16 de set de 2016


[Resenha] Evangelho de Sangue - Clive Barker

Ficha Técnica

Título: Evangelho de Sangue
Título Original: The Scarlet Gospels
Autor: Clive Barker
ISBN: 978-85-66636-85-7
Páginas: 320
Ano: 2016
Tradutor: Alexandre Callari
Editora: DarkSide® Books
57Evangelho de Sangue oferece uma junção clara dentro do universo de Barker. Os leitores mais atentos já perceberam que as histórias dele se passam em um mesmo universo, mas, agora, o mundo de Hellraiser é explicitamente unido ao do detetive Harry D’Amour – que aparece em outras histórias do autor, como o conto “The Last Illusion”, presente no sexto volume dos Livros de Sangue, e no romance Everville. D’Amour, que se dedica a investigar casos sobrenaturais, mágicos e malignos, vem encarando seus demônios pessoais há anos. Quando ele se depara com uma Caixa das Lamentações, seus demônios internos são substituídos por demônios de verdade, conforme ele se vê enredado em um terrível jogo de gato e rato, absolutamente complexo, sangrento e perturbador. Evangelho de Sangue reconduz os leitores ao tempo marcado por dois de seus mais icônicos personagens, que conduzem a história em uma batalha entre o bem e o mal tão antiga quanto o tempo, onde o autor conecta a mitologia de Hellraiser ao Inferno bíblico.

Resenha


Harry D’Amour é um detetive que lida com o oculto, e que há anos, tenta infrutiferamente livrar-se dos demônios: tanto os metafóricos, quanto os reais. Certo dia, Norma – uma amiga de D’Amour que apesar de ser cega, possui um dom da visão do outro mundo, conseguindo se comunicar com os mortos –, pede que Harry vá até uma antiga casa onde ocorriam festas regadas a sexo, para prevenir que a viúva de um certo espírito descobrisse tal obscuro fato de seu falecido marido.

Indo até o local indicado pela entidade, Harry acaba encontrando na tal residência a Caixa de Lemarchand, objeto conhecido por abrir dimensões, e assim, possibilitando os Cenobitas, entidades que com sua violência e crueldade, se satisfazem através da dor alheia. Apesar de Harry não abrir a caixa, a mesma vai se transformando sozinha até que se rompe e cria um portal direto com o inferno. E é aí que os demônios de D’Amour começarão a tomar suas verdadeiras formas.
“O que quer provar? Acha que se matar um número suficiente de pessoas da pior forma possível, darão a você um nome como o Louco ou o Açogueiro? Não importa quantas torturas abomináveis você cometa. Sempre será o Pinhead.”
P. 27
Após perceber que visitar a casa foi uma cilada armada por alguém em outro plano espiritual, Harry consegue fugir, porém não previne que o mal fosse libertado. Os demônios conseguem capturar Norma, levando-a para o Inferno, dando ao detetive uma única opção: atravessar o portal e ir salvar sua amiga com suas próprias mãos. Com a ajuda de três outros amigos, Harry D’Amour enfrentará as mazelas de um Inferno bastante peculiar, na tentativa de encontrar Norma com vida, sendo lembrado constantemente, que a sua própria está em risco.

Depois de publicarem “Hellraiser: Renascido do Inferno”, a Darkside aposta em mais uma obra do escritor, diretor, artista plástico e roteirista inglês Clive Barker. “Evangelho de Sangue” é o último livro escrito até então por Barker, lançado originalmente em 2011. Utilizando de sua escrita fantástica e com atmosfera de terror, Clive tenta inserir nesta obra o famoso universo de “Hellraiser”, sem que exatamente esteja contando mais uma história sobre Pinhead, o mais conhecido dos Cenobitas e a cara de todo o legado criado por Clive Barker e Hellraiser nos últimos 30 anos.

Caso você não o conheça, esse é Pinhead 

Utilizando de uma narrativa grotesca e crua, Barker inicia “Evangelho de Sangue” com um prólogo, que apesar de destoar do restante da obra, apresenta ao leitor pequenos capítulos com o mais alto teor de brutalidade, característica que o autor vai deixando de lado no decorrer da história. Independente desta quebra, Clive não abre mão de colocar suas personagens em constante situações de perigo, muitas vezes somente para dar ao leitor um gostinho de como ele sabe escrever passagens ferozes.

Apesar do grande teor violento, a obra não se resume somente a isto. Clive tem uma escrita gostosa, que apesar da mesma ser bem elaborada e muitas vezes densa, faz com que a leitura flua rapidamente, já que você não consegue largar o livro até o capítulo final. Achei que algumas passagens foram um pouco desnecessárias, principalmente quando o foco fugia de Harry e seu grupo, para focar nos demônios, e ainda que essas passagens sejam mais curtas do que as demais, isso não exclui o fato de que ocorre uma quebra na narrativa.
Harry soube o que era no instante em que a trouxera à luz. Era uma caixa de segredo, uma peça mais valiosa e perigosa do que todo o restante da coleção de Goode junto.
P. 64 
Não posso deixar de falar da bela edição mais uma vez caprichada e que só poderia ter sido feita pela Darkside. O livro conta com uma capa exclusiva que pode gerar uma certa polêmica por parte dos mais conservadores, e que foge completamente das versões internacionais. Não nego, eu gostei muito desta capa, e sinto muito por ela não ter os detalhes em dourado igual a de “Hellraiser”. Dentro, o livro é lindíssimo: as partes internas da capa e contra-capa são em dourado brilhante, além de contar com um marca página com a mesma arte da capa.

