele gelo pareceu esfriar a raiva de Tiago.



- Vocês perderam Potters! – disse Matthew sorrindo, e andando até Lilian, que começara a tossir e agora estava indefesa



Naquele instante, Alvo viu que iriam perder, e não havia nada que pudessem fazer.



Então. Do nada, uma bola de neve veio voando pelo ar, e aterrissou bem nas orelhas de Matthew. A surpresa fora tanta que o brutamontes até caiu no chão.



- MAS QUE! QUEM?



Ele virou de um lado para o outro. Não fora Alvo, muito menos Tiago, e menos ainda a pobre Lilian.

- Hei Covardes! – berrou uma voz bem conhecida de Alvo – Então vocês gostam de jogar água fria na cara dos outros em! Vocês são trapaceiros de marca maior! Queria ver vocês tentarem isso comigo! Sou uma espécie de especialista em trapaça, entendem!


No topo da mureta, havia um garoto envolto em uma capa preta. Os cabelos eram loiros pálidos, assim como a pele. O rosto ligeiramente pontudo. E o olhar corajoso de alguém que só poderia ter sido selecionado para a Grifinória.



- Quem é você! – berrou Duncan
- A cavalaria! – disse Escórpio



Ele saltou para o chão, e rolou pela neve. Quando se levantou, já tinha três bolas na mão. Tacou uma após a outra como uma metralhadora. Os dois Dursley recuaram.



- Mas que INFERNO – berrou
Eles revidaram com suas próprias bolas, mas curiosamente, as bolas resvalavam no garoto. A saraivada de neve continuou. Eles tentaram usar a água, mas até isso foi desviado.



- Que PORCARIA! – berraram eles



Na hora em que eles começaram a recuar, Escórpio chamou os Potter para o ataque.
- Vamos Alvo! – berrou ele – Não fique aí parado como um Rei em Xeque Mate, me ajude!



Ele não sabia como Malfoy havia chegado lá, mas naquele momento isso não importava. Neve voou como uma tempestade. Os três avançaram rumo ao ataque, e alcançaram a fortaleza adversária. A cueca estava lá, pendurada num galho como uma bandeira.



- AVANTE! – berrou Tiago



A bandeira foi capturada, e levada embora. Era o fim da disputa.



Todos foram andando para dentro de casa. Molhados e tiritando de tanto frio. Alvo e Escórpio apertaram as mãos.



- Mas de onde você veio? – disse Alvo
- Ah! Cê sabe! Eu estava passando por perto, e acabei vendo tudo!



Alvo achou que havia qualquer coisa esquisita ali. Quer dizer, o que Escórpio poderia estar fazendo na Rua dos Alfeneiros, onde a residência bruxa mais próxima ficava a vários quilômetros de distancia?



Entraram em um bando só, e foram recebidos por uma Petúnia escandalizada. A velha começou a tagarelar andando de um lado para o outro, gritando sobre o estado dos garotos.



Os sete despiram os casacos, cachecóis, luvas e galochas ensopados, e se postaram em frente a lareira com uma borbulhante xícara de chocolate quente.



- É! – disse Duncan – Hoje foi tenso!
- Só! – disse Matthew
- Que bom que estão cheios de espírito esportivo! – disse Tiago sorridente – Me devem um Aparelho de Som!



Os dois trouxas lançaram um olhar assassino para Tiago. Alain se encolheu em seu canto e se pôs a tomar seu chocolate.



Nesse momento, o Sr. Potter entrou na Sala.
- Muito bem garotos, é hora de irmos...



Foi quando ele notou Escorpio. Era fácil de ser notado, o Malfoy, seu cabelo loiro se destacava entre o preto e o castanho do restante das crianças, perdendo apenas talvez, para o de Lilian que flamejava do outro lado



Alvo pode ver a surpresa estampada nos olhos do pai. E ele pode também ver que Escórpio evitava o contato visual com o verde sob os óculos.
- Certo! Vamos embora! – disse Harry



- Mas por que? – disse Duda entre dentes, como se lutasse com o que estava falando – Está cedo!
- Não se preocupe! – disse Harry – Não vamos tomar mais um pouco de sua boa vontade (ela poderia secar por completo), é hora de nos retirarmos! Certo Gina?



Gina assentiu com um sorriso de gratidão.


Havia começado a nevar lá fora, quando os cinco Potters, e junto o Malfoy, deixaram a casa. Os Dursley saíram para saudá-los em sua despedida (de má vontade). Enquanto caminhavam para longe, pisando na neve macia, Alvo viu seu pai virar uma última vez para a casa, com um olhar intenso de curiosidade, que fez o jovem bruxo se virar também para ver o que ele olhava. 


Era Alain 



Parado ao lado da soleira com um olhar assustado e retraído, ele olhava enquanto os Potter iam indo embora, com um misto de curiosidade e medo.
- Hei Gina! – disse o Pai de Alvo quando já não podiam ser ouvidos pelos Dursley – Você notou algo de esquisito naquele menino?
- No mais novo? – disse Gina sorrindo – Com certeza!



