21 de jun de 2011


[Continuação] FIC Os dezenove anos, e além [16]

CAPÍTULO 18


Harry já havia andado por todos os lados. Havia procurado no interior da cidade, e no litoral, e ainda assim nada. Agora, andava pela beira da praia, olhando em frente pela imensa curva de areia que era aquele litoral, tentando ver se enxergava cabelos vermelhos.

Ainda assim, ele não via nada. Rezava para que Rony e Hermione tivessem mais sorte do que ele. E ele realmente gostaria que aquela voz em sua cabeça parasse de repetir o tempo todo “A culpa é sua”.

Foi só naquele momento, na praia, que ele percebeu que estava sendo seguido. Ele notou quando viu que uma pessoa de jornal estava andando na mesma direção que ele, a vários passos atrás. Ele lia um jornal que cobria seu rosto, enquanto andava.

O motivo que o fez pensar que aquele enigmático cidadão o seguia? Simples. Harry estava caminhando pela praia, e nem mesmo nas mais bizarras situações uma pessoa leva jornal para a praia. Ainda mais se essa pessoa for um brasileiro.

Harry se perguntou quem era o cidadão e por que ele o estava seguindo. Parando pra pensar agora, até que ele era meio burro. Estava usando sapatos furados, que faziam um sonoro “YEK, YEK”, quando andavam em terreno sólido. Harry saiu da areia e foi pra calçada, e cerca de um minuto depois, ele já podia ouvir o barulho do cidadão vindo atrás dele. Chegava a ser cômico.

Ele foi andando por entre alguns carros. A calçada naquele bairro era tão curta, que obrigava Harry a andar pelo meio da rua, mas ele não se importou. Foi até um dos carros, e moveu o retrovisor. Quem olhasse, pensaria que ele estava tentando usar o espelho pra ajeitar o próprio cabelo (o cabelo dele vivia despenteado, lembram?). Porém, o que ele queria mesmo, era ver quem diabos era aquela criatura patética que resolvera seguir ele agora.

Ele o reconheceu até rápido, considerando os acontecimentos. Era o sujeito com cara de despreocupado que ele havia visto no Marlin Azul. Ele o vira logo antes de Gina ir embora porta a fora. Por que raios ele estava seguindo ele?


Harry continuou andando. Se dirigiu até uma multidão, e resolveu adiar um pouco a procura por Gina. Procurou com os olhos alguém que tivesse o mesmo cabelo despenteado e desarrumado que ele. Ele simplesmente não PODIA ser exclusividade total, e havia muita gente na rua.

Viu um cara mais ou menos despenteado, e com o cabelo escuro. E melhor ainda, quase da mesma altura que ele. Le foi até o cara, e começou a andar bem atrás dele. Aquilo era parte do seu plano para se livrar o Sr. YEK YEK. 

Depois de um tempo andando como uma sombra atrás do cara, ele aproveitou um momento de distração do seu perseguidor, e saltou pra trás de um carro.

Ficou observando, e sorriu. O Sr. YEK YEK saiu andando do seu “sósia improvisado”, bem como Harry previra.

Depois, Harry saiu andando na direção contrária, observando enquanto seu perseguidor era levado para longe, perseguindo alguém que pensava que era ele. Voltou à praia correndo.

- Só faltava! – disse pra si mesmo

Ficou perto da praia um tempo, olhando os arredores de baixo de um coqueiro. Queria ter certeza de que o sujeito não iria voltar. Pensou em Rony e Hermione, e se haveria também alguém seguindo eles. Mas ficou tranqüilo quanto a isso. Se todos fossem tão ruins quanto o Sr. YEK YEK, Hermione cuidaria deles fácil.

Passados dez minutos, Harry resolveu que era hora de voltar à sua busca por Gina. O sol já estava alto no céu, e estava ficando realmente quente. Voltou a andar, tentando se concentrar em onde Gina poderia estar.

Só nessa hora ele notou.

Havia alguém perto dele, que ele havia visto mais cedo, e esse alguém não era o Sr. YEK YEK.

Era a garota.

Cabelos lisos negros, pele morena, e olhos profundos. Lá estava. A mesma mulher que ele havia visto nos sonhos, lhe pedindo ajuda. A mesma que havia visto na bancada do Marlin Azul. Ela estava ali na beira da praia, com os pés na água, olhando pra ele. A expressão era séria.


Ele se aproximou dele. Ela começou a andar pela beira da praia. Os olhos ainda continuavam nele, com a mesma expressão. A expressão de alguém que precisa da ajuda dele.

