28 de jun de 2011


[Continuação] FIC Os dezenove anos, e além [17]

Capitulo 19 – A Festa


Alvo acordou naquela manha fria. Ele acariciou seus pés, pensando que aquele inverno estava bem mais frio que a média geral. Olhou ao redor para seu quarto, e viu alguns enfeites vermelhos, dourados e verdes, pensando o que significavam.


Então ele viu um colchão vazio no chão, e se lembrou de Escorpio. Se lembrou do dia anterior, e se lembrou que era NATAL.


Pulou da cama, e pegou os óculos, pronto para descer a abrir seus presentes, imaginando que coisas legais ele poderia ter ganhado. Seu coração batia forte. Ficou se perguntando onde estaria Escorpio, por que não parecia estar no quarto.

Então de repente, seus óculos desapareceram bem diante do seu nariz, literalmente.

- Mas o que...

- HAHAHAHAHAHA!!!!

Alvo olhou pra cima sem acreditar. Lá estava Escorpio, no teto, de pé. Não flutuando, mas com os pés presos ao teto da casa, como se tivesse sido vitima de um “Levicorpus”.

- Como foi parar aí em cima? – disse Alvo
- Sapatos aderentes! – disse Escorpio – Eles fazem a gente andar nas paredes, no teto!
- Eles grudam? – disse Alvo
- Não! – disse Escorpio – É como se eles mudassem a gravidade de direção! É muito surreal! Irado!
- Seu presente de Natal? – disse Alvo sorrindo

Escorpio riu.

- Não! Na verdade, é o SEU!
Alvo ficou calado por um momento.

- VOCÊ ABRIU MEU PRESENTE DE NATAL!!! QUANDO VOCÊ DESCER EU VOU TE PARTIR NO MEIO!!!

Escorpio riu e riu, enquanto Alvo tentava saltar para conseguir apanhá-lo. Brincaram disso por um tempo, até que desistiram cansados. Escorpio se deitou no teto.

- Tá bom, perdeu a graça! – disse Alvo – Desce aí! Eu quero experimentar agora!
- Tá! – disse Escorpio

E tentou saltar para o chão. Não conseguiu. Tentou de novo, e não conseguiu.

- Escorpio? – disse Alvo
- Cara! – disse ele – Não consigo descer!
- O que?
- Não consigo descer!
- Fala sério! Deve ter um jeito de desligar isso!

Escorpio se pôs a tentar achar um jeito de sair daquela, desesperadamente. Nessa hora, Tiago entrou pela porta.


- Atenção, atenção! – disse ele – Quem foi que ganhou a nova NIMBOS 2012!!!!

E estendeu a reluzente vassoura da linha Nimbos. Alvo e Escorpio esqueceram os problemas na mesma hora, para olhar a vassoura.


- Legal! – disseram os dois em uníssono

- Tem mais presentes lá embaixo! – disse Tiago – Vamos descer! Tem um café monstro esperando pela gente!
- Só tem um problema! – disse Escorpio – Não consigo descer!



Tiago olhou para ele.



- Já experimentou tirar os tênis? – disse ele



E mais uma vez, os dois fizeram silêncio.



Tiago saiu logo em seguida, enquanto Escorpio, sentado no teto, tentava tirar os tênis. Enquanto isso, Alvo procurava pelo seu quarto algum sinal de outros presentes que estivessem escondidos.



- Você não pegou outros presentes meus, não é?

- Não! Eu só achei esse por que estava do lado da sua cama! Além disso eu sabia o que eram! Só fiz de brincadeira!
- Eu sei, fica tranqüilo! Mas você não achou nenhuma outra coisa não?



Escorpio deu de ombros. Alvo achou muito esquisito observá-lo lá do alto. Era sem duvida vertiginoso e surreal. Concluiu que provavelmente o inventor havia sido o Tio Jorge, ou alguém parecido, se é que esse alguém realmente existia.



