10 de mai de 2015


[Resenha] A Escolhida - Lois Lowry


Ficha Técnica

Título: A Escolhida
Título Original: Gathering Blue
Autor: Lois Lowry
ISBN: 978-85-8041-347-2
Páginas: 192
Ano: 2014
Tradutor: Fabiano Morais
Editora: Arqueiro
16Kira, uma órfã de perna torta, vive em um mundo onde os fracos são deixados de lado. A partir do momento da morte de sua mãe, ela teme por seu futuro até que é perdoada pelo Conselho de Guardiões. A razão é que Kira tem um dom: seus dedos possuem a habilidade de bordar de forma extraordinária. Ela supera a habilidade de sua mãe, e lhe cabe a tarefa que nenhum outro membro da comunidade pode fazer. Enquanto seu talento a mantêm viva e traz certos privilégios, ela percebe que está rodeada de mistérios e segredos, mas ninguém deve saber sua intenção de descobrir a verdade sobre o mundo.

Resenha


“A Escolhida” é o segundo volume da série “O Doador de Memórias”. A tetralogia, que foi escrita pela premiada autora Lois Lowry, foi adaptada aos cinemas no ano passado, com direito a Meryl Streep e Taylor Swift no elenco. Independentemente do grande fracasso nas telonas - o filme arrecadou 67 milhões de dólares no mundo todo –, a adaptação ajudou a divulgar a série literária, que começou a ser públicada em 1993. 

Arqueiro_parceria522Apesar de ser o volume dois, “A Escolhida” não é necessariamente uma continuação de “O Doador de Memórias”. O livro ainda é uma distopia, trabalha os mesmos assuntos do primeiro volume, porém o universo é diferente, a história é diferente e os personagens são diferentes. Eu não sabia disto até começar a ler, e foi um choque, já que o final do primeiro livro grita por uma continuação.

Nesta nova empreitada iremos conhecer Kira, uma menina que acabou de perder sua mãe. Com a morte do último membro de sua família, a jovem se depara com uma situação delicada: as mulheres da vila em que mora, querem banir Kira para o Campo, local onde os habitantes são deixados para morrer, alegando que ela é inútil para à sociedade, devido a uma deficiência em uma de suas pernas.
– Kira – prosseguiu o homem, encarando-a –, você dará continuidade ao trabalho de sua mãe. Fará mais do que isso, na verdade, pois seu talento é muito maior do que o dela jamais foi.
Pág. 45
Após ir a julgamento para saber se seria enviada ao Campo ou não, Kira descobre que além de ser absolvida de tal destino, ela irá se mudar para uma parte mais importante do vilarejo, onde poderá exercer uma profissão bastante importante para a cultura do local.

Todo ano na vila acontece um evento chamado Congregação, onde os moradores se reúnem para relembrar a história do mundo. A função de Kira será restaurar uma manta, papel que antes ficava a cargo de sua falecida mãe. Kira precisa aprender a tinturar linhas e costurar, pois a manta ilustra os acontecimentos de toda uma sociedade, desde a criação do planeta, passando pelas guerras e chegando a atualidade.
– Esta é toda a história do nosso mundo. Precisamos mantê-la intacta. Mais do que intacta. – Kira percebeu que ele agora acariciava o grande trecho não decorado do tecido, a parte que recaía sobre os ombros do Cantor. – O futuro será contado aqui. Nosso mundo depende desse relato.
Pág. 66/67 
Enquanto se ocupa com os deveres de tecelã, Kira conhece novas pessoas como Annabella e Thomas, responsáveis também por ajudar nos preparativos anuais da Congregação. Porém, aos poucos, a jovem vai descobrindo que seu vilarejo esconde muitos segredos e também muitas mentiras, que nem tudo que lhe contaram quando criança era realmente verdade. Restará então a ela, ir de contra aos ensinamentos milenares para descobrir o que realmente acontece por detrás de toda a maquiagem de sua cultura.

Após recuperar-me do meu choque ao descobrir que eu iria iniciar uma história completamente nova, e não acompanhar mais uma aventura de Jonas, comecei a mergulhar de cabeça nas aventuras de Kira. Infelizmente, no início, eu estava achando tudo muito parado e o tanto quanto decepcionante, comparado com “O Doador de Memórias”. Porém, após a página 100 mais ou menos, o livro ganha fôlego, reviravoltas acontecem e finalmente a personagem Kira consegue me cativar.