- Venha comigo! – ela disse, e tinha uma linda voz

E Harry foi. Os dois andaram pela praia, até um local mais isolado. Em seguida, ela caminhou mais uma vez para cidade. Para Harry, lembrou um pouco sua ida ao Labirinto do Torneio Tribruxo. Eram tantas esquinas, entradas, e becos, que era de ficar tonto. Até que finalmente pararam, em um beco.

- Sr. Potter! – disse ela, com a voz musical
- Estou aqui! – disse ele – Foi você que me chamo naquele sonho!
- Sim! – disse ela – Fui eu!
- Mas por que? – disse ele
- Por que preciso de sua ajuda! – disse ela

Harry engoliu em seco.

- Pra que precisa da minha ajuda?

A garota sorriu.

- Estou muito feliz que tenha perguntado!

Só então Harry sentiu um calafrio. Obedecendo a um impulso ele sacou a varinha. Porém, foi imediatamente desarmado. Para a surpresa dele, bruxos saltaram do alto dos telhados, bem à sua frente. Mais bruxos apareceram atrás, bloqueando a única saída de Harry.

- E nem pense em Desaparatar docinho! – disse a garota morena – Todo esse beco foi preparado para a sua chegada!

Dois bruxos maiores seguraram Harry pelos braços.

- Quem são vocês? – disse Harry
- Nós? – disse a garota – Nós somos apenas nós! Gente de bem, querendo ganhar a vida! E de boa, não temos NADA contra você! Só que alguém pagou um alto preço pra ter você vivo e sob controle, e agente gosta de dinheiro, não é rapazes!

Um murmúrio de concordância. 

- Sabe, é mesmo uma pena pra vocês! – disse Harry sorrindo – Nunca fico sob controle de ninguém!

- Ah! – disse a garota chegando bem perto – Mas foi tão fácil fazer você me seguir até aqui! Veio como um cordeirinho!

E Harry estava odiando cada pedaço seu por causa disso. Pensou em Gina, e em Rony e Hermione. Será que eles estariam bem?


- Certo! Então vamos em frente! – disse a garota, gingando e estalando os dedos – Vamos em frente, ao ponto de entregas! Tragam a vã aqui ago...!

PAAAF.

A garota foi arremessada a quase três metros no ar e caiu no chão. Os outros bruxos da gangue ficaram com os olhos arregalados. No instante seguinte, três dos brutamontes passaram a estar vestindo roupas de mulher.

- Mas que p#**# é essa! – disseram um deles

E no instante seguinte, também estavam voando pelo ar. Os que sobraram, de repente haviam sido colocados pendurados pelos calcanhares, totalmente indefesos. 

Harry procurou com os olhos, sem conseguir achar nada nem ninguém.

- Quem...

Então para sua surpresa, Gina Weasley surgiu diante dele, tirando sua capa de invisibilidade. 

- Capa de Invisibilidade! – disse a morena se levantando – Isso é tão britânico!

- Calada, sua vaca! – disse Gina – Eu deveria matar você!

Harry imediatamente recuperou a varinha, e ficou ao lado de Gina.

- Gina...

- E QUANTO A VOCÊ! – berrou ela apontando a varinha pra ele – Eu cuido de você depois! Por que no momento, eu vou é estripar essa oferecida!

- Não! Gina espera!

- O QUE? – disse a ruiva – Tá com peninha dela agora? Ou talvez na verdade tenha GOSTADO de ser capturado por ela!

- NÃO É ISSO! – berrou Harry, e Gina estava prestes a responder a altura, quando ele pegou o rosto da garota e virou em direção à saída do Beco – OLHA!

Lá estavam mais sete iguais aqueles que a garota havia derrubado.

- Acho que o jogo acabou! – disse a morena, agora com a varinha em punho – Foi até divertido, mas acho, que já cansei!

Harry se aproximou de Gina. Houve silêncio, e ele ficou aguardando a ordem para que os bruxos ladrões ao redor deles atacassem. Nada se ouvia, nem mesmo o barulho do mar quando aquelas varinhas foram empunhadas.

Nada a não ser um som irritante, que se aproximava rapidamente. Um som enervante de passos, de tênis que faziam “YEK YEK”.


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Gina e Harry estavam cercados por todos os lados. O Beco bloqueava qualquer possibilidade de aparatação, e de escapar por qualquer lado. Os dois mantinham suas varinhas em riste, mantendo-se de costas um para o outro.

- Gina! – disse Harry
- Que foi? – disse a garota
- Acha que conseguimos nós dois entrar na capa de invisibilidade e escapar?
- Nem com um milagre! – disse Gina – Podemos até conseguir nos espremer aqui embaixo! Mas com esse beco estreito, nem um alvo invisível eles errariam!

