15 de mai de 2016


[Resenha] O Céu Noturno em Minha Mente - Sarah Hammond

Ficha Técnica

Título: O Céu Noturno em Minha Mente
Título Original: The Night Sky in My Head
Autor: Sarah Hammond
ISBN: 978-85-01-10449-6
Páginas: 386
Ano: 2016
Tradutor: Maria Beatriz de Medina
Editora: Galera Júnior
bananaMikey Baxter tem 14 anos, mas muitas coisas o diferenciam dos outros garotos da sua idade. Para começar, o pai está na prisão e a mãe se recusa a falar sobre o assunto. Ele sabe que, de alguma forma, isso está ligado à cicatriz em sua cabeça e ao fato de ele parecer ter mais dificuldade em entender certos assuntos do que os outros. Quando um misterioso assassinato ocorre em sua cidade e Mikey é o primeiro a chegar à cena do crime, ele não sabe o que pensar. O que o levou até ali? Quem teria matado o morador de rua da cidade, que parecia nunca ter feito mal a ninguém? E quem era o homem caipira que estava nos arredores?

Resenha


Mikey tem apenas 14 anos de idade e sua vida não é nada comum para um adolescente. Seu pai foi preso quando ele era mais jovem, sua mãe evita comentar sobre a prisão, e ele sofreu um grave acidente, o que acabou deixando-o um pouco mais ‘lento’. Sem amigos, e contando somente com a companhia de seu fiel cão, o Timmer, Mikey vive uma vida solitária e bastante imprecisa.

Selo-Parceiros-Galera JuniorApós o tal acidente, que lhe rendeu uma cicatriz na cabeça, Mikey acaba criando um certo ‘dom’: o de ver acontecimentos do passado, ou do Pra Trás, como ele chama. Tal habilidade colocará nosso personagem em uma tremenda enrascada, pois ele acabará encontrando o corpo de um mendigo perto do rio, e ele tem quase certeza de que viu o culpado: seu pai, que de alguma forma deve ter escapado da prisão.
– Às vezes as coisas parecem ruins, mas na verdade ajudam a gente a melhorar. – Ele tira o cachimbo do bolso e o bate num toco de árvore para esvaziá-lo. Ergue os olhos e sorri para mim. – A natureza sempre cura, Mikey. Sempre. Basta deixar que venha.
P. 123 
“O Céu Noturno em Minha Mente” é o primeiro livro juvenil da autora Sarah Hammond. Infelizmente, para mim, a obra deixou muito a desejar, e em vários aspectos. Para começar, a narrativa de Hammond é engessada e confusa. Mikey narra o livro de uma forma robótica, e a inserção do passado (ou do Pra Trás) durante o presente, torna tudo uma grande bola de neve, que muitas vezes é difícil de compreender.

Apesar de sabermos do acidente que machucou a cabeça de Mikey, e da informação que ele estuda em uma ‘escola especial’, em nenhum momento fica claro se o menino possui de fato algum fator que o classifique como ‘especial’. É inegável dizer que com 14 anos, Mikey tem a postura de uma criança de 8, o que me incomodou um pouco, principalmente pelo fato dele ser a única personagem de grande importância da obra. Ao invés de dar gás, senti que Mikey absorvia as possibilidades da narrativa com seu jeito túrbido e ingênuo.
[...] Fomos corajosos de entrar ali, Timmer-meu-cachorro. Corajosos. E embora eu esteja tonto, as sombras agora ficaram mais silenciosas lá. Ponho a mão no coração e sinto bater, bater, bater. É estranho, mas consigo sentir que outra coisa dentro de mim ficou muito suave e triste e parada.
P. 134
Tenho consciência que este é um livro para um público mais jovem, porém não concordo que seu conteúdo tem que ser mastigado e simplório – e ao mesmo tempo complicado –, pois isso faz com que o autor duvide da capacidade de seu público de absorver a mensagem correta e de ir além dela. A obra conta com um pouco de mistério, mas o mesmo é tão confuso quanto o livro em si, que ao mesmo tempo que é difícil de entender, por outro lado se torna bem óbvio.

Uma coisa que me incomodou bastante foi a falta de uma presença adulta para dar suporte à Mikey. A mãe do menino logo no início tem um colapso, e vai para casa da vó dele, deixando-o sob os cuidados de uma tia tão ausente quanto. Assim, Mikey acaba arranjando um “parceiro” – como ele mesmo chama –, que o leva para beber, e quando ele diz a tia que vai sair de noite com o tal amigo, que possui idade bem mais avançada, a mesma não o questiona ou põe limites.

E a inocência do jovem Mikey é tamanha, que eu não via a hora desse tal “parceiro” utilizar de más intenções para machucá-lo. Até mesmo Timmer, o fiel cachorro que não sai do lado de Mikey, percebeu que a criatura não era flor que se cheire. Porém, Hammond prefere focar mesmo em seu garotinho de 14 anos e em seus nebulosos devaneios ao passado, esquecendo de desenvolver qualquer personagem que não fosse o próprio Mikey.
Não há espaço. Vem um carro no sentido contrário. Ralph enfia o pé no acelerador. Sento-me sobre minhas mãos. Os faróis lampejam. Meus dentes doem. Ultrapassamos o Volvo. O outro veículo freia. Estamos de volta ao lado direito da estrada.
P. 194 
Apesar de uma capa muito bonita e de um título belíssimo, “O Céu Noturno em Minha Mente” se perde ao tentar entregar um livro obscuro para os jovens leitores. A autora possui uma boa ideia, mas sua escrita e desenvolvimento impedem que a obra alcance voos maiores.

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Comentários
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6 comentários:

  1. No inicio da sua resenha a única coisa que senti foi pena do garoto por ter uma vida tao triste. Depois a gente entende melhor a história. Pelo menos com a sua resenha. Uma pena que o livro não superou suas expectativas, acho que ele tinha um enredo bom pra proporcionar uma historia legal. Enfim, trabalhar com esse tema é bem difícil, pois o autor deve saber manusear a historia pra que não fique confusa.

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  2. Oi Tácio!
    Pena que com uma capa tão linda o livro deixou tanto a desejar, acho que o enredo tinha todos os pontos de aspectos para ser uma trama de primeira, mais pelo seu ponto de vista infelizmente não foi isso que ocorreu :(

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  3. Olá, Tácio.
    Eu li a obra e gostei. É claro que há alguns problemas, como os adultos ausentes e a inocência em demasia do protagonista, mas achei interessante a construção do "Pra trás" e isso acabou fazendo a diferença para mim
    Uma pena que você não tenha gostado tanto da obra.
    Ótima resenha.

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  4. achei a capa tao linda que fiquei fascinada! fiquei triste que nao tenha gostado tanto pq estava esperando bastante do livro.acho um tema bem bacana este do livro

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  5. A capa é linda e a sinopse tá bem legal, mas como tudo muda com a resenha! Já me desmotivou logo esse mistura de passada e presente... isso, pra mim, não é narrativa, é bagunça. Outro fato que me incomodou foram adultos ausentes... oi, se ele é "especial", se comporta como uma criança, é óbvio que precisaria da assistência de um adulto.

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  6. Olá Tácio..
    Não me agradou...achei a capa muito confusa e até o título já é meio confuso,obscuro...sinto muito.

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