- Papai e mamãe sempre me fazem procurar os presentes na manha de Natal! – disse Alvo – E eles escondem as coisas muito bem, é um saco!



Escorpio parou por um segundo sua interminável tarefa pra retirar os tênis, e olhou para o amigo.



- Eu queria que meus pais fizessem isso! – disse Escorpio – O Natal ficaria um pouco mais... Sei lá... Especial!



Alvo olhou para seu amigo.



- Lá em casa, o Natal parece só mais uma festa! Não tem nada de especial! Reunião de família, comida, presentes, pronto!



- Bem! Tem gente que nem isso tem! – falou Alvo – Meu pai me falou que teve uma época que ele viajou pelo mundo com minha mãe, meu Tio e minha Tia, e que viu todo o tipo de pessoas! Acho que a gente devia agradecer pelo que tem!



Escorpio deu de ombros, e voltou sua concentração para os tênis.


Alvo estava prestes a desistir, e assumir que os tênis eram mesmo seu único presente. Isto é, além do livro “A Arte do Duelo” que seu pai havia lhe dado mais cedo. Pensando bem, ele já havia ganhado muitos presentes desde o inicio do ano, e presentes dignos de serem lembrados. A Capa de Intangibilidade do Tio Jorge. A Caneta Previsora de Ted. O Mapa do Maroto. O livro de seu pai, e agora aqueles tênis. Ele não precisava de mais.

- Desisto! – disse Alvo – Acho que é só isso mesmo!


Nessa hora, a porta do quarto se abriu, e para a total surpresa de Alvo, lá estava Rosa.



- Aí está você! Que dificuldade pra você descer em! – disse Rosa

- Rosa? – disse Alvo – O que está fazendo aqui? Achei que só ia te ver hoje a noite, na nossa reunião de família!



Rosa sorriu.



- É! Mas eu quis vir mais cedo! Estava pensando, já que você e seu irmão ganharam vassouras novas, podíamos brincar de Quadribol...



- Opa, opa, opa! Só Tiago ganhou vassoura nova! – disse Alvo



Rosa olhou ao redor.



- Hum! Então você não olhou direito!



Alvo se pôs a olhar em volta, ansioso. Uma vassoura, uma vassoura. Será que estava ali em algum canto?



- Está lá embaixo, imbecil! – disse ela – Acha mesmo que todos os seus presentes estariam aqui em cima? Vamos descer! Cadê o imbecil do Escorpio, aquele filhote de cobra?



BAM.



Alvo ficou olhando incrédulo para Escorpio e Rosa no chão. O Malfoy havia afinal conseguido tirar os Sapatos Inversores, e havia caído direto em cima... Bem... Da Rosa.



- É bom você fugir quando eu me levantar, Malfoy! – disse Rosa – Por que se não fugir, juro que vou te deixar mais feio que um Duende!



- Impossível! – disse Escorpio se levantando – Nada ficaria mais feio que você!

- Ta me chamando de DUENDE???
- Não! Isso seria elogio!



E no instante seguinte, Rosa estava correndo desembestada atrás de Escorpio como uma doida varrida escadaria abaixo, e Alvo foi também, pensando se deveria segurar a prima, ou tentar esconder o amigo. Talvez os dois.


Quando o trio alcançou o térreo, encontrou a família Potter reunida ao pé da árvore na Sala de Estar. Lilian estava abrindo seu presente, um Pelucio de Natal, quando “caça” e “caçador” passaram correndo por ela como dois furacões. Saindo logo em seguida para o quintal.

- Troquem os pijamas antes! – tentou dizer Gina, mas ninguém a escutou

Rosa derrubou Escorpio na neve logo que atingiram o meio do quintal. Os cavalos relincharam ao ver a agitação. Alvo chegou para socorrer, e encontrou Rosa em cima do Malfoy, enquanto ele tentava segurar os punhos dela, que já estavam fechadas prontas para esmurrá-lo.