Harry estava ficando sem idéias, e aquele maldito “YEK, YEK” vindo de algum lugar no alto o estava deixando maluco. E conseguia ouvir também uma estranha musica baixa. Só que ele podia ouvir-la perfeitamente, como se estivesse bem perto.

- Silencio! – pediu a garota para os rufiões que a obedeciam

Eles observaram enquanto os brutamontes davam um passo atrás, se mantendo imóveis e quietos. A garota mantinha os ouvidos bem atentos. Aparentemente a música e o estranho barulho eram bem mais importantes para ela do que para Harry.

- Fiquem atentos! – disse ela

Harry também ficou atento, estava se sentindo um pouco perdido nos acontecimentos. O que afinal, eles estavam esperando? Eles os tinham onde queriam, cercados e em menor número.

- Por que eles estão hesitando? – disse Gina no ouvido de Harry

Ele engoliu em seco. Não sabia, e não tinha certeza se queria ou não descobrir.

- Se surgir qualquer oportunidade, fuja, pra bem longe! Tente achar o Rony e a Hermione!
- E você? – disse Gina – Vai fazer o que?

“Sim, o que você vai fazer?” disse aquela sua maldita voz interna que ele sempre ouvia quando se tratava de Gina. Parecia que ele nunca conseguia se resolver de uma vez perto da garota. No momento, ele só sabia que queria ela fora de perigo. E quando a ele? Bem, se pudesse escolher também queria escapar, afinal, nem pudera conversar com Gina do jeito que queria e havia resolvido fazer.

- Eu... – disse ele escolhendo bem as palavras para não deixar a ruiva irritada – Estarei logo atrás de você!
- Tive uma idéia melhor! – disse Gina – Você foge, e EU estarei logo atrás de você!
- Não! Sem essa!
- Ah é! Por que você é tão durão, e eu sou a garota em perigo, não é? – disse ela sarcástica!
- Não! – disse Harry, que tinha tentado justamente evitar AQUELA reação – É por que eu sou o líder dessa missão, lembra! Ainda estamos aqui em nome da Comunidade Inglesa de Bruxos!

Gina estava prestes a responder alguma coisa muito malcriada, e Harry já se preparava, quando subitamente houve um movimento de todas as varinhas. Eles mudavam o alvo. Agora todas apontavam para cima.

Então de repente, ele apareceu. Um sonoro YEEEEEK foi ouvido quando aqueles tênis velhos encontraram o chão de paralelepípedos. A morena olhou para ele com os olhos arregalados, como se não conseguisse acreditar no que estava vendo. Como se pensasse que era um fantasma. O sujeito ainda segurava o jornal em frente ao rosto. A musica baixa que eles ouviam parecia estar vindo de um par de fones de ouvido que o estranho usava à toda altura nas orelhas.


- PEGUEM ELE! – ela berrou – NÃO DEIXEM ELE ESCAPAR!

Os brutamontes pareciam confusos se ela se referia a Harry ou ao recém chegado, e essa confusão foi o que Harry precisava.

- EXPELIARMUS!!!
- REDUCTO! – gritou Gina ao seu lado

Três dos sete caíram sem poder mais se levantar. Os outros pareceram ainda mais confusos, pois aparentemente eles tinham escolhido o estranho recém chegado como alvo, porém a reação de Harry e Gina os havia feito mudar de idéia. Harry aproveitou o momento.

- ESTUPEFAÇA!

O feitiço foi, e depois retornou direto para eles. Gina bloqueou com seu próprio feitiço escudo. Os brutamontes aparentemente estavam preparados agora. Só que agora, os números haviam mudado. Eram agora quatro contra três. Eles tinham uma chance.

Harry arriscou uma olhada para trás, para ver como se saía o Sr. YEK YEK. Ele mal pode acreditar no que estava vendo. Ele estava duelando com a garota sem tirar os olhos do jornal. A garota gritava os feitiços, e investia e estocava com a varinha. Ele, com uma mão segurava a varinha, e com a outra lia o jornal, como se estivesse pesquisando uma manchete ou um classificado interessante.

- Maldito! Ao menos olhe pra mim! – disse ela

Ele bloqueou um feitiço, e de repente, jogou o jornal para cima. A garota ficou olhando para o alto, enquanto as folhas pegavam fogo, e se convertiam de repente num gigantesco jaguar de fogo. O felino saltou para o beco, e sorriu uma ameaça de dentes incandescentes. O sujeito deu um passo para trás, sorrindo tal como sua fera de fogo.

