2 de set de 2015


[Resenha] O Garoto Quase Atropelado - Vinícius Grossos

Ficha Técnica

Título: O Garoto Quase Atropelado
Autor: Vinícius Grossos
ISBN: 978-85-62409-46-2
Páginas: 272
Ano: 2015
Editora: Faro Editorial
16Um garoto sofreu com um acontecimento terrível. Para não enlouquecer, ele começa a escrever um diário que o inspira a recomeçar, a fazer algo novo a cada dia. O que não imaginou foi que agindo assim ele se abriria para conhecer pessoas muito diferentes: a cabelo de raposa, o James Dean não-tão-bonito e a menina de cabelo roxo, e que sua vida mudaria para sempre! Prepare-se para se sentir quase atropelado de uma forma intensa, seja pelas fortes emoções do primeiro amor, pelas alegrias de uma nova amizade ou pelas descobertas que só acontecem nos momentos-limite de nossas vidas. Estar vivo e viver são coisas absolutamente diferentes!

Resenha


Algumas feridas são tão profundas, que levam certo tempo para se fecharem. Após uma grande perda acontecer em sua vida, o garoto quase atropelado (ele não tem nome, para que o leitor possa se colocar em seu lugar) encontra em um diário sua rota de fuga, uma maneira de extravasar e colocar para fora todos os seus sentimentos, angústias e memórias.

Durante esse processo de cura através da escrita, o garoto quase atropelado irá conhecer três jovens adultos que irão mudar sua vida completamente, de uma forma rápida e eletrizante, fazendo com que os quatro compartilhem de uma amizade especial e avassaladora, como um aterrorizante, porém libertador, passeio de montanha-russa.
Eu não sabia aonde eu estava indo com aqueles estranhos, mas estava feliz. Feliz mesmo. Pela primeira vez em muito tempo eu me sentia vivo. Sentia-me quase atropelado.
Pág. 28
Em conjunto com a cabelo de raposa, o James Dean não-tão-bonito e a menina de cabelo roxo, o garoto quase atropelado irá compartilhar aventuras excepcionais, recheadas de drama e romance, que levarão as personagens, e o próprio leitor, para um universo de descobertas e perdas, onde somente o poder da amizade – com a ajuda da escrita –, será capaz de amenizar a força das surpresas que a vida trás.

“O Garoto Quase Atropelado” é uma obra de sentimentos, com uma narrativa poética e eventos com um teor humano fora do normal. O autor Vinícius Grossos não mede esforços para estar sempre surpreendendo o leitor, colocando suas personagens em situações delicadas, conseguindo trabalhar muito bem diferentes contextos em diferentes tipos de pessoas.

O fato do personagem que escreve o diário não ter um nome é fenomenal, e apesar dos nomes reais dos outros três serem revelados durante a leitura, a utilização dos apelidos reforça essa ideia de codinome, que acaba gerando uma aproximação entre leitor e personagem, devido a humanização da mesma.
É que estamos falando de coisas centrais na vida de uma pessoa e, fora a loucura de cada um de nós, há um mundo com um monte de gente que reage diferente e interfere também nas nossas vidas… Acho que isso é uma busca sem fim.
Pág. 75 
Quando a Faro Editorial nos enviou a sinopse do livro, eles nos disseram que “O Garoto Quase Atropelado” era ‘na pegada de As Vantagens de Ser Invisível’. Quando comecei a ler o livro notei diversos pontos que me lembraram instantaneamente a obra de Stephen Chbosky: o menino que sofre uma perda e só consegue se expressar bem através da escrita, a utilização de referências músicais, a composição dos amigos e até mesmo uma passagem que lembra a emblemática cena do carro. Não vou negar, essas semelhanças me preocuparam bastante no início, mas independente da inspiração/coincidência, Grossos prova que sua obra vai muito além dessa ‘pegada’.

Vinícius, como eu já disse, tem uma narrativa poética, porém com um conteúdo extremamente delicado e sensível. “O Garoto Quase Atropelado” cruza a barreira da já batida história de adolescentes que festejam, se divertem, arrumam confusão, se apaixonam e no final vivem felizes para sempre. Aqui, as personagens são reais até demais, elas têm medos, elas têm dúvidas, elas choram e também sangram.
Apesar dos aborrecimentos, das dores, das lágrimas, havia, lá no fundo, misturado com tudo isso, a alegria, os sorrisos, os beijos e aquela sensação de se sentir quase atropelado. Era como poder, enfim, abrir os olhos e enxergar o mundo que estava à minha espera, me chamando para viver; me chamando para sentir.
Pág. 148
“O Garoto Quase Atropelado” é evidentemente uma leitura densa e que mexe com o leitor. Grossos utiliza de diversos problemas da sociedade e coloca tudo em seu livro, sem ter vergonha de mexer na ferida, sem ter medo de deixar o leitor desconfortável. E é isso que ele quer, conscientizar, propagar a ideia de que a violência - em suas mais diversas formas - existe, mas que ela pode e deve ser combatida… e principalmente, superada.

Apesar de alguns clichês, de algumas semelhanças com obras x ou y, preciso ficar de pé para Vinícius Grossos. Seu livro prende e emociona, trata da vida e da morte – e de tudo que há no meio –, de uma forma bela e ao mesmo tempo crua. Parabéns também à editora, que fez um belo trabalho de capa, além de ter uma edição maravilhosa e uma das melhores folhas de papel que eu já vi. Para finalizar, sem querer ficar preso as comparações, mas já comparando, tenho que dizer que em certo momento achei que “O Garoto Quase Atropelado” podia ser mais um livro de John Green, e para mim este é um grande elogio.



