17 de jun de 2013


[Resenha] O Oceano no Fim do Caminho - Neil Gaiman


Ficha Técnica

Título: O Oceano no Fim do Caminho
Título Original: The Ocean at the End of the Lane
Autor: Neil Gaiman
ISBN: 978-85-8057-368-8
Páginas: 205
Ano: 2013
Tradutor: Renata Pettengill
Editora: Intrínseca

oceano-no-fim-do-caminhoFoi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos. Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino. Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.


Resenha

Amanhã é o lançamento nos EUA de “O Oceano no Fim do Caminho”, o mais novo livro de Neil Gaiman ("Coraline" e "Stardust") que terá publicação simultânea aqui no Brasil em uma excelente iniciativa da Intrínseca que, se Deus quiser, irá fazer o máximo para manter essa prática com outros títulos. Por sorte do destino, conseguimos pôr as mãos no livro antes do seu lançamento oficial, e desta forma trazemos uma resenha em primeiríssima mão deste que promete ser mais um grande sucesso de Gaiman.
Mas ali, de pé naquela saleta, tudo estava voltando. As lembranças estavam à espreita nos arredores das coisas, acenando para mim. Se você me dissesse que eu tinha novamente sete anos, por um breve instante eu quase poderia acreditar.
Pág. 15
Um homem, em seus quase cinquenta anos, volta à casa onde morou quando era criança para comparecer a um funeral. Ao chegar lá, ele é atraído até uma fazenda que fica no fim da estrada onde se lembra ter vivido grandes momentos. Ao entrar na propriedade e se dirigir a um pequeno lago que fica nos fundos da casa, ele começa a relembrar de fatos que até então estavam esquecidos há bastante tempo em sua memória.

Quarenta anos atrás na condado de Sussex na Inglaterra, o tal homem, ainda um menino de apenas sete anos, têm que deixar seu quarto para que este possa ser alugado à inquilinos, em uma tentativa de seus pais conseguirem arrecadar dinheiro. Porém, um dos alugatários se suicida dentro de um carro bem ao final da estrada, perto da grande fazenda, e é assim que sombrios eventos começam a ocorrer na cidade, em especial, na vida do menino.
Esse é o problema com as coisas vivas. Não duram muito. Gatinhos num dia, gatos velhos no outro. E depois ficam só as lembranças. E as lembranças desvanecem e se confundem, viram borrões...
Pág. 58
Nessa fazenda moram três mulheres, uma delas é Lettie Hempstock, uma menina de 11 anos que se refere ao lago que fica no fundo de sua casa como um oceano. Rapidamente, ela e o menino ficam amigos, mas não é uma amizade que é construída através de brincadeiras ou qualquer coisa que crianças gostem de fazer. Lettie esconde muitos segredos e possui um conhecimento absurdo, muito mais que seus onze anos podem ter coletado, e é ela quem promete ajudar e proteger o pobre garoto dos terríveis pesadelos que estão prestes a lhe atingir.

selo_blogparceiro_2013.1_thumb1321Após o suicídio ter acontecido, uma entidade aparece nas redondezas. Ursula Monkton é uma moça bonita que será a nova inquilina, mas que não possui boas intenções. Ela se infiltra na casa do garoto e conquista à confiança de seus pais e de sua irmã, porém no fundo ele sabe que existe algo de estranho nela. Rapidamente, Ursula revela sua verdadeira identidade ao menino e deixa bem claro que veio para transformar a vida dele em um inferno. Desta forma, restará ao jovem e a sua amiga Lettie tentarem livrá-lo das forças do mal.
Foi nisso que pensei no começo, enquanto ele me empurrava para dentro da água, mas então ele empurrou um pouco mais, afundou minha cabeça e meus ombros na água gelada, e o pavor mudou de natureza. Pensei: Eu vou morrer.
Pág. 87
“O Oceano no Fim do Caminho” é uma obra belíssima, uma fábula que somente Neil Gaiman poderia ter imaginado. Escolhido como a melhor publicação do mês pelos editores da Amazon, o livro é uma mistura de fantasia e mistério. Repleto de características mágicas e surreais, “Oceano” é um romance que carrega questionamentos bem reais do cotidiano universal, tais como a memória, a decepção e a morte.

