23 de nov de 2014


[Resenha] Invisível - David Leviathan & Andrea Cremer


Ficha Técnica

Título: Invisível
Título Original: Invisibility
Autor: David Leviathan & Andrea Cremer
ISBN: 978-85-01-40322-3
Páginas: 318
Ano: 2014
Tradutor: Ana Resende
Editora: Galera Record
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Stephen passou a vida do lado de fora, olhando para dentro. Amaldiçoado desde o nascimento, ele é invisível. Não apenas para si mesmo, mas para todos. Não sabe como é seu próprio rosto. Ele vaga por Nova York, em um esforço contínuo para não desaparecer completamente. Mas um milagre acontece, e ele se chama Elizabeth. Recém-chegada à cidade, a garota procura exatamente o que Stephen mais odeia. A possibilidade de passar despercebida, depois de sofrer com a rejeição dos amigos à opção sexual do irmão. Perdida em pensamentos, Elizabeth não entende por que seu vizinho de apartamento não mexe um dedo quando ela derruba uma sacola de compras no chão. E Stephen não acredita no que está acontecendo... Ela o vê!

Resenha

Galera-Pq122Após uma maldição, o jovem Stephen nasceu invisível para os olhos do mundo, e nem os seus pais tiveram a chance de ver o seu rosto nem sequer uma vez. Morando sozinho em um apartamento em Nova York, iremos acompanhar em “Invisível” uma história que aborda diversos aspectos da psicologia, questionando o leitor, mas principalmente as personagens da obra, o verdadeiro sentido de “quem somos nós?”.
Com as peculiaridades de ser invisível, Stephen encontra um pouco de entretenimento para sua vida, através do ato de observar estranhos pela cidade. Não que isso lhe deixe feliz ou dê utilidade para sua condição, longe disto, porém é uma das poucas coisas que o garoto pode fazer, principalmente depois do falecimento de sua mãe. Como seu pai abandonou a família, e só lhe deixou um cartão de crédito recheado de dinheiro, resta a Stephen viver cada dia após o outro, sobrevivendo da forma mais solitária possível, em um mundo onde nem o seu reflexo lhe faz companhia.
Eu era amaldiçoado, mas isso não significava amaldiçoar as outras pessoas. Era diferente sim, mas não era menos humano que o restante. Por isso, precisava agir como um ser humano, mesmo quando eu não me sentia nem um pouco assim.
Pág. 8/9
Porém, certo dia, uma garota chamada Elizabeth está de mudança para o prédio de Stephen, e quando os dois acabam se esbarrando, a menina consegue enxergá-lo, como ninguém jamais conseguiu. Logo após o susto desta descoberta, Stephen apesar do medo, irá fazer de tudo para se aproximar da vizinha, e talvez assim, descobrir as alegrias e tristezas que a presença física pode nos trazer… incluindo o amor.

Nosso jovem mocinho tentará guardar segredo, e evitar ao máximo que Elizabeth descubra que ela é a única capaz de vê-lo, porém está é uma missão impossível quando vivemos rodeados de outras pessoas, principalmente em uma cidade tão grande como Nova York. Restará ao jovem casal aprender juntos a driblar as diferenças, encontrar as similaridades entre si, e talvez desta forma, conseguir moldar um futuro juntos, e até quem sabe, quebrar está misteriosa maldição.
– Não estou acostumado com isto.
– Com o quê?
Aponto para ela e para mim.
– Com isto. Com falar a verdade e ter alguém para ouvir. Oferecer palavras e receber outras em troca. É só que… não estou acostumado a isso.
Ela volta a me avaliar.
– Você fica muito sozinho?
Assinto.
–Sim. Fico muito sozinho. Só que agora não estou sozinho. Estou… com você, acho. Eu estou com você.
Pág. 50
“Invisível” é uma obra escrita a quatro mãos. David Levithan, figurinha já conhecida aqui no blog, divide a escrita com Andrea Cremer, autora da série “Nightshade”. Este talvez seja o melhor livro que li de Levithan, ficando no mesmo patamar de “Todo Dia”, também publicado pela Galera. A narração do livro é muito parecida com outras obras do autor, como em seus livros também escritos em parceria: “Nick & Norah” e “Will & Will”, onde cada autor fica responsável por escrever um capítulo. Ou seja, um capítulo é narrado pelo ponto de vista de Stephen e o seguinte por Elizabeth, o que acaba dando movimento à história.