Comentários
15
Compartilhe

15 comentários:

  1. Amei a capa desse livro, e principalmente a questão do personagem não ter nome, aproximando ainda mais os leitores da história, eu particularmente sou uma fã apaixonada pelos livros reflexivos, que nos fazem pensar e analisar alguns pontos de nossas vidas, esse livro já estava na minha lista de livros a serem comprados, e agora com a resenha percebo que realmente é um bom livro.

    ResponderExcluir
  2. Oi Tácio!

    Menino, tô com tanta vontade de ler esse livro! Confesso que assim de cara por causa da capa mesmo, que está incrível! Não conhecia o autor... Enfim, esse negócio de pegada de As Vantagens de Ser Invisível me deixa MUITO receosa também, porque a obra é uma das minhas favoritas. Mas é bom saber que o autor conseguiu fugir da "cópia", digamos assim. Minha vontade de ler Garoto Quase Atropelado só aumenta!

    Beijo!
    http://www.roendolivros.com/

    ResponderExcluir
  3. Oi Tácio, tudo bem?
    Queria muito fazer a leitura desse livro. Adoro quando um livro faz críticas sobre a sociedade e até quando é um pouco denso. Fiquei feliz de saber que gostou. Quando ler, verei se tem a cara do J. Green rs

    livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  4. Gostei bastante do livro, ainda mais pq lembra um pouco a minha história, que me afundei na leitura quando descobri um problema sério de saúde, vou com certeza ler o livro, e também por ser comparado com uma obra do John Green que sou apaixonada.

    ResponderExcluir
  5. Olá, Tácio.
    Estou com o livro aqui em casa e pretendo ler em breve, então fiquei feliz com essa sua resenha tão positiva.
    Adoro livros mais densos e com uma narrativa mais poética, então tenho certeza que a obra do Vinícius vai me agradar. Além disso, adoro quando não nos é revelado o nome do protagonista.
    Certamente vou amar essa obra.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de setembro. Serão dois vencedores.

    ResponderExcluir
  6. Oi, Tácio. Estou bastante curioso para a leitura do livro. me interessei bastante por sua capa, e, depois, ao ler sua estória, me encantei. Percebi, pela resenha, que o livro é emocionante e envolvente., apesar dos clichês. P.S.: Estou decepcionado com diários, mas vou tentar.

    ResponderExcluir
  7. Com certeza é um grande elogio comparar o livro com uma obra de John Green.
    Me animou a conhecer demais, lendo a resenha já deu para sentir que a história é carregada de emoção e que vai com certeza nos tocar.
    Interessante os personagens nao terem nomes, acho marca mais do que se chamasse Felipe ou Maria, com certeza foi uma boa sacada.
    Capa linda e fiquei super curiosa para conhecer depois da resenha.
    Amei!

    ResponderExcluir
  8. Tácio!
    A história de escrever um diário para catarse das dores do protagonista, muito me agrada.
    Interessante também ele não ter um nome e seus amigos, terem codinomes. Dá uma visão de que poderia ser qualquer um de nós.
    Se fala dos sentimentos, já é comigo.
    “Torna-te aquilo que és.”(Friedrich Nietzsche)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participem do nosso Top Comentarista, serão 3 ganhadores!

    ResponderExcluir
  9. A editora Faro apostou e acertou em cheio com esse livro, só leio resenhas positivas do mesmo, e a sua me encantou bastante fazendo com que eu me interesse ainda mais pelo livro, ainda mais por ser um nacional <3

    ResponderExcluir
  10. esse livro tem uma capa linda, adorei mesmo, se não me engano vi esse livro em lançamentos em algum blog e já me apaixonei com a sinopse, pelo jeito tem uma história linda e emocionante, acho que super vale a pena ler.

    ResponderExcluir
  11. Oi Tácio,
    Bacana a ideia de poupar os nomes. Fiquei curiosa por saber que mesmo sendo um livro com um tema denso, o autor tratou de forma poética e ainda tem o fato de que podia ser um livro do João Verde <333
    Beijocas ^^

    ResponderExcluir
  12. Eu achei muito interessante essa questão do personagem principal não haver nome para ter essa conexão com o leitor.Parece ser um livro triste e lindo ao mesmo tempo.

    ResponderExcluir
  13. Oie
    É bom ver que os escritores nacionais tem surpreendendo aos leitores cada dia mais.E se esse livro é digno de ser comparado ao John Green é uma belíssima obra.E eu gostei demais de As vantagens de ser Invisível,se a história tiver um Q desse livro já é uma boa.E adoro livros com linguagem poética e suave.E esse Book trailer é maravilhoso.

    ResponderExcluir
  14. Não tinha visto nada sobre esse livro ainda, mas depois dessa resenha ele vai direto para os meus desejados. Parece mesmo ser poético e encantador, ainda mais pela sacada de não dar nome ao personagem. É quase como se ele pudesse ser o leitor. Adoro ver os livros nacionais ganhando destaque e sendo divulgados, já que temos muita coisa boa espalhada por aí. Amei.
    beijos!

    ResponderExcluir
  15. Muito boa essa resenha!!
    Fiquei com muita vontade de ler o livro.. #CuriosidadeBateuAqui ;)

    ResponderExcluir

Seu comentário é sempre bem-vindo e lembre-se, todos são respondidos.
Portanto volte ao post para conferir ou clique na opção "Notifique-me" e receba por e-mail.
Obrigada!

 
imagem-logo
De Tudo um Pouquinho - Copyright © 2016 - Todos os direitos reservados.
Layout e Programação HR Criações