20 de set de 2015


[Resenha] A Garota no Trem - Paula Hawkins

Ficha Técnica

Título: A Garota no Trem
Título Original: The girl on the train
Autor: Paula Hawkins
ISBN: 978-85-01-10465-6
Páginas: 375
Ano: 2015
Tradutor: Simone Campos
Editora: Record

16Um thriller psicológico que vai mudar para sempre a maneira como você observa a vida das pessoas ao seu redor. Todas as manhãs Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas d’água, pontes e aconchegantes casas. Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes – a quem chama de Jess e Janson –, Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess – na verdade Megan – está desaparecida. Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos. Uma narrativa extremamente inteligente e repleta de reviravoltas, A garota no trem é um thriller digno de Hitchcock a ser compulsivamente devorado.

Resenha

Rachel Watson pega todos os dias o trem de Ashbury para Londres. A protagonista, uma relações públicas, divorciada (que ainda utiliza o sobrenome do ex-marido) e que divide apartamento com uma amiga, não tem uma vida fácil. Imersa no alcoolismo, Rachel tem graves problemas em aceitar quem realmente é, autoestima, autoconfiança. Uma mulher que perdeu tudo o que considerava importante. Uma pessoa que, para preencher essa carência afetiva, começa a observar um jovem casal que mora na mesma vizinhança em que já morou. 

Os moradores da casa número 15 são vigiados por Rachel diariamente. Durante o seu trajeto de trem, ela observa o casal - já atribui até nomes aos dois - e cria uma história perfeita sobre o relacionamento dos dois. Jess e Jason, os nomes atribuídos por Rachel, seriam pessoas ótimas e que não fariam mal a ninguém. Entretanto, a protagonista vê da janela do trem uma cena que a deixa chocada. Jess, que na verdade é Megan, beijando um homem que não é Jason, que é Scott. E para piorar, pouco tempo depois Megan é dada como desaparecida.
Quando estou no vagão D, onde normalmente entro, e o trem para naquele sinal, o que normalmente acontece, tenho um panorama perfeito da minha casa preferida: a de número 15.
Pág. 14
Rachel anda sempre bêbada, sem condição tomar decisões responsáveis sobre as suas ações. Antes de se separar, já havia se entregado as bebidas e o seu ex-marido utilizou esse seu momento de fragilidade, depressão e prostração para traí-la e substituí-la por uma nova esposa. Ela passou por muitas coisas ruins e se abateu. Perdeu o controle de sua vida, perseguia o ex-marido constantemente e sempre acaba sentindo piedade de si mesma.
Perdi o controle de tudo, até sobre os lugares dentro da minha cabeça.
Pág. 19
Os capítulos são alternados entre Rachel, Megan e Anna (atual mulher do ex-marido de Rachel). O livro é todo narrado como se fossem relatos das três mulheres, os pensamentos, frustrações, relembrando acontecimentos, os traumas, as inseguranças e os detalhes de suas vidas.

O desparecimento de Megan fez com que Rachel sentisse a necessidade de interferir na vida de Scott. Ela se sentia na obrigação de expor para o homem que a sua mulher tinha um caso e ajudá-lo a se livrar das acusações. Imagina uma pessoa que você nunca viu, que diz ter conhecido sua esposa, do nada quer te ajudar e se faz presente em sua vida. Rachel não tem muita noção das coisas, ela é realmente uma mulher que precisa de ajuda e se recusa admitir isso.

Como se não bastasse essa interferência na vida de uma pessoa que ela idealizava da janela de um trem, ela começa a ter flashes sobre a noite em que Megan desapareceu. Tudo leva a crer que ela estava na vizinhança no dia em que houve o desaparecimento, mas por conta da bebida, ela teve um apagão na memória e não consegue ter lembranças contínuas. Tudo é embaralhado e desfocado. 

A Garota no Trem é o romance de estreia de Paula Hawkins e já vem fazendo um sucesso grandioso há algum tempo fora do Brasil. Publicado pela Record, esse lançamento foi apresentado no Mochilão Record como a promessa de um livro que seria tão bom quanto Garota Exemplar. Entretanto, não tive como concordar com essa apresentação após a leitura do livro de Hawkins. A Garota no Trem, em minha opinião, transforou o que seria um romance policial em um livro que temos mais conhecimento da vida desastrosa da principal que o crime cometido. As trajetórias das personagens se entrelaçam? Sim, estão entrelaçadas, mas era necessário que se fosse discutido mais a evolução do caso. 

Normalmente desconfiamos de muitas pessoas em livros policiais, em quais personagens podem ter cometido o crime. A Garota no Trem o leitor está tão acostumado com os lamentos de Rachel e os sucessivos erros da protagonista que isso se torna secundário. Scott e Tom (ex-marido de Rachel) são personagens que tem um desenvolvimento fraco e que são personagens chaves para o final da história. Isso me incomodou bastante, principalmente Tom. Sabemos pouco sobre ele e quando as informações aparecem, é tudo muito corrido e sem a narrativa característica de um romance policial. É um livro bom, porém tem muitas limitações. Por dar uma atenção aos dramas vividos por Rachel, o crime por vezes fica em último plano e não te dá a sensação de estar lendo um romance policial. 

