26 de jan de 2016


[Resenha] A Última Dança de Chaplin - Fabio Stassi

Ficha Técnica

Título: A Última Dança de Chaplin
Título Original: L’ultimo Ballo di Charlot
Autor: Fabio Stassi
ISBN: 978-85-8057-656-6
Páginas: 222
Ano: 2015
Tradutor: Marcello Lino
Editora: Intrínseca
17Combinando elementos reais com ficção, A última dança de Chaplin conta os últimos anos de um dos maiores ícones do cinema americano. Na noite de Natal de 1971, Charlie Chaplin recebe a visita da Morte. O famoso ator está com oitenta e dois anos, mas ainda não se sente preparado para ver as cortinas se fecharem uma última vez. Desesperado por acompanhar o crescimento do filho mais novo, o ator propõe à Morte um acordo: se conseguir fazê-la rir, ganhará mais um ano de vida. Enquanto espera o encontro fatídico, Chaplin escreve uma carta para o filho, contando a ele seu passado: da infância pobre na Inglaterra, com o pai alcoólatra e a mãe louca, ao auge do sucesso nas telas de cinema dos Estados Unidos, passando pelo circo, pelo vaudeville e por empregos estranhos, como tipógrafo, boxeador e embalsamador.

Resenha



Aos 82 anos de idade, na noite de Natal, Charlie Chaplin se depara com a Morte. Prestes a deixar este mundo, o artista faz uma proposta: se ele conseguir fazer a Morte rir, ela o deixará viver por mais um ano. E é assim, após vencer essa aposta, que Chaplin começa a nos contar a sua história. Aliás, contar para Christopher, seu filho mais novo, ao qual Charlie acredita que seja necessário compartilhar suas memórias, já que encontra-se em uma idade avançada e com a Morte atrás de si.

SELO BLOG“A Última Dança de Chaplin” é um romance ficcional escrito pelo italiano Fabio Stassi. Utilizando de dados reais da biografia de Charlie Chaplin, Stassi constrói uma narrativa recheada de poesia, alternando os poucos capítulos da obra entre os Natais que Chaplin conseguiu fazer a morte rir, e a extensa carta para Christopher.
As luzes de Nova York, as pessoas que caminhavam depressa, algumas atrevidas, outras solitárias, a insolência dos arranha-céus, o esplendor dos anúncios luminosos, os velhos que olhavam para os próprios pés sentados nos bancos e os bêbados que procuravam um portão ou uma escada de incêndio para dormir, tudo fazia parte da mesma atmosfera de loucura, um espetáculo que era encenado só para mim e que me mostrava a vida como ela era, sem meio-termo, na sua magnanimidade e no seu inferno.
Pág. 37
A melhor coisa do livro ao meu ver foi a inteligente escolha do autor em utilizar fatos da vida de Chaplin para enriquecer e dar veracidade ao romance. Como Chaplin ocupa o papel de narrador, é muito fácil o leitor se conectar com sua trajetória, e para aqueles que não conhecem um pouco de sua história, é super divertido se questionar se aquele fato aconteceu de verdade ou se foi invenção da cabeça do autor.

Eu não sou especialista na vida e obra de Charlie, mas o amigo Google me confirmou que alguns pontos chaves de “A Última Dança de Chaplin” são de fato verídicos, como por exemplo a data de sua morte, os nomes de seus filmes e também o nome de seu filho (hoje com 53 anos, a nível de curiosidade).

Por outro lado, essa riqueza acaba acarretando em um fator que define bastante o livro. Devido a técnica utilizada, a de carta, a obra acaba parecendo mais uma autobiografia do que um romance, onde nós leitores vamos acompanhando uma ou outra aventura de Chaplin durante seu início de carreira. Acaba parecendo que o passado de Charlie não tem nenhuma relação com seu presente, logo os capítulos que são uma carta aparentam ser um livro, e os capítulos com a Morte parecem ser outro.
A MORTE: Antigamente, você fazia pulgas invisíveis saltarem dentro de uma caixa, agora, você é a pulga que dança.
A sua barriga é grande e pesada.
CARLITOS: Está vendo como você é? Sempre quer ter a última palavra.
Pág. 113 
Com muita simplicidade, simplicidade esta que começa na bela capa do livro, “A Última Dança de Chaplin” é uma boa obra, mas ainda assim trivial. Há uma poesia inquestionável na narrativa, há também um personagem maravilhoso que é muito difícil de não gostar, porém existe uma desenrolar arrastado e o quanto simplório, tudo isso potencializado por capítulos super extensos.

