2 de abr de 2016


[Resenha] Quarto - Emma Donoghue


Ficha Técnica

Título: Quarto
Título Original: Room
Autor: Emma Donoghue
ISBN: 978-85-7686-131-7
Páginas: 349
Ano: 2011
Tradutor: Vera Ribeiro
Editora: Verus
16Para Jack, um esperto menino de 5 anos, o quarto é o único mundo que conhece. É onde ele nasceu e cresceu, e onde vive com sua mãe, enquanto eles aprendem, leem, comem, dormem e brincam. À noite, sua mãe o fecha em segurança no guarda-roupa, onde ele deve estar dormindo quando o velho Nick vem visitá-la. O quarto é a casa de Jack, mas, para sua mãe, é a prisão onde o velho Nick a mantém há sete anos. Com determinação, criatividade e um imenso amor maternal, a mãe criou ali uma vida para Jack. Mas ela sabe que isso não é suficiente, para nenhum dos dois. Então, ela elabora um ousado plano de fuga, que conta com a bravura de seu filho e com uma boa dose de sorte. O que ela não percebe, porém, é como está despreparada para fazer o plano funcionar.

Resenha


Recentemente adaptado para o cinema, “Quarto” é uma daquelas obras que se destacam, seja por sua história excepcional, seja por suas personagens carismáticas ou simplesmente por sua escrita inteligente e atemporal. Eleito um dos melhores livros do ano quando foi publicado lá em 2010, “Quarto” se tornou best-seller do The New York Times, e tamanho sucesso não é por acaso.

Jack é um garotinho de apenas cinco anos de idade. Seu mundo se resume a um quartinho de poucos metros quadrados localizado em algum quintal qualquer dos Estados Unidos. A mãe de Jack foi raptada quando adolescente e mantida em cativeiro desde então, e foi neste Quarto onde ela deu à luz ao nosso personagem principal e narrador.
– Acho que você não reconhece como está bem instalada aqui - disse o Velho Nick. – Não é?
A Mãe não disse nada.
– No nível do chão, luz natural, ar central, isso está bem acima de alguns lugares, eu lhe garanto. Frutas frescas, artigos de toalete e sabe-se lá o que mais, é só você estalar os dedos e pronto. Muitas garotas diriam graças à sua boa estrela por um arranjo como este, completamente seguro. Especialmente com o garoto…
P. 84 
Há sete anos presa no cativeiro, a Mãe – não sabemos o verdadeiro nome dela, somente como Jack a chama –, está cada vez mais decidida a tentar escapar do seu cárcere. Jack está crescendo, e está na hora de explicar à ele que o mundo vai muito além do Quarto, e que além das paredes existe um “Lá Fora” tão colorido e rico, assim como as coisas que o menino assiste na televisão.

Bolando um plano mirabolante e totalmente apto à falhas, a Mãe tenta convencer seu pequeno Jack a ajudá-la a por o tal plano em ação. Porém, nem tudo será tão fácil como a Mãe imaginou em sua cabeça. Jack é apenas uma criança, e como toda pessoa tem seus medos, o maior deles sendo a possibilidade de ter que se separar de sua mãe. Infelizmente, o único modo de escapar, está nas mãos de Jack.
Segurei a mão dela. Ela queria que eu acreditasse, então eu tentei, mas doía minha cabeça.
– Você morou mesmo na televisão um dia?
– Eu já disse que não é televisão. É o mundo real, você nem imagina como ele é grande. – Ele abriu os braços, apontando para todas as paredes.
– O Quarto é só uma porcaria de um pedacinho dele.
– O Quarto não é porcaria – quase rosnei. – Só é porcaria às vezes, quando você solta pum.
P. 100
Eu assisti a adaptação de “Quarto” no começo do ano devido a sua indicação ao Oscar 2016 - o filme por sinal se chama “O Quarto de Jack”. Foi amor a primeira vista. Não há como não se apaixonar por Jack e sua inocência e sagacidade, ou como não ficar tenso com o drama que o menino passa com sua mãe. O filme foi indicado à quatro estatuetas, levando apenas uma na categoria de melhor atriz, pela atuação de Brie Larson no papel de Mãe (curiosamente, no filme o nome da personagem é Joy).

Minha torcida não era para Brie, não que seu trabalho não seja bom, porém, se ela conseguiu passar todas as emoções que sua personagem demandava, foi por conta da constante parceria com o talentoso e carismático Jacob Tremblay, no papel de Jack. O menininho de apenas 9 anos de idade rouba a cena do começo ao fim, e é assim que deveria ser, já que o mesmo é responsável por nos guiar em sua história - seja na versão cinematográfica ou na fílmica. A verdade, é que se alguém deveria ter sido indicado - e/ou ganhado - alguma coisa por esse filme, era o Tremblay, e não a Larson.

A video posted by Jacob Tremblay (@jacobtremblay) on
Como não amar?! 

Voltando ao livro, tenho que confessar que “Quarto” já entrou naquela listinha de livros para amar muito, pra vida toda. É uma obra inteligente, rica, diferente e extremamente densa. Há uma inocência mesclada com drama de uma forma magistral, fazendo o leitor acompanhar com grande afinco toda a jornada do Jack e de sua mãe.