Não concordo e não acho justo, comparar obras ou colocá-las como superior a outras. Isso sempre vem carregado de uma responsabilidade grande em atender fãs de uma outra obra e que muitas vezes não conseguem atender. O meu conselho é que a leitura de A Garota no Trem seja feita sem ter em mente comparações com outras obras do mesmo gênero.

Skoob Saraiva Submarino Fnac Cultura Americanas Amazon Livraria da Travessa
Comentários
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12 comentários:

  1. Olá, Auri.
    A premissa é interessante e o livro parece ser bom (não incrível, apenas bom), porém tive a impressão que a autora não se focou tanto no caso policial como deveria. Aliás, é o caso policial que me chama a atenção no livro.
    Pretendo ler a obra, mas irei sem muitas expectativas.

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  2. Eu estava bem animada com esse livro até você dizer que falaram que seria o próximo Garota Exemplar. Todo mundo que eu conheço que leu esse livro não curtiu muito porque falaram que ele é chato.
    Porém, pretendo ler esse livro mas não com a expectativa que eu tinha.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  3. Já vi outras resenhas sobre esse livro bem parecidas com a sua. Confesso que não li nada da Gillian Flynn, então não vou ter como fazer uma comparação com Garota Exemplar. Mas fiquei na curiosidade para ler esse livro justamente porque tem muita gente que se decepcionou... Depois que terminar a pilha que trouxe da Bienal, farei isso. Por enquanto, está na minha lista de leituras.

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  4. Hello!!
    Eu nunca li nenhum livro que seja thriller psicológico, mas ja li otimas recomendaçoes e pelo meu gosto, acho que vou amar!!!
    A garota no trem é um dos que mais quero ler, pq gosto de romances policiais.
    Também nao gosto de comparações com outras obras, cada um tem sua historia e sua trajetoria.
    Eu gostei do que falou na resenha sobre a historia e fiquei curiosa para saber do desaparecimento de Megan. Vejo que a protagonista tem problemas de sobra e vai nos deixar bem intrigados.
    Acho que vai ter filme do livro, se tiver quero mto ver.
    Beijos.

    http://meumundinhoficticio.blogspot.com.br/

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  5. Já eu consegui ver o oposto do livro, amei a estória, e como sou uma assídua leitora de thrillers policiais e romances policiais, se é policial me chama. Consegui ver que mesmo com o andamento do livro, e a curiosidade pra descobrir como finalizar ia o crime, a personagem teve um crescimento e uma mudança de comportamento, acarretado pelo acontecimento e achei isso legal. Achei interessante focar nas mudanças dela. Isso fez do livro um thriller diferente dos outros. Acho que isso o tornou ainda melhor. Eu amei o livro. Não achei o melhor thriller que li, mas ele cumpriu seu papel, e acho que o foco na personagem principal foi muito importante pra isso.

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  6. Oi Auri,
    Não curto muito os dramas, leio um ou outro O.o, talvez pelo crime (mesmo que não seja sempre o primeiro plano) eu resolva ler esse livro, mas por hora vou passar esse thriller policial.
    Beijocas ^^

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  7. Oie
    Que comparação essa hein,pro livro chegar no nível de Garota Exemplar tem que dar uma bela crescida e desenvolvida no enredo ainda.Por causa de toda essa divulgação em cima dele eu quero muito ler mas vou dar uma baixada nas minhas expectativas.E essa personagem não está me cheirando bem,pelo jeito não vou gostar muito dela,odeio esses personagens bêbados e cheios de melancolia.Mas espero que o final seja convincente.

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  8. adoro livros assim, tenho lido muito desse genero ultimamente e está sendo uma boa experiencia, nao conhecia o livro ainda e nem autora mas já gostei, espero que ela tenha mais livros desse tipo.

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  9. Eu já tinha ouvido falar desse livro,mas não sei se é meu estilo de leitura,nunca li um romance policial ou qualquer coisa policial.Estilo policial eu gosto mais de filmes ou seriados,principalmente seriados. Mas eu fiquei curiosa para saber o que aconteceu com a Megan.

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  10. Eu to louca pra ler esse livro, desde o mochilão da Record, quando apresentaram, não vejo a hora de ler ele.

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  11. Auri!
    Concordo que comparar os escritos é bem pernicioso. Cada um é cada.
    Quero ler porque gosto de livros policiais misturado ao thrillers psicológico, traz tensão e observação. Sempre queremos descobrir quem é o assassino.
    “A vida só pode ser compreendida, olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para frente.”(Soren Kierkegaard)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participem do nosso Top Comentarista, serão 3 ganhadores!

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  12. Concordo quando você diz que as comparações são injustas, porque já fica o peso do outro livro, né? Sem contar que não é porque uma pessoa acha o livro melhor que a outra vai concordar. Mas enfim, voltando ao livro, acho que mesmo com todos esses dramas e lamentos ele me agradaria por ser policial. Gosto muito do gênero e busco me arriscar sempre que vejo um lançamento. Adorei a resenha.
    beijos!

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