- Piedade, piedade! – disse Escorpio

- Sem misericórdia! – disse Rosa
- Na cara não! Não cara não!



Alvo segurou puxou ela de cima do amigo, e a garota ainda esperneando o deu um último chute.



POF.



- OUCH!!!



- Calma Rosa! – disse Alvo



Rosa fez uma cara de brava pra ele, e cruzou os braços. O Malfoy ainda estava no chão, se contorcendo com o chute.



- Para de frescura! – disse Rosa – Eu nem dei tão forte assim!

- Mas pegou em cheio! – disse Escorpio encolhido na neve



Rosa corou até o fio dos cabelos, e Alvo se segurou mas não conseguiu. Caiu na gargalhada.



- É! Você ri por que não é com você! – disse Escorpio

- Se fosse você estaria rindo, então vou rir e pronto! – disse Alvo



Rosa virou as costas, e ficou de braços cruzados, tentando ignorar a presença dos dois.



- Você tem que ter mais cuidado com o que chuta! – disse Escorpio – Vai que faz algum estrago permanente!

- CALA A BOCA! – berrou Rosa



Escorpio saltou para trás de Alvo na mesma hora. A garota tentou ira atrás dele, mas ele correu, e de repente os dois estavam novamente correndo, dessa vez em volta do Alvo.



- Pare de correr!

- Não sou suicida!
- Espere aí!


Alvo já não tinha muita certeza do que fazer. Estava ficando tonto com aquela correria, quando...


POF



... Levou uma direto na cara. Caiu vendo estrelas. Escorpio e Rosa pararam de correr e olharam para ele.


- Olha o que você fez! – disse Rosa
- Foi você quem bateu! –disse Escorpio
- Foi você quem saiu da frente!


- Aaaai! – disse Alvo



Os dois o ajudaram a se levantar.



- Você tá bem cara?

- Agora – disse Alvo – Eu sei que posição a Rosa vai ocupar no time de Quadribol ano que vem
- Qual? – disse Rosa sorrindo – Batedora?
- Não! – disse Alvo – A do Balaço! E nem vai precisar de mais um!



Os três riram. Nessa hora, o pai de Alvo chegou na porta.

- Olá! – disse o Sr. Potter – Ei Alvo! Vem ver quem está aqui!



Alvo, Escorpio e Rosa correram para dentro, e de repente Alvo se viu sorrindo. Lá estava Ted Lupin.



- TED!!! – disse Alvo sorrindo

- E aí Grande Alvo! – disse Ted sorrindo – Ouvi dizer que virou o às dos Duelos!



Foi à festa. Havia pouco tempo desde o Dia das Bruxas, mas Ted já tinha mais um monte de histórias para contar. E enquanto eles tomavam o generoso café da manha, e abriam os presentes de Natal, ele falou das grandes descobertas à cerca do passado dos bruxos que ele havia descoberto naquelas terras longínquas.



Nessa hora, Alvo se lembrou. Lembrou da pena que havia ganhado que se escrevia sozinha. Lembrou de como ela havia de repente começado a desenhar, e de como havia feito um perfeito retrato do homem com quem Ted duelara naquele Dia das Bruxas. Um homem que não usava varinhas.



Ele ainda não tinha muita certeza quanto à pena, e também não tinha certeza do que deveria fazer. Resolveu que o mais cedo possível comentaria o ocorrido com Teddy. Ele tinha certeza que havia algo de sombrio e misterioso.



- Então, foi na América que acabei fazendo meu maior achado! – disse Teddy continuando a narrativa de sua história - Sabem a Área 51? Aquele complexo onde os bruxos americanos guardam todos os artefatos estranhos?



- Tipo o nosso Departamento de Mistérios! – disse o Sr. Potter

- Sim! E se eu dissesse que invadi o lugar?


Harry Potter engasgou na mesma hora, e precisou usar o copo para por pra dentro. Alvo e Tiago se entreolharam sorrindo, e Escorpio e Rosa ficaram vidrados. Gina olhou para Teddy com a cara mais assustada do mundo, assim como Lilian.

