5 de jan de 2015


[Conhecendo o Autor] A.C. Meyer


A Lay me convidou para vir aqui falar um pouquinho de mim, da minha vida, dos meus livros e fiquei uma boa meia hora pensando em como começar. Apesar de ser uma pessoa de muitas palavras, escritas principalmente, não é fácil colocar no papel palavras que falem de mim, mas vamos lá. Sou Andréia, carioca, trinta e poucos anos. Passei a vida cercada por livros e eles são de vital importância para mim. 

Comecei a ler e escrever aos quatro anos. Tive a sorte de ter a companhia da minha avó, durante a infância, que foi quem me ensinou a ler as primeiras palavras e a formar as primeiras sílabas escritas. Alguns meses depois, fui para a escola, um pingo de gente no meio de uma turma de alunos dois anos mais velhos que eu. Ao mudar de escola, fui "repetida" pela diretora, que achava que eu era muito criança, com cinco anos, para entrar na primeira série do ensino fundamental. Lembro claramente de toda a minha frustração em ter que brincar durante um ano inteiro, quando poderia estar aprendendo tantas coisas interessantes. Enquanto meus amigos construíam coisas com massinha de modelar em casa, eu lia os livros paradidáticos do meu irmão, sete anos mais velho. Um pouco mais crescida, já tinha amizade com pessoas que tinham o mesmo amor pela leitura que eu e vivia sedenta por palavras. Meu livro inesquecível foi o primeiro que ganhei só para mim: O jacarezinho egoísta. Na pré adolescência vivi muitas aventuras com a série Vagalume, me apaixonei perdidamente em A marca de uma lágrima (era tão apaixonada que eu li mais vezes o livro que a própria dona dele). Nessa mesma época, fui à minha primeira Bienal do Livro e voltei para casa carregada de compras!

Fui crescendo e meus amores foram mudando. Tive um profundo caso de amor com Fernando Sabino, uma paquera deliciosa com Stanislaw Ponte Preta e tardes divertidas com as crônicas de Luís Fernando Veríssimo. Lia os clássicos, incentivada por um tio advogado, que tinha uma enorme biblioteca em casa. Passei por uma fase de amores clichês e fugazes. Eram tantos mocinhos maravilhosos, tramas dramáticas e tão avançadas para uma menina da minha idade (quinze anos!) que lia escondido os romances de banca. Dividia os momentos de grande romantismo com a tensão de Sydney Sheldon. Até encontrar divas literárias que me fizeram mergulhar completamente no universo do romance: Danielle Steel e Nora Roberts.

Sou de uma época em que a oferta de autores não era tão grande. Lembro de ir para a Saraiva do Shopping Tijuca, aqui no Rio, e sentar no chão do setor de Literatura Estrangeira, revirando capas e lendo sinopses até encontrar aqueles tesouros que não eram muito lidos por aqui: os chicklits. Lia tanto que sempre tinha uma indicação de livro bom para dar. Uma amiga perguntava: o que você me indica para ler? e saía com uma lista e uma pilha de livros. Pois é, sou desses leitores que amam tanto ler que, além de indicar, faz questão de emprestar seu livro para convencer aos amigos a amarem o mesmo livro que você. 

Paralelamente a minha vida de leitora, eu ia vivendo. Correndo atrás dos meus objetivos. Trabalhando, estudando. Estudando. Estudando. Fiz faculdade de marketing, resolvi emendar com um MBA. Quando acabei, achei que ainda não era suficiente... sei lá, acho que não estava pronta para deixar a "escola" e voltei a faculdade. Fui fazer faculdade de direito e, não satisfeita, fazia uma pós de Docência do Ensino Superior, aos sábados. Entre jargões de marketing e jurídico, eu lia. Ler me ajudou a me expressar melhor, a falar melhor e escrever melhor.

A vida foi andando e, um belo dia, ouvi falar de um livro que nem tinha sido lançado no Brasil, chamado Cinquenta Tons de Cinza. Tinha tanta polêmica em torno desse livro que eu disse para mim mesma que precisava ler e conhecer o que era aquele livro que estava deixando o mundo de pernas para o ar. E gente, Cinquenta Tons mudou minha vida. Não que o Sr. Grey tenha me transformado numa das suas submissas, longe disso. Mas EL James me abriu os olhos para um mundo literário ainda desbravado no Brasil, mas que me deixou enlouquecida com tantas histórias e capas maravilhosas. Costumo dizer que esse momento é um marco em minha vida, pois foi a partir daí que conheci pessoas que tinham o mesmo amor que eu e que se tornaram grandes amigas. Em especial, cinco pessoas que eu jamais imaginava a importância que teriam em minha vida e que hoje são responsáveis por me ajudar na construção das minhas histórias.