Alvo olhou para os dois sem entender nada, e depois olhou de volta, em direção a casa, onde Alain ainda se postava no mesmo lugar no quintal, apesar do resto de sua família estar entrando. E foi só então que Alvo notou a neve. Chuva branca caindo em todo lugar, na cabeça de todos eles. Mas não na de Alain.



O garoto estava lá, e agora ele parecia ter notado, e olhava para o céu sem entender, mas a neve não caía nele. Como se um guarda-chuva invisível o protegesse. Seus olhos se enchiam de estranhamento.



- Alain... – disse Alvo sem acreditar – Ele é...
- Sim! – concordou o pai de Alvo – Alain é o que chamamos de Nascido Trouxa! Mas ainda assim, ele é um BRUXO!



Depois de aparatarem de volta para casa, Alvo finalmente viu que seu pai se voltava para Escórpio. Não ia demorar, mas em breve, o Sr. Potter teria de chamar o jovem Malfoy para conversar, e as grandes perguntas seriam feitas.



Do tipo, o que ele andava fazendo na Rua dos Alfeneiros. Por que não estava em casa com a família? E PRINCIPALMENTE, se os pais dele sabiam onde ele estava.



- Certo! – disse Harry – Agora que estamos aqui, eu gostaria de...
- Posso ficar aqui com vocês? – disparou Escórpio de repente, agora olhando Harry Potter nos olhos – Sabe, durante um tempo, tipo, durante o Natal também?



Alvo viu seu pai e sua mãe se entreolhando.



- Escute...Escórpio, não é? – disse Gina assumindo seu tom mais maternal – Você não quer passar o Natal com sua família, e abrir seus presentes...
- Já abri meus presentes, Sra. Potter – disse Escórpio, com educação mas bastante serio – Meus pais não se importam se os abro antes ou depois do Natal! 



Mais uma vez, os Potter trocaram olhares.



- Mas com certeza vocês devem fazer uma bela festa de Natal, não é? – disse Gina
- Sim... Certo... A Festa! – disse Escórpio levantando uma sobrancelha e coçando a nuca – Pois é! Digamos que eu não goste muito de Reuniões de Família! Nem de primos que se acham bons demais, e puros demais pra fazer qualquer coisa!



- Bem vindo ao clube! – disse Tiago



Harry mandou um olhar serio para Tiago, lhe dizendo que era melhor ele calar a boca por enquanto.
- Mesmo assim! – disse Harry a Escórpio – Isso é um pouco problemático! Os Malfoy... Hum... Sabem onde você está?



Escórpio pareceu meio sem jeito.
- Minha MÃE, sabe mais ou menos, por que eu disse pra ela que preferia passar o Natal com um amigo! Mas meu pai não faz nem idéia! Mas eu tenho certeza que minha mãe vai tranqüilizá-lo!


Durante um tempo, ninguém disse nada, então de repente...
- Muito bem! Bem vindo a nossa casa! – disse Harry sorrindo


Então Gina arregalou os olhos pra ele por um momento, e no momento seguinte se virou para Escórpio.
- Vocês nos dão licença só um minuto, crianças? – disse Gina sorrindo.



No instante seguinte, ela puxou o marido pra longe, e os dois abaixaram ligeiramente as cabeças de costas pra eles, como dois jogadores de Quadribol armando uma ofensiva contra o Time Adversário.



- Bem Vindo? – disse Gina a Harry
- O que?Ele parece um bom garoto! – disse Harry sorrindo – Até eu iria querer sair correndo de uma reunião de família na casa dos Malfoy
- Tá! Mas e se o Draco descobrir? Eu não quero que vocês duelem... De novo!
- Ele já deve ter feito uma conta no St. Mungus! – disse Harry sorrindo



Gina olhou pra ele com censurar.



- Desculpe! – disse ele
- Não importa de quem ele é filho! – disse Gina – Precisaremos dizer para os pais dele onde ele se encontra! Essa é a atitude certa!
- Conhecendo Draco, ele vai puxar esse garoto pela orelha até em casa! Escute Gina, esse garoto me lembra o Sirius! Esse jeito de “Pro inferno com o que meus pais acham”, é parecido com ele!
- Sim Harry, eu sei, também notei isso, mas isso não basta! Não podemos proteger um garoto que fugiu de casa! Quando Sirius fugiu para a casa do seu pai foi diferente, ele tinha sido POSTO pra fora! Não importa o ponto de vista, falar com os pais do garoto é a atitude certa!



Harry pensou um pouco.



- Tive uma idéia! Mas é meio arriscada! – disse ele
- E qual é?
- Consiste em escrever uma carta para os Malfoy, que NÃO IRÁ chegar, pelo menos não para O Malfoy!
- Do que você está falando? – disse Gina.



Alguns minutos depois, eles já haviam terminado, e dessa vez, Gina salientou o que Harry havia dito antes.
- Bem Vindo a casa!
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