10 de jul de 2016


[Resenha] De Volta a Blackbrick - Sarah Moore Fitzgerald

Ficha Técnica

Título: De Volta a Blackbrick
Título Original: Back to Blackbrick
Autor: Sarah Moore Fitzgerald
ISBN: 978-85-01-10583-7
Páginas: 238
Ano: 2016
Tradutor: Glenda D’Oliveira
Editora: Galera Record
32Neste livro sensível e delicado, a autora utiliza o universo fantástico para falar sobre memória. O protagonista é Cosmo, um menino que vive com o avô e muitas vezes tem pouca paciência com ele. Na verdade, o avô sofre de Mal de Alzheimer e está perdendo a memória. Um dia, ele dá uma chave a Cosmo e pede que ele vá até a mansão de Blackbrick. O menino descobre que o local é, na verdade, um portal para o passado, e lá encontra o avô aos 16 anos. Com a nova convivência, ele vai conhecer de verdade sua história.

Resenha


Cosmo mora com seu avô, Kevin, e a cada dia que passa ele precisa vê-lo perder a memória. O que acontece é que Kevin sofre de Mal de Alzheimer, e sua condição está extremamente delicada. Há dias em que ele se lembra quem é Cosmo, e há outros dias que não faz ideia de quem seja o menino.

GER_SELO_PARCEIROS_2016_GALERA-7lahjDevido ao avanço da doença, uma médica acredita que Kevin não pode mais morar na sua casa, fazendo com que Cosmo tenha que se mudar e começar a viver com o seu tio. Quando vai se despedir de seu avô, Kevin entrega ao seu neto uma chave e um endereço, dando instruções para que o menino visite o local e utilize a chave para viver uma aventura extraordinária.
– Não tem nenhum remédio de cabeça ou coisa assim que o vovô possa tomar? – perguntei a ela.
– Cosmo, meu amor, ele já toma muitos medicamentos.
– Bem, sem querer ofender, vó, mas acho melhor a senhora voltar ao médico com ele e pedir para ajustar a dose.
– Não é a dose – garantiu ela. – É a doença.
P. 13
A tal chave abre o cadeado de um dos portões da Abadia de Blackbrick, uma propriedade que fica na região mais afastada da cidade, que outrora serviu como uma luxuosa casa, mas que atualmente se resume a escombros. Ao cruzar o tal portão, Cosmo percebe que voltou ao passado, se deparando com a versão de 16 anos de seu avô. Desta forma, o jovem irá aproveitar a oportunidade para tentar mudar alguns eventos do futuro, e talvez assim, conseguir mudar a condição de Kevin.

“De Volta a Blackbrick” é um livro infanto-juvenil escrito pela autora norte-americana Sarah Moore Fitzgerald. Com uma narrativa simples em primeira pessoa, Fitzgerald cria um universo fantasioso para abordar um tema bastante delicado, mas também muito comum. Dedicando o livro ao seu pai, que sofreu com o Mal de Alzheimer, a autora traz provavelmente bastante de suas referências pessoais para dar vida a sua história.
– Certo – começou o garoto. – Vamos deixar uma coisa bem clara: não faça a mais pálida ideia de quem você seja. Mas, seja lá quem for, definitivamente não sou o seu avô. Não sou avô de ninguém. Meu nome é Kevin. Kevin Lawless. Tenho 16 anos.
P. 59
Apesar de ser um entusiasta por viagens no tempo, tenho que admitir que esse não é o forte do livro. Tanto o início quanto o final da obra me agradaram, porém a viagem que Cosmo faz ao passado é o tanto quanto deprimente. Nada demais acontece, e vemos as personagens em um cotidiano morno e o tanto quanto previsível. Ao invés de investir na aventura, onde Cosmo faria de tudo para mudar o futuro, Sarah optou por deixar a personagem acomodada, vivendo no passado como se estivesse curtindo uma simples férias de verão.

Duas coisas me fizeram querer ler esse livro; a primeira deles foi a temática, já que é bastante raro vermos o Mal de Alzheimer ser tratado na literatura, principalmente em um livro voltado para um público mais jovem. O segundo fator foi a capa, que me lembrou as ilustrações originais de “O Mágico de Oz”. E apesar de a autora falar em seu agradecimento que o enredo principal é a doença, eu infelizmente achei que esse tema em si ficou em segundo plano.
Correr não é apenas um sinal de medo, mas de esperança também, um sentimento nos mantém seguindo em frente. Eu corria por meu avô, por sua dignidade e pelas escolhas que ainda achava que tinha. E, por alguns segundos, acreditei que conseguiria.
P. 140
No mais, “De Volta a Blackbrick” é uma leitura que pode ser feita rapidamente. Não tenho dúvidas que irá agradar aos mais jovens. Pessoalmente, gostaria que a autora tivesse aprofundado mais as coisas, e evitado o óbvio em certas situações. De qualquer forma, apesar dos pontos negativos, eu apreciei a leitura.

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Comentários
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6 comentários:

  1. Oi, Tácio! Quando vi a sinopse desse livro pela primeira vez fiquei super interessada. Pena que a viagem no tempo não tenha sido tão bem trabalhada e que a doença tenha sido abordada de forma mais superficial.

    Beijos, Entre Aspas

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  2. Oi Tácio, ao ler sua resenha tive a impressão de que já vi ou li esse livro mas não me lembro. Achei bem interessante a história e chamou minha atenção de forma que terei de ler o mais rápido possível.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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  3. Olá, Tácio.
    Apesar de uma obra que trata de uma doença grave, o livro parece ter sido feito de maneira que a leitura fosse leve, o que é bom, visto que o livro é juvenil. Contudo, o fato de a viagem ao passado não guardar grandes aventuras pode realmente decepcionar.
    Não sei se leria a obra.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de julho. Serão quatro livros e dois vencedores!

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  4. Olá Tácio!

    Olha, livros assim, mais jovens, eu leio apenas para indicar para a minha irmã KKK Mas este acho que nem precisarei ler, sua resenha já mostrou que o livro é muito bom para um publico mais jovem, iniciando suas leituras agora. Adorei!

    Beijos,
    Ana Martines

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  5. Tácio..
    Eu fiquei interessada pela história por ter esse relacionamento de Cosmo com o avô, porque me emociona muito ,tenho muitas lembranças dos meus avós...esse tipo de leitura sempre me tocam.

    E também por retratar o Alzheimer, um mal que, honestamente, me apavora e me chama a atenção..

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  6. adoro livros entre avós e netos. Nunca tinha ouvido falar sobre o livro, mas sua resenha me deixou super curiosa

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