9 de ago de 2011


[Continuação] FIC Os dezenove anos, e além [20]

Gente esse post de hoje é continuação do Capítulo 20 postado na semana passada aqui
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Quando o carro finalmente parou, estavam num lugar que dava outro significado a palavra “ermo”. Não havia absolutamente nada lá. Bem, isto talvez não fosse exatamente a verdade. A estrada passava bem entre um planalto e uma bela praia.

- Estamos quase chegando! – disse o Mochileiro
- Certo! – disse Harry, observando, tentando ver qualquer sinal de civilização
Então, sem avisar, ele virou o carro pra uma estrada de terra à esquerda, fazendo todos sacolejarem.
- O que é isso? – disse Hermione lá atrás
- Por que estamos virando? – disse Rony
- Pô! – disse o Mochileiro – Vocês ainda não confiam em mim?

Harry ficou olhando a Inter Estadual virar por trás dos planaltos e desaparecer, enquanto em sua estradinha de terra eles desceram em direção à praia. Logo à frente, bem no final, tinha uma barraquinha caindo aos pedaços.

- Onde estamos indo?
- Tem uma barraca aí na frente!
- Por que você não está parando?
- Tem um velhinho lá dentro!
- POR QUE VOCÊ NÃO ESTÁ PARANDO???

Harry engoliu em seco, e se segurou, quando a milímetros de atropelar a barraca e o velho dentro dela, eles pararam com uma freada brusca que lhe lembrou de suas viagens com o NightBus.

- Podia ter matado ele! – disse Hermione revoltada
- Você não consegue manter essa sua matraca fechada? – disse o Mochileiro

A barraca à frente deles era incrivelmente mal acabada, feita com folhas de palmeira, galhos podres, e com chão de... Areia de praia. Mas a moradia não era nada comparada ao seu morador. O velhinho era extremamente capenga. Era negro e parecia ser cego, pois não era possível ver suas pupilas. Tinha um físico esquelético que beirava um Inferi, e tinha tão poucos dentes que os que ainda lhe sobravam na boca parecia que tinham sido enfiados ali a base de marteladas.

Os cinco saltaram do carro, e foram na direção do estranho velinho. Harry achou que se ele ficasse mais corcunda, quebraria. As mãos dele pareciam tanto com galhos de árvore morta, que quando ele as levantou Harry pensou que ele fosse parente de Tronquilho.

- Aaaah! – balbuciou o velho

O Mochileiro revirou os olhos.

- Ô Tio Nilton! Sou eu! EU!

Os olhos do velho se viraram, revelando pupilas envoltas em íris castanhas. Imediatamente a coisa mudou. Ele ficou reto, como se mágicamente voltasse a ter o físico de um garoto de vinte anos.

- Então é você! Ah moleque! Com esse carro ainda? O Ministério deveria mandar cortar as tuas bolas!
- TIO! – berrou ele – Olha o palavreado Tio! Se você começar a xingar feito um marinheiro bêbado nosso país vai ficar mau falado no exterior!
- Ele já é mau falado no exterior, cac....! – berrou o Tio André – Não precisa da p.... Da minha ajuda pra f... Mais ainda a m.... Da nossa reputação!

Não que nenhum deles nunca soltasse um palavrão de vez em quando, mas se o feitiço de Hermione estava funcionando bem, Harry nunca tinha visto um velho mais boca suja do que aquele sujeito.

- E qual é a desse disfarce? – disse o Mochileiro – Tio, parece mais um mendigo cara!

Imediatamente, o velho boca suja sacou a varinha, e com um floreio meio truculento, ele produziu o que parecia ser uma fumaça negra. A fumaça o envolveu, e quando finalmente desapareceu, a sua aparência tinha mudado;

Ele ainda era velho, e ainda tinha aquela estranha careca no alto da cabeça. Ainda tinha uma barba por fazer. Só que agora, os dentes pareciam estar mais ou menos certos na boca, e se ainda havia espaços entre eles, estavam preenchidos com próteses de ouro. O físico de velho também não parecia mais tão frágil. Parecia agora mais forte, mais gordo, e mais bronco do que nunca. Seus olhos castanhos tinham um jeito agressivo.

