22 de dez de 2015


[Resenha] O Despertar do Príncipe - Colleen Houck

Ficha Técnica

Título: O Despertar do Príncipe
Título Original: Reawakened
Autor: Colleen Houck
ISBN: 978-85-8041-436-3
Páginas: 383
Ano: 2015
Tradutor: Fernanda Abreu
Editora: Arqueiro
16O despertar do príncipe é o primeiro volume da aguardada série Deuses do Egito, uma aventura fascinante que vai nos transportar para cenários extraordinários e nos apresentar a criaturas fantásticas da rica mitologia egípcia. Colleen Houck é autora de A maldição do tigre, série que já vendeu mais de 500 mil exemplares no Brasil. “Os fãs de Rick Riordan vão se divertir com esta fantasia. Uma narrativa incrivelmente bem pesquisada com um ar de mistério e romance.” — School Library Journal Aos 17 anos, Lilliana Young tem uma vida aparentemente invejável. Ela mora em um luxuoso hotel de Nova York com os pais ricos e bem-sucedidos, só usa roupas de grife, recebe uma generosa mesada e tem liberdade para explorar a cidade. Mas para isso ela precisa seguir algumas regras: só tirar notas altas no colégio, apresentar-se adequadamente nas festas com os pais e fazer amizade apenas com quem eles aprovarem. Um dia, na seção egípcia do Metropolitan Museum of Art, Lily está pensando numa maneira de convencer os pais a deixá-la escolher a própria carreira, quando uma figura espantosa cruza o seu caminho: uma múmia — na verdade, um príncipe egípcio com poderes divinos que acaba de despertar de um sono de mil anos. A partir daí, a vida solitária e super-regrada de Lily sofre uma reviravolta. Uma força irresistível a leva a seguir o príncipe Amon até o lendário Vale dos Reis, no Egito, em busca dos outros dois irmãos adormecidos, numa luta contra o tempo para realizar a cerimônia que é a última esperança para salvar a humanidade do maligno deus Seth. Em O despertar do príncipe, Colleen Houck apresenta uma narrativa inteligente, cheia de humor e ironia.

Resenha


Após fazer realizar uma deliciosa composição com a série de “A Maldição do Tigre”, onde trabalhava com a mitologia indiana, a autora norte-americana Colleen Houck decidiu investir em uma nova série, desta vez ambientada em um universo egípcio.

Arqueiro_parceria522Em “O Despertar do Príncipe”, primeiro livro da saga Deuses do Egito, iremos conhecer a jovem Lilliana Young, ou simplesmente Lily. Vinda de uma família altamente rica de Nova York, Lily não tem muito do que reclamar, porém a mesma precisa seguir regras extremamente rígidas vinda de seus pais, fazendo com que a moça tenha uma vida sem graça e solitária. Até que certo dia Lily vai à mais um de seus passeios favoritos: visitar o Metropolitan Museum of Art. Sozinha, na então em reforma seção egípcia do museu, Lily descobre que uma das tumbas foi aberta. Preocupada e com medo do que possa ter acontecido no local, a jovem acaba se esbarrando com o culpado de tal violação: Amon, um antigo príncipe do Egito, que acaba de despertar de um sono de mil anos para tentar evitar que os poderes do mal dominem a Terra.
Amon já era atraente por si só, mas percebi que havia mais além da minha simples atração física por ele. Eu nunca tinha sido afetada por um garoto daquele jeito antes, e a sensação era perturbadora. Não de um jeito sinistro, como em um filme de terror, mas o tipo de perturbação que me deixava com a sensação de estar à deriva. Ele havia me tirado de uma vida muito confortável, e estava segurando meu frágil corpo na palma da mão.
Pág. 74 
Após esse choque inicial de se deparar com uma múmia – em muito bom estado, diga-se de passagem –, Lily acabará se metendo em uma grande confusão. Conectando seus orgãos vitais com Amon, para que ele possa cumprir sua missão, a menina terá que acompanhá-lo até o Egito para uma batalha de vida ou morte, onde ela é a mais provavél de sair perdendo, já que seu novo amigo – e futuro interesse romântico – já está morto.

A ideia por detrás de “O Despertar do Príncipe” é uma grande festa para os fãs dos livros de Houck, que se mostrou muito feliz ao expor a cultura indiana em seus trabalhos anteriores. Sabendo disso, não tem como não esperar que a autora utilizasse da mesma forma a riqueza da mitologia egípcia para escrever novos romances que iriam agradar à todos. Mas não é exatamente isto que acontece.

Colleen Houck optou por não extravasar, e isso acabou fazendo com que sua nova obra seja basicamente uma releitura de sua série com tigres. O enredo soa muito parecido em diversos pontos: a menina solitária, uma maldição, um príncipe, uma viagem internacional recheada de perigos e muita aventura, um velho senhor como conselheiro, deuses que ajudam os nossos heróis a cumprir as metas, um irmão para pôr em prova o amor dos pombinhos… sendo que neste caso são dois irmãos ao invés de somente um.
Aquela pequena aventura com Amon estava tão fora da minha zona de conforto que eu não sabia nem mais quem eu era. Minha carapaça externa tinha sido arrancada, e o que havia sobrado era uma garota exposta e assustada. Minha confiança em mim mesma, o cerne de quem eu era, e minha compreensão do que era real e do que era imaginário tinham sido dilaceradas. A base que constituía o âmago de Lilliana Young tinha ruído, e restava apenas um monte de entulho.
Pág. 149 
Para mim todas essas semelhanças nem são o principal problema de “O Despertar do Príncipe”. Na verdade, a falta de simpatia pelos personagens e a correria e fácil resolução das dificuldades encontradas por eles, foi o que me deixou mais incomodado. Colleen já provou que consegue desenvolver muito bem seus capítulos, principalmente quando eles possuem um teor de aventura, porém neste exemplar ela peca bastante, ao deixar que a magia e dons dos antigos mitos egípcios solucionem tudo da forma mais rápida possível.

