25 de jun de 2017


[Livro x Filme] Tudo e Todas as Coisas


Se vocês forem tão velhos quanto eu, talvez se lembrem de um filme velhíssimo (mentira, é de 2001) chamado Jimmy Bolha, em que o Jake Gyllenhaal é um garoto com o sistema imunológico comprometido e que é incapaz de combater germes. Quando parte numa aventura, ele anda por aí numa bolha gigantesca que impede que o corpo dele entre em contato com vírus e bactérias e entre em colapso. Quem tem mais ou menos o mesmo problema é a Maddie, protagonista de Tudo e todas as coisas, um dos romances YA mais fofurinhas que eu já li.


A Maddie não sai por aí numa bolha, na verdade ela nem sai de casa. Sob a supervisão da mãe, que é médica, e da enfermeira Carla, ela passou todos os seus dezessete anos em casa, tendo como única companhia os livros que compra pela internet e são esterilizados antes de chegarem até ela. Ela é uma garota inteligente e gentil que é podada pela falta de contato humano, mas que consegue manter o otimismo mesmo assim. E seus dias passam na eterna rotina de checar todas as funções vitais, ler, estudar arquitetura online e fazer resenhas dos livros. Até que (tan dan daaaaaan) uma família se muda para a casa do lado e o Olly sai do caminhão de mudanças.

namore alguém que te olhe como o Olly olha pro bolo bundt pra Maddie

Ah, o Olly… O skatista que só veste preto, precisa de um corte de cabelo e parece mais cínico e blasé do que realmente é. Bem o meu tipo quando eu era adolescente. Mas por trás desse exterior de durão e resiliente, ele é só um garoto mais legal que a média, desesperado pra salvar a própria família e muito divertido. Talvez toda a bondade e gentileza dele venham do fato de que a família dela é disfuncional e não representa o que ele espera de uma relação. O relacionamento dele com a Maddie, que começa com o sequestro desesperador de um bolo bundt, evolui de forma tão carinhosa e respeitosa que é quase um manual de como ter um relacionamento saudável.

(Eu sei que parece que eu tô batendo palma pro óbvio, mas numa época em que as pessoas não sabem diferenciar romance de relacionamento abusivo - cof cof cinquenta tons de cinza cof cof - , é bom lembrar que alguns livros representam relacionamentos minimamente decentes.)

Quando a Carla meio que contrabandeia o Olly pra dentro da casa, ele e a Maddie começam a se relacionar sem que a mãe dela saiba. Quando eles se beijam, é como se ela descobrisse uma nova realidade, uma onde ela não é doente e pode viver como uma adolescente comum. Maddie então resolve dar uma chance pra essa realidade que merece ser vivida.


O filme acerta em escalar dois atores carismáticos e fofos como protagonistas. A Amandla Stenberg (a eterna Rue de Jogos Vorazes) tem trejeitos muito parecidos com os da Maddie do livro e o Nick Robinson consegue expressar as melhores características do Olly. E muitos pontos pro filme por não manter o corte de cabelo pavoroso que ele faz no livro! (Eu teria tido um troço se tivessem cortado o cabelo lindo que ele tem no filme) A Anika Noni Rose, que interpreta a mãe da Maddie e, pasmem, fez a voz da Tiana de A princesa e o sapo, me pareceu menos convincente. Poucas coisas são mais falsas do que o gesto que ela faz pra ajeitar o cabelo em uma das cenas.

Eu aposto que tem dedo da Amandla na trilha sonora. Por acompanhar o perfil dela nas redes sociais, eu sei que ela é ativista e a diversidade dos cantores, o que é incomum pra Hollywood, é o tipo de coisa que parece pensada. Algumas das músicas soam melhor fora do filme e as melhores são as cantadas por mulheres. O figurino é cheio de roupas bonitinhas em tons pastel, o que combina com o clima fofinho do filme.

Apesar de ser uma adaptação bem próxima do material original, os diálogos do filme não funcionam tão bem quanto os do livro. Parece que algumas linhas foram cortadas ou alteradas e a conversa que soa natural no livro parece engessada no longa. Ficou faltando alguma coisa para deixar os diálogos mais fluidos e leves. O resultado é que o potencial da história não ficou tão bem desenvolvido quanto poderia. Ainda assim dá pra se divertir com um romance água-com-açúcar bem levinho e divertido. 

Numa escala de um a cinco romances adolescentes fofinhos, o quanto eu gostei do filme:

Comentários
5
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5 comentários:

  1. Tammy!
    Não li o livro e também não assisti o filme ainda, mas fico feliz em saber que o filme ficou bem próximo do livro, apesar de alguns cortes nos diálogos.
    Assisti o filme do Jimmy Bolha há tantos anos, mas ainda lembro do sofrimento por viver dentro da bolha, deve ser bem complicado para quem tem esa doença.
    Desejo uma ótima semana!
    “O que importa afinal, viver ou saber que se está vivendo?” (Clarice Lispector)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE JUNHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  2. Oi Tamy
    Tô qrendo mt ver o filme mas ainda n li o livro
    Hj tenho a última prova do semestre e vou correr p ler o livro
    heheheheheheeheh

    Resenha mt boa!!

    Bjooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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  3. Hey,

    Ainda não li e nem assistir o filme, mas já ouvi falarem super bem deles. Agora tô louca pra ler ele para eu poder assistir ao filme.

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  4. amei tag acho muito fofo apesar de nao ter lido livro nem assistido o filme mais quero muito muito ler serio so ouso falerem bem
    amei as imagem rsrs
    beijos

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  5. Olá,
    Já tinha lido varias resenhas sobre esse filme e o livro, eu claramente me apaixonei pela historia, ela e incrivelmente maravilhosa. Realmente, não sou tão velha mas já assisti esse filme de 2001 e a historia e quase parecida. A trama do livro e bem legal e espero que seja como no filme, as vezes tem parte que ele não acrecenta na adaptação mas mesmo assim se apaixona.

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