7 de nov de 2014


[Resenha] Brilho - Amy Kathleen Ryan


Ficha Técnica

Título: Brilho
Título Original: Glow
Autor: Amy Kathleen Ryan
ISBN: 978-85-8130-073-3
Páginas: 353
Ano: 2012
Tradutor: Ana Death Duarte
Editora: Geração Jovem
68Mais fascinante trilogia desde Jogos Vorazes. A Terra não existe mais, e em duas naves que procuram um novo mundo no espaço, uma menina de 15 anos precisa casar e engravidar para garantir a sobrevivência da humanidade. Enquanto isso, uma sucessão de acontecimentos eletrizantes torna a jornada pelo espaço algo absolutamente imprevisto. Temas como religião, a escolha da mulher e a ideia de poder e dominação vão aparecendo muito suavemente articulados ao longo da trama, amarrando o leitor com surpresas e reviravoltas estonteantes. São temas universais, postos num livro por uma escritora surpreendente e que promete arrasar a cena literária a partir desta sua fantástica criação.

Resenha


Geração 2014Após o planeta Terra ser devastado ao ponto de se tornar um deserto, alguns sobreviventes conseguiram fugir deste cenário pós-apocalíptico através de espaçonaves. Duas delas, a Empyrean e a New Horizon, ficaram incumbidos de viajar durante anos, até o momento certo de voltar à Terra Nova, mas enquanto isso não acontecia, os passageiros de ambas as naves precisavam se encarregar de continuar proliferando a espécie humana.

Porém, não foi tão fácil assim conseguir que os humanos se reproduzissem no espaço, e após anos e mais anos de estudos, somente uma das naves espaciais conseguiu tal feito: a Empyrean. Quando as primeiras meninas estão com seus óvulos quase prontos para serem fertilizados, um ataque acontece à Empyrean, e todas as meninas são raptadas, e surpreendentemente os responsáveis são os até então companheiros da New Horizon.
– As pessoas têm uma imagem romântica a respeito da Terra Velha, mas, acredite no que estou dizendo, era um lugar horrível na época em que saímos de lá. Quase o planeta inteiro tinha virado um deserto. Era um lugar horrível de se viver, especialmente para as mulheres.
Pág. 105
Desta forma, Waverly, nossa heroína de apenas 15 anos, precisa descobrir o terrível plano dos tripulantes da New Horizon, ao mesmo tempo que tentará proteger as meninas mais novas das garras destes. Enquanto isso, na Empyrean, os meninos lidam com a destruição deixada após a invasão da nave, que além de ter sofrido uma vazamento de radiação, colocou todos os adultos presentes em perigo de vida, deixando o comando da nave nas mãos das crianças.

Com o desespero instalado em ambas as naves, os jovens, tanto os meninos quanto as meninas, precisam rapidamente aprender em quem confiar e lidar com as consequências do poder. Sem a ajuda de adultos, restará aos pequenos tripulantes fazerem seu próprio destino, mesmo que para isso precisem se sobrepor uns aos outros, gerando assim uma guerra dupla: tanto interna (entre si mesmos), quanto externa (Empyrean versus New Horizon).
– A humanidade não haverá de regredir às trevas. A jornada é longa, a missão é difícil, alguns dizem que é até impossível, mas haveremos de prevalecer. Chegará um tempo em que as crianças se reunirão em torno do fogo e olharão para estrelas desconhecidas por nós. Elas haverão de pensar nos sacrifícios que fizemos. E nossos nomes estarão nas letras das canções que elas entoarão.
Pág. 167
“Brilho” é dito como “a estreia mais fascinante desde ‘Jogos Vorazes”, o que por si só faz o leitor esperar uma revolução literária, o que é bastante perigoso. Podendo ser facilmente comparado com o enredo de “The 100: Os Escolhidos”, aviso logo que apesar de ambas histórias se passarem no espaço, o foco principal das obras são bem distintos. Em “Brilho”, iremos nos deparar com uma leitura mais obscura e cheia de pontas que se interligam, fazendo deste livro algo bastante elaborado e que vai crescendo a cada capítulo que se passa.

