5 de abr de 2016


[Entrevista] Vinícius Grossos


Ganhador de três categorias do primeiro Prêmio DTuP de Literatura, Vinícius Grossos arranjou um tempo para responder umas perguntinhas para o De Tudo um Pouquinho.

Bastante solícito, Grossos respondeu todas perguntas - e foram muitas -, dissecando desde como sua paixão pela literatura começou, passando pelos seus próximos trabalhos e até como se vê profissionalmente daqui há dez anos.
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Mostrando-se tão carismático quanto suas personagens e tão maduro e consciente sobre o mercado literário nacional, apesar de ter somente 22 anos, Vinícius sem dúvidas é um grande achado para a literatura, e sem dúvidas promete nos entregar surpreendentes obras pelos anos que virão, assim como fez com o elogiado “O Garoto Quase Atropelado”.

Confira agora a entrevista:
De Tudo um Pouquinho: Como surgiu sua paixão pela escrita? 
Vinícius Grossos: É engraçado comentar isso porque eu sempre fui uma criança muito ligada à leitura. Desde pequeno, eu preferia receber gibis do que brinquedos ou coisas do tipo. Com uns oito, nove anos, eu já dizia para todos que queria trabalhar com histórias em quadrinhos. Mas, na verdade, eu era um péssimo desenhista. O que eu gostava mesmo era de criar histórias. Com essa percepção, aos dezessete anos, comecei a escrever e não parei mais.
DTuP: Que autores e livros lhe inspiraram quando mais jovem, e quais lhe inspiram atualmente? 
VG: Eu amo a J.K. Rowling, mas gosto mais ainda de autores que conseguem transformar a rotina em algo interessante. É algo que eu busco para os meus textos. Mas para citar apenas um, acho que eu diria “O Apanhador no Campo de Centeio”. Ele foi o primeiro livro que eu me atentei que era possível escrever para adolescentes de uma forma profunda e poética.
DTuP: Seu primeiro livro escrito foi “Quatro Caminhos”, este que nunca foi publicado. Pode falar um pouco de seu conteúdo, e talvez nos dizer se um dia pretende lançá-­lo? 
VG: “Quatro Caminhos” seria uma quadrilogia com mais um spin-off já em mente. Eu escrevi até o terceiro da série. “Quatro Caminhos” é um Young Adult, que basicamente narra, principalmente, o cotidiano de quatro adolescentes que tem suas vidas entrelaçadas de uma forma muito curiosa. “Quatro Caminhos” é um xodó para mim. E eu pretendo sim publicá-lo... Mas no futuro. Ainda quero trabalhar bastante o texto, até deixa-lo satisfatório.
DTuP: Como é o seu processo de escrita?! 
VG: Meu processo na verdade não tem nada de interessante. É bem insano, na verdade. Eu sou uma pessoa organizada, mas na hora de criar, não consigo seguir um roteiro. Não consigo mesmo. Eu já tentei, e simplesmente odiei cada linha do que criei. Então me rendi. Hoje em dia, quando tenho uma ideia, uma premissa, se eu sentir que vale a pena, eu simplesmente sento e escrevo. As personagens ganham vida. A história se desenvolve. E quando percebo, já tenho um livro escrito.
DTuP: Definitivamente assinar com a Faro Editorial foi um divisor de águas em sua carreira. Qual foi a maior diferença entre publicar “Sereia Negra” e “O Garoto Quase Atropelado” em relação a editora? 
VG: Sim. Foi sim. Eu sempre quis estar numa editora que me levasse para uma Bienal, que colocasse meus livros nas livrarias. Eu não pedia muito... E isso não aconteceu com “Sereia Negra”. Acho que nunca vou esquecer do dia em que fui à uma livraria e encontrei meu livro lá, exposto, na área dos Mais Vendidos. Foi insano. Foi ver, de forma concreta, algo que eu sonhei e desejei por muito tempo.
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DTuP: Percebi que você sempre publica fotos que seus leitores lhe mandam dos seus livros nas livrarias. Qual é a sensação de ver seu livro à venda? E como foi ver “O Garoto Quase Atropelado” tantas vezes esgotado na Saraiva Online? 
VG: Então, é como se uma etapa que eu busquei muito estivesse concluída. Publicar um livro é só o começo, ainda mais quando o autor começa de baixo, com uma editora mais independente. Quando o autor tem que correr atrás de estar em feirinhas, ir conquistando um a um seus leitores. É um trabalho árduo demais. As pessoas veem um autor tendo fila na Bienal ou algo do tipo, e imaginam que é tudo um conto de fadas, que aconteceu da noite pro dia. Não. Não mesmo. Isso tudo é resultado de muito trabalho. Então sempre quando vejo fotos dos meus livros em livrarias, é sentir que cada gotinha de suor, cada dor de cansaço que senti, valeram a pena. E quanto às vendas, inegável dizer que fico muito feliz. Se o livro está esgotando, é porque está havendo procura: as pessoas têm lido, gostado e recomendado. Meu sonho é viver de literatura no Brasil. Sei que para isso, tenho um caminho bem longo a percorrer. Então, cada vez que sei que o livro esgotou mais uma vez, é como estar um passo mais perto desse sonho.
DTuP: Fica claro que “O Garoto Quase Atropelado” é um livro bastante íntimo. É difícil colocar tanta intimidade em uma obra, sabendo que milhares de pessoas irão lê­-lo? 
VG: Na verdade eu nem percebo o quanto de mim um livro tem até vê-lo pronto. Meu processo criativo é assim; há uma junção do que é ficção, do que é biográfico, do que vi acontecer com pessoas próximas. No final, acabo não sabendo dissociar de forma muito exata o que é real ou não.
DTuP: Pode falar um pouco da metodologia utilizada em “1+1: A Matemática do Amor”, obra que você escreveu com o Augusto Alvarenga? Como é escrever a quatro mãos? 
