6 de set de 2016


[Resenha] Apenas um Garoto - Bill Konigsberg

Ficha Técnica

Título: Apenas um Garoto
Título Original: Openly Straight
Autor: Bill Konigsberg
ISBN: 978-85-8041-589-6
Páginas: 356
Ano: 2016
Tradutor: Rachael Agavino
Editora: Arqueiro
55Rafe saiu do armário aos 13 anos e nunca sofreu bullying. Mas está cansado de ser rotulado como o garoto gay, o porta-voz de uma causa. Por isso ele decide entrar numa escola só para meninos em outro estado e manter sua orientação sexual em segredo: não com o objetivo de voltar para o armário e sim para nascer de novo, como uma folha em branco. O plano funciona no início, e ele chega até a fazer parte do grupo dos atletas e do time de futebol. Mas as coisas se complicam quando ele percebe que está se apaixonando por um de seus novos amigos héteros.

Resenha


Rafe está cansado de ser o garoto gay da escola. Quando ele revelou sua sexualidade aos 13 anos, não sofreu nenhuma represália: seus pais comemoraram, seus amigos continuaram lhe tratando da mesma forma, e até mesmo na escola seus colegas lhe respeitavam. Porém, apesar de toda essa normalidade perante uma situação que é extremamente conhecida pelos tabus sociais, Rafe quer experimentar algo novo: não ser mais o garoto gay, e sim, somente o Rafe, um garoto como qualquer outro.

Blog parceiro ArqueiroCom essa ideia na cabeça, Rafe decide mudar de escola, e também de cidade. Deixando para trás Boulder, uma pequena cidade no Colorado, Rafe vai em direção à Natick, outro vilarejo que fica em Massachusetts, local onde irá frequentar os dois últimos anos do ensino médio, em uma instituição somente para meninos. Sem explicar muito bem o motivo da repentina mudança, Rafe terá que aguentar o questionamento de seus pais, que não admitem que seu filho “volte para o armário”, ou a decepção de seus amigos, que se sentem abandonados. No topo disso tudo, Rafe terá que aprender a lidar com as novidades de sua nova rotina, incluindo o delicado processo de se apaixonar por um de seus novos amigos… que por acaso é hétero.
Como seria isso?, pensei. Nunca mais voltar a ser a pessoa que eu era antes. Nunca mais ter que me destacar como diferente, poder me misturar na multidão, ser esse novo Rafe, descomplicado, para sempre? A ideia me fez estremecer.
– Eu vou voltar – repeti, e minha voz falhou um pouco.
– Você não vai ser o mesmo – disse ela.
– Talvez não – respondi.
P. 52-53 
“Apenas um Garoto” é um delicioso romance escrito pelo premiado autor norte-americano Bill Konigsberg. Com uma narrativa em primeira pessoa, o autor consegue contar sua história de uma forma bastante verdadeira e com um vasto leque de temas delicados, tudo retratado de uma maneira extremamente leve e divertida, mas sempre com muita reflexão nas entrelinhas.

O grande destaque desta obra é claramente o diferencial da temática LGBTT. Ao invés de acompanharmos a jornada de uma personagem tentando impor sua verdade, vemos uma que tenta a todo custo esconder sua orientação sexual, pois a mesma está cansada de ser somente um rótulo, afinal, ninguém é conhecido como “o garoto hétero”. Esse questionamento criado por Konigsberg é bem interessante, pois o autor trabalha muito bem os dois lados da situação, e toda hora questiona a atitude da personagem principal, sem exatamente condená-lo por qualquer de suas escolhas.
– Mãe, eu não sou gay em Natick.
– Você é… hétero?
– Não.
– Bi? Curioso? Transgênero?
– Pare com isso, mãe. Eu só não sou gay.
– Só não é gay – disse ela, como se lesse algum item estranho no cardápio.
– Isso.
– Mas você ainda é gay.
– Claro.
P. 110 
Além de um bom plot, “Apenas um Garoto” conta com personagens ricos e bem desenvolvidos. Desde Rafe, passando por seus pais e amigos de escola, o leitor sempre encontrará em cada um deles caracteristicas únicas, que ajudam a trazer à tona diversos temas que precisam ser tratados de uma forma mais natural e aberta: seja o menino gay que joga futebol, os pais que aceitam muito bem a sexualidade de seu filho, a amizade entre gays e héteros, o preconceito racial dentro das instituições de ensino, a depressão em adolescentes, etc.

Apesar da capa ter me agradado, eu mudaria ela um pouquinho, tirando os dois rapazes desenhados na parte inferior, pois é meio desnecessário e acaba quebrando o tom da arte. Tirando isso, só tenho elogios à obra, que conta com capítulos bem curtinhos, dando uma fluidez a leitura, que pode ser finalizada em apenas poucas horas. Com refinamento e beleza, Bill Konigsberg conseguiu criar um livro bonito, sincero e de uma delicadeza fora do comum. Sem dúvidas uma excelente pedida para os fãs de romance.
– Na Índia, os homens andam de mãos dadas na rua – disse Ben ao pé do meu ouvido.
– Sério?
– Faz parte da cultura deles. Os indianos não fazem nada de mais, sabe, sexualmente falando. Eles só se dão as mãos. Aqui, isso seria estranho.
– Nós, americanos, ficamos muito incomodados com esse tipo de coisa – comentei. – Por que todo mundo tem que fazer alarde de tudo? Por que precisamos sempre rotular as pessoas?
P. 152
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Comentários
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17 comentários:

  1. Adorei a proposta do livro, um garoto que é assumidamente gay mas não quer ser conhecido só por isso e agora entendi o porque do titulo do livro. Concordo com Rafe, quem quer ser rotulado por causa de uma de suas características ??? Ser magro/ gordo/ usar óculos/ gay/ etc. Uma parte não representa o todo. Fiquei curiosa para ler e saber como ele vai lidar por estar se apaixonando pelo amigo hétero (e como esse amigo reagiu) Acho que essas obras que retratam temática LGBTT, preconceito, depressão deveriam ser aconselhados a serem lidos nas escolas para ver se assim consegue melhorar a cabeça das pessoas

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    1. Oi Ilana,
      sem dúvidas é um daqueles livros que servem pra gerar muito reflexão. Seria uma boa pedida pra utilizar nas escolas mesmo.

