31 de jul de 2013


[Resenha] Morte Súbita - J.K. Rowling


Ficha Técnica

Título: Morte Súbita
Título Original: The Casual Vacancy
Autor: J. K. Rowling
ISBN: 978-85-209-3253-7
Páginas: 504
Ano: 2012
Tradução e Edição: Izabel Aleixo e Maria Helena Rouanet
Editora: Nova Fronteira

morte-subita-jkrowling-capaQuando Barry Fairbrother morre inesperadamente aos quarenta e poucos anos, a pequena cidade de Pagford fica em estado de choque. A aparência idílica do vilarejo, com uma praça de paralelepípedos e uma antiga abadia, esconde uma guerra. Ricos em guerra com os pobres, adolescentes em guerra com seus pais, esposas em guerra com os maridos, professores em guerra com os alunos… Pagford não é o que parece ser à primeira vista. A vaga deixada por Barry no conselho da paróquia logo se torna o catalisador para a maior guerra já vivida pelo vilarejo. Quem triunfará em uma eleição repleta de paixão, ambivalência e revelações inesperadas? Com muito humor negro, instigante e constantemente surpreendente, Morte Súbita é o primeiro livro para adultos de J.K. Rowling, autora com mais de 450 milhões de exemplares vendidos.


Resenha

Não poderíamos terminar o especial de Harry Potter sem reverenciar a mente brilhante por trás dele. Hoje, dia 31, é aniversário do próprio Harry, mas também de sua “mãe-criadora” J.K. Rowling. Com isso trazemos para vocês a resenha de “Morte Súbita”, primeiro livro para adultos dela, publicado em 2012 e envolto em opiniões divergentes, tanto por parte dos fãs como da crítica.

O livro começa com a repertina morte de Barry Fairbrother: marido, pai, gerente de banco, treinador da equipe de remo da escola St. Thomas e membro do Conselho Distrital. Após esse fatídico acontecimento, a cidade de Pagford vira ao avesso. Todos os eventos do livro irão de alguma forma ter alguma relação com esse falecimento, porém ele não é o fator mais importante da história - apesar de parecer - e muito menos Barry é o personagem principal. Na verdade, a estrela indispensável nem humana é.
Ao pé da colina onde moravam, havia uma casa com um jardim triangular. Em geral, os quatro Fairbrother ficavam esperando no portão da frente, mas hoje não tinha ninguém ali. Todas as cortinas estavam fechadas. Por que será que as pessoas têm o hábito de ficar sentadas no escuro quando alguém morre?
Pág. 23
A pequena cidade fícticia de Pagford, localizado no interior do Reino Unido, é o grande palco desta intrigante história. Após a morte de Barry, os moradores de Pagford começam uma guerra silênciosa para tentarem eleger quem irá ocupar a mais nova cadeira vazia no Conselho Distrital. Logicamente que essa briga irá se itensificar com a aproximação da eleição e o poder falará mais alto. No final, o silêncio desta guerra será tomado por verdades (leia-se segredos) nunca ditas, causando a maior confusão entre os habitantes do município.

Para a eleição, são formados dois grupos: os que são a favor e os que são contra a Fields. Fields é um bairro construído entre duas cidades, mas que pertence a Pagford. Este bairro gera tanto debate, pois ele é considerado problemático por grande parte dos moradores, isto ocorre devido ao local abranger uma população mais pobre, além de sediar em suas dominâncias a clínica de reabilitação para viciados em drogas. Barry sempre foi a favor de Fields e um novo membro no conselho será decisivo para que o bairro continue fazendo parte de Pagford ou que seja responsabilidade da cidade vizinha, Yarvil.

No calor da campanha eleitoral eventos estranhos começam a acontecer, assustando a populção local. Na página on-line do conselho da cidade começam a surgir mensagens revelando segredos bastante pessoais dos candidatos, e enigmaticamente quem está postando essas mensagens é alguém utilizando o username “O_Fantasma_de_Barry_Fairbrother”. Essas mensagens acabam gerando instantaneamente mais confusão aos moradores da cidade, restando à eles somente lidarem e aceitarem as consequências dessas revelações.
– É – disse Andrew, pensando em guerras e acidentes de automóvel, e em morrer sob as luzes da velocidade e da glória.
– É – repetiu Bola. – Foder e morrer. É isso aí, né? Foder e morrer. É a vida!
– Tentar foder e tentar não morrer.
– Ou tentar morrer – replicou Bola. – Para algumas pessoas, é assim. Correndo riscos.
Pág. 180
“Morte Súbita” é uma perfeição literária, uma obra suprema e impecável. Sua construção é de deixar o leitor abestalhado, maravilhado e encantado com tamanha capacidade da autora em escrever uma história onde mais ou menos vinte personagens são determinantes tanto para o desenvolvimento como para a conclusão do livro. Sem contar que em nenhum momento existe narração em primeira pessoa, tudo é visto por uma ótica de espectador, viajando e assitindo a vida de cada morador de Pagford, como se nós fossemos uma mosquinha na parede, descobrindo aos poucos os podres de cada um deles.