- Você invadiu um local do Governo Bruxo Americano? – berrou Harry se levantando


Teddy se levantou com olhar de alerta.



- Calma Padrinho... Fica frio!

- EU NÃO VOU FICAR FRIO! VOCÊ INVADIU UM LOCAL DO GOVERNO BRUXO AMERICANO!!!
- Mas... Você não invadiu o Departamento de Mistérios uma vez...
- MAS EU ERA IDIOTA! NÃO ERA PRA VOCÊ COPIAR AS BESTEIRAS QUE EU FIZ!!!
- Harry! CALMA! – disse Gina – Vamos ouvir a explicação dele primeiro!



Harry se levantou. Teddy se sentou com cautela, engolindo em seco.



- Eu precisei entrar lá! – disse Teddy – Eles saquearam meu local de escavação! E eu tinha permissão!

- Por quê? – disse o Sr. Potter
- Foi exatamente a mesma pergunta que me fiz! – disse Teddy – Antes e depois de entrar lá!



Alvo não entendeu aquilo. Ele olhou para Rosa em busca de apoio, mas encontrou a mesma interrogação no rosto dela.



- Eu entrei lá! – disse Teddy – e procurei pela urna que eu sabia que vinha da minha área de escavação! Foi lá que eu acabei achando!

- O que? – disse Harry
- A urna Padrinho, não está me escutando? – disse Teddy – Encontrei minha urna, e fui embora, aproveitando a primeira chance que achei!
- E então?
- Fugi! Resolvi abrir a urna fora de lá! Pensei que teria algo interessante lá, como as cinzas de um bruxo morto! Um pergaminho incrível contendo feitiços antigos! Mas tudo o que havia lá dentro...



O Sr. E a Sra. Potter se entreolharam.



- O que?



E Teddy olhou para Alvo, bem cabreiro.



- Uma pena! Feita de ouro!



Alvo viu seu pai levantar uma sobrancelha, e olhara para Gina.



- Uma pena, tem certeza? – disse Harry

- Sim! – disse Teddy – Era tudo o que havia!
- E será que posso dar uma olhada nela? – disse Harry


Alvo sentiu o estômago despencar. Agora, Teddy iria falar para seu pai que ele estava com a pena. Justo agora que aquele mistério estava ficando tão interessante. Ele olhou para Escorpio e Rosa, e viu que eles tinham o mesmo olhar. E foi então que Teddy mais uma vez o surpreendeu.

- Sabe Padrinho, acho que já a doei para algum Museu Bruxo! Sabe como é!

- Não lembra o nome do Museu? – disse o Sr. Potter tamborilando a mesa com os dedos

- Não tenho muita certeza! Não parecia ser grande coisa, sabe! Era apenas um feixe de ouro lapidado, existem incontáveis outros objetos mágicos e valiosos na minha cabeça!



Alvo viu que seu pai estava muito desconfiado, mas depois sorriu.



- Tá bom! Vamos esquecer isso por um tempo e aproveitar o Natal! – disse Harry – Mas...



E aqui, Alvo sentiu mais uma vez aquela sensação no estômago.



- Eu realmente gostaria que você se lembra-se do nome do Museu! – disse Harry – Se possível!



Teddy assentiu, e se levantou. E antes que seu pai pudesse ver, Teddy piscou para Alvo, sorrindo.



A manha transcorreu normalmente. Eles tomaram café, e os presentes foram abertos. Alvo começou a leitura daquele livro a respeito de duelos que seu pai havia lhe dado, e finalmente experimentou os Sapatos Inversores. Rosa brincou junto de Lilian com as bonecas novas, e depois, ela, Escorpio e Alvo foram para fora para cavalgar com os incríveis Cavalos Alados que a família Potter recentemente havia adquirido.



Foi mais ou menos nessa ocasião, que Alvo comentou com Rosa e Escorpio.



