17 de nov de 2015


[Resenha] A Sorte do Agora - Matthew Quick

Ficha Técnica

Título: A Sorte do Agora
Título Original: The Good Luck of Right Now
Autor: Matthew Quick
ISBN: 978-85-8057-763-1
Páginas: 223
Ano: 2015
Tradutor: Alexandre Raposo
Editora: Intrínseca
17Bartholomew Neil passou todos os seus quase 40 anos morando com a mãe. Depois que ela fica doente e morre, ele não faz ideia de como viver sozinho. Wendy, sua conselheira de luto, diz que Bartholomew precisa abandonar o ninho e fazer amigos. Mas como um homem que ficou a vida toda ao lado da mãe pode aprender a voar sozinho? Bartholomew então descobre uma carta de Richard Gere na gaveta de calcinhas da mãe e acredita ter encontrado uma pista de por quê, afinal, em seus últimos dias a mãe o chamava de Richard... Só pode haver alguma conexão cósmica! Convencido de que Richard Gere vai ajudá-lo, Bartholomew começa essa nova vida sozinho escrevendo uma série de cartas altamente íntimas para o ator. De Jung a Dalai Lama, de filosofia a fé, de abdução alienígena a telepatia com gatos, tudo é explorado nessas cartas que não só expõem a alma de Bartholomew, como, acima de tudo, revelam sua tentativa dolorosamente sincera de se integrar à sociedade. Original, arrebatador e espirituoso, A sorte do agora é escrito com a mesma inteligência e sensibilidade de O lado bom da vida. Uma história inspiradora que fará o leitor refletir sobre o poder da bondade e do amor.

Resenha


Prezado Sr. Richard Gere,
Eu preciso lhe falar com urgência. Acabei de conhecer Bartholomew Neil. Ele é um rapaz que está prestes a completar 40 anos e acabou de sofrer um grande baque: sua mãe perdeu a batalha contra o câncer e faleceu. Bartholomew está devastado, pois ela era sua única companhia, e agora, ele não sabe o que fazer da sua mísera e solitária vida. 
O padre McNamee, amigo e conselheiro da família, tenta ajudá-lo, porém as orações e sermões não são suficientes. Wendy, a conselheira de luto, faz o seu melhor, mas ela ainda não se formou, logo seus metódos talvez ainda precisem de um aprofundamento para serem 100% eficazes. A verdade Richard, é que talvez você, seja a solução para os problemas de Bartholomew.
Caso você leia “A Sorte do Agora”, do autor Matthew Quick, você vai entender o que quero dizer. Este livro conta a história do Bartholomew, e foi lá onde eu o conheci. Durante toda a obra ele lhe escreve cartas, pois a sua falecida mãe era uma grande fã do senhor. 
Preciso lhe dizer de antemão que este não é um livro qualquer. Com uma narrativa bastante pessoal e um enredo gostoso, apesar do teor dramático, Matthew Quick mostra sua evolução literária, entregando ao leitor um livro muito mais maduro e tocante do que aquele que lhe deu reconhecimento (“O Lado Bom da Vida”, sim, estou falando de você). 
Além de todas as qualidades que já citei, preciso compartilhar algo que me chamou bastante atenção durante a leitura de “A Sorte do Agora”. Todos os personagens são problemáticos! Desde o moço que perdeu a mãe, passando pela assistente de luto e até mesmo o padre. Todos eles são humanos, todos eles precisam evoluir para superar algo e curar suas feridas. 
Talvez Richard, este livro seja sobre luto, mas ele também é sobre cura. Imensas formas de luto, e por sequência, outras diversas de cura. Obter cura não é fácil, mas por outro lado esse processo não precisa ser difícil, e muito menos doloroso. 
Apesar de sua simplicidade e de sua leitura relativamente rápida, preciso lhe confessar que “A Sorte do Agora” me marcou, pois é uma daquelas obras que você não espera muito, mas, que de alguma forma, lhe transforma. E ser transformado por um livro vale sempre a pena. Sinto que o livro carrega muito mais do que lhe descrevi, e talvez esta foi uma escolha não pensada de minha parte. Há muito para desvendar e descobrir nas páginas de “A Sorte do Agora” e não quero estragar de forma alguma suas descobertas. Se surpreender faz parte da magia.
Então, espero de coração que você o leia, e que, principalmente, arranje um pouco do seu precioso tempo para escrever ao Bartholomew. Tenho certeza que ele irá apreciar suas palavras, assim como eu apreciei as dele à você. 
 