Talvez vocês não tenham percebido que não citei o nome do personagem principal em momento algum, já que ele não têm seu nome mencionado no livro. Isso me faz pensar que essa história de certa forma seja uma versão lúdica, baseada em alguns fatos da infância do próprio Gaiman, que nos agradecimentos diz: “A família neste livro não é a minha, que foi benevolente ao permitir que eu remodelasse a paisagem da minha própria infância e que observou enquanto eu deliberadamente transformava esses lugares em uma história”.
– Ninguém realmente se parece por fora com o que é de fato por dentro. Nem você. Nem eu. As pessoas são muito mais complicadas que isso. É assim com todo mundo.
Pág. 129
No mais, o livro é super indicado. Ele está sendo vendido como o primeiro livro de Neil, desde “Os Filhos de Anansi” (2005), voltado para o público adulto. Porém, o livro em questão possui a mesma atmosfera sombria de “Coraline” por exemplo, e é repleto de referências às obras antigas do autor, o que me permite dizer com propriedade que “O Oceano no Fim do Caminho” irá agradar facilmente pessoas de todas as idades, e como toda boa fábula, possui um final bastante reflexivo.

E para aqueles que estejam se perguntando sobre o porquê do título ser assim, digo à vocês que o oceano é de extrema importância para o livro. Faltando 40 páginas para o seu fim, o tal oceano aparece de uma forma de dar arrepios ao leitor em uma narrativa impecável. A capa do livro é a personificação deste oceano narrado e não teria uma melhor capa para ele, assim como não teria melhor autor para escrevê-lo.
Eu ficaria aqui até o fim dos tempos, num oceano que era o universo que era a alma que era tudo o que importava. Eu ficaria aqui para sempre.
Pág. 165


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Tácio
Comentários
3
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3 comentários:

  1. Até arrepiei lendo a resenha rs. Neil Gaiman é tudo de bom, né? O cara tem uma mente fantástica, e consegue abrir possibilidades mágicas e infinitas como a gente nem sonha. Sou fã dele por isso ♥
    Estou doida pra ler "Oceano", mas ainda vai ter que esperar - afinal, simultâneo o lançamento ou não, continuo sem dinheiro pra comprar. Mas sei que será dessas histórias pra ler muitas e muitas vezes e pra levar pra sempre na memória e no coração =]


    Beijinhos!
    http://nossosromancesadolescentes.blogspot.com.br/

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  2. Oi Tácio, a resenha me deixou muito feliz porque conheço o Autor,já li: Coraline, Deuses Americanos,Assisti o filme Stardust mas pretendo ler o livro,alguns quadrinhos do Neil para a Marvel Comics.
    Na expectativa para ler O Oceano no Fim do Caminho,realmente foi uma boa estratégia da Intrínseca o lançamento simultâneo aqui e nos E.U.A.
    A capa chamou a minha atenção e a sinopse está interessante,porque Vc menciona sobre: "mistura de fantasia e mistério, características mágicas e surreais,questionamentos como a memória, a decepção e a morte".
    Realmente promete ser um livro especial!

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  3. Aimeudeus, eu quero esse livro agoraaaaaa! Sério, que perfeito. O decorrer dos fatos se mistura com a história que se mistura com os personagens que se mistura com o mistério que se mistura como o nosso próprio ser que se mistura com o gostinho da infância e "boom"!!! Uma explosão de sentimentos, um turbilhão de sensações, esse parece ser realmente uma das melhores publicações do ano, parabéns Neil, seu livro me parece ser simplesmente... perfeito.

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