- Vocês acham que devemos falar com Teddy sobre aquele desenho?

- Com certeza! – disse Escorpio – De que outro jeito nós iremos desvendar esse mistério?
- Esperem! – disse Rosa – Não sei, acho melhor não!



Os dois olharam para ela, surpresos.


- Por que não? – disse Alvo
- Por que não sabemos o que Teddy irá pensar! Vai que ele resolve que é melhor pegar a pena de volta?
- Olha, eu acho que Teddy já provou que podemos confiar nele hoje! – disse Alvo – Quer dizer, ele não contou pro papai!

- Mas vai ver ele não sabe que a pena é mágica! – disse Rosa – Talvez pense que é só um artefato legal, com uma história bacana!

- Tá! Mas e se não? – disse Alvo – Talvez ele saiba o que mais ela faz!
- Se souber, ele mesmo vai nos dizer, até o fim da festa hoje a noite! – disse Rosa
- É! Com certeza! – disse Escorpio – Ou talvez ache interessante assistir a gente descobrir sozinho! Sou mais a favor de a gente abrir logo o jogo com ele!
- E o cara que atacou ele em Hogwarts? – disse Alvo – Aquele sujeito das pistolas! Ainda tem ele!
- E o que ele tem haver com Servo Slim também! – disse Rosa – Você disse que viu o cara das pistolas falando com o Servo Slim!
- E talvez isso explique de alguma forma o por quê de Servo Slim querer a Fênix! – disse Escorpio
- E também por que ele é tão bom em Duelos! – disse Rosa



Os dois olharam para ela com censura.



- O que? – disse ela

- Qual é! – disse Escorpio – Ele ser bom em duelos não tem nada haver!
- Ninguém é tão bom assim no primeiro ano!
- Só por que você não é não quer dizer que ninguém possa ser!



E de repente, ela estava mais uma vez correndo atrás dele, e Alvo começou a rir.


Em pouco tempo, todos estavam a caminho da TOCA, para a comemoração de Natal que aconteceria na casa dos Patriarcas Weasley, família da mãe de Alvo. A festa, Alvo sabia, só aconteceria à noite, na casa de Rosa, que era maior e tinha um salão amplo pra uma família grande.

Desaparataram todos juntos, direto para TOCA. Alvo sempre ficava surpreso quando via a casa de seus avós. Tão torta quanto um bolo de várias camadas com o recheio macio demais. O cheiro sempre fresco de algo sendo assado. Os pequenos gnomos fazendo algazarra nos jardins, agora, todo coberto por neve bem branca, do tipo que só se encontra longe de áreas urbanas.

Alvo adorava as reuniões pré-festa de Natal na TOCA. Havia algo de místico ali naquela casa, que por um ano fora à base de operações da Ordem da Fênix. Alvo quando era menor costumava ficar explorando a casinha, a procura de passagens secretas para alguma sala especial que com certeza absoluta não poderia faltar à uma base de heróis que lutavam contra bruxos das trevas. Mais tarde, é claro, ele descobriu que aquilo era bobagem, já que, para uma boa base secreta ser eficiente, ela precisava mesmo era de feitiços de proteção fortes, e vigilância constante.

...

Alvo, Rosa e Escorpio, juntamente com Lilian e Tiago correram até os campos, brincando de fazer bonecos de neve, e depois usá-los como alvo para feitiços de repelir Bichos Papões. Lilian batia palmas para os irmãos, que faziam o boneco ficar vestido dos mais bizarros vestuários. O campeão de risadas foi sem dúvida o Boneco Cármen Miranda.

- Ninguém vai ficar bravo se a gente está fazendo magia fora da escola? – disse Alvo
- Qualé! Deixa de ser Caxias! – disse Tiago – Ninguém consegue ver a gente aqui, e o Ministério nem vai perceber que foi a gente com tanto bruxo reunido num lugar só!
- Faz de novo Tiago, faz de novo! – disse Lilian



Tiago sorriu afetado, e apontou para o próximo boneco de neve. Alvo achou que o pobre coitado já estava bastante ridículo com aquele cachecol florido, com a cartola velha, e o nariz de batata, mas seu irmão não era exatamente famoso por sua piedade.

