4 de jan de 2015


[Resenha] O Doador de Memórias - Lois Lowry


Ficha Técnica

Título: O Doador de Memórias
Título Original: The Giver
Autor: Lois Lowry
ISBN: 978-85-8041-299-4
Páginas: 192
Ano: 2014
Tradutor: Maria Luiza Newlands
Editora: Arqueiro
16Em O doador de memórias, a premiada autora Lois Lowry constrói um mundo aparentemente ideal onde não existem dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não há amor, desejo ou alegria genuína. Os habitantes de uma pequena comunidade, satisfeitos com a vida ordenada, pacata e estável que levam, conhecem apenas o presente o passado e todas as lembranças do antigo mundo lhes foram apagados da mente. Um único indivíduo é encarregado de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis.

Resenha

Arqueiro_parceria522Recentemente foi adaptado para os cinemas o livro “O Doador de Memórias”, best seller que já vendeu mais de 11 milhões de cópias no mundo e garantiu a sua autora a Medalha Newbery. Sendo o primeiro volume de uma série composta por quatro livros, “O Doador de Memórias” relata uma sociedade moldada e planejada para ser perfeita, e a solução para isto fora retirar a memória de todos.
Livres de lembranças como a violência, a dor e também da individualidade, os responsáveis por essa sociedade puderam reconstruir tudo da forma que achavam mais correta. Não existiria neve para destruir as colheitas, cada família só poderia ter dois filhos - um menino e uma menina -, todos deveriam tomar pílulas para evitar o desejo pelo outro, além do fato de as ocupações seriam designadas por este governo, incluindo quem iria parir os filhos dessa nova comunidade, quem trabalharia nos centros de saúde ou até mesmo quem seria responsável por guardar todas as memórias da humanidade, caso um dia precisassem delas.
Jonas deu de ombros. Aquilo não o preocupava. Como seria possível alguém não se adaptar? A comunidade era tão meticulosamente organizada, as escolhas eram feitas com tanto cuidado!
Pág. 52
E é aí que o nosso personagem principal entra. Jonas está prestes a completar 12 anos, idade quando as crianças se tornam adultas e são designadas as suas funções trabalhistas durante uma cerimônia. Diferentemente de todos seus amigos que receberam cargos normais, Jonas ganhou a função de Recebedor. Tal profissão se caracteriza por adquirir todas as memórias existentes do mundo, estas que serão transferidas da única pessoa que as tem: o Doador.

O Doador um dia já fora Recebedor, mas com sua idade avançada, está na hora dele passar sua função para alguém mais jovem. E é assim que ele e Jonas irão iniciar um relacionamento profissional, onde o Doador possibilitará ao menino conhecer tudo que um dia existiu, mas que fora banido de seu mundo. Após ser apresentado a solidão, a dor, a perda, o amor e a tantas outras coisas simples da vida, Jonas irá começar a questionar se sua comunidade é realmente completa e feliz. E este será somente o início de uma grande mudança.
Por um momento ele ficou paralisado, entregue ao desespero. Ele não tinha aquela coisa, aquele negócio que ela havia falado. Nem sabia o que era. Agora chegara o momento em que teria de confessar, teria de dizer ‘Não, não tenho. Não consigo fazer isso’ e colocar-se à mercê deles, pedir que o perdoassem e explicar a sua escolha fora um erro, que não era de jeito algum a pessoa certa para aquele cargo.
Pág. 67
“O Doador de Memórias” é um livro que foi publicado em 1993, e apesar de ser uma distopia, fora lançado muito tempo antes desta febre atual. Com características que se assemelham bastante com “Destino”, o livro escrito por Lois Lowry possui sua própria marca, e carrega em suas páginas uma estória única e rica.