A garota deu um passo para trás.

- Acho que não tem escolha! – disse o sujeito – Acho melhor interromper o feitiço anti aparatação e fugir!

A morena pareceu chocada, quase magoada com o que ele havia dito. Ela levantou a varinha para o céu e proferiu algumas palavras. E Harry sentiu como se de repente o ambiente tivesse ficado mais aberto e livre, ele pode até sentir uma brisa.

Foi quando ele se virou para os brutamontes que ocupavam a rua. Pensou que Gina seria o suficiente para detê-los, mas realmente não esperava ver todos eles no chão.

- Nossa! – disse ele para ela – Derrubou todos eles? 
- Não! – disse Gina tão perplexa quanto ele

Os dois olharam para os sete caídos no chão, e então olharam para o recém chegado de sapatos esculhambados. Ele usava boné com aba sobre os olhos, mas deu pra entender quando ele levantou as mãos e sorrindo como se dissesse “Sou inocente”.

A mente de Harry começou a trabalhar. Se não tinha sido o recém chegado, nem ele, nem Gina, então...

- Harry!

Ele olhou e viu na entrada do beco, Rony e Hermione. As varinhas ainda apontadas para os rufiões que haviam derrubado. E agora, se viravam para o sujeito do boné de aba baixa e sapatos velhos.

- Cuidado Harry! – disse Rony – Esse sujeito ficou seguindo agente por um bom tempo! Ele não é confiável!

Os quatro olharam agora para o estranho que ainda estava parado olhando sorridente para eles. Atrás dele, o jaguar de fogo ainda guardava a garota.

- Eu vou descobrir o que está acontecendo aqui, ouviu! – disse a garota apontando a varinha para o sujeito do boné – Acredite, vai preferir ter me pegado!

E no instante seguinte, ela Desaparatou, fazendo o Jaguar de fogo explodir em chamas que nada queimaram do ambiente ao redor. Os rufiões desacordados também desapareceram um por um, porém, Harry e sua pequena brigada só tinham olhos para o cara que agora estava de costas para o fogo frio que agora desaparecia no pequeno beco.

- Pois é! – disse ele finalmente – Pelo jeito é isso!

Os quatro se entreolharam. O sujeito estranho então, surpreendentemente, fez aparecer uma mochila em suas mãos, e colocou-a sobre os ombros.

- Podem me chamar de Mochileiro! – disse o sujeito sorridente
- Que nome idiota é esse? – disse Harry, Rony ainda mantinha sua varinha apontada
- Na verdade, eu inventei agora! – disse o sujeito – Mas eu achei bacana!

Harry estava convencido de que pelo menos no momento o sujeito não era inimigo, mas não falou nada da atitude do Rony no momento, talvez por simples precaução. Ele se virou para Gina, a garota parecia mais interessada nos capangas desaparecidos que lamentavelmente não pudera nocautear ela mesma.

Hermione era um caso à parte. Não prestava a atenção especialmente em nada com total força. Parecia estar analisando a cena toda como um quadro, avaliando o preço certo da obra de arte, e se o artista realmente havia feito um trabalho respeitável. Harry achou que talvez ela estivesse pesquisando os efeitos dos feitiços usados por aquela garota naquele beco.

- Não parecem os feitiços que usamos! – disse Hermione observando as paredes
- O que? – disse Rony para a garota, e Harry também ficou atento

- Na Inglaterra!- disse Hermione – Não parecem os feitiços ante aparatação que usamos na Inglaterra!

Gina se virou de repente.

- E como você pode saber? – disse Gina parecendo meio irritada
- Os nossos feitiços deixam efeitos colaterais que podem ser reconhecidos pelos olhos certos! – disse Hermione ainda tateando as paredes, agora parecendo tentar sentir um cheiro ou uma temperatura diferente
- É mesmo? – disse Harry impressionado – Não sabia disso!
- Perícia Mágica Avançada! – disse Hermione – É um livro sobre como realizar investigações criminais mágicas! Achei no Ministério da Magia!

Harry quase engoliu em seco, sem acreditar. Hermione havia mesmo se esforçado para aprender essa coisa de Auror. Ele nem imaginava que magia poderia deixar efeitos colaterais reconhecíveis. Pensando bem agora, se um feitiço não deixasse rastros, como um Auror achava um bruxo das trevas foragido?

- Pessoal! – disse Rony, ainda tenso apontando a varinha para o Mochileiro – E o que agente faz com esse cara!
- Deixa de fazer papel de imbecil Rony, abaixa isso! – disse Gina – Não tá vendo que ele está do nosso lado!

