18 de nov de 2015


[Entrevista] Pamela Redmond Satran


Conquistando novos fãs, tanto através da televisão quanto através dos livros, “Younger” se prova uma obra gostosa, que com seu jeitinho descompromissado e bem humorado, consegue tratar de assuntos bem importantes e atuais.


Tivemos a oportunidade de entrevistar a autora da obra, Pamela Redmon Satran. Super solícita, a escritora respondeu todas nossas perguntas, estas que abordam tanto o livro que foi recentemente publicado pelo Grupo Editorial Record, quanto seus outros projetos e também a adaptação de Younger para a TV.

Fica notável como Satran adora trabalhar com temáticas femininas, e que abordam principalmente a questão da idade. É curioso também descobrir que a ideia para escrever seu bestseller Younger, de certa forma, veio do Brasil.

Confira, e se puder, deixe um comentário dizendo o que achou da Pamela e do seu trabalho!

De Tudo um Pouquinho: Como surgiu sua paixão pela escrita? 
Pamela Redmon Satran: Acho que minha paixão pela escrita começou como uma paixão de contar histórias. Quando eu era pequena, eu fazia peças que eu escrevia com uma amiga – ela interpretava todas as partes de menino, e eu interpretava todas as partes de menina, ela fazia os cenários e eu criava os figurinos. Já como adulta, isso se transformou em escrever histórias e romances, o que você pode fazer sem a ajuda de outras pessoas.

DTuP: Como surgiu a ideia para escrever “Younger”
PRS: Eu tive a ideia de escrever “Younger” depois de ler um artigo na Vogue sobre cirurgias plásticas extremas no Brasil. Eu imaginei uma mulher rica-mas-infeliz em seus 40 anos, que decide se reinventar através de uma cirurgia para aparentar 20 e poucos anos para poder recomeçar sua vida. Mas eu não respeitava essa mulher necessariamente! Então eu pensei que talvez a reinvenção poderia acontecer através de mágica. Então uma amiga romanscita, Christina Baker Kline, autora do sucesso “O Trem dos Orfãos”, sugeriu que talvez minha heroína poderia somente fingir. O que foi a solução perfeita.

DTuP: Como mulher, você teve os mesmos problemas de Alice para conciliar a vida de mãe e a vida profissional? 
PRS: Eu acho que qualquer mulher que esteja tentando criar uma criança e ter uma carreira encontra problemas, mas diferentemente de Alice eu nunca parei de trabalhar completamente. Mas, eu tive muitas amigas que, como Alice, decidiram tirar um tempo de suas carreiras para criar seus filhos e que depois tentaram regressar após muitos anos e acharam o processo muito difícil.

DTuP: Em “Younger” é possível notar a força feminina. Você se considera feminista? 
PRS: Eu sou absolutamente uma feminista! Eu quis explorar o problema do poder feminino, idade, e as escolhas de pontos de vista de diferentes mulheres tentando diferentes opções. Alice é uma mulher que se afastou completamente de sua carreira para se tornar mãe, enquanto sua amiga Maggie vai na direção oposta, focando em sua carreira e não tendo filhos. E então, quando estão na faixa dos 40, ambas querem ter o que não tiveram quando tinham 20 e 30 anos. Lindsay, por outro lado, é uma mulher ambiciosa em seus 20 e poucos anos que acredita que diferentemente da geração mais velha de mulheres, ela poderá ter tudo ao mesmo tempo. Enquanto Teri, a chefe de Alice, que também está em seus 40 e poucos anos e que realmente tem tudo isto, no sentido de ter filhos e um grande emprego – acaba ficando louca no processo! A mensagem: não há resposta fácil para as mulheres. 

DTuP: Vamos falar da série. Como foi receber o convite de Darren Star para transformar o livro em um programa de TV? 
PRS: Eu recebi o convite de Darren através do meu agente dizendo que ele queria tentar fazer uma série, mas quando o piloto foi realmente encomendado, eu acabei descobrindo sobre ao ler o jornal! Isso foi exatamente há dois anos atrás e eu estava na casa de uma amiga no campo finalizando outro romance. Meu agente estava viajando e o agente de Hollywood tinha acabado de se casar, então ninguém me contou!

DTuP: A série atingiu suas perspectivas como autora? Se pudesse mudar algo na adaptação, o que mudaria? 
PRS: É uma oportunidade incrível para o meu trabalho poder encontrar uma público maior. Eu não mudaria nada! Eu estou extasiada com os atores, o cenário, as roupas, os enredos e como eles refletem o que eu escrevi, e também como eles empurram meus personagens para um novo nível. 

DTuP: Notei que a maior diferença entre o livro e a série são os nomes das personagens. Alice vira Liza e Lindsay vira Kelsey. Porquê desta mudança? 
PRS: Eu realmente não sei!

DTuP: Tanto Debi Mazar quanto Hilary Duff já se aventuraram no mundo literário. O que você acha de atrizes que escrevem? Já conferiu os livros delas? 
PRS: Eu sou uma grande fã de ambas atrizes e amo os seus livros. Eu acho que é louvável quando qualquer mulher se desafia profissionalmente tentando fazer algo novo. No momento, eu estou tentando escrever um roteiro de série de TV, e eu espero que o mundo seja acolhedor comigo também, assim como foi com elas. 