Mas tudo que é bom dura pouco, como dizem. Após a página 100, só me restavam apenas 90 para serem lidas. Lois Lowry consegue criar um universo muito bom, porém o desenvolve muito pouco. A história poderia ter ido mais além do que vai, e assim se tornado uma obra mais rica e completa. Para piorar, o livro termina da mesma forma que o primeiro… gritando por uma continuação. Só quero saber se nunca mais verei Jonas e Kira, ou se nos dois volumes restantes, de alguma maneira eles irão aparecer novamente.
– Você já viu alguma fera? – indagou Kira, titubeante.
– Muitas, muitas vezes. A floresta está cheia delas. Nunca vá além dos limites do vilarejo. Não saia da trilha.”
Pág. 114 
Apesar do corre corre na narrativa, “A Escolhida” é uma leitura gostosa e uma boa distopia, levando em conta o seu tamanho. A autora se mostra bastante sagaz, criando um enredo que me lembrou um pouco do filme “A Vila” (2004), e alguns personagens são bem carismáticos, como no caso do pequeno Matt, um dos poucos amigos de Kira. Por sinal, adorei o fato de o nome das personagens serem uma referência a sua idade: a cada geração que se passa, uma sílaba é acrescentada no nome da pessoa.

Tirando os pequenos problemas de desenvolvimento do livro e esta capa – desculpa aí, mas precisamos melhorar as capas dessa série, né? –, “A Escolhida” é um bom livro, e que me deixou curioso para ler os volumes seguintes, sendo eles continuações ou apenas volumes separados. Termino a resenha me perguntando o motivo de terem mudado o título do livro, que no seu original se chama “Gathering Blue”, algo como “Colhendo Azul”, em tradução livre. Além de mais poético e distinto, acho que tinha mais relação com a história.
Comentários
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12 comentários:

  1. Concordo com vc: que capinha mais sem graça ein?! kkkkkkkk Se nao tivesse lido a resenha, nunca imaginaria que era um distopia (meu genero favorito) e sem duvidei me empolguei muito para conhecer a historia!! Acho que vou adorar e vou procurar logo o primeiro livro.

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  2. Essa capa é bem sem graça mesmo, não chama muito atenção. Se bem que o livro também não me atrai, então acaba nem fazendo tanta diferença assim para mim. Esse e o anterior vou acabar passando, até porquê distopia é um gênero que ainda não me conquistou totalmente.
    Beijos.

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  3. Eu nem li o doador de memórias ainda (ñ ria) ;)
    Mas é como vc falou a capa não é nada bonita e quem a olha nem nota que se trata de uma distopia e interessante que tem poucas página néh.
    Mas como curto distopias irei acrescentar ambos em minha lista.
    bjos

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  4. Ainda não li o primeiro livro O Doador de Memórias, gostei do filme, curto muito distopia, também achei a capa super sem graça, porem a história parece ser boa, pretendo ler todos os livros da série.

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  5. Olá, Tácio.
    Eu também acho essas capas bem fraquinhas e já sabia sobre ela não continuidade de protagonistas. Mas, pelo que li por aí, no terceiro ou quarto livro as histórias serão interligadas.
    Apesar dessa lentidão no início, pretendo ler a obra. E também o primeiro, já que ainda não o conferi.
    Excelente resenha.

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    1. Olá =]
      Tomara que as histórias se interliguem, seria bem interessante!
      Obrigado pelo elogio,
      Abraços

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  6. Oi Tácio!
    A Escolhida tem um ótimo enredo junto com uma capa super simples, mas infelizmente a estória não me chamou muito a atenção, não pelo seu gênero, mas porque vi que não se tratava mais das mesmas personagens que O Doador de Memórias, o autor deixou o final muito vago e eu sinceramente esperava por uma continuação para que saísse esse mistério todo que pairou sobre mim.
    Tenho medo desse ter o mesmo efeito sobre mim como o outro :/
    E apesar de eu amar distopias, essa eu vou deixar passar mesmo.
    Abraço!

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  7. Esse é um dos livros que quero ler, e tenho que concordar com voce sobre a capa, eu acho que eles poderiam ter criado uma melhor que fosse mais bonita e chamasse mais a atenção.

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    1. Torcer pro terceiro volume ter uma capa melhor! Dedos cruzados hahaha

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  8. Ta aí uma coisa que me incomoda: livros com potencial mas que não são bem desenvolvidos. Uma distopia não pode ter só 190 páginas, sinceramente acho impossível que uma história distópica possa ser bem contada através de só 190 páginas. De qualquer forma, O Doador de Memórias é um livro que eu morro pra ler, por isso não assisti o filme ainda. E sabe que eu não sabia que tinha uma "continuação"? rçrç

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    1. Oi Anelise,
      Essa distopia é das antigas, bem diferente do tipo de distopia tipo "Jogos Vorazes"... Apesar do número inferior de páginas, gosto da crítica feita, só queria que as coisas fossem mais desenvolvidas, pq fica um gostinho de quero mais hahaha

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  9. Nao li o Doador de memoria mais vi o filme e gostei mtooo
    pena que não sao os msm personagens neh pq o Doador de memoria deixou com gostinho de queiro mais
    devia ter uma continuaçao sobre Jonas, eu gostei da capa mais poderia ser mais bonita neh kkk
    mais a historia de Kira parece ser bem inyteressante tbm o de Jonas foi ótimo
    bjos.

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