Se afastou dali, deixando os amigos assistindo o espetáculo, e foi dar uma olhada pelos arredores. Gostava de ver se conseguia ver os coelhos com sua pelagem de inverno, ou algum desses espíritos de gelo que o Skiper Lovegood disse que sua mãe tinha visto no último inverno.
Estava justamente verificando alguns arbustos congelados, quanto teve um arrepio na nuca. Era a sensação de que alguém o estava observando. Se virou, e quase teve uma parada cardíaca.

Lá estava um enorme lobo branco. O observando com olhos de aço.

Ficou paralisado por vários minutos olhando para ele, pensando quanto tempo ele ficaria lá parado até partir para cima dele. Porém, ele não se mexeu. Só passou a língua pelo próprio nariz, como se quisesse descongelá-lo.

Mais um minuto se passou, e o bicho não se mexeu. Alvo notou outra coisa importante. Não era um lobo, era um cachorro. Um pastor canadense. Ele sabia disso, por que tinha um vizinho que tinha um pastor belga, que era preto. Além disso, lobos não abanam a calda. Abanam?

- Oi! Tudo bem? – disse ele ao animal

O animal abaixou e levantou a cabeça, e se virou e saiu andando. A meio caminho, parou e virou a cabeça, quase com se dissesse “você não vem?”.

Alvo se virou para olhar por onde tinha vindo. Ainda podia escutar claramente as vozes dos irmãos e da prima do outro lado da colina de neve. Se tivesse qualquer problema, tinha certeza que pelo menos um deles iria escutá-lo, se não fosse muito além daquilo.

Ele foi atrás do cachorro, que dava cada passada lentamente, para esperar por ele, e de vez em quando virava a cabeça, para ter certeza de que estava sendo seguido.



A caminhada estranha se estendeu até o lado de fora do terreno que era compreendido pela TOCA. Para o outro lado da cerca. Alvo soube que depois daquela barreira, ele não poderia usar magia, mesmo o Ministério não sendo capaz de averiguar com certeza quem havia produzido um feitiço, ele seria o único tão longe sozinho da residência dos Weasley.

Mesmo assim, ele pulou a cerca. Sua curiosidade estava fervendo tanto dentro dele, que se não fosse lá por que o bicho queria falar com ele, iria ficar doido.

Pulou a cerca. Imediatamente o cachorro correu até uma árvore próxima. Alvo o seguiu. O cachorro se sentou ao pé da árvore.

- Que bom que resolveu aparecer!

Por um momento louco, Alvo achou que o cachorro tivesse falado. Foi quando ele olhou para cima. Lá estava ele. O homem das pistolas. O homem do chapéu e a capa. O de cabelos brancos.

O primeiro impulso de Alvo foi correr. Mas pra onde iria? Estava longe de qualquer um. Havia caído feito um patinho numa armadilha. Agora ele estava ferrado.

- Não precisa ter medo, baixinho! – disse o homem – Se eu te machucasse, teria de ser o maior dos cretinos e ingratos da face da terra!
- Quem é você? – conseguiu dizer Alvo
- Alguém que deve muito ao seu pai! – disse o homem – Mais do que poderia ser pago em dinheiro ou em serviços! E infelizmente eu só lido com um ou outro! Excepcionalmente, dessa vez, estou aqui simplesmente para lhe fazer um favor!

Alvo olhou de um lado para o outro, se perguntando do que diabos o homem estava falando.
- Já cruzou com certo Servo Slim neste momento, não está?
- Sim... Não... Quer dizer! Eu o conheço! Bom, mais ou menos, ele é da Sonserina!
- É claro que é! E ele é mais do que aparenta ser!

