19 de dez de 2014


[Resenha] Serial Killers: Made in Brazil - Ilana Casoy


Ficha Técnica

Título:Serial Killers: Made in Brazil
Autor:Ilana Casoy
ISBN: 978-85-66636-29-1
Páginas: 358
Ano: 2014
Editora: DarkSide® Books
13Após o sucesso do seu primeiro livro, Ilana Casoy dedicou-se a uma pesquisa rigorosa para investigar os serial killers brasileiros, no que viria a ser o primeiro livro do gênero dedicado aos assassinos em série do Brasil. Foram cinco anos de pesquisas, visitas a arquivos públicos, manicômios e penitenciárias, além de entrevistas cara a cara com personificações do mal em terras tupiniquins, para compor um inquietante roteiro com rigor investigativo de como, por quê e com que métodos os serial killers brasileiros atuam. Em Made in Brazil, Casoy relata sete casos de serial killers brasileiros, três dos quais ela entrevistou pessoalmente: Marcelo Costa de Andrade, o vampiro de Niterói, um dos casos e depoimentos mais chocantes do currículo da autora; Francisco Costa Rocha, o Chico Picadinho; e Pedro Rodrigues Filho, o Pedrinho Matador. Um relato cruel feito pelos próprios assassinos, conduzido com maestria por quem entende do assunto, que procura guiar o leitor pela sinuosa mente de pessoas frias e com movimentos mais que premeditados para o mal. Além deles, a autora se debruça sobre a vida e os crimes de José Augusto do Amaral (Preto Amaral), Febronio Índio do Brasil, Benedito Moreira de Carvalho (Monstro de Guaianases) e José Paz Bezerra (Monstro do Morumbi).

Resenha


darksideLançado originalmente em 2004, “Serial Killers: Made in Brazil” recebeu uma nova publicação através da Darkside este ano. Em uma edição definitiva, a obra foi relançada em conjunto a outro livro da Ilana Casoy, “Louco ou Cruel?”, em um box intitulado “Arquivos Serial Killers”.

Podendo ser encontrado dentro deste box ou em edição avulsa, “Made in Brazil” relata através da descrição de Casoy, que é uma das maiores especialistas em serial killers do país, sete casos de mentes criminosas nacionais, mostrando que não existe barreiras geográficas ao se tratar de psicopatas. 
Ultimamente conseguia cada vez menos controlar sua vontade. Em alguns dias, não se contentava nem com cinco mulheres. Tinha relações sexuais com elas até seu pênis sangrar. O mais excitante era quando a vítima resistia. Ah, a violência era um poderoso afrodisíaco...
Pág. 68 
A ideia do livro é bem simples: juntar informações de sete serial killers que atuaram no Brasil entre a década de 1920 até a década de 1990. Através de arquivos públicos, fotos, relatos jornalísticos da época, laudos clínicos e até mesmo entrevistas cara a cara com essas personalidades do crime, Casoy nos apresenta uma obra rica e extremamente detalhista, que serve tanto como livro informativo para os leigos, mas também como fonte de pesquisa para aqueles que são da área criminalística, jurídica e/ou da psicanálise.

Com uma narrativa instigante, “Serial Killers: Made in Brazil” prende o leitor do começo ao fim. Seus capítulos são divididos de acordo com o indivíduo que Casoy está descrevendo, e dentro de cada um deles, iremos ser apresentados a reconstrução de seus crimes, a sua história pessoal, como a polícia agiu para prendê-lo, os julgamentos e em alguns casos especiais entrevistas, tanto com delegados e advogados, mas principalmente com os próprios criminosos.
Ele fala com desembaraço e conhecimento sobre Nietzsche, Sarte e Dostoiévski. Sobre Sigmund Freud, pai da psicanálise, e Viktor Franki, psiquiatra austríaco. [...] Também relata a elaboração que fez de seus crimes usando os conhecimentos que adquiriu sobre psicologia freudiana e o entendimento de sua vida a partir das teorias da logoterapia. Enquanto a conversa é intelectual, ele parece uma pessoa normal.
Pág. 104 
Um livro deste porte, maiormente pelo assunto que trata, carrega dentro de sí vários questionamentos ao leitor. O que é um serial killer? Como agem? Como pensam? Podem ser inseridos novamente à sociedade após cumprirem sua pena? Muitas destas respostas podem ser encontradas em “Serial Killers: Anatomia do Mal”, lançado pela própria DarkSide® em 2013 e escrito por Harold Schechter. Para os que não leram este livro, poderão obter algumas dessas respostas de uma forma muito mais branda em “Made in Brazil”, já que Casoy opta sobretudo por destrinchar cada criminoso e seus respectivos homicídios.

