5 de out de 2016


[Resenha] Pax - Sara Pennypacker

Ficha Técnica

Título: Pax 
Título Original: Pax
Autor: Sara Pennypacker
Ilustração: Jon Klassen
ISBN: 978-85-510-0022-9 
Páginas: 288
Ano: 2016
Tradutor: Regiane Winarski
Editora: Intrínseca  
49Peter e sua raposa são inseparáveis desde que ele a resgatou, órfã, ainda filhote. Um dia, o inimaginável acontece: o pai do menino vai servir na guerra, e o obriga a devolver Pax à natureza. Ao chegar à distante casa do avô, onde passará a morar, Peter reconhece que não está onde deveria: seu verdadeiro lugar é ao lado de Pax. Movido por amor, lealdade e culpa, ele parte em uma jornada solitária de quase quinhentos quilômetros para reencontrar sua raposa, apesar da guerra que se aproxima. Enquanto isso, mesmo sem desistir de esperar por seu menino, Pax embarca em suas próprias aventuras e descobertas.

Resenha

Certa vez, o menino Peter resgatou um filhote de raposa orfã que encontrou na floresta, o Pax, e juntos eles cresceram e se tornaram amigos inseparáveis. Porém, a guerra se aproxima, e o pai de Peter se alista para ser um combatente, desta forma, ele exige que o menino vá morar com seu avô, e que ele liberte Pax na natureza.

SELO_BLOGSPARCEIROS_2016Após largar Pax no meio de uma velha estrada e chegar na casa de seu avô, Peter percebe o grande vazio que lhe acomete. Ali não é o seu lugar, pelo menos, não sozinho, sem o seu melhor amigo. Decidido a resgatar Pax, o rapazinho foge de casa, e ele acredita que nem mesmo a guerra ou os mais de 400km que lhe separam de sua raposa, irão fazê-lo desistir de reencontrá-la novamente.
Quando a guerra chegar, eles vão ficar descuidados.
O que é guerra? 
Cinzento hesitou.
Tem uma doença que às vezes dá nas raposas que as faz deixar de agir de maneira normal e atacar estranhos. A guerra é uma doença humana parecida.
P. 72 
“Pax” é uma excelente e linda história escrita pela autora Sara Pennypacker. Com uma narrativa extremamente rica e personagens muito bem desenvolvidos – e humanizados –, Pennypacker consegue criar ao mesmo tempo uma obra com ares juvenis, mas com o peso de um clássico contemporâneo.

A narrativa de “Pax” é compartilhada entre Peter e o Pax, e apesar da raposa não poder falar, Pennypacker conseguiu achar uma forma de transpor ao leitor todos os sentimentos e intenções durante estas passagens animalescas. Achei incrível como a autora decidiu trabalhar com poucos diálogos durante as quase 300 páginas, e mesmo assim, ela foi capaz de prender seu leitor através de sua rica descrição e desenvolvimento fluido. Essa técnica é rara de se encontrar hoje em dia, principalmente em obras que hipoteticamente foram escritas para um público infantojuvenil.
– Agora ele está sozinho por causa de uma guerra. Eu abandonei minha raposa por causa de uma guerra. Guerra, não paz. Como isso se chama? Ironia? Só sei que agora Pax é um péssimo nome. Ele provavelmente vai morrer por causa de uma guerra.
P. 127-128 
Além da excelente escrita no departamento narrativo, a autora foi extremamente feliz ao conceber suas duas personagens principais – fora as coadjuvantes também. Tanto Peter quanto Pax, possuem uma excelente carga emotiva para serem desenvolvidas durante suas trajetórias solitárias. Enquanto o menino luta para se tornar uma figura distinta de seu pai, optando por ser um reflexo menos borrado daquilo que seu pai se tornara, Pax enfrenta a vida selvagem, que é sua por natureza, mas que lhe foi arrancada quando ainda era um filhote. É espetacular poder ver essa desconstrução de ambos, ainda mais quando elas acontecem de uma forma bem poética e recheadas de emoção e sentimentos.