Rony olhou de Gina para Harry, e por fim para Hermione, que parecia ainda distante tentando entender o que estava vendo.

- Abaixa a varinha Rony! – disse Harry – Pelo menos por hora, acho que está tudo bem!

Rony obedeceu, e respirou fundo.

- Se ele está do nosso lado, por que ficou nos seguindo? – disse Rony

O sujeito rio.

- Sabe – disse ele – Me pareceu um jeito mais prático e divertido de trazer vocês pra cá! Senão eu teria de parar, explicar quem eu era, o que estava fazendo ali, e como eu sabia o que sabia e para onde ir e bla, bla, bla! Isso, ou falar um daqueles clixês idiotas tipo “Rápido, não temos tempo, seus amigos estão em perigo”! E aí ia ser uma apelação muito grande!

Harry olhou para os amigos com uma sobrancelha erguida.

- Quem é você de verdade? – disse Harry
- Já disse que pode me chamar de Mochileiro! – disse o sujeito ajeitando a mochila nas costas – Que tal agente sair daqui! Antes que apareça uma outra gangue, com lideres menos lindas e mais imprevisíveis pra encher o nosso saco?

Mais uma vez, não pela última, Harry olhou para os amigos em busca de alguma dica do que fazer.

- Vamos – disse Hermione de repente olhando nos olhos dele – Talvez ele possa me explicar o que significa isso que estou vendo!

- Por que você não acha os rastros do feitiço? – disse o Mochileiro rindo – Isso é simples Dorothy, você não está mais no Kansas!

Ele saiu do beco ainda rindo, e Desaparatou, com quase nenhum estampido, deixando os quatro completamente atordoados e perdidos. Rony coçou a cabeça, totalmente perdido.

- Pô! Eu achei que a idéia era agente seguir ele!

Hermione também parecia um pouco confusa, uma expressão que Harry aprendera a temer, muito. Gina por outro lado parecia ainda bastante chateada com ele, e pouco interessada nos acontecimentos.

Então, surpreendentemente, um carro Aparatou no meio da rua. Um carro inteiro surgiu ali, e dessa vez o som foi como o de um foguete explodindo. Era uma blazer vermelha, quatro por quatro, com rodas grandes e pareciam novos em folha.

O Mochileiro estava encostado ao lado do veículo, ainda sorrindo. 

- Sigam- me – disse ele – Temos uma longa viajem pela frente, e teremos muito a fazer!

A cabeça de Harry entrou em parafuso. Aquele sujeito, que a apenas quinze minutos estava perseguindo eles no meio da rua agora sugeria que entrassem num carro, e fossem embora.

- Você está achando agente com cara de imbecil, não é? – disse Rony, voltando a apontar a varinha

- Não! – disse o Mochileiro – Mas o barulho vai atrair muita gente, e aposto dez contra um que metade é de bruxos, e a metade dessa metade fazem parte de alguma gangue que quer matar vocês!

Harry ouviu Rony engolindo em seco.


- Então, que tal vocês entrarem no carro para fazermos uma daquelas fugas dramáticas e heróicas? – disse o Mochileiro sorrindo
- Não acha mesmo que iremos confiar em você assim, não é? – disse Hermione – Podemos Aparatar a hora que quisermos para longe daqui!

O sujeito apontou um dedo para ela, com se fosse dizer alguma coisa. Então ficou calado.

- Tem razão nessa!

Harry sorriu. Eles podiam até estar longe de casa, num lugar onde os feitiços eram diferentes, enfrentando inimigos desconhecidos e pegos no meio de uma intriga que desconheciam, mas uma coisa jamais iria mudar; Hermione sabia do que falava.

- Vocês me pegaram! – disse o Mochileiro ainda sorrindo, e dessa vez sua postura mudou – Em nome da Comunidade Bruxa Brasileira, e do Ministério da Magia em Brasília, eu peço a ajuda de você e sua equipe, Harry Potter!

E Harry mais uma vez olhou para os amigos.

- Como é que é? – disse ele
- O Sr. Ribeiro pediu a ajuda de vocês para alguma coisa, lembram? – disse o Mochileiro – Estou aqui para levá-los até essa “coisa”

E de repente, vieram as vozes. O som explosivo do carro aparatando estava mesmo atraindo pessoas. Era hora de decidir, e como sempre, eles tinham quase tempo nenhum para tomar aquela decisão.

- Vamos! – disse Harry de repente
- Então tá! – disse Rony – Eu dirijo!