Pela mente de Alvo passaram-se todo tipo de coisas, e muitas das quais inspiradas pelas próprias experiências do seu pai em Hogwarts. Então ele teve um surto de idéias repentinas.

- Ele é um cara mal usando Poção Polissuco?



O homem riu.
- Está pensando como um verdadeiro Detetive Mágico! Mas não! Ele é um garoto mesmo! Isso o torna mais fácil de passar despercebido pelos olhos dos adultos!
- Então ele trabalha pros caras maus!
- Está chegando perto! Ele não TRABALHA pra eles! Mas ele os serve! Trabalho implica receber um valor em troca! Isso é o que EU faço!
- Você trabalha pros caras MAUS?
- Não! Mas também não diria que sou um dos mocinhos! Chamei você aqui, por que do mesmo jeito que Slim é o único em posição para ajudar os “caras maus”, você e seus amigos são os únicos em posição para antagonizá-lo!
- O que quer dizer anta... Antagonizar?
- Quer dizer “fazer frente”! Não será fácil, mas ele é apenas um garoto, assim como vocês, então talvez tenham uma chance!
- O que ele quer afinal? Qual o objetivo dele em Hogwarts! Isto é... Além de aprender né, afinal é uma escola!
- Acredite, ele já entrou lá sabendo muita coisa! Mas você não consegue pensar em nada que ele queira? Algo que esteja escondido em Hogwarts?
- Ah... Hum... A fênix?
- A fênix é só um meio para o que ele realmente quer! Pense garoto, pense! Se não puder descobrir isso sozinho vai ter problemas em se opor a aquele pirralho prodígio!
- Se é tão fácil pra um adulto derrotar ele, por que você não faz isso? – disse Alvo revoltado
- Já me custou mais do que os olhos da cara entrar lá só pra fazer uma ameaça! E não deu certo, o garoto nem se abalou!

Alvo estava prestes a dizer alguma coisa, mas parou, com medo de si próprio, e do que estava prestes a dizer. O homem pareceu notar.

- Agora você quer saber por que eu não atirei de uma vez, não é? Por que não dei um fim nele ali mesmo! Hora, qual é! Eu posso ser muitas coisas, mas não sou assassino de crianças! Nem mesmo daquelas que são como Servo Slim! Não, não! Vou guardar minhas balas para os que merecem engoli-las! Como os cretinos que transformaram aquele garoto no que ele é hoje!



- Certo! – disse Alvo, tentando ignorar que o homem acabara de confessar que estava planejando um assassinato de duas ou mais pessoas
- Voltando ao nosso problema inicial! – disse o homem – Pense garoto! Pense! Você já adivinhou que ele quer a Fênix! Por que é que ele a quer! O que uma fênix faz?

Forçando ao máximo o seu cérebro, Alvo tentou se lembrar do que Rosa vivia dizendo sobre as fênix. Ela já não havia dito algo parecido antes? Sobre Servo Slim querer usar a fênix pra outra coisa? Algo sobre os poderes da fênix!

- SIM! – disse Alvo sorrindo – É o poder das fênix de desaparecer e reaparecer, não importa onde estejam! Elas podem fazer isso até mesmo dentro de Hogwarts!
- Exato! – disse o homem sorrindo – Continue...
- Então, ele quer chegar em algum lugar com a fênix!
- Sim!
- Algum lugar em Hogwarts, senão, por que ele estaria lá? Fênix podem ser achadas em vários lugares do mundo!
- Certo de novo!
- E é um lugar de difícil acesso! Isso já exclui todos os banheiros, salas de aula, salas dos professores e...
- ACELERA GAROTO! Quantos neurônios estão funcionando aí dentro?

Alvo engoliu em seco, e continuou sua linha de raciocínio.