Não sei ainda bem o motivo de tanta reclamação com o livro. Até hoje ninguém nunca chegou à mim e o elogiou. Me pergunto se essas pessoas são tão fanáticas por Harry Potter que esperavam da J.K algo nessa vertente, que acabaram se limitando a desfrutar de uma história tão bem elaborada quanto a série de HP, mas com muito mais voracidade e logicamente veracidade.

“Morte Súbita” é tão bem escrito, que não têm como você terminar de lê-lo e não se perguntar o que acontece debaixo de seu teto e que você nem imagina, o que acontece na casa de seu melhor amigo e que ele não faz ideia ou o que acontece no seu bairro, na sua cidade, no seu país e que está de certo modo trancado por sete chaves e quais seriam as possíveis consequêcias que iriam ser acarretadas caso esses segredos viessem a ver a luz do dia.
Foram eles que fizeram as suas próprias vidas, pensou com ironia, dobrando a esquina da Foley Road. As vítimas do Fantasma de Barry Fairbrother estavam atoladas na lama da hipocrisia e das mentiras, e não gostavam de escândalos. Eram insetos estúpidos que fugiam da luz brilhante. Não sabiam nada da vida real.
Pág. 380
Tratando de temas polêmicos para a sociedade como bullying, homosexualismo, traição conjugal, pedofilia, estupro, drogas, preconceito, política, entre outras coisas, J.K. nos dá um verdadeiro tapa na cara ao mostrar ao leitor que o mundo está bem longe de ser perfeito e que os problemas que o acercam começam dentro de nós mesmos, dentro de nossas próprias casas.

Não sei classificar este livro, ele não é um policial mas também não é um suspense, não é nem um pouco fantasia ou aventura. Talvez, “Morte Súbita” deveria ser classificado como ficção realista, onde seu contéudo apesar de ser ficcional retrata artisticamente realidades diversas de tantas pessoas e lugares.

Como uma teia de aranha, Rowling entrelaça e conecta personagens, sentimentos e ações como uma profissional que ela já provou ser. Este livro é de se apaixonar: paixão logicamente pela autora, paixão por sua história inteligente, paixão por cada personagem que permeia suas páginas. Acho que nem preciso dizer que “Morte Súbita” é um must read independente do gosto literário de quem o for ler, vale muito a pena lê-lo e refletí-lo. É entretenimento garantido, o supra-sumo da literatura contemporânea.
– O casamento é sempre um mistério para quem está de fora – disse ela, cautelosa. – Ninguém pode saber o que acontece entre duas pessoas, só elas mesmas. Você não devia julgar ninguém, Gavin.
Pág. 427



5 livros

 

Tácio

Comentários
8
Compartilhe

8 comentários:

  1. Oiiiii, tô com o livro em casa mas fiquei meio assim com ele...n tive mt vontade de lê-lo mas vc falando assim tão bem vou dar uma chance!

    Bjooooos

    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  2. Eu adoro a série Harry Potter e quando soube de Morte Súbita fiquei bastante curioso para ler, entretanto a grande quantidade de criticas negativas me inibiram. A resenha do blog sobre o livro instigou novamente minha curiosidade e certamente irei providencia o meu exemplar ! Parabéns

    ResponderExcluir
  3. Tenho que ler esse livro logo!
    Todos falam que é perfeito!
    Dica anotada

    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias

    ResponderExcluir
  4. Primeiro quero dizer que seu blog é simplesmente lindooooo parabéns pelo bom gosto, essa escritora dispensa comentários mente brilhante já li o livro e gostei.

    ResponderExcluir
  5. Morro de vontade de ler esse livro, a temática me encantou e autora não precisa nem de recomendação né?

    ResponderExcluir
  6. Eu quero muito ler esse livro, tenho quase certeza que vou amar! Muito interessante os temas que são abordados, tenho mais vontade de ler Morte Súbita do que Harry Potter.

    ResponderExcluir
  7. Já estou na página 125 e ainda não gostei de nada ):
    E sou a maior fã de HP, de repente estava com muitas expectativas... Enfim.
    Beijos <3

    ResponderExcluir
  8. Digam o que disserem, acho que esta foi uma boa estreia de J. K Rowling no universo literário dos adultos. Apesar de por vezes o uso de palavrões ser excessivo, a realidade que nos mostrou é mais dura, honesta e não tem o final feliz que Harry Potter nos deu. Escrevi um post onde dou a minha opinião integral do assunto: http://mundodelivros.com/uma-morte-subita/ Abraço

    ResponderExcluir

Seu comentário é sempre bem-vindo e lembre-se, todos são respondidos.
Portanto volte ao post para conferir ou clique na opção "Notifique-me" e receba por e-mail.
Obrigada!

 
imagem-logo
De Tudo um Pouquinho - Copyright © 2016 - Todos os direitos reservados.
Layout e Programação HR Criações