- Quero que conheçam Nilton Santana! – disse o Mochileiro fazendo as apresentações – O guardião do portão de uma de nossas mais importantes Cidades Bruxas.
- Com quem estão falando, moleque, deixa eu ver!

Harry achou que o Sr. Santana podia até não ser cego, mas também não tinha uma visão das melhores. Ficou se perguntando por que o haviam escolhido para ser guardião do portão... Embora Harry não conseguisse ver nenhum portão, e nenhuma cidade tampouco.

- Ora! Olha só! – disse ele arregalando os olhos para Harry e Rony, e depois mais ainda para Hermione e Gina – SEU MOLEQUE IDIOTA! Por que não me disse que havia garotinhas aqui! Eu teria me controlado se soubesse que tinha garotinhas!

Hermione começou a rir, mas Gina levantou uma sobrancelha.

- Garotinhas? – disse ela

O Mochileiro massageou as têmporas.
- Muito bem! – disse ele – Tio André, este é Harry Potter! O bruxo mais considerado da Inglaterra!
- Potter? – disse o Sr. Santana

Ele esticou a mão no ar, e um bastão veio voando até sua mão. Ele encaixou a varinha no topo do bastão, e veio manquejando até onde Harry estava. O velho era mesmo míope.

- O homem que derrotou Voldemort! – disse ele olhando Harry bem de perto, e se detendo na cicatrix – Sabe! Pensei que fosse mais alto!

Rony não se conteve e começou a rir. Harry quase riu também.

- Espera! – disse Hermione de repente – Como é que você conhece esse nome? Achei que chegassem poucas noticias da Inglaterra até aqui!
- Eu não preciso de jornalecos para receber noticias! – disse o Sr. Santana – Eu SEI das coisas, e pronto! Sei de tudo o que acontece, aqui e em qualquer lugar! Eu enxergo tudo!

E enquanto dizia isso, se virava e gesticulava para uma palmeira.

- Sr. Santana! – disse Hermione meio incerta – Estou aqui desse lado, olha!

Ele se virou da palmeira para Hermione parecendo surpreso de a árvore não ser a garota. Então olhou para ela.

- Enfim! Eu sei de tudo, e vejo tudo!
- Então sabe o que viemos fazer aqui! – disse o Mochileiro
- É claro que sei! – disse ele sorrindo – Estão fugindo, não é?

Harry e Rony se entreolharam.

- Sei que estão! – disse o velho – Bruxos das trevas têm rondado por essas bandas! Xeretando por todo o lado, metendo o bedelho onde não devem! Tentando desenterrar segredos... Que essas terras escondem a muito mais tempo do que eles têm noção!

Harry olhou ao redor. Continuava sem saber onde estava a tal Cidade Bruxa. Atrás da cabana do velho havia uma praia em frente a um planalto. E sobre o planalto uma verdejante e densa floresta tropical.
- Ah é! – disse o Sr. Santana
- Tio Nilton! – disse o Mochileiro – Vou tentar despistar esses bruxos das trevas! Enquanto isso gostaria que levasse o Sr. Potter e seus amigos para um lugar seguro
- E que pensa que fará sozinho, moleque? – disse o Sr. Santana
- Não sei, mas eu dou um jeito!
- Eu dou um jeito, eu dou um jeito! Esses moleques de hoje em dia!

Então ele se virou manquejando para dentro da barraca.

- Venham! Sigam-me! – disse ele – E é bom que saibam se cuidar!

Harry não estava gostando muito do rumo que as coisas estavam tomando. Estava começando a se sentir uma espécie de bagagem muito valiosa, e especialmente inconveniente. Indo de um lado para o outro, tento que ser mantido em segurança. O problema, é que num país estranho, tendo Hermione, Rony e especialmente Gina com ele, não podia se der ao luxo de tentar alguma loucura, como ir sozinho para o Rio de Janeiro. Pelo menos não naquele momento.

Enquanto o carro do Mochileiro arrancava na estrada, e corria de volta para a Inter Estadual, eles seguiram o velho André Santana pra dentro da barraca. Por dentro ela era igual por fora. Só uma barraca caindo aos pedaços.

