3 de mai de 2016


[Resenha] O Amor nos Tempos do Ouro - Marina Carvalho


Ficha Técnica

Título: O Amor nos Tempos do Ouro
Autor: Marina Carvalho
ISBN: 978-85-250-6205-5
Páginas: 328
Ano: 2016
Editora: Globo Alt
16"Sabes que nunca me apaixonei, maman, mas se porventura o tivesse feito, seria por alguém como ele?" Cécile Lavigne perdeu todos os que amava e agora está sozinha no mundo. Ela, uma franco-portuguesa que ainda não completou vinte anos, está sendo trazida ao Brasil pelo único parente que lhe restou, o ambicioso tio Euzébio, para casar-se com o mais poderoso dono de terras de Minas Gerais, homem por quem Cécile sente profundo desprezo. Após desembarcar no Rio de Janeiro, Cécile ainda precisará fazer mais uma difícil viagem. O trajeto até Minas Gerais lhe reserva provações e surpresas que ela jamais imaginaria. O explorador Fernão, contratado por seu futuro marido para guiá-la na jornada, despertará nela sentimentos contraditórios de repulsa e de desejo. Antes de enfim consolidar o temido casamento, Cécile descobrirá todos os encantos e perigos que existem nessa nova terra, assim como os que habitam o coração de todos nós. Com o passar dos dias, crescerá dentro dela a coragem para confrontar todas as imposições da sociedade e também o seu próprio destino.

Resenha


Desde que a Marina Carvalho começou a publicar seu livros que tenho sido uma leitora assídua de suas obras. Primeiro ela nos encantou com a princesa da Krósvia Ana e Alex nos livros Simplesmente Ana e De Repente, Ana, depois ela nos apresentou aos queridos Rafaela e Bernardo em Azul da Cor do Mar e então veio a grata surpresa com Elena: A Filha da Princesa, nos levando de volta ao reino de Krósvia.

Agora ela inova mais uma vez escrevendo um romance histórico, nos levando ao século XVIII. Cécile Queiroz Lavigne é uma jovem franco-portuguesa que foi criada de uma maneira muito peculiar pelos padrões da época. Embora fosse a mais velha dos três irmãos e a única mulher, graças a influência vanguardista do pai francês, era tratada de igual para igual com Jean e Pierre, assim como tinha muito mais liberdades do que as garotas de sua época. Aos dezenove anos ela já havia recusado vários pedidos de casamento com a aprovação do pai, que acreditava que a filha deveria se casar com alguém que amasse.

Entretanto a vida lhe deu uma rasteira, ao lhe tirar toda a família em um trágico acidente. Sozinha no mundo, viu-se obrigada a viver sob a tutela de seu tio Euzébio, irmão de sua mãe, tendo que deixar sua casa e tudo o que conhecia em Marselha e ir para o Brasil, onde o tio residia. Mas o pior ainda estava por vir, pois o tio logo garantiu que a jovem se casasse com um homem poderoso de Minas Gerais, em um acordo que seria benéfico financeiramente para ambos.
- Euclides de Andrade é um homem respeitável, temente a Deus, além de muito rico. Devias sentir-te grata a mim por querer-te tão bem a ponto de conseguir um bom matrimônio para ti semanas antes de aportares no Brasil - expusera Euzébio, sem alterar o tom de voz, sempre moderado, embora impregnado de autoritarismo, marca inegável de seu caráter.
P. 23
Tudo era muito diferente para Cécile, ter ido viver em uma colônia afastada, com um ritmo de vida completamente diferente, sozinha, em uma casa onde tudo lhe era estranho culturalmente, afinal, sempre esteve acostumada a ter opiniões próprias, tendo que aceitar um casamento imposto, com um homem muito mais velho (que tinha um filho com idade próxima à dela) e saber que precisaria se conformar com isso e nada mais fez com que a Cécile vigorosa fosse morrendo um pouco a cada dia.

A caminho de Minas Gerais, Cécile teve mais uma perda quando teve de deixar no Rio de Janeiro sua dama de companhia, que sempre esteve ao seu lado. Agora, terá de fazer mais uma grande viagem até seu noivo, de quem foi ouvindo histórias nada agradáveis durante o caminho. Entretanto, o líder da sua comitiva era o bandeirante Fernão Lopes da Costa, um português que chegou ao Brasil ainda criança e perdeu os pais para as dificuldades da vida na colônia poucos anos depois de chegarem com muitas esperanças.