Sem muito espaço para elogios de minha parte, não posso deixar de parabenizar o belíssimo trabalho de capa feito pela editora Arqueiro. Toda metalizada e com as escritas em alto relevo, essa sem dúvidas é uma das mais bonitas capas lançadas este ano aqui no Brasil. Infelizmente, tenho que dizer que depois da leitura meu livro não quer fechar mais: as orelhas ficam abrindo, levantando a capa e a sobre capa.

“O Despertar do Príncipe” é só o início de uma saga, esta que precisa urgentemente encontrar seu foco. Espero que no próximo volume, “O Coração da Esfinge”, a autora consiga dar um ar mais fresco para sua história, que desenvolva melhor os acontecimentos, e que principalmente, consiga criar uma conexão entre suas personagens e o leitor. É uma pena dizer que Amon começou o livro de uma forma excepcional e perdeu todo seu brilho no decorrer das páginas… Isso não pode acontecer novamente. É esperar para ver.
[...] Lily e Lilliana travavam uma guerra dentro da minha mente. No final, não sei qual das duas ganhou. Meu lado fraco, que queria consertar a situação e perdoar, ou meu lado forte? Será que Lily tinha assuntos pendentes com Amon ou era Lilliana que se agarrava desesperadamente à esperança de poder ser algo mais, significar algo mais para alguém como ele?
Pág. 323

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Comentários
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9 comentários:

  1. Olá, Tácio.
    Não li a série dos Tigres, então acho que a semelhança não iria me atrapalhar, até porque não saberia dizer os aspectos em comum. Contudo, confesso que ainda assim essa série não me empolga. Acho que falta um ar mais adulto, mais maduro para me convencer. Olhando para a resenha e para a sinopse, vejo alguns clichês e uma história "padrão", nada demais. Isso, sem dúvidas, não me atrai.
    Excelente e sincera resenha.

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  2. Olá Tácio! Tenho muita curiosidade em saber mais sobre a mitologia egípcia. Confesso que conheço bem pouco (sei mais sobre a mitologia greco-romana). No entanto, a história não chamou muito a minha atenção e vendo sua opinião sobre a mesma, acabei perdendo o pouco interesse que tinha para ler o livro. Mas talvez minha opinião seja diferente depois de ler. Só lendo pra saber com certeza.... Abraço!

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  3. Minha amiga me recomendou a série A maldição o tigre, disse que eu iria amar e não iria me arrepender de ler, e foi o que aconteceu. Tomara q essa série seja tão boa quanto a outra.

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  4. Oi Tácio, desde o lançamento desse livro que eu estou com muita vontade de le-lo, e com sua resenha eu fiquei mais animada ainda esse livro parece ser incrível sempre leio ótimos comentários sobre ele bjs.

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  5. Ainda não li nada da autora, mas já vi muitos comentários positivos sobre o livro, e com sua resenha fiquei mais animada ainda! Vou ver assim que possível!

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  6. Tácio!
    Vi esse livro na sua lista de decepcões, ainda assim, tenho a maior vontade de ler, primeiro porque não li a série anterior e porque gosto de onde o livro é ambientado.

    FELIZ NATAL!
    “Não esqueça que Natal não é do Papai Noel tão pouco para ganhar presentes materiais, mas é a data que recebemos o melhor presente para nossa existência, Jesus!” (Rogério Stankewski)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participem do nosso Top Comentarista de Dezembro, serão 6 livros e 3 ganhadores!

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  7. quando li a resenha pensei em ler o livro. mas vendo a tua resenha confesso que dei uma desanimada. apesar de nao ter lido a outra serie da autora e tudo ser uma novidade acho que fiquei desapontada por os personagens estarem perdidos :/

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  8. A ideia de basear a historia na cultura egipcia foi mto interessante, eu pele menos nao tinha lido nada ainda e sempre fiquei intrigada com eles.
    Eu ja tinha gostado mto da serie Maldição do Tigre, e ao ler a resenha vi que há varias semelhanças, acho que isso fz com que gente compare as duas obras.
    Uma pena que sentiu uma falta de simpatia dos personagens, eu achei q iam ser a melhor parte.
    A capa foi uma das mais lindas de 2015! Ansiosa pra ver o proximo.
    Beijos

    Blog Livros e Sushi
    https://livrosesushi.wordpress.com/

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  9. É uma pena que você não tenha gostado tanto assim do livro, porque a cultura egipcia é muito interessante para ser explorada. Ainda não li nada dessa autora, mas tenho muita vontade e pretendo começar por esse, apesar dos pesares.

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