- Certo! – disse ele – Muito bem! Tem uma velha estalagem lá na beira da praia em que talvez possam ficar! Boa Sorte pra vocês!

Então, ele puxou o plano do outro lado da barraca, e os três passaram.
Para Rony e Gina, que haviam nascido bruxos, aquilo fora impressionante. Mas para Harry e Hermione, a sensação foi vertiginosa.

Num minuto, estavam dentro da barraca velha, no outro, haviam saído para uma enorme e colonial cidade antiga. Os prédios deviam ter uns treze andares. O chão era de pedra, e havia lampiões em cada esquina. Harry se lembrou de alguns filmes de pirata que ele havia assistido no tempo em que vivera com os Dursley, os bruxos lá dentro pareciam se vestir exatamente daquele mesmo jeito.

Havia toda casta de criatura vivendo naquele povoado. Harry viu grupos de duendes, saindo e entrando de prédios comerciais e lojas, sempre carregando ouro de um canto a outro. Viu grupos de Elfos Domésticos, que pareciam cuidar de algumas crianças bruxas que andavam pelas ruas. E por mais incrível que aquilo pudesse parecer, havia centauros. Nem de longe pareciam os arrogantes e arredios centauros que vira na floresta de Hogwarts, estes pareciam bem mais mansos e amigáveis, conversando alegremente que alguns bruxos e bruxas.

Mas o mais impressionante sem dúvida era o céu. Naquele país o céu quase sempre era azul e branco, porém naquela cidade, ele se coloria de vermelho, roxo, azul, amarelo, verde, e mais um monte de cores. Isso se devia aos pássaros. Milhares deles. Voando e esvoaçando, entregando mensagens por todo lado. Harry não viu nem mesmo uma única coruja, mas aqueles pássaros tropicais davam um ar extremamente festivo à cidade.

- Será que tem um Gringotes por aqui? – disse Rony olhando para os duendes
- Você é cego, Rony? – disse Gina apontando

O prédio mais alto ao sul, era branco mármore, e havia uma concentração maior de duendes na rua que dava acesso aquele prédio.

- Ótimo! – disse Hermione – Poderemos sacar dinheiro se precisarmos!
- Não será tão fácil! – disse o Sr. Santana

Harry se virou para o Sr. Santana. De repente, não haviam passado por uma cabana, mas por um enorme e negro portão, e o Sr. Santana se postava à frente dele.
- Nesse país, nós temos uma música que canta assim! – disse o Sr. Santana – “Eu só peço a Deus, um pouco de malandragem...”

Harry ficou sem entender direito o que ele queria dizer, ah não ser que estivesse explicando pra eles por que não seguira a carreira de cantor.

- O que quer dizer? – disse Gina
- Vocês estão num país de Malandros! Garotinha! – disse o Sr. Santana – Num país assim, tudo fica mais difícil!

Os quatro deixaram o Sr. Santana tomando conta do seu portão, e seguiram para o Gringotes, a filial Brasileira.

Depois de dez minutos dentro de Gringotes, eles entenderam finalmente o que Sr. Santana havia querido dizer. Todos os Duendes os olhavam com uma desconfiança explosiva, como se a qualquer momento eles fossem tentar atacá-los.

Se fosse na Inglaterra, bastaria a Harry entregar a chave do seu cofre, e haveria uma retirada. Só que...
- Essa chave é sua? – disse o Duende chefe
- É! – disse Harry
- Que provas você tem?
- Bom... Eu estou com ela, não estou?
- Isso não prova nada! Quero seu nome, sua cidade de origem e que apresente sua varinha!
- Tudo bem, eu...
- Aqui não, naquele setor
- Mas...
- Vai!

E lá se foram mais dez minutos. Primeiro enfrentando a fila, pra finalmente chegarem. Harry deu seu nome, sua cidade e país de origem, e mostrou sua varinha.

- De acordo com os registros! – disse o Duende – Você é estrangeiro!
- Bem, sou, mas isso...
- Muito bem! Nesse caso precisa refazer tudo isso, naquele setor!
- QUE? – berrou Rony ao lado dele – Mas isso é ridículo!