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  2. Oi Tácio, esse é um livro com um tema importante e escrito de uma forma inovadora, pois geralmente vemos os personagens tendo dificuldades para se assumir e não se "esconder" o que eu achei bem legal. O livro não é tão curtinho, 356 páginas, mas como você conseguiu lê-lo em poucas horas, penso que a escrita do autor deve ser bem envolvente. O quote da página 110 é ótimo, e me leva a crer que a relação com os pais é boa e um dos pontos fortes do livro. Só fiquei com uma dúvida, ele se assume com 13, mas com que idade ele resolve que quer "voltar pro armário"?

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    1. Oi Lili,
      O livro é delicioso, e muito rápido de ler. E em relação as quotes, eu tinha separado MUITAS, e na resenha acabou saindo só essas três =[ O livro é cheio desse humor e também de reflexões das outras quotes.
      E ele se assume aos 13 anos, e quando muda de cidade é com 16/17, se não me engano.

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  3. Já li tantas resenhas desse livro que parece que eu já sei a história toda. A capa é bastante vibrante e eu gostei demais dela. Esse livro foi muito bem divulgado e só vejo comentários positivos sobre, não estou colocando como prioridade, mas adoraria conhecer essa história, principalmente por ser meio "ao contrário". Um garoto que é gay assumido querendo se mostrar hetero. Imagino que o autor tenha desenvolvido o tema muito bem.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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    1. Oi Eduarda,
      bota como prioridade haha, não vai se arrepender! =p

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  4. Olá.
    Esse livro está na minha lista desde que começou sua divulgação. Gosto desse tema e a premissa está demonstrando um ótimo desenvolvimento da história. Quero muito ler. Um tema delicado e muito importante, principalmente para a formação dos jovens. A resenha está ótima, me motivou mais ainda para fazer a leitura. Beijos.

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    1. Obrigado Márcia, leia mesmo e depois venha me dizer sua opinião.
      Beijão!

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  5. Uma coisa que eu acho complicada é a idade que o personagem apresenta.. 13 anos é tão criança, você não acha ? Não digo isso só por ele ser gay, também seria se fosse um caso de heterossexualidade.
    Enfim, esse garoto também é bastante confuso kkk todo mundo o aceita e não é isso que ele quer? Vai entender !
    Não sei se eu leria, não é muito o tipo de minha leitura habitual, mas fico curiosa em como o autor trabha a história com uma outra visão, que não a do preconceito.
    Beijos

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  6. Eu estou com bastante vontade de ler esse livro. Ele parece ser bem interessante, e eu acho que vou gostar muito da história dele. E achei bem diferente o Rafe querer "voltar" para o armário. O livro já está na minha listinha, e eu espero ler ele logo :)

    Beijos!

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  7. Adoro romances, e com certeza adoro quando tem temática LGBTT. Já estou querendo ler esse livro faz um tempinho, e assim que eu puder comprar, vou ler. Estou bem curiosa com o Rafe, pois é realmente o autor usou um jeito de diferente de tratar o assunto.

    Abraços :)

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  8. Tácio!
    Um adolescente bem resolvido em relação a sua orientação sexual já é bem difícil de encontrar, e ver que ele tem maturidade suficiente para não ser rotulado, torna o livro ainda mais interessante pela abordagem dada pelo autor.
    “Educar é semear com sabedoria e colher com paciência.” (Augusto Cury)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de SETEMBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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  9. Olá!
    Estou curiosa com este livro pelo fato dele ser diferente de todos os livros que vemos por aí com protagonistas homossexuais. Aqui não tem o drama de não ser aceito, o preconceito na sociedade... E só esse fato já me ganhou como leitora.
    Quero ler e conhecer uma obra pela perspectiva de alguém que é aceito e não apedrejado por sua opção sexual.

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  10. OI..
    Gostei bastante da premissa do livro e já tava na minha lista de leitura,apesar de nao gostar de livro "autobiografico"esse com certeza eu leria,principalmente por mostrar que ainda existe pais que aceitam a sexualidade do filho e as vezes é a propria pessoa que tem preconceito consigo mesmo... Muito boa resenha.
    Um abraço e muito sucesso :)

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  11. eu achei interessante a temática desse livro, ainda por cima que ele não quer se conhecido só por o garoto gay,
    parece ser um livro ótimo a ser trabalhado em escolas. é triste que ainda exista tanto preconceito que a pessoa tem problemas para se aceitar (sem contar com o medo)
    além da questão de rótulos.
    mas apesar de parecer um livro ótimo sabe aquela sensação de já passei da idade

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  12. Apesar de ser uma temática importante a se abordar,acho que os livros com esse tema estão se tornando cada vez mais frequente o que torna tudo mais repetitivo. Mas concordo com o que falaram aí em cima,nas escolas seria legal ele ser abordado. Enfim minha opinião!

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  13. Esse livro parece ser interessante. Eu gosto de livros com temática LGBTT. E esse livro parece ser bem diferente dos outros que li. Achei legal ele ser com uma criança, e achei legal o Rafe não querer ser rotulado apenas como um garoto gay. Fiquei bem interessada na história, e já coloquei o livro na minha lista quase infinita kkkkk
    Bjss ^^

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