DTuP: Você está ajudando os escritores da série com ideias para a segunda temporada? O que um autor pode fazer após ele(a) vender os direitos de seu livro para um canal de TV para conseguir preservar o seu trabalho? 
PRS: Para a maioria dos autores, e eu estou me incluindo, você vende os direitos de sua história e de seus personagens e não tem mais poder sobre eles. Eu fui convida para o set de filmagens e para a sala de redação e também para a festa de lançamento, sem contar que eu conheci o Darren, a estilista Patricia Field, os escritores, o elenco, mas além desses encontros que se resumem basicamente a interação social, eu não tenho envolvimento na série.

DTuP: Em “Younger” você fala bastante de literatura clássica. Quais são seus autores preferidos e os clássicos que lhe marcaram? 
PRS: Ótima pergunta! Meu livro favorito de todos os tempos é “Jane Eyre” e eu também amo “O Morro dos Ventos Uivantes” – eu sou mais uma garota Bronte do que Austen. Eu também amo “Middlemarch” de George Eliot, “David Copperfield” de Charles Dickens e qualquer coisa escrita por Edith Wharton.

DTuP: Atualmente você está trabalhando em algum novo livro? Poderia nos falar um pouco sobre ele? 
PRS: Sim! Eu estou trabalhando em um romance que é sobre uma editora de moda há muito tempo aposentada que inadvertidamente se torna exemplo de descolada para os jovens. Ele explora alguns temas de “Younger”, incluindo idade e envelhecimento e identidades femininas dentro de seus locais de trabalho. O livro também inclui importantes relacionamentos entre pessoas mais velhas e mais novas.

DTuP: Infelizmente, somente dois de seus livros foram publicados no Brasil, “Younger” e “As 30 Coisas que Toda Mulher de 30 Deve Ter e Saber”. Se pudesse escolher outro título seu já lançado para ser publicado no Brasil, qual seria e por quê? 
PRS: Um dos meus livros favoritos é um livro de humor não ficcional “How Not to Act Old” que seria um ótimo companheiro para “Younger”. É baseado em meu blog de mesmo nome: http://hownottoactold.com
 Eu também talvez escolha meu romance mais recente, “Possibility of You”, que é a história de três mulheres em três momentos importantes da História enfrentando os problemas da maternidade. Foi publicado com meu nome de solteira, pois é mais sério e complexo do que meus outros trabalhos. No meu site você pode encontrar mais sobre o livro: http://pamelaredmond.com/

DTuP: Para finalizar, diga aos nossos leitores porque eles deveriam ler “Younger”
PRS: Idade, maternidade e ambição profissional pode ser algo relacionado à todas as mulheres da modernidade, independente das suas escolhas pessoais, eu acredito que “Younger” é um jeito de observar esses importantes temas de uma maneira despreocupada e divertida. É uma leitura rápida e leve que abre a porta para importante conversas com amigos, mães, filhas, etc.



Comentários
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10 comentários:

  1. Oi Tácio, nunca tinha ouvido falar dessa escritora e dessa serie e eu adorei cada resposta dela com certeza vou ler essa serie e vou ver esse vídeo que você postou bjs.

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    1. Olá Fernanda,
      O video é um dos trailers da série, tomara que você goste e se interesse, tanto pelo livro quanto por sua adaptação televisiva! =]

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  2. Bem interessante a entrevista.
    Não imaginava que a obra dela trata-se de temais atuais com um foco tão interessante. Aliás, não só o foco, achei também interessante como surgiu a ideia da obra.
    Gostei da entrevista e vou dar uma chance ao livro por isso.
    Excelente entrevista.

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    1. Muito obrigado!
      O que mais gostei do livro - e que gosto na série - é tratar desses assuntos importantes e realmente atuais de uma forma divertida e light sem perder o foco da mensagem!

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  3. Oi Tácio, ainda não conhecia essa autora. Mas adorei saber sobre ela, ela parece super simpática. E os livros dela se tornaram um seriado de TV!! Poxa, realmente não acredito que nunca tinha ouvido falar. Valeu pela dica! Abraço. :)

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    1. Olá Arthur,
      ela de fato é muito simpática. Ainda fico besta que ela entrou em contato comigo muito rápido, muito atenciosa.
      Caso confira o livro/série, espero que você goste.
      Abraço

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  4. Procurei no Skoob para saber mais sobre ela e não a encontrei, que pena, fiquei curiosa!
    Bjs

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  5. Tácio!
    Simplesmente fenomenal o livro e possivelmente o filme.
    Adorei a entrevista e a forma descontraída como a autora respondeu as perguntas, adorei!
    “Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo.”(Oscar Wilde)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participem do nosso Top Comentarista, serão 3 ganhadores!

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  6. Adorei a entrevista. Muito bom uma autora de sucesso feminista, que eleva as questões femininas ao conhecimento de todos.

    Preciso muito ler o morro dos ventos uivantes, os autores sempre indicam!

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  7. Gostei da entrevista, já tinha visto falar do livro e da série, gravei até pra ver no canal fechado, mas nunca assisti e acabei apagando a gravação.

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