Mas o Duende não quis discutir. Mais quinze minutos de espera até que eles finalmente conseguissem um pergaminho que acompanhava a chave e dizia:

Sr. Harry Tiago Potter
Godrick Hollow, Inglaterra
Motivo da viajem: Trabalho
Varinha de Azevinho e Pena de Fênix
Chave fabricada por Duendes, filial Inglesa de Gringotes. Localização atual do cofre, Beco Diagonal, Londres, Inglaterra.

E com isso, havia a assinatura do Duende em questão.

- Muito bem! – disse o Duende – Certo Sr. Potter, em um prazo de três dias a duas semanas, seu ouro estará liberado para saque!
- QUE? – berrou Harry – Mas isso é ridículo!
- É necessário Sr. Potter! – disse o Duende – São medidas necessárias para se evitar criminosos!

Harry saiu de lá, mais contrariado impossível. Acabara de ficar sem sua chave de cofre, pois havia sido enviada para Inglaterra para análise. Sentia que aquilo tudo estava indo de mal a pior.

- Não poderemos sair daqui até sua chave ser devolvida! – disse Hermione
- Sabe o que mais me deixa irritado! – disse Rony – Quando dissemos que estávamos querendo desistir do saque, eles nos olharam mais feio ainda! E NÃO DEVOLVERAM a chave!
- Eles nos trataram como se fossemos ladrões! – disse Gina, revoltada

Harry fez que sim com a cabeça. O tratamento no banco fora tão revoltante, que era de se esperar que ele estivesse no mínimo frustrado. Curiosamente, não era assim que ele se sentia. Mal havia saído do banco, o mundo subitamente havia lhe parecido estranhamente interessante, como se tivesse ganhado colorido.

- Hum! – disse Hermione meio incerta – Então, o que fazemos agora?
- Sei lá! – disse Gina – Vamos dar uma volta na praia, tá um dia bonito pra isso!
- Mas agente não tem tempo, não é? – disse ela – Quer dizer, não estamos aqui de férias!

Mas Harry não conseguia entender por que a amiga estava tão nervosa. Tudo parecia realmente muito bem, não havia nada de errado. E daí que iria demorar uma semana para o banco liberar o dinheiro? Eles podiam esperar, a vida era longa, bonita e feliz.

- Engraçado! – disse Harry – Estou com um ótimo humor!
- Eu também! – disse Rony distraído – Aí, sabe de uma coisa! Estou com ótimo humor! Sabe, acabei de me lembrar de uma piada ótima sobre uma Trasgo um Duende e uma Bruxa Má que entram num bar e...
- HEI! – disse Hermione – Pessoal! Nós temos algo a fazer lembram? Tá, eu admito, a piada é boa, mas eu... eu realmente acho.

Então inacreditavelmente ela teve um acesso de risadas. Harry sorriu pra ela surpreso.
- Desculpem! – disse ela – É que eu lembrei dessa piada agora, e ela realmente é muito boa!
- Nunca ouvi essa! – disse Gina – Conta logo!

Harry já estava cruzando os braços pra começar a ouvir, quando um enorme gritaria começou a subir do fim da rua.

- PEGA! PEGA! SEGURA, NÃO DEIXEM ESCAPAR!

Harry não teve muita vontade de ver o que estava acontecendo. Estava mais interessado na piada. Então, nessa hora, algo com o peso de uma coruja pousou em seu ombro. Ele só conseguiu registrar um par de grandes olhos cor de mel, e um sorriso matreiro e inumano, então a coisa pulou de seu ombro, e saiu saltitando pela rua como uma espécie de canguru.

- PEGA! SEGURA ESSE MALDITO DIABO!

Nessa hora, Harry se virou. Curiosamente a cena pareceu muito viva, e se mover em câmara lenta nessa hora. Ele viu cinco homens vestidos em roupas de bruxos distintos correndo com o que pareciam ser discos de madeira na mão. Bem nessa hora, atravessando a rua de um lado a outro, um sorveteiro com uma cara extremamente bem humorada atravessava a rua. A cena seguinte foi acompanhada do mais retumbante acesso de gargalhadas que Harry já tivera na vida.