VG: Bem, é uma experiência interessante. Eu e o Augusto aprendemos demais um com o outro. Para fazer o livro ganhar vida, nós dois tivemos que abrir mão de muitas coisas que pensamos e queríamos para o livro. Mas no final, o resultado agradou a ambos. Então, em “1+1” temos dois protagonistas. Basicamente eu narro um, o Augusto outro, e o livro acontece com capítulos intercalados.
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DTuP: Seus livros são cheios de referências musicais. Qual a importância da música no seu processo criativo? 
VG: Eu sempre estou ouvindo música. Sempre. Então isso acaba refletindo quando estou criando. Acho que no livro em si, a música traz uma real aproximação personagem-leitor. É legal saber que tal personagem está ouvindo aquela música que você gosta num momento parecido com o que você viveu. Agora para mim, como autor, a música faz com que eu me situe no clima do livro. Por exemplo, se estou escrevendo uma cena feliz, as músicas que eu escolho me ambientam melhor em tal situação.
DTuP: Muitos blogs lhe elegeram o autor revelação de 2015. Esse reconhecimento de alguma forma lhe pressiona ao escrever seus próximos trabalhos? 
VG: Eu até hoje fico realmente chocado e muito muito feliz com tudo isso. Mas eu não diria que me pressiona. Eu diria que me incentiva. Sei que para algumas pessoas, nada do que eu escrever vai ser melhor que “O Garoto Quase Atropelado”. Para outras, “1+1” vai ser o favorito. Vai ser sempre assim. Então o que tento fazer é pegar esse apoio como um incentivo para sempre melhorar.
DTuP: Como autor iniciante, qual foi a crítica mais difícil de se ouvir? 
VG: Eu acho que críticas são SEMPRE bem-vindas, quando fundamentadas. Uma vez uma menina insinuou que eu plagiei outro livro. Doeu. Mas eu preferi seguir, fazendo o meu trabalho, e respeitei a opinião dela. No fim, peguei o que era produtivo daquela crítica, e o resto deixei de fora do meu coração.
DTuP: Por outro lado, você já está construindo um grupo de leitores fiéis. Como eles lhe afetam? Saber que há fãs ávidos por seus futuros trabalhos lhe assusta? 
VG: Eu não diria que assusta. Mas me excita. Dá vontade de contar todas as novidades, meus planos, o que eu imagino e etc... Ainda bem que eu sou controlado e mantenho segredo! Mas sim, eles me afetam muito. Em muitos momentos, eu estava com vários problemas acontecendo, e uma mensagem de um leitor tornava meu dia melhor. Então eles me tocam, mas dessa maneira mais pura e feliz. 
DTuP: Para você, qual o principal motivo das pessoas curtirem e se identificarem tanto com seus livros? 
VG: Acho que simplesmente pela sinceridade ao qual apresento minhas personagens. Eles não são perfeitos, nem tentam ser. São personagens cheios de traumas, dores, e não tenho medo de lhes expor. De dissecar isso. De enfrentar esses demônios.
DTuP: Além de “1+1: A Matemática do Amor”, que será lançada ainda este ano, você recentemente postou em suas redes sociais que está trabalhando em um novo livro. Pode falar um pouquinho sobre ele? 
VG: Este livro segue a linha de “O Garoto Quase Atropelado” e “1+1”, ou seja, é um novo jovem-adulto. Eu não quero contar muita coisa para não estragar a experiência de ninguém, mas digamos que neste livro, mesmo que tenha sua carga dramática, a relação dos personagens principais é o que norteia a história.
DTuP: Profissionalmente, onde você se vê daqui há 10 anos? 
VG: Vivendo exclusivamente de livros.
DTuP: Se você pudesse ter escrito um livro que já foi publicado por outra pessoa, qual livro seria? Por que? 
VG: “Eu Sou o Mensageiro”, do Markus Zusak. Este livro me toca e mexe comigo de diferentes maneiras. Eu acho incrível e sublime, com uma narrativa incomum, própria.
DTuP: Já imaginou alguma de suas obras como filme?! Como você acha que seria essa experiência? 
VG: Sim! Hahaha Sempre imagino. Algumas vezes vejo algumas fotos no Instagram de pessoas que parecem com as personagens... Salvo tudo! Acho que “O Garoto Quase Atropelado” daria muito certo numa adaptação, enquanto “Sereia Negra” seria belo ver nascer como animação. Porém, a concretização de qualquer projeto meu seria um passo fantástico; seria incrível ver o que sonhei e planejei na minha cabeça, ganhando as telas. Quem sabe um dia...
DTuP: Após várias campanhas e e-­mails enviados à editora, você e o Victor Bonini finalmente farão uma tarde de autógrafos em Salvador. Além de comer muita cocada, o que você espera dessa visita? 
VG: De verdade, meu coração está transbordando de gratidão. Muita gratidão mesmo. Ir para Salvador por causa da demanda do pessoal é algo que, sei lá, eu nunca imaginei acontecendo comigo, de uma forma tão rápida. De forma geral, espero um público muito caloroso, cheio de braços abertos para receber os meus abraços e o meu carinho!
DTuP: Para terminarmos, pode enviar uma mensagem para seus leitores do blog, e talvez convidar aqueles que ainda não conhecem o seu trabalho, a conhecê­-lo? 
VG: Ei pessoal do Blog DTuP. Muito obrigado pelo convite, mesmo! É bom ter um espaço para me expressar e ser completamente sincero. Tácio, valeu pelas perguntas! Adorei responde-las. E para os leitores do blog, eu sei que o dinheiro tá curto, e que é muito legal ler aquele livro que vai virar filme e todo mundo está comentando sobre. Mas dê uma chance aos nacionais. Dê uma chance para algum livro de autor brasileiro te conquistar. Certamente algum vai te tocar. Beijos!