Sozinho ainda criança, se virou como pode e prosperou fazendo muitos serviços e estava pronto para sossegar em seu pequeno pedaço de chão depois desse último trabalho: fazer a travessia da noiva de Euclides do Rio de Janeiro para Vila Rica. O que ele não imaginava é como essas duas semanas de viagem mudariam sua vida.
Fernão é da terra, de espírito livre e aventureiro, fiel a seus princípios, justificáveis ou não. Pensar nele como alguém que pudesse mexer com meu coração e cuidar dele em seguida é desperdício de tempo, além de mágoa na certa.
P. 83
Embora os dois não tenham mais família, vemos como Fernão e Cécile são diferentes, culturalmente falando, mas como se entendem enquanto viajam juntos, como percebem as qualidades um no outro. Na verdade é algo bastante intrigante, principalmente vendo pelo ponto de vista de Cécile, de lidar com alguém tão diferente dela, ver a interação dele com os negros e indígenas (diferente do restante - principalmente quando conhece seu noivo).
(...) Já estivera com muitas mulheres durante seus vinte e poucos anos de vida. Mas nenhuma delas - índias, escravas, prostitutas, viúvas - provocou nele o que Cécile conseguiu com somente um beijo.
- Estou arruinado - concluiu entredentes e pulou, antes que mudasse de ideia. Porque, se dependesse de sua vontade, teria ficado com a francesinha ferida pelo resto da noite. Ou da vida.
P. 132
Embora exista romance no livro (quase achei que não fosse ter, viu, a pobre da Cécile sofre demais desde o início do livro, mas tudo muito explicado devido as condições sociais da época), muito do livro envolve mesmo são as questões sociais do Brasil do século XVIII, os bandeirantes desbravando o Brasil, extraindo o ouro de nossas terras, a exploração dos negros, a catequização dos povos indígenas através dos jesuítas, a influência da corte portuguesa e de tantos outros europeus que aqui chegaram em busca de um novo começo.
- Quando os inimigos interiores são combatidos, os inimigos de fora nada podem contra ti.
P. 187
Os personagens da Marina são cativantes e ou você ama ou odeia logo de cara. Cécile é uma personagem ativa que, embora no início esteja passando por momentos difíceis, vemos que não é de fato sua personalidade, Fernão também é incrível e eles formam um casal maravilhoso. Também não posso deixar de falar dde Hasan, Akin e Malikah (escravos da fazenda de Euclides com quem Cécile mais se identifica) e eu também amei.

Para quem acompanha a Marina nas redes sociais já sabe que ela já começou a escrever a sequência de O Amor nos Tempos do Ouro, mas não precisa se preocupar, serão estórias diferentes e independentes.

Enquanto isso, vamos curtir o booktrailer que ela divulgou e conferir a agenda de lançamento do livro e para a galera aqui de Salvador, sábado nos encontraremos às 16h na Livraria Leitura do Shopping Bela Vista para um bate-papo e sessão de autógrafos com a Marina ;)

Obrigada à Marina por ter escrito essa linda estória e obrigada à Globo Alt por publicá-la e por enviá-la para que eu tivesse o prazer de ler esse livro maravilhoso!!!!






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Comentários
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10 comentários:

  1. eu aaameeeeiii!!! nossa! nãos abia desse livro, eu li simplesmente Ana e gostei, ainda vou ler os outros, mas esse vai pra listinha!
    www.byanak.com.br

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  2. Olá, Lay.
    Pela capa, não daria nada pela obra. Porém, sua resenha me convenceu do contrário. O primeiro aspecto que me chamou bastante a atenção foi a protagonista sendo educada fora dos padrões da época. Em segundo lugar, o foco dado aos problemas sociais do Brasil. Esses aspectos me agradam demais. Darei uma chance para a obra.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de maio. Serão três vencedores!

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  3. Eu adoro romances históricos, e esse, como todos, me chamou a atenção. Adoro as capas desses romances, acho que representam muito bem a historia.
    Ela é uma personagem que foge à realidade da época, pelo que eu vi desde criança ela tinha uma educação diferente. E depois tem a parte da descoberta do amor, que é lindo ne.
    Enfim, moro a 6 hrs de Salvador, é um pouco longe pra ir pra esses eventos. Se eu morasse lá iria pra todos. Espero fazer faculdade lá.
    Boa noite!

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  4. nossa que legal quando vi o livro nao me atraiu tanto quanto a resenha! hahah estou super ansiosa! kkk

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  5. Quando lançaram o livro houve um grande ''AUE'' por causa de sua capa, mas eu estava esperando uma resenha como esta para coloca-lo em minha lista, os personagens parecem ser bens construídos, amo livros que se passam na época em que não podíamos escolher nosso próprio marido, alem de parecer ter uma dose certa de romance para não torna-lo meloso, espero conferir essa obra linda

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  6. Oi Lay!
    Eu simplesmente adorei tudo. A capa, a premissa do livro, sua resenha fantástica!
    Como eu amo história, tenho certeza de que vou adorar ver isso dentro de um livro nacional e ainda por cima com romance junto *-* Deve ser incrível!
    Como já disse na resenha de Mentira Perfeita, eu também ainda não li nada da Marina (FAIL). O que você acha? Devo começar pelo Simplesmente Ana, ou pelo Azul da cor do mar?
    Beijo

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  7. Oi Layane!
    Li todos os livros anteriores da autora e gostei bastante, ao contrario de você achei que a leitura deu uma decaída em Elena... Tinha bastante curiosidade quanto a esse livro, ainda não tinha lido a sinopse ou alguma resenha sobre ele, tenho ele no meu kobo, mais ainda não decidi se irei lê-lo
    Bjs

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  8. Esse livro me chamou a atenção logo que foi publicado. Apesar da variedade de autoras nacionais que escrevem sobre o gênero romances de época, é difícil - nunca tinha lido - um que se passasse no Brasil. E ele vai mais além e fala dos problemas e também das riquezas. Ótimo livro!

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  9. Que livro maravilhoso é esse? Amei demais fiquei até tarde lendo,afinal não conseguia desgrudar da história. Marina como sempre arrasou!

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  10. Amei!!Gosto muito de romances históricos e tô de olho nesse desde o lançamento,mas as trapalhadas da Dilminha não permitiu que eu comprasse...Parabéns Marina pelo livro e parabéns Lay pela resenha.

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