Os cinco bruxos trombaram em batida direta com o carrinho de sorvete, que capotou por cima deles, jogando baunilha, chocolate, flocos, e tantos outros sabores ao ar, ao mesmo tempo em que a fileira de homens com vestes distintas rolavam um por cima do outro como se fossem pinos de boliche que tivessem resolvido partir pra cima da bola.

O que mais fez todo mundo rir, no entanto, foi sem dúvida a cara do sorveteiro, que olhava pra tudo ainda com aquele sorriso apalermado na cara, parecendo pensar como diabos havia chegado ali.

Enquanto Harry se dobrava em dois de tanto rir, acompanhado não só por Rony, Hermione e Gina, mas também pela rua inteira, os homens tentavam se levantar. As caras deles próprios pareciam se esforçar para se manterem sérios.

- Isso não tem graça nenhuma! – disse um deles beliscando o próprio braço pra evitar de rir – NENHUMA! Vamos! O maldito demônio ainda está lá!

Harry enfim resolveu se virar para o outro lado da rua, e finalmente viu o que aqueles homens estavam perseguindo. Ao contrário do que parecera a principio, ele não fugira, continuava lá, parado em pé no topo de um lampião, com seus olhos cor de mel em eterno desafio para os cinco homens, como se ESPERASSE ser perseguido.

Ao olhar para aquela criatura, a mente de Harry imediatamente viajou para os diabretes que seu professor do segundo ano havia soltado em plena sala de aula, mas aquele tinha o tamanho de um Elfo Doméstico. Uma estranha cara de macaco sorridente, com dentes salientes. Grandes orelhas bem pontudas nas laterais da cabeça, e uma calda cumprida terminando em seta. Para completar a descrição, um gorro bem vermelho e brilhante coroava-o como a um rei.

Harry achou que o bicho seria tão feio quanto um Duende, se não fossem aqueles brilhantes pelos negros que o cobriam, crescendo em tufos pela sua cara lhe dando um aspecto leonino.

- Tenho um anuncio a todos aqui! – disse um dos cinco homens distintos, pegando um pergaminho de caráter oficial. Harry precisou fazer uma força homérica pra evitar cair na gargalhada outra vez, por que o homem podia até estar tentando parecer respeitável, mas ficava difícil levá-lo a sério coberto de sorvete de morango 
– Nós! Membros do Departamento de Controle e Extermínio dos Animais Nativos do Ministério da Magia Brasileiro, pedimos a colaboração do povo e dos passantes em geral para apreender esse perigoso espécime de Monópode Negro Sul Americano, vulgo Saçurá, com o objetivo de expurgarmos tal criatura causadora de caos deste sítio!

A resposta das pessoas em geral foi surpreendente. Uma vaia concentrada e explosiva, ao mesmo tempo acompanhado de palmas para a pequena criatura, que retribuiu com uma reverencia lá do alto, como se estivesse num palco iluminado.

- Doravante! – disse o homem – Qualquer tentativa de dificultar ou impossibilitar a ação desta missão oficial resultara em multa ou prisão do envolvido! – ele disse isso lançando um olhar para o sorveteiro, que ainda parecia achar tudo muito inusitado.

Todos ao redor se calaram, e deram um passo atrás. Ninguém mais estava rindo, mas tampouco pareciam apreensivos. No máximo esboçaram uma reação de sair do caminho, porém mais pareciam que aguardavam o início de algum espetáculo especialmente interessante.

- Bom! – disse o homem enrolando o pergaminho – Sem mais delongas, daremos inicio a operação! Tenham em mãos seus discos para a imobilização do animal, e varinhas em punho senhores!

Harry deu vários passos para trás, junto com os outros membros de sua comitiva. O tal Monópode ainda estava em cima do lampião, sorridente. Os homens do Ministério fizeram um semicírculo em volta do Lampião com seus tais discos à mão, e varinhas em punho.

- Muito bem! – disse o homem – Quando eu disser “agora”!

O pequeno ser no topo do lampião estendeu a mão para os homens do Ministério, fez sinal como se os chamasse. “Podem vir”.