Harry visou o banco de trás, assim como Gina e Hermione. Rony saltou sobre a lataria do carro e entrou pelo lado direito do dianteiro, direto ao acento do motorista e...

- Ué... Mas... QUE???

Não encontrou o volante.

- Estamos nas Américas! – disse o Mochileiro entrando pelo lado esquerdo do carro, e já colocando o cinto sobre o peito
- Lado esquerdo? – disse Rony com os olhos arregalados – Harry! Nós vamos morrer! Eu sei que vamos!

Harry apenas desejou que se morressem mesmo, que não fosse num acidente de carro. Uma multidão de pessoas já estava virando a esquina, quando o sujeito acelerou, e tirou todos eles da viela na mesma hora.

- Hora do show! – disse ele


Aceleraram com tudo, e então, de repente, eles não estavam mais na cidade. Haviam Aparatado. O carro aparentemente podia Desaparatar quando queria. Engolindo em seco, Harry olhou pela janela, e se encontrou numa estrada isolada.

- Mas que... Lugar é esse? – disse Rony

Harry observou. Abriu a janela, mas não sentia mais o cheiro forte do mar, apesar de haver algum cheiro de sal no ar, não estava mais tão forte quanto antes. E o mais assustador, a cidade inteira havia desaparecido lá de fora, e o carro cortava o mundo por uma estrada de asfalto esburacada, com nada ou quase nada nas laterais.

- Isso é brincadeira! – disse Gina – Só pode ser!

Harry não perdeu tempo, e colocou sua varinha na garganta do motorista sem nem pensar duas vezes. O carro se sacudiu um pouco e entrou em dois buracos consecutivos.

- Onde diabos você nos trouxe? – disse Harry apertando a varinha 

O sujeito pareceu mais confuso ainda do que Harry.
- Ué, não muito longe! Uns cinco quilômetros de Porto...
- CINCO QUILOMETROS? – berrou Rony

O carro parou derrapando. Todos saltaram do carro, menos o motorista. Se encontravam em uma estrada realmente isolada, com pouco mais do que paisagem desértica ao redor.

- Isso é um pouco dos nossos sertões! – disse o Mochileiro sorrindo – Mas isso é só um pouco! Não estamos realmente dentro deles!

- Por que nos trouxe pra esse lugar afastado? – disse Gina apontando a varinha para ele – E fale a verdade!

O sujeito suspirou, como se estivesse ficando entediado. A poeira subia. Ele olhou para os quatro bruxos, e então começou sua explicação.
- Estamos começando uma viajem – disse ele – Precisamos chegar ao Rio de Janeiro o quanto antes! Será um pouco complicado, mas vamos ter de dar um jeito!

Eles se entreolharam. Hermione começou a ficar branca, e Harry sentiu que vinham chuvas e trovoadas a caminho.

- Lembram daquela Organização Bruxa que estava seguindo vocês dês da Inglaterra? – disse ele


Ele não precisava lembrá-los. Harry ainda tinha viva em sua memória os dois Curandeiros que haviam tentado roubar segredos do corpo morto de Voldemort. Aqueles dois pertenciam a uma Organização que tentava roubar segredos da magia em todo o mundo. Um daqueles malditos criminosos ainda estava foragido, aquele a quem chamavam de Necrófago.

- Essa Organização! – disse o Mochileiro – Tem conhecimento de duas coisas importantes, Harry Potter! Uma, que você tem conhecimento mágico especial! Um conhecimento que explica os estranhos eventos que cercam você e o tal do Valdemar!
- Voldemort! – corrigiu Harry

O Mochileiro olhou para Harry, e coçou a nuca. Harry achou que ele não devia ter mais de vinte e poucos anos. 

- Sim! Ele – disse o Mochileiro em tom de conciliação – Foi mal pelo erro! Eu sei que pra vocês ele foi o próprio capeta, mas a imprensa Inglesa não tinha o hábito de publicar muitos artigos com o nome dele escrito! Então o erro não é minha culpa!

- Entendo! – disse Harry – E qual a segunda coisa?
- Que segunda coisa?
- De que eles têm certeza! Você disse que eles tem certeza que eu tenho um conhecimento mágico raro, e por isso estão atrás de mim, e provavelmente por isso pagaram aquela gangue pra me seqüestrar! Mas qual é a segunda certeza deles?

Harry tinha quase certeza que sabia que segredo mágico era esse que ele possuía. Se lembrou da sua conversa com Dumbledore em sua King Cross interna, e em como o antigo diretor de Hogwarts havia lhe dito que ele e Voldemort haviam feito uma jornada por um ramo totalmente inexplorado do mundo da magia. Seria um excelente motivo para uma trupe de lunáticos ladrões de segredos vir atrás dele, porém, qual era o segundo motivo? Era isso que Harry realmente queria saber naquele momento. 