Seu fã e admirador, Tácio
PS: Quase me esqueci. Separei algumas passagens do livro para que você pudesse sentir um pouco de sua beleza e poesia. São elas:
“Richard?”, sussurrou minha mãe na noite em que morreu. Só isso. Uma. Única. Palavra. Richard? O ponto de interrogação foi audível. O ponto de interrogação me assombra.  O ponto de interrogação me faz acreditar que toda a vida dela poderia ser resumida pela pontuação. 
Pág. 17
SELO BLOGEle permaneceu imóvel, com as mãos comprimidas, mas, em seguida, abriu um dos olhos e tentou nos sugar com ele. Era como ver o espiráculo de uma baleia surgindo à superfície da água. Padre McNamee sugou todo o ar da sala. Ou talvez fosse como olhar para um poço, sentindo vontade de se afastar para não cair lá dentro, mas, ainda assim, se inclinando um pouco mais para perto.
Pág. 89
[...] “Não sabemos nada. Mas podemos escolher como reagir a tudo que acontece com a gente. Sempre temos uma escolha. Lembre-se disso!” 
Pág. 123

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Comentários
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11 comentários:

  1. Oi Tácio! Ainda não li nenhum livro do Matthew Quick. "O lado bom da vida" e "Perdão, Leonard Peacock" estão há tempos na minha lista de pretendo ler. Preciso desencalhá-los, haha. Esse aí também despertou muito a minha curiosidade, essa história deve ser muito divertida pelo que li na premissa. Uma busca pelo amor da mãe, será?? Abraços!

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    1. Amo "Perdão, Leonard Peacock". Ele e "A Sorte do Agora" são os melhores do autor na minha opinião.
      A história não é tão divertida assim, mas ela tem um humor mórbido entre-linhas. haha
      Abração

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  2. Oi Tácio, nunca tinha ouvido falar desse autor não gosto muito de livros que falam de pessoas que morreram devido a alguma doença, mas como sempre você faz resenhas maravilhosas bjs.

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    1. Oi Fernanda,
      O livro não foca na morte da mãe dele... esse acontecimento é só citado para justificar a jornada do personagem principal.
      Obrigado pelo elogio.

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  3. Olá, Tácio.
    Primeiramente, palmas e mais palmas para a sua resenha, ficou incrível.
    Quanto ao livro, eu gostei da premissa e gostaria de ler a obra. O principal motivo para lê-lo é o gênero epistolar, que eu adoro. Apesar de a leitura torna-se mais lenta, deixa tudo mais belo, poético e intimista. Obviamente, adoro isso.
    Ótima dica.

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    1. Olá! =]
      Muito, mas muito mesmo, obrigado.
      Eu achei o livro muito lindo, muito poético, e eu amo livros assim também. Você devora que nem sente...
      Espero que quando ler você goste.

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  4. Não conheço as obras do Matthew, mas essa parece interessante, bem forte e reflexiva.

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  5. Tácio!
    Amei a forma como fez a resenha endereçando uma carta para o Richar Gere, bem criativo e tudo haver com o livro, né?
    Super fã dele também...
    E gostaria de ler esse livro com personagens tão cheio de problemas.
    “Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo.”(Oscar Wilde)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  6. Parece ser um livro muito bom, ainda mais se ele é capaz de operar uma transformação. Parece-me que o foco é na humanidade de cada um, em suas dores, e problemas.
    Gostei muito da sua criatividade para o formato desse resenha.

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  7. Já li dois livros do autor e amo a escrita dele, porém o último por tantas críticas negativas eu acabei desanimando e não li, já esse chamou bastante a minha atenção e fiquei com muita vontade de ler.

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  8. Amei sua resenha,me emocionei e após ler ela comprei o livro sem pestanejar,amo o Matthew.

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