Para enriquecer ainda mais esta beleza literária que é “Pax”, a Intrínseca optou por publicar uma edição super especial do livro. Além das poucas, mas belas ilustrações de Jon Klassen, a obra conta com uma capa dura, com uma linda ilustração em cores do próprio Klassen. Tais imagens casam muito bem com o livro, pois trazem um aspecto simplista, mas que ainda assim conseguem transparecer profundidade.
[...] Ele não é tão jovem, mas não está doente de guerra. No último dia que o vi, ele cuidou de mim, mesmo sofrendo. Caía água dos olhos dele.
Os olhos dele estavam machucados?

Pax pensou por um momento sobre o mistério do choro.
Não. Quando ele machuca alguma outra parte do corpo, os olhos derramam água. Escorre pelo rosto. Acho que essa água que sai do olho alivia a dor. Mas a respiração… ele tenta engolir o ar, como se estivesse se afogando com a água de dor.
P. 199 
Apesar do final do livro não ter sido uma surpresa para mim, já que na metade dele eu esperava tal desfecho, “Pax” conseguiu gerar reflexão e marcar. Com uma história simples e apenas utilizando de uma boa narrativa e bons personagens, Sara Pennypacker foi feliz ao escrever uma obra tão bonita e recheada de bons questionamentos, tanto para os mais jovens quanto para os mais adultos. Sem dúvidas, “Pax” é um daqueles livros que deixamos guardado na mesinha de cabeceira… ou simplesmente em nossos corações.
– E se eu me perder?
– Você não vai se perder.
– De repente eu já estou perdido.
Vola esticou a mão por cima da mesa, acariciou a cabeça dele e insistiu:
– Não. Você se encontrou.
P. 224
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Comentários
10
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10 comentários:

  1. Nã sei por quê direito, mas essa história me lembra MUITO o cão e a raposa, mas acho que é mais o sentimento de nostalgia. É uma história bem legal que vem pra emocionar, e eu gostaria muito de ler esse livro. Foi ótimo saber a sua opinião.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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  2. Já tinha visto várias coisas sobre esse livro, e mesmo não sendo o tipo que eu costumo ler, sua resenha me deixou super curiosa com a história. Já quero saber o que acontece com o Pax e o Peter no fim das contas. E essa edição da Intrínseca está linda.

    Abraços :)

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    Respostas
    1. Que bom que gostou da resenha, Ingrid!
      Pode conferir o livro, é muito bom!

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  3. Eu sempre falo que livros infantis não são meus favoritos, mas esse é tão fofo, tão natural e amigável, que não tem como não se apaixonar pela leitura. Adorei a sua resenha, passou a inocência que tal livro transparece. Imagino as aventuras que eles tenham passado, e seria uma leitura minha, sem duvida.
    Abraços

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  4. Tácio!
    Interessante é saber que um livro com poucos diálogos e muita narrativa, não se tornou enfadonho e mais... saber que o autor consegui demonstrar os sentimentos de ambos personagens, mesmo um sendo um animal, o que torna a carga emocional do livro bem profunda.
    “Conhecimento sem transformação não é sabedoria.” (Paulo Coelho)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de OUTUBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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  5. Desde a primeira vez que li a respeito deste livro eu me apaixonei e desde então estou curiosa para ler e conhecer um pouco mais da história.

    Parece ser incrível e emocionante.

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  6. Desde a primeira vez que li a respeito deste livro eu me apaixonei e desde então estou curiosa para ler e conhecer um pouco mais da história.

    Parece ser incrível e emocionante.

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  7. Estou bem curiosa em relação a esse livro mas tenho medo de me decepcionar,e todo mundo está falando que ele é o novo extraordinário fiquei bem balançada. Parece um conto de fada,e quero na verdade pegar emprestado pra saber se gosto.

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    1. Oi Elaine,
      Eu AMO Extraordinário, e NUNCA, JAMAIS, faria essa comparação. São duas coisas completamente diferentes, apesar de ambos serem muito bons.

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