Infelizmente, “Made in Brazil” não foi lançado em capa dura, assim como “Anatomia do Mal”, porém tirando este fato, a obra é extremamente muito bem apresentada, desde sua atrativa capa até as ilustrações que preenchem diversas páginas do livro. Não tenho certeza, mas me parece que o tal box citado anteriormente, é feito de um papelão resistente, ou seja, para quem adquirir os dois livros de Casoy juntos, terá uma apresentação diferenciada e de qualidade.

box-arquivos-serial-killers-ilana-casoy05.png
Box "Arquivos Serial Killers" com dois livros best seller de Ilana Casoy

No mais, “Serial Killers: Made in Brazil” é um livro muito interessante de se ler. Seus relatos detalhistas e muitas vezes chocantes, podem mexer com algumas pessoas mais vulneráveis, porém de forma alguma isso tira o mérito e grandiosidade da obra. São histórias reais que precisam ser lembradas para sempre, seja como forma de tentarmos compreender o que aconteceu, seja como forma de registro histórico, seja como forma de tentar prevenir que ocorra novamente ou simplesmente para sermos justos, de uma forma simplória, com os inocentes que perderam suas vidas nas mãos destes assassinos.
Ele é calmo, educado e parece uma criança, apesar dos 37 anos, à época da entrevista. Não tem a menor ideia da dimensão de seus atos. Não sente arrependimento pelas vítimas em si, apenas pelas consequências dos crimes para ele mesmo. Sua face é sem mímica, um rosto plácido, sem trejeitos. Sua fala, monótona. Descreve seus atos com quem lê uma lista de supermercado, com muita frieza, como se não se importasse. Não chorou nem se emocionou em nenhum momento.
Pág. 201






Comentários
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5 comentários:

  1. Olá, Tácio.
    Eu pensei que esses livros fossem "novos", não sabia que já havia saído uma versão anterior.
    Eu tenho muito interesse nesse livro, e também no outro da autora, porque gosto de enredos policias e de suspense. Deve ser interessante e assustador ver isso na realidade. Imagino como deve ser a mente desses assassinos.

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de dezembro

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  2. Gente, que lindo esses livros. Achei muito caro D:' mas com certeza vale a pena. Ainda mais para mim, que adoro sobre o assunto de que se trata. Muito interessante, ainda mais para quem deseja fazer psicologia, entender melhor. Ótimo, preciso ter, mas vai ter de esperar um pouco :p
    Abraços Tácio,
    ThayQ.

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  3. Bom, acho que deva ser um livro extremamente fascinante para quem gosta mesmo do estilo, quem gosta de entender melhor crimes e saber tudo que se passou ... mas esse nao é muito o meu caso :/ eu ja me vejo recomendando este livro para amigos, mas nao leria nao.

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  4. Já pensei em ser juíza, psicóloga de psicopata, escritora, arqueóloga e , no fim, decidi fazer medicina, mas , tudo isso, porquê , de certa forma, todas essas profissões tem um fim comum ... Entender e pesquisar a psique humana ( seja presente, passado ou futuro).
    Desde pequena me interessei por psicopatas ( conhecer mais sobre como a mente deles atua) . Esse livro é interessante ao quadrado, vou tê-lo em minha estante, com certeza. As citações que colocou, nossa, eu até me arrepiei, deu vontade de ir na livraria mais próxima e comprar tal livro.
    Consigo ver e entender toda a crueldade envolvida, eles são doentes , de certa forma, mas ainda assim, a inteligência e astúcia deles é notória, é algo a ser entendido, estudado. Isso que a autora fez, é mágico, conversar e pesquisar sobre psicopatas... Eu queria "bater um papo" com um deles, só entender, só queria isso, talvez eu conheça mais lendo esse livro.
    PS.: Acho que eu não sou estranha, só diferente =P !!

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  5. Não gostei muito, apesar de gostar muito de livros sobre serial, mas esse não me agradou muito.

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