5 de ago de 2016


[Resenha] O Papel de Parede Amarelo - Charlotte Perkins Gilman

Ficha Técnica

Título: O Papel de Parede Amarelo
Título Original: The Yellow Wallpaper
Autor: Charlotte Perkins Gilman
ISBN: 978-85-0301-272-0
Páginas: 112
Ano: 2016
Tradutor: Diogo Henriques
Editora: José Olympio
32Este clássico da literatura feminista foi publicado originalmente em 1892, mas continua atual em suas questões. Escrito pela norte-americana Charlotte Perkins Gilman, ele narra, em primeira pessoa, a história de uma mulher forçada ao confinamento por seu marido e médico, que pretende curá-la de uma depressão nervosa passageira. Proibida de fazer qualquer esforço físico e mental, a protagonista fica obcecada pela estampa do papel de parede do seu quarto e acaba enlouquecendo de vez. Charlotte Perkins Gilman participou ativamente da luta pelos direitos das mulheres em sua época e é a autora do clássico tratado Women and Economics, uma das bíblias no movimento feminista. Esta edição de O papel de parede amarelo, que chega às livrarias pela José Olympio, traz prefácio da filósofa Marcia Tiburi.

Resenha


Uma história que ilustra a relação homem-mulher do século XIX. Durante muito tempo o conto de Gilman foi considerado como uma história de terror, mas os críticos contemporâneos perceberam que por trás daquela narrativa sombria havia elementos que iam além de um simples conto fantástico.


Esposa fragilizada e um marido supostamente preocupado com a situação mental de sua companheira. Pensando em uma maneira de fazer com que a sua mulher melhore dessa doença que ele não conseguiu identificar, John aluga uma casa para que ela possa se recuperar da sua angústia. 

GER_SELO_PARCEIROS_2016_GERO mais esquisito é que o marido é médico e não sabe o que a esposa tem. Outro homem da família, também médico, também não consegue identificar e esses dois homens fazem a protagonista acreditar que ela se encontra em uma situação onde é necessário o isolamento.

Habitando essa casa onde tudo lhe é estranho, a esposa está entregue ao sofrimento psíquico que é tratado com pouco caso pelo marido. Quando ela começa a se queixar do papel de parede que se encontra no quarto, é colocada - mais uma vez - na posição de histérica, de alguém que "faz muito barulho por nada".

Um conto necessário. Não se trata de um conto de terror comi críticos da época gostavam de classificar. A história de Charlotte utiliza de elementos fantásticos para fazer uma crítica a submissão da mulher na sociedade de sua época. A protagonista se empenha em decifrar o papel de parede, essa busca seria a tentativa de sair dessa situação. O padrão do papel era também um lembrete de que a protagonista não podia fugir dessa relação de desigualdade. Em diversos momentos a protagonista conta como é tratada de histérica pelo seu marido e como esse comportamento seria "típico das mulheres". O conto é todo narrado pela esposa, onde percebemos como a própria era convencida de que deveria se colocar numa posição inferior até a reviravolta no final da história. É para ser lido com bastante atenção, a crítica de O papel de parede amarelo está nas entrelinhas. A situação de enclausuramento da mulher em uma sociedade que a oprime e não leva em consideração as suas necessidades.
E o tempo todo tenta escapar. Mas não há quem consiga atravessar esse padrão - ele é asfixiante; acho que é por isso que tem tantas cabeças.
Assim que elas conseguem atravessar, o padrão as estrangula e as vira de cabeça para baixo, e faz com que seus olhos fiquem brancos!
Se essas cabeças fossem cobertas ou removidas não seria tão ruim.
P. 56
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Comentários
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7 comentários:

  1. Olá Auri.
    O interessante dessa obra é que, apesar de ter sido escrita no século anterior, como uma crítica a situação social das mulheres na época, ainda pode ser abordada como um tema atual. Afinal, ainda existem milhares de mulheres nessa situação: sendo submetidas ao marido e sofrendo abusos psicológicos da parte deles, por se tratarem de seres "inferiores".
    Gostei bastante da sua resenha e fiquei bem curiosa com o livro por trazer essa crítica em seu enredo.

    Confissões de uma Mãe Leitora

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  2. Já havia lido uma resenha desse livro e tinha ficado muito interessada, mas até hoje não tive oportunidade de lê-lo, são tantos livros na estante. Mas agora lendo sua resenha relembrei do quanto a história parece ser interessante, e as críticas contidas no livro também me fazem ficar muito curiosa, portanto pretendo ler sim, assim que puder.

    Abraços :)

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  3. Primeira vez que vejo esse livro. E tipo assim. Como ainda não li. Adorei a resenha preciso muitoler. Urgente mesmo. Obrigada pela dica

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  4. Oi Auri, essa é uma obra antiga mas com uma mensagem atual e é triste perceber que os anos passam, mas os problemas persistem. Esse pode até não ser um conto de terror como vc disse mas a ideia de que não evoluímos essas questões é aterrorizante :/

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  5. Oi Auri...
    Se eu visse esse livro numa estante jamais pegaria pra ler...não gostei da capa e o nome não me desprtou curiosidade,mas sua resenha sim,despertou minha curiosidade para saber como desenrola essa história..

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  6. Que tema atual. Apesar de ser um clássico, não tinha ouvido falar nesse livro =/

    O nome não chama muito a atenção do leitor, pelo menos não chamou minha atenção.
    Beijos, Jeh

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  7. Oi Auri...
    Gosto muito dessa temática do livro, que mostra a relação do papel do home e da mulher dentro da sociedade, principalmente no passado. Parece ser um livro bem forte e emocionante... Espero poder ler em breve...
    Beijinhos...

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