Imediatamente varias coisas tiveram inicio ao mesmo tempo. Azarações de impedimento foram lançadas ao mesmo tempo, e um disco foi atirado. Imediatamente a criatura saltou, desviando de todos os feitiços quase que por milagre, bem a tempo de agarrar o disco que havia sido lançado com a cauda, e jogar de volta contra os bruxos, acertando um deles bem no nariz.

- Maldito miserável perneta! – berrou ele, com o nariz sangrando

Harry olhou admirado para o bicho. Acabara de notar que ele só tinha uma única perna, saindo direto do tronco peludo.

Mais discos foram jogados, e mais uma vez, ele desviou de cada um deles, sem a menor necessidade de sair do seu posto sobre o lampião. O publico urrou, e riu. Os homens do Ministério pareceram perder a paciência. Com uma Azaração de Redução, eles explodiram o lampião. O Trique-Trique saltou para o chão, e rodopiou pela rua, como se dançasse um balé, visivelmente insultando seus adversários.

- Maldita seja essa criatura, MALDITA!

Mais maldições, e mais discos cortando o ar. Um dos discos fora enfeitiçado para seguir o bicho pela rua, e agora ele disparava, saltitando, tentando se livrar.

- Ah! Não é tão fácil agora, não é! – berrou um dos homens

Como que só pra discordar do homem, ele começou a pular de costas, com os olhos sorridentes no disco. A multidão ria de chorar.

- Caraca! – disse Rony

Harry se desviou daquele estranho duelo de cinco contra um, para olhar os amigos. Gina ria de ter lágrimas nos olhos, e Rony chegava a acompanhar a multidão gritando “olé” a cada vez que o animal fazia os homens do Ministério comer poeira. Curiosamente Hermione não estava rindo, nem sorrindo. Olhava para a cena como se estivesse em uma aula em Hogwarts, bebendo cada virada nos acontecimentos como se fosse ter uma prova sobre aquilo mais tarde.

PAF.

Harry se virou mais uma vez para o espetáculo. O Trique-Trique tinha feito o Disco Errante acertar o estômago de um dos homens do Ministério, deixando-o desacordado no chão. Três deles agora faziam um circulo ao redor dele, castigando-o com feitiços estuporantes.

- Desse jeito vão matá-lo! – disse Hermione
- Ah Mione! – disse Rony – Acho que ele sabe se cuidar!

E como em resposta a isso, um som estranho de turbina de avião se fez presente, e do nada, um pequeno redemoinho apareceu no meio da rua, jogando aqueles três homens para trás com força, e fazendo-os perder as varinhas.

Harry teve a impressão de que aquele era o lance final, e estava certo. No instante seguinte voou rápido pelo chão, recolhendo as varinhas de todos os homens ali presentes. E novamente, ele estava de pé sobre outro lampião, com um sorriso maior ainda em sua boca de macaco.

- Vai pagar por isso, criatura das trevas! – disse o homem do Ministério

O Monópode fez uma reverência a eles e piscou com um de seus olhos cor de mel. “Estarei esperando” era como se dissesse. Os cinco homens se retiraram sujos de sorvete e lama, tentando resgatar o que havia sobrado de sua dignidade. O povo batia palmas e ria.

O Trique- Trique pareceu ter um ar bastante satisfeito. Com a calda, jogou as varinhas no chão, e em seguida para a surpresa de Harry, mudou de forma. No lugar da cara de macaco apareceu um bico, e no lugar das mãos peludas apareceram asas. Em um minuto, ele havia se transformado em uma bela gralha, que voou dali sendo ainda saudado pela multidão.

- É sempre divertido ver o Ministério brigando com um Trique- Trique – disse um sujeito ao lado de Harry – 
Quase sempre é diversão garantida!

Harry se virou para o homem, mas foi Hermione quem chegou primeiro a ele.

- Por que os homens do Ministério queriam matar aquela criatura? – disse ela
- O Trique-Trique? Hora, não é obvio? É isso que eles fazem! O que não podem controlar, eles exterminam!
- Estavam tentando matar aquele bichinho? – disse Gina – Mas não parecia fazer mal a ninguém!
- É! Só que não se trata só do que é perigoso, não é? – disse o homem, ele estava sujo de baunilha, e vestia uma roupa branca e meio alegre. Só nessa hora Harry percebeu que se tratava do sorveteiro avoado

Hermione lançou a Harry um olhar significativo, e se voltou para o sorveteiro.