Ao iniciar a leitura, fiquei bastante confuso, já que o nome das personagens principais são tão diferentes, que eu achava que o menino era uma menina, e vice-versa. Após compreender quem era quem na história, tudo foi fluindo como deveria ser. O livro é bem detalhista, e acompanhamos ambas as naves através de diferentes perspectivas, completamente distintas entre si, o que acaba fortalecendo um jogo político, e até mesmo religioso, que promete estourar nos próximos volumes da trilogia, intitulada “Em Busca de Um Novo Mundo”.
Waverly avançou lentamente em direção à nave auxiliar e foi subindo a rampa de costas, com o olhar endurecido. Não tinham medo dela, mas sim por ela.
Pág. 276
A autora Amy Kathleen Ryan se mostra bastante feliz na criação de seu universo, que carrega um ar distópico e ao mesmo tempo romântico, não exatamente no sentido de se ter um romance entre pessoas. A obra é bastante inteligente, pois brinca tanto com o leitor quanto com as personagens, que estão sempre em questionamento, e não sabem exatamente o que lhe cercam, ou em quem realmente elas podem confiar.

Por exemplo, a mocinha Waverly, tem dois pretendentes em mente, porém tanto ela, quanto nós leitores, vamos percebendo aos poucos, em momentos diferentes da narrativa, que nenhum dos dois é 100% confiável, e muito menos constroem a ideia de existir o famoso TeamA ou TeamB, já que ambos os rapazes fogem completamente da ideia de mocinho que salva a pátria. Esse é um ponto distinto se tratando de obras voltadas para o mesmo público, pelo menos neste volume da série.

E é com esse suspense e mistério, que a autora vai prendendo seus leitores, que não irão se arrepender de ter desbravado as páginas de “Brilho”, que por sinal conta com uma das mais belas capas da minha coleção. Daí vocês me perguntam: e realmente o livro é tão bom para ser comparado com “Jogos Vorazes”? E em uma resposta sincera, lhes digo que comparar com a trilogia de Suzanne Collins é dar um tiro no pé, porém, isso não tira de mogo algum o mérito e qualidade da consistente história de Ryan.



Comentários
4
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4 comentários:

  1. Detesto comparações Tácio, acredito que como cada pessoa sendo única jamais produz algo igual ou similar ou há a necessidade de "concorrer" com os outros. Essa ideia de concorrer, parecer para crescer ou vender é terrivelmente enganosa. Vou ler essa trilogia, não é? Amo o livros ambientados no espaço, aeronaves e tudo mais, com direito a E.T.s e bichinhos fofos de outros planetas, ou não tão fofos, aqueles que matam e comem também serve... enfim, vou ler e acredito que vou gostar sim, mas acredito também esperar o lançamento do último, para poder começar a leitura, ou não... vai depender de vontade, espaço e tempo. Obrigada pelas informações!

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  2. Olha, tenho um pé atrás com a Editora Geração. Traduções pobres, com erros excessivos - grafias, tempos verbais e etc - e o título não é algo que chame a atenção. A sinopse parece meiga, bonitinha, e passa uma ideia errada sobre o enredo. Agora, lendo sua resenha, alguns pontos me fizeram mudar de ideia. Tenho ele aqui na pilha de não lidos, então vamos ver se me animo XD

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  3. Apesar dos elogios a capa, a sinopse e a história não me chamaram a atenção... Não arriscaria dizer que não leria, pois acho que até poderia ler se cair na minha mão, mas não me empolguei muito não....
    Bjs

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  4. Oi Tácio!
    Bem, na outra resenha eu disse que havia me sentido um pouco perdida pelo fato de não ter lido a resenha do primeiro ..
    Retiro o que eu disse, acho que estou realmente perdida com essa história! Sinceramente, eu estava doida pra ler os livros
    mas acabei desanimando um pouco ! A história até que é boa, mas não conseguiu me prender ..
    Beijos

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