Com personagens interessantes e bastantes cativantes - ressalto aqui, Laurie, irmão mais novo de Elizabeth –, “Invisível” é uma obra que trata de amor, em suas diversas formas, e aborda o autoconhecimento e autoaceitação, tudo isso para mostrar ao jovem leitor, que são as pequenas coisas que trazemos de diferente em nós mesmos, que nos fazem únicos, ao ponto de somente alguém especial notá-las. E é aí que devemos nos agarrar, no quesito especial, e não no “estranho” ou “bizarro”.
Acho que essa poderia ser a maneira mais fácil de viver: simplesmente me concentrar nas coisas pequenas e não deixar a mente divagar até as coisas grandes. Mas é uma premissa falsa, construída sobre a ideia de que é possível escolher para onde sua mente vai. Ou para onde seu coração vai.
Pág. 95
Não nego que o livro acabou seguindo uma rota totalmente diferente da qual eu esperava, porém nada que afete sua qualidade, já que no final das contas tudo é poeticamente explicado e justificado. Enquanto eu lia “Invisível” notei que este é um daqueles livros que poderiam fazer facilmente parte de uma série, o que é raro de eu imaginar. Porém, os autores souberam limitar muito bem a história, definindo exatamente tudo o que queriam passar, e com isso não havendo necessidade de continuações, já que a mensagem da obra está clara para aqueles que a leem.

Então, se você é um fã dos autores, ou gosta de uma leitura divertida mas com uma narrativa inteligente, “Invisível” é uma ótima escolha. E diferentemente de Stephen, que se mostra ser uma boa pessoa por dentro, mas é infelizmente é incapaz de revelar seu exterior para os outros, o livro físico se mostra uma excelente obra dentro de suas páginas, adornado por uma capa simples mas bastante subjetiva para os olhares mais atentos. Afinal, são as pequenas coisas que fazem o nosso coração divagar.
Comentários
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10 comentários:

  1. Tácio, me diga uma coisa, esse livro tem fim? Não é só mais uma mensagem a ser passada e deixando o personagem "avoando"por ai? É que li Todo Dia, e não gostei. Não é a escrita do autor. Ela é formidável, mas foi o não fim com uma mensagem (que para mim não foi tão linda assim, devido não ter um final digno). Se esse tiver um fim creio que animo ler, por não ser só um livro do Levithan passo a pensar que haverá um, mas preciso ter certeza. Gosto de coisas que iniciam, tem um meio e depois um final bem digno, com um fim bem no chão, nada de flutuantes e sem explicações.

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    1. Eu ri bastante do "flutuantes e sem explicação". hahaha
      Então, diferentemente de "Todo Dia", este livro tem sim começo, meio e fim, com as coisas bem explicadas.
      Existe a tal maldição, que é importante para o desenrolar da história e das personagens, e é através dela que vamos entendendo a situação de Stephen, e nos aproximando das duas possibilidades: quebrar a maldição ou não.
      Porém, independentemente do que irá acontecer, os autores tentam justificar muito bem tudo que acontece no livro, diferente de "Todo Dia" que deixa muitos pontos em aberto.
      Ao meu ver, "Invisível" conta com um final bastante parecido com os do young adult que andam sendo publicados, mas logicamente tudo situado ao universo da história.
      Pode ler sem medo, acho que não tem como se arrepender não! =]

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    2. Então vou lê-lo sim. Adicionado em meus desejados. Obrigada Tácio pela resposta e fiquei feliz por te fazer sorrir!

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    3. Depois diz o que achou do livro! Vou me sentir responsável se não gostar! hahaha

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  2. Meu deus, adorei a premissa do livro!

    Queria leeeeer! Mas desde que não consegui terminar de ler 'Garoto encontra garoto' acabei ficando com um pé atrás com o David. :(

    Att.,
    Eduarda Henker
    http://blogsomaisum.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Eduarda, esse livro é muito melhor do que "Garoto Encontra Garoto", nem se compara!

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  3. Já li várias resenha sobre o livro, mas ainda não me empolguei pra ler ele....
    Achei que fosse mais veredicto e menos fantasia, como um garoto que não é notado....
    Bjs

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  4. eu sou muito doido para lerr esse livro além dessa capa que é muuuuito bonita!

    http://criativare-leitura.blogspot.com.br/

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  5. Oi Tácio :)
    Preciso dizer que sua resenha me conquistou? Ou melhor, que eu já estava apaixonada pelo livro desde que li a sinopse? Já ouvi maravilhas da narrativa do David, e todas as resenhas que li de Invisível foram super positivas. O Stephen é um personagem que já me conquistou antes mesmo de iniciar a leitura (o que pretendo fazer logo), e estou bem ansiosa pra conhecer a história dele ! Realmente, o livro deve ser maravilhoso ..
    Bjs :*

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  6. Nunca nada de David Levithan, mas li de Andrea Cremer e fiquei receosa quando vi que publicariam uma parceria dos dois. Ainda estou receosa, apesar de sua resenha positiva, mas fui picada pelo bichinho da curiosidade e preciso saber pq ele é invisível e o pq de só Elizabeth conseguir enxergá-lo XD

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