A autora Emma Donoghue foi bastante feliz ao dar voz à Jack, colocando-o na posição de narrador. Desta forma, o leitor obtém uma visão de mundo diferenciada, pura e muitas vezes engraçada. Para dar ainda mais riqueza de detalhes a esta narrativa, a autora comete pequenos deslizes da língua, fazendo com que Jack fale de um modo ‘errado’.
A Cobra de Ovos é mais maior de comprida que tudo no Quarto; nós fazemos ela desde que eu tinha três anos, ela mora no Embaixo da Cama, toda enroscada, para cuidar da nossa segurança.
P. 35
Outro ponto positivo de “Quarto” é a veracidade que o livro consegue transparecer. Quando o filme foi lançado, e até mesmo agora depois de ter lido o livro, vi muitas pessoas me perguntando se a obra era baseada em fatos reais. Ela não é, mas poderia facilmente ser. Donoghue é astuta, trabalha muito bem as personagens e o próprio local onde se passa sua história: o Quarto é tão importante quanto Jack e a Mãe. Até mesmo o Velho Nick, o “vilão” do livro, tem seus traços moldados da forma mais real e humana possível.

Talvez o maior - e único problema - de “Quarto” são seus capítulos longos. Na verdade não há capítulos. Como o livro é narrado por Jack, toda a narrativa é dividida apenas por partes, às vezes elas são excessivamente longas, outrora são rápidas. Para pessoas que assim como eu gostam dos capítulos, seja para ter controle da leitura ou apenas por estética, isso talvez possa incomodar no início.
– Jack, há uma porção de coisas no mundo.
– Zilhões?
– Zilhões e mais zilhões. Se você tentar fazer todas caberem na sua cabeça, ela vai estourar.
– Mas e os filhotes de macaco?
Ouvi ela respirar engraçado.
– É, algumas coisas são ruins.
– Como os macacos.
– E outras piores – disse a Mãe.
– Quais piores?
Tentei pensar numa coisa pior.
– Hoje não.
– Quando eu tiver seis anos, poder ser?
– Pode ser.
P. 251 
De qualquer forma, eu indico “Quarto” com todo os elogios que existem no mundo. Este é um livro riquíssimo e muito raro de se encontrar por aí. Jack é um dos melhores personagens que já encontrei na literatura, e não tenho dúvidas que ele irá conquistar vocês também. Vale muito a pena assistir ao filme, diga-se de passagem. Ele é bastante fiel a obra em que se baseou, e consegue transpor toda a riqueza e emoção do livro de uma forma respeitosa e satisfatória.





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Comentários
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12 comentários:

  1. Penso como você, não gosto de livros sem capítulos ou com capítulos muito extensos. Mas, mesmo assim, acho que é um problema que quase não percebemos pela narração extremamente sensível do Jack. Quero ler Room o quanto antes! Abraços :D

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  2. Menina, tu não sabe o quanto eu tô doida pra ler esse livro. Ele ficou bem visível depois da indicação ao Oscar ne. Ainda nao vi o filme também, prefiro ler antes. A historia me parece ser bem comovente, e chamou minha atenção.
    Boa tarde !

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  3. Estou curiosa tanto pelo livro quanto pelo filme, mas ainda não tive oportunidade de ver nenhum dos dois. A história do Jack parece ter sido muito bem feita, e eu queria saber como eles saem do Quarto. Vou ler o livro e assistir ao filme assim que puder.

    Abraços :)

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  4. Já li esse livro e tem um tempo,mas a história é tão envolvente que me lembro de todos os detalhes..a história é tão intensa que eu me sentia junto com o Jack quando ele tenta fugir..Muito bom...

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  5. Tácio!
    Infelizmente nem li o livro ainda, nem assisti o filme.
    Imagino que deva mesmo ser um thriller psicológico bem envolvente, principalmente pela visão de uma criança.
    “Não ganhe o mundo e perca sua alma; sabedoria é melhor que prata e ouro.” (Bob Marley)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista especial de aniversário em abril: com 6 livros 5 ganhadores, participem!

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  6. Nunca tinha ouvido falar do livro antes de ser indicado para o Oscar no começo do ano. Ele é totalmente diferente de tudo que eu já li, trata de um assunto muito denso mas que é amenizado pela inocência do narrador. Tenho certeza que vou me encantar pelo Jack assim como você. Não li o livro nem assim o filme, mas só vejo elogios para o ator principal, ele merecia ter ganho a estatueta! Beijos

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  7. Um história impressionante que ficou conhecido pelo filme, amei e quero ler antes de assistir o filme

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  8. Olá, Tácio.
    A premissa do filme e do livro são bem agonizantes. Afinal, é triste imaginar alguém vivendo em cativeiro. Contudo, sabemos bem que essas coisas ainda acontecem, infelizmente. Então, a obra tem uma premissa com um papel social muito importante, o que me agrada demais. Se além disso ainda há a aparência de veracidade, melhor ainda.
    Já quero conferir.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de abril. Serão três vencedores!

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  9. quero super ler o livro e ver o filme, que infelizmente nao passou aqui na minha cidade! apesar de ficar meio receosa no começo acho que conseguiram passar uma imagem boa com o filme. que fofinho o garotinho que fez o filme! mto sucesso a ele.

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  10. Simplesmente amei esse livro... E estou louca pra assistir o filme. Falaram que ele foi bem real ao livro... A única coisa que me "decepcionou", foi que depois descobri não ser baseado em fatos reais... Não que deseje mal a alguém, mas ela contou a história tão bem, que realmente acreditei que fosse verdade... E amo livros baseados em fatos reias

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  11. Olá...
    Ainda não tive a oportunidade de ler o livro nem de assistir ao filme... Mas estou louca para poder fazer os dois... Jack parece ser mesmo uma criança incrível e que surpreende a cada momento... Pelo pouco que vi na apresentação do Oscar, Jacob é realmente encantador, e só pelo trailer realmente conquistou o público... Vou assistir o filme com certeza e espero poder ler o livro também para tirar minhas próprias conclusões.
    Abraços

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  12. oii! Parece bem tocante e lindo. Quero primeiro ler o livro, claro haha, e depois ver o filme. Ta todo mundo falando e parece que só eu que não li ><

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