- Olha! Só existem dois lugares que eu consigo pensar, e nenhum dos dois fazem muito sentido!
- Fale de uma vez
- A Câmara Secreta – disse Alvo – Que só Ofidioglotas conseguem entrar! Mas não tem nada lá! Só um Basilisco morto!
- E o outro?
- Bem... A Sala do Diretor! Mas o que tem dentro da Sala do Diretor que poderia...

Alvo sentiu de repente como se neve escorresse pelo seu estômago. Era aquilo. Só podia ser. Ele se lembrou de uma ocasião em que perguntara à seu pai sobre aquilo, e ele nunca o havia visto tão bravo:

“Não precisa se preocupar com isso, está de volta ao lugar dela! Não quero ouvir mais nada sobre esse assunto”

Mas ele não poderia colocá-la exatamente no mesmo lugar de antes! Seria fácil demais para qualquer um pegar, mesmo em Hogwarts.



Não.

Ele a colocou num lugar mais difícil. O mais poderoso artefato mágico, colocado dentro do lugar mais difícil de invadir da Inglaterra. E exatamente do coração desse mesmo lugar. A Sala do Diretor de Hogwarts. Era LA que estava.

- Se Servo Slim conseguir a Fênix...
- Ele irá roubá-la pra eles! – disse o homem num tom macabro – Coisas terríveis se seguirão a isso se ele conseguir! Eventos que não poderão mais ser revertidos! É como da outra vez, entende?
- Por que você não fala isso pra alguém? -disse Alvo desesperado – Por que não fala isso pro meu PAI?
- Digamos que eu não tenha muita credibilidade na Comunidade Bruxa!
- Mas... MAS!
- Nada de “mas” – disse o homem – Entenda Alvo! Não é difícil! Seu pai precisou vencer Voldemort na sua idade! Você só precisa enfrentar um garoto que tem a mesma idade que você!
- Mas eu não sou meu pai! – disse Alvo à beira das lágrimas – Não sei se consigo isso! E se eu falhar? Vai ser tudo culpa minha!
- Sem drama! – disse o homem – Todo mundo tem que enfrentar seus dragões um dia desses! E olhando pelo lado bom, você está mais bem preparado do que seu pai na sua idade! Naquela época, Defesa Contra Artes das Trevas era uma matéria Azarada!

O homem se virou de costas. Alvo já ia começar a dizer pra ele voltar, quando ele próprio se virou mais uma vez.

- Ah sim! – disse ele sorrindo, e pegando um pequeno caderno do bolso – Certo! Quase esqueci! É pra isso que estou aqui!

Ele jogou o caderno para Alvo. Era bem pequeno. Um calendário daquele ano.

- Os dias que eu marquei! – disse ele – Dizem exatamente quando foi que a Fênix fez o ninho e botou seus ovos! No dia marcado em vermelho, Servo Slim tentará pegar a fênix! É nesse dia que vocês tem de pegá-la primeiro!
- Capturar uma fênix não é fácil! – disse Alvo
- Vocês conseguem!
- Mas...
- Vamos tentar evitar a crise de “Eu não sei se consigo”! Você é filho de Harry Potter! Sei que vai dar um jeito!



E finalmente se virando, o homem foi embora. Deixando para trás Alvo, que já ouvia a voz de Rosa e Escorpio procurando por ele.

- Estarei de olho! – foi a última frase do homem, antes de desaparecer na névoa gelada.
............................................................................................

Pessoal, segundo o escritor dessa FIC, o Luiz Felipe, esse capítulo ainda não acabou, mas já tem algum tempo que ele não posta lá na comunidade, então vou ficar devendo a continuação para vocês, mas prometo que assim que ele postar colocarei a continuação aqui.

Bjinhussss
Comentários
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2 comentários:

  1. Ain Lay, to ansiosa pelo resultado da promoção!!! Kd vc? hsaushaushaushua
    ta me matando ja

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  2. Oi Mar, sumi um pouco porque estava viajando, mas amanhã tem o resultado da promoção, ainda tem até hoje para participar...

    Bjinhusssssssss

    ResponderExcluir

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