Passei dois anos lendo exaustivamente, mas mesmo com cara de sono no dia seguinte, eu tinha que manter a minha meta de felicidade: seis livros por semana! À família achava engraçado; os amigos que não tinham o mesmo hábito achavam estranho; o namorado entendia e apoiava; e as amigas de leitura trocavam figurinha sobre livros o tempo todo. Eu vivia o que achava que era meu auge da felicidade literária. Haaaa... não sabia de nada!

Um belo dia, num bate papo sobre histórias que deveriam virar livro, eu falei, nem sei porque, que tinha uma história na cabeça. Mocinha cantora, mocinho dono do bar, ele super gato, ela uma espécie de Cinderela dos tempos modernos. Não tinha plot, sinopse, nada. Eram só umas imagens que passavam na minha cabeça, desde lá atrás, quando eu suspirava com o romance juvenil de Pedro Bandeira. E os espertinhos só estavam esperando isso para darem o ar da sua graça. Passei uma semana inteira, depois dessa conversa, sendo literalmente atormentada por um rapaz metidinho e voluntarioso e uma mocinha meiga e com vontade de ser feliz, nos momentos mais inoportunos.

Uma semana depois, lembro exatamente da cena: era uma sexta feira, eu ia acordar cedo para trabalhar no dia seguinte. Estava sem computador, o meu velhinho tinha me deixado na mão. Sentei no meu quarto, quase meia noite, com tudo escuro e abri o editor de textos do iPad pensando que aquilo não daria certo. Eu nunca escrevi nada na vida, além das redações do colégio. Fechei os olhos e as imagens começaram a aparecer. Pouco a pouco, Julie foi me contando sua história, como se estivéssemos sentadas na nossa Starbucks favorita e ela me dizendo como Daniel era cabeça dura e não a enxergava. Como ela queria aquele amor e, mesmo sabendo ser quase impossível, não tinha forças para deixá-lo ir e seguir adiante, desistindo dos seus sonhos. Em duas horas, escrevi três capítulos e mandei para duas amigas por e-mail com o assunto Leia! e sem dizer que era meu. Deus me livre! Vai que elas dissessem que era uma porcaria? Eu não ia pagar um mico desses! hahahahaha

Ao contrário do que eu imaginava, elas amaram. Fui colocada contra a parede e obrigada a dizer de quem era. Como resultado, elas me colocaram em cárcere privado, à base de Baunilha Latte, para terminar a história, no dia seguinte! Ha! Brincadeira. Não foi no dia seguinte, mas foi quase isso! kkkkkk Naquele momento, Danny e Julie me envolveram de tal forma que até eu queria saber onde aquela história iria levar. Quem eram aquelas pessoas que foram tomando forma na minha mente e me deixando tão curiosa com relação às suas vidas. Junto com os dois, chegou o melhor amigo que eu poderia querer: George. Que trouxe Jo. Que trouxe Zach e Rafe e que compuseram a história. Fui seduzida por um guitarrista sensual, que ganhou fama de lambedor, pelo seu modus operandis com as meninas, inclusive a Julie. E em muito pouco tempo, eu me vi envolvida naquele universo divertido e de grande amizade do AfterDark.

De auto publicada à autora da Universo dos Livros foi rápido. O livro já tinha uma boa repercussão nas redes sociais e chegou às mãos da editora chefe, que apostou na minha história e acreditou que daria certo. Em julho de 2014, Louca por você chegava às minhas mãos na forma de livro e às de inúmeras leitoras espalhadas pelo país. Da menina que descobriu o mundo literário na Bienal do livro do Rio, na infância, fui à minha primeira Bienal de SP como autora publicada. Todo mundo ultra nervoso e eu lá, super calma, sem muita noção do que estava acontecendo com a minha vida. Era para ser uma sessão de cinquenta minutos. Foram quatro horas e meia. Uma fila que dava a volta no stand, leitoras tremendo, chorando, rindo. Nunca tirei tanta foto na vida. Mas foi uma das coisas mais maravilhosas que já me aconteceu.

Ainda hoje, meses depois do lançamento de Louca por você, ainda acho engraçado entrar numa livraria, ver aquela capa fofa e pensar: fui eu que escrevi! Ainda sinto vergonha de dizer: sou escritora! Não por não me orgulhar do que faço, mas remanescente da minha profunda timidez. Por trás dessa pessoa “escrevente” existe uma mulher muito tímida, que cora quando alguém se surpreende quando falo que escrevi um livro e se emociona com o carinho das pessoas. Me sinto tocada com cada mensagem que recebo, cada resenha que leio, cada demonstração de carinho. É amor que não acaba mais e sou muito muito grata por isso. 