- Que quer dizer com isso? – disse Hermione
- Simples – disse ele – Não dá pra controlar Trique-Trique! Trouxas que já foram tocados pela magia conseguem vê-los, e os bichos nem se importam se eles conseguem vê-los ou não! São muito arredios, e difíceis de capturar, então não dá pra manter longe dos olhares dos Trouxas!

Harry estava começando a entender, e não tinha certeza se estava gostando.
- Deixa eu ver se entendi! – disse Harry – Eles não acharam solução pra mantê-los sob controle! E como não acharam, estão querendo EXTERMINÁ-LOS!
- Exato! – disse o homem, casualmente – É mais ou menos por aí!
- ÍSSO É RIDÍCULO! – berrou Hermione – Os dragões são os bichos mais difíceis de esconder do mundo, e ninguém precisa levá-los a extinção por isso!
- É! Só que aqui não temos Dragões, temos? – disse o homem sorrindo – Não! Nós temos o Trique- Trique! Muito mais inteligente e esperto! Pode não entender a fala humana, mas acho que já entendeu a mensagem dele com esse espetáculo: “Eu jamais abaixo a cabeça para bruxo nenhum”.

De repente a mente de Harry foi levada a tantos anos atrás, para quando ele invadira o Ministério da Magia no seu quinto ano. Lembrou da fonte dos Irmãos Mágicos, onde se podia ver uma bruxa e um bruxo, sendo observados com adoração por um Duende, um Centauro e um Elfo Doméstico. Ficou imaginado o que diriam as pessoas que fizeram aquela estátua, se soubessem que existia no mundo um ser que humilhava publicamente os bruxos como aquele tal Trique-Trique havia acabado de fazer.

- É uma pena que estejam tentando Exterminá-los! – disse o sorveteiro sonhador. Algo nele lembrava Luna Lovegood – Com eles por perto agente nunca precisa ter medo de Mortalhas e Bichos Papões!

Rony e Harry juntos exclamaram “QUE?”.

- Oh! Sabe! – disse o sorveteiro – Eles se alimentam de frutas tropicais frescas, os Trique-Trique! Mas gostam de caçar Mortalhas e Bichos Papões também! Sabe como é... O Trique-Trique tem esse poder esquisito de fazer tudo parecer engraçado, então esses bichos das trevas costumam virar almoço pra eles.

Então Harry se lembrou de como havia se sentido curiosamente feliz e piadista minutos antes. Apenas poucos segundos depois daquela explosão de bom humor aparecer nele, aquele Monópode surgira.

O sorveteiro sacara a varinha, e já começara a reparar seu carrinho para voltara ao trabalho. Harry mais uma vez o seguiu.

- Eu to achando que esse cara é meio doido! – disse Rony
- Pelo amor de Deus Rony – disse Hermione – Não está notando o que está acontecendo aqui?
- Eh... Tem algo acontecendo aqui?
- Já tinha ouvido falar desse bicho antes? – disse Hermione
- O que? Desse macaco de uma perna? Não! – disse Rony
- EXATO! – disse ela de repente – Significa que os livros de animais mágicos que temos lido estão incompletos!
- E isso é importante? – disse Rony
- É IMPORTANTISSIMO – disse Hermione – Muitos dos escritores que dedicam suas vidas a catalogar animais mágicos viajam o mundo inteiro pra encontrá-los, mas nós estamos nesse país a poucos dias e de repente encontramos um animal sobre o qual eu nunca li?

Harry suspirou. Seu olhar encontrou o de Gina, que parecia entender exatamente como ele se sentia. As vezes a reação de Mione a certas coisas era de impressionar.

- Escuta Hermione – disse Harry – Não é por que um dia, você encontra algo sobre o qual nunca leu que a coisa toda é uma conspiração! Não é o fim do mundo! Bem... Não de novo!

Hermione lançou à ele um olhar aborrecido e saiu andando pela rua. Rony olhou para Harry e Gina, e por fim disse.