Apesar da riqueza do universo criado por Lowry, a autora acaba entregando para o leitor um livro muito curto, se pararmos para pensar as diversas coisas que poderiam ter acontecido na obra. Com um início lento e arrastado, o livro vai ganhando forma e identidade após a função de Jonas nos ser apresentada, porém o final do livro é corrido e extremamente raso, tendo um final em aberto, possivelmente para ser complementado em suas continuações.
– E a lembrança mais forte que me ocorreu foi a da fome. Vinha há muitas gerações. De séculos atrás. A população cresceu tanto que havia fome em toda parte. Uma fome torturante, devastadora. E em seguida veio a guerra.
Pág. 116
Falando rapidamente do filme, posso dizer que o mesmo é bem fiel ao livro, apesar da modificação da faixa de idade dos personagens principais. Muita pouca coisa muda, e algo que me chamou a atenção, foi o fato de que personagens bem secundários receberam uma atenção maior nas telonas, provavelmente com o propósito de dar mais carga e ação para a adaptação. Porém apesar de trazer em seu elenco grandes nomes de peso como Jeff Bridges, Meryl Streep e até mesmo Taylor Swift, o filme falhou em repetir o mesmo sucesso mundial do livro, arrecadando menos de 70 milhões de dólares no mundo todo.

E assim como o livro, o filme de “O Doador de Memórias” é bastante corrido, fazendo com que alguns eventos não sejam muito bem desenvolvidos. Mas independente disto, o livro tem suas qualidades e provavelmente irá agradar os fãs de distopia. Agora resta esperar os três volumes seguintes, pois infelizmente sem eles, esta primeira obra seguramente não estará entregando todo o seu potencial ao leitor.




Comentários
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10 comentários:

  1. Olá, Tácio.
    Eu tenho certa curiosidade sobre a obra e sobre o filme, apesar de não ter muito interesse em lê-la. Eu gosto bastante de distopias, mas essa coisa de "retirar as lembranças da sociedade" não me parece muito convincente. E também acho o protagonista muito novo para uma distopia.
    O fato de ser corrido não me desagrada tanto, melhor do que uma obra grande e chata.
    Apesar dos contras, talvez um dia eu leia.

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  2. Eu tenho o livro aqui, mas estou enrolando para começar a leitura rs,
    não vi o filme ainda e so vou assistir depois de ter lido, o que acho que vai levar um tempinho,
    tomara que a editora traga os proximos volumes eu vi que o segundo ja foi lançlado, o que é muito bom.
    Uma pena quando alteram a idade dos personagens nos filmes, eu acho isso ruim...
    beijos.

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  3. Gente, não sabia que era uma série!!
    Agora que não vou ler mesmo, rsrsrs. Gosto de séries, só quando tenho todos os volumes em mãos.

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  4. Apesar de toda a fama e tudo mais não tenho muita vontade de ler o livro e nem assistir ao filme. E por incrível que pareça me interessei pelo livro 2, mas quando vi que era dessa série já desanimei. Talvez mais para frente, quem sabe.

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  5. As vezes a gente acaba se surpreendendo com os livros de distopias que não são desta época né? Pena que o livro não se desenvolva tanto e fique muitas brechas. E esse final aberto pode ser bom ou não né?

    bju

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  6. Caramba, não tinha visto o trailer ainda, ta MUITO diferente do livro, pelo menos pra mim. O livro é inteiro parado, não tem ação e no trailer parece ser uma super aventura.
    Enfim, eu gostei bastante até do livro, mas to sentindo falta de mais, o final foi aberto demais pra mim.

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  7. Olá, tudo bom?
    Adorei a resenha, o filme parece ser bom, e o livro também, confesso que sinto certo interesse em ler o livro, mas ainda estou meio assim com o pé na corda bamba, porém quem sabe depois de ver o filme eu me interesse mais.
    Beijos *-*

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  8. Já vi o filme e logo depois comprei o livro para entender melhor pois não fica tão explicito no filme. Espero para ler os próximos livros porque o primeiro deixou muitas coisas ainda que devem ser explicadas,assim como no filme.
    Beijos.

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  9. Oi Lay!
    Este livro divide opiniões... é bem provável que eu ganhe ele agora em fevereiro, no meu aniversário. Ainda não assisti o filme para não perder o encanto. Apesar de não ser muito fã de distopia, estou curiosa para ler O doador.

    Beijos

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  10. Vi o trailer e fiquei tensa só pensando que se no filme era daquele jeito, imagine no livro!!!
    Mesmo assim, meu foco ainda é o filme... qdo um livro não me chama a atenção parto pra adaptação, caso haja.

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