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Capas internacionais de “The Scarlet Gospels” 

Para quem não conhece os trabalhos de Clive Barker, eu indicaria começar essa ‘amizade literária’ com “Hellraiser”, que por sinal é maravilhoso e super curtinho. “Evangelho de Sangue”, apesar de utilizar de uma atmosfera parecida ao consagrado livro de Barker, peca por não ser exatamente criativo, beirando muitas vezes a histórias mitológicas gregas. Mas, mesmo assim, eu gostei da leitura, e é notável como Barker consegue misturar majestosamente terror com fantasia, fazendo um caldeirão que envolve desde magia e fantasmas, até religião e banhos de sangue.
“Tudo é morte, mulher. Tudo é dor. O amor gera a perda. O isolamento gera ressentimento. Não importa a direção que nos viramos, sempre somos feridos. Nossa única herança verdadeira é a morte. E nosso único legado, o pó.”
P. 170
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Comentários
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12 comentários:

  1. A história parece ser bem interessante mesmo que eu não tenha entendido alguns termos kkkk Apesar do livro parecer terror eu não vi dessa forma e até leria. Gostei muito desse mundo que o Cliver criou que tem portais, demônios, pessoas que conseguem ver o futuro. Adorei Pinhead (esse gif é do filme ? E se sim, ele também se chama Hellraiser ?) Também preferi a capa versão Darkside. Já coloquei na listinha para procurar e ler livros do Barker

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  2. Olá!
    Se é DarkSide, claro que está na minha lista! As capas são fantásticas e quase sempre as premissas me conquistam. Gosto desse gênero e lendo sua resenha, fiquei mais motivada e ansiosa para ler! Obrigada pela dica, anotadíssima! Abraços.

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  3. Gente, amei a proposta. O livro parece ser super tenso, diferente e você ainda disse que as vezes a leitura é leve e gostosa. Tem coisa melhor do que isso? Eu tenho gostado muito de sair da minha zona de conforto e me arriscar por outros gêneros e essa história parece ser totalmente impactante. A capa é bem perturbadora, o que me deixou ainda mais curiosa.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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  4. Oi Tácio, então... infelizmente esse livro não combina comigo, é só olhar essa imagem do Pinhead que eu não conhecia e só a foto já me deixou com medo kkkkk. Sobre o livro Evangelho de Sangue acho que apesar de ser mas fraco que seu antecessor como você afirma deve agradar a quem curte o gênero e já acompanha as histórias do detetive. ;)

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  5. Não é o tipo de livro que leio,mas parece ser bem assustador sem contar as capas de outros paises. Darkside tá arrasando!

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  6. Eu confesso que esse livro me atrai mais pela edição, do que pela história. Acho todos os livros da Darkside lindos, e esse livro está muito lindo também! A história dele não me atrai tanto, e eu não gosto muito de livros violentos... Até tenho um pouco de vontade de ler esse livro, mas não é uma prioridade...

    Beijos!

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  7. Apesar da edição muito bem feita pela Darkside, não acho que gostaria de ler esse livro. Eu gosto de terror, mas chega um ponto que não dá muito certo pra mim, quando tem muita violência, eu não conseguiria ler. Mas gostei da resenha.

    Abraços :)

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  8. Vou te falar que eu não leroa esse livro não, confesso que sou um pouquinho medrosa kkkkk sei lá, achei o tema tao complexo. Alem de não ser muito minha leitura habitual. A capa ta a mais bonita das apresentadas 😉
    Beijos

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  9. falar das belas edições da darkside é quase um pleonasmo
    eu quero muito ler esse livro, mas acho que vou seguir sua dica e começar com o Hellraiser ;)

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  10. Tácio!
    Terror..adoro!
    Já li Hellraiser (e também assisti o filme) e claro que fiquei interessadíssima em ler Evangelho de sangue, embora me pareça mais cruel e bruto que o anterior.
    As edições da editora sempre valem a pena.
    “A vida guarda a sabedoria do equilíbrio e nada acontece sem uma razão justa.” (Zíbia Gasparetto)
    cheirinhos
    Rudy

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  11. Nossa, eu já estou doida por esse livro a muito tempo! A história realmente não parece ser muito criativa, mas parece ser tão boa! O livro realmente parece ser bem violento, mas isso não me incomoda muito não kkkkkkk
    E essa edição está simplesmente linda, eu vi o livro na livraria e me apaixonei pela edição. Com certeza quero na minha estante kkkk
    Bjss ^^

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  12. OI..
    Terror nao é um genero que eu goste nem em livro nem em filme e apesar da premissa do livro parecer ser bem interessante e a capa ser realmente lindissima,acho que nao leria o livro,por realmente nao ser um genero que leio..
    Um abraço e muito sucesso :)

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