- Ah é! Certo! – disse o Mochileiro – A segunda certeza deles é que NÓS do governo bruxo brasileiro temos outro segredo! Na verdade, um objeto mágico muito poderoso, e muito curioso!


- E podemos saber do que se trata? – perguntou Hermione
- É! – disse Rony – Já que teve tanto trabalho pra nos seqüestrar pessoalmente!
- Claro! – disse o Mochileiro – que não posso falar ainda o que é!

Harry suspirou. De alguma forma, já esperava por isso.
- Mas está no Rio de Janeiro! – disse Harry
- Seria legal se você não anunciasse isso por aí! – disse o Mochileiro baixando a voz, e procurando na vastidão da paisagem ao redor por sinais de qualquer animal ou coisas assim que pudessem denunciar um espião – Mas sim! O artefato está escondido no Rio de Janeiro!

- Espera aí! – disse Rony – Só revisando! Essa... Coisa mágica está nesse lugar Rio de Janeiro, não é? Por que não fomos direto para lá dês de o inicio então?

O Mochileiro sorriu em seu carro. Tirou o boné, e enxugou o suor. O sol estava mesmo ficando forte.

- Pelo mesmo motivo de não podermos voltar para o hotel para pegar suas coisas! – disse ele sorrindo – Para evitar irmos direto para a boca da fera!

Os quatro estavam meio atordoados, andando de um lado para o outro naquela enorme estrada, do tipo que eles nunca haviam visto antes. Porém, depois daquela, todos se viraram para o motorista.

- Como é que é? – disse Gina
- Eles sabiam qual era o plano do Sr. Ribeiro dês de o inicio! – disse o Mochileiro – O plano é dar o Artefato direto para as mãos do Sr. Potter aqui! E o pedido do Brasil para a Inglaterra, é que eles cuidem desse artefato! Em troca, iremos fornecer tudo o que vocês precisam em questão de matéria prima e pessoal para reconstruírem sua Comunidade Bruxa!

- Então esse foi o acordo? – disse Hermione
- Não oficialmente! – disse o Mochileiro – Oficialmente, o Potter só precisa cumprir uma missão no Brasil e pronto! Mas nós não vamos desperdiçar essa chance mandando ele varrer o chão, não é?


- Mas essa Organização está atrás do Harry também! – disse Gina arregalando os olhos – Como vocês puderam fazer algo assim!
- Acontece que só foi descoberto que eles também estão atrás do Sr. Potter depois de ele já estar em Porto Seguro!
- Quando exatamente? – disse Gina

O Mochileiro olhou o relógio.

- Há uns vinte minutos! Por mim, aliás! Quando vi que pagaram uma gangue pra capturar o Potter percebi que não fazia sentido! Seria muito mais prático mandar alguém seguir vocês! Aliás, eu era o cara que estava encarregado de garantir que ninguém iria segui-los!

Harry estava ficando realmente confuso agora. Ele ainda não entendia direito o que estava acontecendo.

- Espera aí! Explica de novo por que não fomos direto para o Rio de Janeiro se é lá que está o tal Artefato!
- Você é surdo, ou só pode ser burro! – disse o Mochileiro – Você não entendeu ainda criatura? A Organização estava seguindo vocês DESDE A INGLATERRA! Levamos vocês para Porto Seguro para nos livrarmos deles durante a estrada! Eu sou o Auror responsável por conseguir essa façanha!

- Você é Auror? – disse Rony com olhos arregalados
- Sou! – disse o Mochileiro - Olha agente pode continuar essa conversa no caminho? Tá quente, e eu não posso ligar o Ar Condicionado do carro com as portas abertas!

Eles olharam para Harry em busca de alguma confirmação. Harry afirmou com a cabeça, e todos entraram no blazer. Dessa vez, Harry foi no banco do carona, que estranhamente ficava do lado direito. O carro começou a rodar, dessa vez mais calmamente. O ar condicionado começou a funcionar, tornando o interior do veículo mais agradável. Apesar disso, a noite já vinha chegando, e logo, o sol desapareceria.

Harry olhou para o estranho motorista, que agora acelerava, sempre observando ao redor, como que para verificar algo.

- E então! – disse Harry – Que tipo de Auror você é?


- Do tipo andarilho! – disse ele batendo na aba do chapéu e sorrindo – O Brasil é um país grande, e temos muitos bruxos das trevas rodando por eles! Nós, Aurores Andarilhos, seguimos eles por quilômetros e quilômetros e quilômetros no rastro deles até encontrá-los, e de onde os pegamos, partimos para o rastro de outro!

