29 de mar de 2016


[Resenha] Amém - Arthur Chrispin


Ficha Técnica

Título: Amém
Autor: Arthur Chrispin
ISBN: 978-85-66031-75-1
Páginas: 301
Ano: 2015
Editora: Grupo 5W

16Com uma narrativa eletrizante, Amém descreve o trabalho de um grupo de policiais da Delegacia de Homicídios, liderados pela delegada Luzia, que investiga crimes de caráter religioso cometidos por um serial killer. O livro passa por escolas de samba e funk proibidão. Umbanda e cristianismo. Mansões e barracos. Pela promiscuidade entre a polícia e a bandidagem. Pela pompa dos políticos corruptos e pelas gírias do tráfico. O final surpreendente faz jus a uma história com personagens complexos, viradas de enredo e diálogos mordazes. De acordo com Gabriel Billy, escritor e editor, Arthur será um dos grandes romancistas de suspense da nossa geração. É o tipo de cara que justifica as bienais lotadas.


Resenha 


Instigante como todo bom romance policial deve ser. Amém, de Arthur Chrispin, narra a história dos policiais da Delegacia de Homicídios, em especial a vida de Jesus, um detetive que faz parte desse grupo. Jesus é um policial que vive em Madureira e, diferente do que o seu nome pode sugerir, não é católico. Sempre teve verdadeiro encanto pelas religiões afro-brasileiras e segue uma. 

Essa equipe, liderada por Luzia (delegada), é conhecida por sua honestidade e trabalho árduo dentro de um contexto onde policiais do Rio de Janeiro - onde a história é ambientada - são comumente associados a práticas ilegais. Chamados de 'bonde do crediário'. Uma equipe que não se rendeu a promiscuidade entre o poder público e o poder do tráfico. Um grupo formado por policiais honestos e muito amigos.

Luzia, Jesus, Jorge, Chico e Lourenço formam esse bonde e se vem imersos em uma investigação de crime fora do comum. A vítima encontrada amarrada em um poste, com flechas em seu corpo e um pano branco que envolvia a sua cintura, lembrando a figura de um santo. E para tornar a situação mais estranha, o crime aconteceu no dia desse santo e a vítima tinha o nome do santo. O santo em questão era São Sebastião. E como se o cenário de horror não fosse bastante, a vítima era o irmão de um traficante de codinome Vela Preta.

O assassino deixa tudo muito bem feito, aparentemente, de tal forma que a equipe não consegue identificar nem as suas digitais. O responsável pela identificação delas é Saulo, ex-namorado da delegada Luzia que apresentou um comportamento violento durante o relacionamento e ganhou o desafeto do resto da equipe. Com tantas coisas sem conclusão, a Delegacia de Homicídios não consegue nem traçar o perfil desse assassino. E é nesse momento que o segundo crime acontece.

No carnaval, perto da igreja de São José, um homem tem a sua garganta cortada e no seu pescoço é deixado um objeto que pertencia a Sebastião, a primeira vítima. E qual era o nome dessa segunda vítima? Sim, José! A partir disso, a equipe já consegue pelo menos associar os crimes com motivação religiosa. A ligação dos nomes das vítimas com fatos ou lugares que remetem a personagens bíblicos. Os laudos dos primeiros crimes apresentavam a substância rohypnol no sangue das vítimas. O serial killer já imprimia a sua marca através das referências religiosas e dos artefatos utilizados para executar suas vítimas.
A grata coincidência de seus nomes bíblicos me inspirou um jogo muito interessante. Não me interesso por religião, mas já que tem macumbeiro, católico e evangélico entre vocês, isso deixaria as coisas bem mais divertidas. E que prazer enorme montar um tabuleiro de xadrez com peões tão burros.
P. 255-256
E perguntas começam a surgir. Quem é esse serial killer? Qual a sua motivação? E tudo fica ainda mais complexo e doloroso quando um membro da equipe é vítima desse assassino. Qual seria a relação entre as mortes? 

Uma história que mescla a linguagem formal e a informal, muito bem conduzida na linha de investigação, me trouxe a sensação de que fazia parte da equipe e estava no mesmo nível de conhecimento sobre o serial killer que a equipe. As mortes são todas, repito TODAS, relacionadas e o detalhe de deixar um objeto da vítima anterior na cena do crime da vítima posterior para mim foi genial, além dos crimes que faziam referência aos nomes de cada vítima, nomes todos bíblicos. Achei isso brilhante. Chegou a um ponto que fui procurar como determinado santo morreu para saber mais ou menos como seria a ação do serial killer. Devo dizer que suspeitei logo de cara de duas pessoas muito próximas a equipe e o meu palpite - ao decorrer do livro - estava correto. E isso não tirou em nenhum momento a minha sede pelas respostas e pelos motivos que levariam aquela pessoa a cometer esses crimes. É muito bom ler livros de autores brasileiros que não deixam nada a desejar em relação a livros estrangeiros e da mesma temática. E devo parabenizar a editora pelo belíssimo trabalho gráfico, diagramação impecável, um material muito bem feito. Amém é um livro mais do que recomendado e fico feliz pelo autor ter entrado em contato para divulgar esse trabalho incrível.
Ainda não havia tempo para quaisquer elucubrações, mas uma coisa era clara: não era mais uma questão policial, era pessoal.
P. 123
Comentários
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5 comentários:

  1. Olá Auri....
    Adorei a sua resenha e como você citou que mesmo suspeitando de alguém, nada tirou a sede de realmente descobrir o final do livro... Com certeza vou deixar o título anotado para ler em algum momento.
    Beijinhos

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  2. Não conhecia o livro e nem o autor,mas gostei bastante do enredo da história .Gosto muito de um bom policial e não posso deixar de ler.
    Vai pra minha listinha sem fim...

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  3. Oi Auri
    Eu n conhecia nem autor nem livro, mas parece ser um história bem construída e interessante!
    Qro lê-lo


    Bjoooooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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  4. Olá, Auri.
    A premissa do livro é incrível. Adoro livros policiais; ambientados no RJ, melhor ainda. Isso de livros ambientados na minha cidade sempre me animam. Afinal, a realidade fica muito mais latente para mim e para os demais leitores.
    Também gostei da utilização de "metáforas religiosas" na realização dos assassinatos. Isso é bem diferente.
    Fiquei com muita vontade de conferir a obra.
    Ótima resenha.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de reinauguração. Serão quatro vencedores!

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  5. aii achei que erauma coisa completamente diferente quando vi a capa deste livro. parece ser to bom.. gostei bastante da resenha

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