Então é isso. Obrigado ao Vinícius pelo tempo e paciência em responder todas as perguntas. Lembrando para quem é de Salvador e região, que nesse fim de semana, dia 9 de Abril, terá um Clube do Livro especial na Saraiva do Shopping da Bahia às 15h com a presença do Vinícius e do Victor Bonini, autor de “Colega de Quarto”.
Comentários
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9 comentários:

  1. Amei a entrevista, o autor parece ser super simpático. Fiquei super interessado em ler seus três livros publicados, todos parecem ótimos. Deve ser incrível ver seu livro em uma livraria, grande satisfação *-* Desejo muito sucesso! Abraços :)

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  2. Poxa, que cara incrível ! E realmente muito novo. É muito bonito ver que existem pessoas que se dedicam à literatura, com certeza ele merece todo o reconhecimento .
    Abraços

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  3. Gostei muito da entrevista, fiquei bem curiosa com os livros, a capa de O Garoto Quase Atropelado é muito fofa. O dinheiro pros livros realmente tá curto rsrs mas fiquei com muita vontade de ler os livros e pretendo comprar assim que puder. Uma pena que o encontro, clube do livro, vai ser só em Salvador, se tivesse aqui em Fortaleza, eu iria com certeza.

    Abraços :)

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  4. Tácio!
    Amo as entrevistas com nossos autores nacionais e essa foi uma tremenda entrevista, pudemos conhecer bem sobre esse jovem autor e já com 3 livros.
    Sucesso!
    “A simplicidade é o último degrau da sabedoria.” (Khalil Gibran)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista especial de aniversário em abril: com 6 livros 5 ganhadores, participem!

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  5. Sempre boas as entrevistas, nos fazem conhecer melhor os autores e seus motivos, eu me encantei pela capa de 1+1 a algum tempo e nem sabia o nome do autor! ele lança livros lindos e sabe dar boas respostas e explicações, acima de tudo : defender seus livrosv

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  6. Adorei a entrevista do Vinícius. Conheço-o e seu que ele é muito esforçado; por isso, merece todo o sucesso que vem alcançando.
    Não sabia dessa quadrilogia que ele tem escrita, mas não publicada. Vou ficar na torcida para ser lançada logo.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de abril. Serão três vencedores!

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  7. Olá...
    Que entrevista fantástica... Tomara que dê certo esse projeto de adaptações de alguns de seus livros e fiquei bastante curiosa para ler "1 + 1: A matemática do amor". Sucesso ao autor Vinicius Grossos.
    Abraços

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  8. acho mto bacana que escritores nacionais estejam conseguindo publicar seus livros e quero super que de certo as adaptações. achei q o vinicius tem umas ideias mto bacanas e torço mto por ele

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  9. Nossa, nao conhecia o autor, mas fiquei interessada em conhecer o trabalho dele. Da pra perceber o amor que ele tem pelos livros, assim como ele lia desde pequena e sempre amei escrever também, mas nunca tive coragem de ir tão longe assim haha ja salvei na wishlist do skoob!

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