- Então não tem casa fixa? – disse Harry
- O salário é bem alto! – disse o Mochileiro sorrindo e levantando os ombros, e Harry teve que rir

Agora, Harry só pensava nas coisas que haviam sido deixadas para trás naquele hotel. Roupas, livros, poções úteis. Pelo menos as varinhas e a capa de invisibilidade ainda estavam com eles.

- Não existe mesmo qualquer possibilidade de voltar para buscar as coisas que deixamos...
- Não se quisermos ter alguma chance de fazer com que aqueles idiotas da Organização, percam nosso rastro! – disse o Mochileiro – Depois de caçar bruxos das trevas pelo Brasil inteiro por quase dez anos, acho que aprendi um pouco como não ser seguido!

Harry coçou a cabeça. Já esperava aquela resposta, mas queria a confirmação de qualquer jeito. Agora, havia outra coisa que ele havia notado.

- Você já conhecia aquela garota morena? – disse ele – Aquela que cercou agente no beco!

O Mochileiro riu, e só com isso, Harry soube que conhecia.
- Digamos que a conheço muito bem! E ela não é flor que se cheire! Eu fiquei seguindo ela por uns bons dois anos, quando estava iniciando minha carreira!

- Teve uma ótima oportunidade de pegá-la hoje! – disse Harry
- Prioridades meu camarada! Prioridades! – disse o Mochileiro

Harry suspeitou que havia mais do que simplesmente “não ter tempo para aquilo” naquelas prioridades. Talvez aquele sujeito estranho realmente não QUISESSE capturar aquela garota. E isso, Harry quase podia entender, especialmente quando olhava para Gina.


- Eu sonhei com ela – disse ele, sem ter a menor consciência do que aquela frase poderia significar fora do contesto – Sonhei que ela me chamava, e que precisava da minha ajuda!
- Ah é! – disse o Mochileiro – Uma mistura de poções místicas e feitiços! Ela consegue introduzir um sonho na sua cabeça! Bloquear isso é muito difícil, tem que ser “o cara” na Oclumência! Tu é o cara na Oclumência?

Harry pigarreou.

- Mais ou menos! – disse Harry

O Mochileiro riu.
- Sugiro que se torne bem melhor do que é! Se essa garota voltar a aparecer, ela pode dar trabalho pra caramba!

E com isso, mexeu na marcha do carro, e de repente, houve um enorme salto, e a paisagem mudou.

- O que aconteceu? – disse Rony observando lá fora – Isso aqui mudou de novo!
- Eu vi! – disse Gina
- Eu também – disse Hermione

O Mochileiro sorriu.
- Eu equipei esse carro pra ele poder fazer isso! É um meio de despistar! Não é uma beleza?
- O Ministério da Magia do Brasil sabe que você tem um carro assim? – disse Hermione de sobrancelha levantada
- É claro que não! – disse o Mochileiro sorrindo – Se soubessem minha vida ia ser um tanto quanto mais infernal!
- Acho que não devemos usar um dispositivo ilegal! – disse Hermione

O Mochileiro olhou para ela.
- À vontade pra ir andando! Mas vou logo avisando, são uns 1500 Km daqui até o Rio de Janeiro!

Todos deram pulos. Até Harry e Hermione ficaram boquiabertos com aquela última.
- Como assim! Que distancia é essa? – disse Rony
- Vai acabar saindo do país! – disse Gina
- Não vai não! – disse Hermione engolindo em seco, e seus olhos tinham a luz de alguém que se lembra de alguma coisa e ela não é boa – Estamos no quarto!
- Que quarto? – disse Rony
- Quarto maior país do mundo! – disse Hermione – Cada estado brasileiro tem o tamanho de um país europeu!

Rony pareceu horrorizado.

- Espera aí! Recapitula! Viajar por esse país é como viajar PELA EUROPA INTEIRA?
- Se tirarmos a Rússia – disse o Mochileiro – Esse país É maior que a Europa inteira!


E foi com esse pensamento reconfortante, de estarem viajando por um país gigante pela própria natureza, sendo perseguidos por uma Organização, e bruxos mercenários das trevas, que Harry, Rony, Hermione, Gina, e aquele estranho novato Mochileiro, terminaram seu segundo dia do Brasil. Todos eles, dormindo nos bancos de um carro, que cortava sonoramente à noite, ocasionalmente desaparecendo, para reaparecer seis ou sete quilômetros à frente.


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