Esse é um tipo de livro que vai crescendo na gente. A medida que vamos conhecendo melhor Chaplin e suas confissões do passado, vamos gostando de sua companhia, mesmo quando a história não é suficientemente mirabolante para nos prender. E esse crescimento acaba tornando o próprio enredo mais interessante da metade pro fim, ao passo que Chaplin enfrenta uma mini aventura. Pena que isto acontece somente mais pro final…

De qualquer forma, “A Última Dança de Chaplin” é uma leitura interessante, um pouco massante pelos capítulos muito compridos, as vezes beirando 40-50 páginas, mas que mesmo assim consegue transmitir uma qualidade artística inquestionável. Mesmo longe de ser uma obra memorável, “A Última Dança” serve como uma bela homenagem a memória e arte de Charlie Chaplin.
A meu ver, o vagabundo é um palhaço do tipo Branco com um ar de nobreza triste e decadente que todos os Brancos têm e, ao mesmo tempo, é o palhaço Augusto, o bufão irreverente, o menino mimado que faz caretas e tem as mãos sujas: une as almas de cada palhaço. Ninguém, antes do senhor, havia conseguido fazer isso, desde que existe o circo.
Pág. 197
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Comentários
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16 comentários:

  1. Olá, Tácio.
    Estou de olho nessa obra desde o lançamento e agora tive a certeza de quero lê-la. Além de um bom livro, o fato de conter dados reais sobre a vida do Chaplin certamente enriquece o conteúdo da obra.
    Mesmo que a aventura entre no fim apenas, quero conferir a obra.

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  2. Oi Tacio!
    Não gosto muito de biografias, mesmo que não seja o caso desse livro, que um romance ficcional utilizando fatos reais. Concordo com você sobre a simplicidade e beleza da capa, mas livros massantes + bibliografia não é comigo mesmo.
    Bjs

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  3. Apesar de nunca ter lido uma biografia, digamos assim, tão descritiva como essa, até que me interessei. O fato dos capítulos cumpridos e a história demorar para envolver prejudica um pouco, mas para quem curte a vida de Charlie Chaplin e gosta de livros artísticos, parece impecável. Abraços

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  4. Oi Tácio, sinceramente esse tipo de enredo não me chama a atenção não ´o tipo de livro que leio mas como sempre sua resenha está incrível bjs.

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  5. Oi Tácio, sou apaixonado pelos filmes do Chaplin. "Luzes da Cidade", "Tempos Modernos", "O Grande Ditador"... São tantos, todos espetaculares. Fiquei muito interessado por esse livro, pois nunca li nada biográfico e adoraria começar por uma personalidade que eu admiro tanto. Ótima resenha! Abraço.

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  6. Oiiee Tácio, tudo bom?
    Essa é a primeira vez que vejo falar desse livro, ele é um tanto interessante, mas não faz muito o meu tipo, achei super legal o autor utilizar de verdades sobre o Chaplin no livro, quem sabe eu venha a mudar de ideia e eu acho que capítulos muito longos dificultam a leitura, pelo menos a minha.
    Beijos *-*

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  7. Olá, Tácio.
    Acho que esse é um livro que eu não leria. Não conheço muito da vida dele e mesmo o livro não sendo bem uma biografia, eu não gosto de biografias hehe. E ainda mais com capítulos longos que é outra coisa que não gosto.

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. Amei!!!!!
    Já tinha ouvido falar desse livro mas não tinha lido nenhuma resenha...Se já queria ,agora então...
    Amo biografias e saber que contem muitos fatos da vida de Chaplin me deixou ainda com mais vontade de lê-lo.
    BJ.

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  10. Primeira vez que leio a resenha sobre esse livro, nunca tinha ouvido falar dele, apesar de nunca ter lido nenhuma biografia ainda fiquei muito curiosa com essa em especial, gosto muito do Chaplin e adoraria saber mais sobre sua vida e o que passou.

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  11. Sou fã de Chaplin, conheço parte de sua história, principalmente o motivo dele não ter ido para a guerra e seu casamento. Vou ler esse livro sim, aprender um pouco mais sobre ele.

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  12. o livro nao me chamou mta atenção... ainda mais depois que li que os capitulos sao longos e massantes ai fico com mais preguiça ainda de ler! hahah mas mesmo assim a dica foi mto boa obrigada

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  13. Não gosto de biografias, mas sempre fui apaixonada por Chaplin, desde pequena meu pai assistia muito e consequentemente eu passei a gostar também!

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  14. O livro parece ser bom mas não leria por ser parte ficção, por talvez eu guardar alguma informação que não seja verdadeira, posso acabar me confundindo.
    Livros com capítulos longos, a leitura se torna cansativa e não flui, pelo menos para mim.

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  15. Oi!
    Sempre gostei muito de Charlie chaplin mas não conheço sua historia, achei esse livro interessante principalmente essa mistura de ficção com historia realmente o que acaba nos deixando curiosa para saber um pouco mais sobre sua vida, mas não gostei muito dessa sensação de biografia que o livro trás pois é um gênero que não gosto !!

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  16. Olá!
    Não conheço a história do Chaplin e nunca tinha ouvido falar desse livro, também acho maçante livros com capítulos muito compridos!! Ao ver achei que era a biografia, mas vi que você disse que não, mas é baseada na biografia, parece ser um livro interessante!

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