10 de mai de 2016


[Resenha] Estação Onze - Emily St. John Mandel

Ficha Técnica

Título: Estação Onze
Título Original: Station Eleven
Autor: Emily St. John Mandel
ISBN: 978-85-8057-707-5
Páginas: 318
Ano: 2015
Tradutor: Rubens Figueiredo
Editora: Intrínseca
17Certa noite, o famoso ator Arthur Leander tem um ataque cardíaco no palco, durante a apresentação de Rei Lear. Jeevan Chaudhary, um paparazzo com treinamento em primeiros socorros, está na plateia e vai em seu auxílio. A atriz mirim Kirsten Raymonde observa horrorizada a tentativa de ressuscitação cardiopulmonar enquanto as cortinas se fecham, mas o ator já está morto. Nessa mesma noite, enquanto Jeevan volta para casa, uma terrível gripe começa a se espalhar. Os hospitais estão lotados, e pela janela do apartamento em que se refugiou com o irmão, Jeevan vê os carros bloquearem a estrada, tiros serem disparados e a vida se desintegrar. Quase vinte anos depois, Kirsten é uma atriz na Sinfonia Itinerante. Com a pequena trupe de artistas, ela viaja pelos assentamentos do mundo pós-calamidade, apresentando peças de Shakespeare e números musicais para as comunidades de sobreviventes.

Resenha



É um pouco complicado falar da história de “Estação Onze” sem cruzar o limite das informações contidas já na sinopse. Esse é um livro bem rico e cheio de interconexões, muitas personagens e passagens de tempo… Tentar explicar aqui seu enredo de uma forma mais detalhada do que a própria sinopse, sem dúvidas iria comprometer a leitura de vocês.
Dito isso, “Estação Onze” fala sobre um planeta que está prestes a ser dizimado por uma forte gripe. Desde o primeiro dia, em apenas poucas horas, iremos acompanhar vários personagens em diferentes partes do globo enfrentando os primeiros sinais da então chamada Gripe da Georgia. Após esse primeiro momento, quase vinte anos se passarão, e nos restará acompanhar a jornada das personagens em um mundo cinza, perigoso e extremamente solitário.
– Escute – disse Hua. – Você tem que sair da cidade.
– O quê? Esta noite? O que está acontecendo?
– Não sei, Jeevan. Essa é a resposta objetiva. Não sei o que está acontecendo. É uma gripe, isso é óbvio, mas nunca vi nada parecido. É muito rápido. Parece se espalhar bem depressa…
P. 26

SELO BLOG“Estação Onze” é uma daquelas obras que acertam em tudo. Seja pela escolha da capa até o seu desfecho. O livro consegue prender por sua riqueza, mesmo que a atmosfera dele seja crua. Diferente dos livros pós-apocalípticos atuais; onde zumbis, monstros e guerras são figurinhas garantidas, “Estação Onze” poetiza o fim do mundo, ao colocar em seu plot principal, uma companhia de teatro que viaja pelas ainda existentes vilas, apresentando exclusivamente obras de Shakespeare. A autora canadense, Emily St. John Mandel, constrói seu livro muito bem desde a primeira folha, criando laços e mais laços que vão se interligando e construindo uma narrativa inteligente e surpreendente para o leitor. Não há agilidade, não há corre-corre, não há romance… A escrita é detalhista, mas longe de ser cansativa. A história está nas personagens, em suas fraquezas, seus desejos, seus medos, seus sonhos… e principalmente em suas identidades.
[...] Aguentamos porque não temos muito tempo, porque agora todos os telhados estão desabando e, em breve, nenhum dos prédios antigos será um local seguro para entrar. Aguentamos porque estamos sempre em busca do mundo antigo, antes que todos os vestígios desapareçam.
P. 129

É maravilhoso poder ler um livro e chegar na última página percebendo que detalhes importantes para a conclusão da obra nos foi dada logo no início. Não é atoa que Emily foi bastante elogiada e indicada a diversos prêmios por “Estação Onze”. O livro é inteligente, e carrega em suas páginas várias observações do comportamento humano e das correlações com seus iguais. Seja na infância ou na idade mais avançada, a autora consegue trabalhar com maestria as vertentes do ser humano. Talvez, o que tenha mais me chamado atenção em “Estação Onze” foi sua construção. O livro contém 55 capítulos, divididos em 9 partes, partes essas que se alternam entre passado e presente, personagem A, B e/ou C… e que estão sempre muito bem conectadas, não perdendo o fio da meada se quer uma vez. Obviamente que construir uma obra desta maneira demanda muita coragem e talento, porém, Mandel se mostra mais do que competente para tal empreitada.
[...] Um cervo cruzou a estrada mais adiante e parou para olhá-los antes de desaparecer entre as árvores. A beleza deste mundo onde quase todas as pessoas já se foram. Se o inferno são os outros, o que é um mundo onde não há quase ninguém?
P. 145

Antes de terminar a resenha, quero dizer que a edição do livro é muito boa. Sem contar que a capa é impressa em papel cartão supremo, que é meio áspero, fazendo com que ela fique mais bonita ainda. Em relação ao título do livro, acho que deixarei vocês lerem e descobrirem por si só. Aviso de antemão que o título é muito bom, e exemplifica de forma maestral e lúdica toda essa conexão contida na obra. “Estação Onze” é um livro que não é para todos os gostos, mas sem dúvidas é um livro excelente que todos deveriam tentar ler. Muito bem escrito, elaborado e com uma licença poética que é sempre bem vinda, acredito que a obra tem tudo para agradar, pois motivos é o que não faltam. Para quem conhece o filme “Crash: No Limite”, premiado com a estatueta de Melhor Filme no Oscar de 2006, o livro é uma excelente indicação, pois apesar das histórias não tem relação alguma, a construção e interação entre plots é bem similar.
[...] Todos eles são imortais para mim. Primeiro, só desejamos ser vistos, porém quando somos vistos, isso já não é mais suficiente. Depois, queremos ser lembrados.
P. 182



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Comentários
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6 comentários:

  1. Esse livro parece ser bem intrigante. Eu não o conhecia, mas a partir da leitura, fiquei curiosa pra saber como essa gripe se alastrou e o que causou, se é que o livro foca um pouco nisso.

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  2. Oi Tácio,
    Já tinha visto o livro por ai, pelo que você disse é um livro perfeito onde a autora pensou em cada detalhe. Onde há um principio, um meio e um fim, com uma trama bem enreda sem que esta fiquei confusa. Não sei ao certo se leria o livro, mais a sua resenha conseguiu me deixar bem curiosa.

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  3. Olá, Tácio.
    Nunca imaginaria um enredo como esse para tal obra. Sem dúvidas, sua resenha me despertou o interesse imediato na leitura.
    É raro vermos livros pós-apocalípticos que fujam do clichê. Esse faz exatamente isso! Certamente quero conferir.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de maio. Serão três vencedores!

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  4. É uma daquelas sinopses que enganam. Mas eu sou um pouco neurótica com o tema e sempre quero saber o quê e pq: o que causou e pq. Gostei muito da sinopse e fiquei super curiosa com o enredo.

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  5. Fiquei curiosa....
    A capa é lindinha e me chamou a atenção,a sinopse como você disse achei um tanto confusa e acredito que a leitura rica e esclarecedora de todos esses detalhes.
    Mais um que vai pra listinha...Valeu pela dica.

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  6. achei bem diferente e a capa mto bonitinha! mas tenho tantos na listinha que vou enlouquecer! hahah

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