Agora, estou revivendo o mesmo momento de meses atrás: de lançamento! Apaixonada por você, continuação de Louca por você, será lançado pela Universo dos Livros em março de 2015. Não imaginava que sentiria a mesma emoção da primeira vez. Mas é igual. Não, é ainda maior! E fiquei surpresa pela comoção durante o lançamento da capa. Acho que eu ainda não tinha ideia de quantas pessoas estavam na expectativa de continuar a ler aquilo que eu estava escrevendo. E de verdade? Acho que ainda não tenho. Mas foi maravilhoso receber tanto amor, tanto carinho e tanta gente vibrando pela capa linda que a editora fez para mim. Sou muito grata pelo carinho que as pessoas me dão e por abraçarem as minhas histórias. E não vejo a hora de compartilhar com cada um de vocês a história de Zach e Jo, que é mais profunda, intensa e hot que Louca por você, mas que vai permitir que vocês conheçam melhor os demais personagens da série, suspirem com esse casal intenso e acompanhem Danny e Julie em nova fase nas suas vidas.

Para tentar resumir, então, todas essas palavras (descobri que isso é coisa de escritor. A gente não consegue se conter em poucas linhas. Desculpa, Lay!) essa sou eu: apaixonada por livros, aquela que acredita no amor e no felizes para sempre; a que tem um senso forte de família e de amizade. A namorada romântica e carinhosa que acredita que o tal clichê faz parte da vida de quem ama. Uma pessoa simples, que trabalha, cuida da família e que procura sempre fazer o bem. Sou autora de histórias divertidas, extremamente românticas e um pouco apimentadas. Sou A. C. Meyer, autora de Louca por você e Apaixonada por você, carioca, trinta e poucos anos e feliz por compartilhar, com outras leitoras, as minhas próprias histórias.

♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥

Curtiram conhecer um pouco mais a Andréia? Pois eu também amei e não vejo a hora de conhecê-la pessoalmente, pois na Bienal do ano passado em São Paulo não consegui, apenas passei perto dela enquanto estava na fila quilométrica da Christina e da Lauren e eram no mesmo estande e em horários próximos. Mas já disse para ela que ela não me escapa de autografar meus livros na Bienal do Rio esse ano, hahahaha!!! Agora é esperar para que Apaixonada por você seja lançado e correr para a leitura!!!

Beijos e até a próxima!!!


Comentários
9
Compartilhe

9 comentários:

  1. que legal esse post, A.C é diva, escreve bem e é exemplo de simpatia
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Gostei de conhecer tua história Andreia, é incrível como as coisas acontecem e nós nem esperamos né? Espero que a continuação de seu segundo livro seja um sucesso que nem ou maior que o primeiro. Deve ser uma sensação incrível saber que tem gente que gosta do seu trabalho.

    Bom 2015 pra você.

    ResponderExcluir
  3. Não conhecia a história da autora e fiquei encantado. Deu para ver que ela é uma daquelas "predestinadas", quando a literatura faz parte da vida desde a infância.
    Fico feliz por ver uma autora brasileira chegando tão longe, apesar de eu não curtir muito o gênero que ela escreve. Gostaria de ver grandes escritores brasileiros, como ela, se destacando em todos os gêneros e em todas as grande editoras do nosso país.

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de janeiro. Você escolhe o livro que quer ganhar!

    ResponderExcluir
  4. Adorei o post e conhecer mais sobre a A.C. Infelizmente não tive a oportunidade de ler o livro dela ainda, mas com certeza ele está na minha lista de desejados. Desejo muito sucesso pra autora!

    ResponderExcluir
  5. Oi, tudo bom?
    Amei o post, adorei conhecer a A.C Meyer, estou louca para ler o livro dela, mas infelizmente ainda não tive a oportunidade, mas já fiquei com gostinho de quero conhecer a sua obra hehehe.
    Beijos *-*

    ResponderExcluir
  6. É muito legal saber mais sobre os autores. Sempre fico me perguntando como eles se inspiram, como como começam a escrever e é sempre bom saber um pouquinho mais da história deles.Infelizmente ainda não li nenhum dela mas sempre desejo um sucesso imenso a todos os escritores brasileiros.
    Beijos.

    ResponderExcluir
  7. Super simpática a autora. Amava a Série Vagalume, fiquei com saudade! Não li nenhum livro dela ainda, mas pretendo.

    ResponderExcluir
  8. Não tive ainda a oportunidade de ler os livros da Andreia, mas paquero há um tempo. Determinação parece ser o seu sobrenome... sucesso!!
    Beijos

    ResponderExcluir
  9. Achava que A.C. Meyer fosse homem hahahahahaha
    Adorei conhecer um pouco mais da autora e sua obra.

    ResponderExcluir

Seu comentário é sempre bem-vindo e lembre-se, todos são respondidos.
Portanto volte ao post para conferir ou clique na opção "Notifique-me" e receba por e-mail.
Obrigada!

 
imagem-logo
De Tudo um Pouquinho - Copyright © 2016 - Todos os direitos reservados.
Layout e Programação HR Criações