- Tá bom! – disse Gina – Eu e Harry vamos procurar um hotel pra gente ficar!
- Um que cobre menos de dez galeões para a estadia de cinco pessoas por uma semana! – lamentou Harry – De qualquer jeito nos encontramos aqui em umas duas horas!
- OK!

Harry e Gina ficaram observando enquanto Rony seguia Hermione rua afora.

- Tem hora que eu não sei se esses dois vão se entender! – comentou Gina
- Eles? – disse Harry – E quanto a nós dois?

Gina olhou para ele por um minuto, como se o analisa-se. Harry também a encarava. Os dois se aproximaram lentamente um do outro, e o coração de Harry começou a palpitar. Ele finalmente havia conseguido. Gina o havia perdoado, e agora ele iria...

- Querem saber de mais uma coisa?

Harry e Gina se afastaram no susto. O sorveteiro maluco havia voltado e os surpreendido.
- O que você quer? – disse Harry, que agora o estava achando extremamente inconveniente
- Queria falar mais uma coisa sobre o Trique-Trique! – disse ele sorrindo bobamente – Lembrei de mais uma coisa!
Harry e Gina se entreolharam sem interesse.
- É mesmo?
- É! – disse ele – Já vi o Trique-Trique devorar Dementadores!

Harry ficou calado uns dois minutos, depois olhou para Gina, que pelo jeito partilhava com ele a incredulidade do momento. Será que aquele homem realmente acreditava no estava dizendo?
- Acho melhor o senhor ir cuidar do seu carrinho de sorvete! - disse Gina
- Ah uns quatro ou três anos atrás! – disse o sorveteiro, como se não tivesse ouvido – Um gringo refugiado lá das Europas tava se escondendo por essas bandas! Ele pediu uns pássaros de um conhecido meu emprestado pra enviar mensagens sabe! Era gente boa o homem!

Harry estava ficando aborrecido. Por que aquele cara não ia embora? E do que diabos ele estava falando?
- Era gente boa mermo! - disse ele - Pois é! Ele tinha até um Hipogrifo sabe! Um bicho bonito, todo cinzento!

Harry parou de chofre, e olhou para o homem. O que aquele sujeito estava resmungando agora?
- Espera aí! Do que o senhor está falando? - disse Harry
- Pois é! Dos Dementador! - disse ele sorrindo pra Harry - O pessoal não acredita, sabe! Mas eu vi, eu SEI que vi! O pessoal acha que é só com Mortalha e Bicho Papão, mas eu VI o Trique-Trique devorá os Dementador!
- Que Dementador? O senhor estava falando de um fugitivo! Um Europeu!
- AH É! Pois é! Tinha o Europeu! E ele pediu os pássaros do meu conhecido emprestado! Gente boa aquele Europeu!
- Sim! Mas como ele era?
- O meu conhecido? AH! Ele é um careca que toma conta de uma loja de Pássaros aqui perto...
- NÃO! O FUGITIVO! - disse Harry, agora começando a perder a paciência!
- Pois é! Tinha o fugitivo! - disse o Sorveteiro - E ele tinha um Hipogrifo! Bonito Hipogrifo! Ah! Tinha uma coruja branca bonita também!
- Coruja branca? - disse Gina, começando a ficar desconfiada.
- Pois é! - disse o homem - Tinha a coruja branca e... AH É! Os Dementadores! Tinha esquecido deles! Eles vieram quando a coruja branca veio trazer mensagens pro Gringo!
Harry e Gina se entreolharam.
- Pois é, pois é! - disse o homem - O Trique-Trique devorou os dois Dementadores, antes de eles pegarem o Gringo! Mas foi só eu que vi! Ninguém acredita! História boa, sabe! Onde estão indo?

Harry e Gina deixaram o Sorveteiro falando sozinho, e foram andando pela rua. Não podia ser verdade, seria coincidência demais se fosse. Mas fazia sentido. Os pássaros que ele via voando pelo céu, não era atoa que eles lhe pareciam familiares. Eles o haviam entregue muitas cartas durante suas férias no Quarto Ano.

O ano em que Sirius era seu correspondente.
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