27 de jun de 2017


[Resenha] A Mulher que Matou os Peixes - Clarice Lispector

Ficha Técnica

Título: A Mulher que Matou os Peixes
Autor: Clarice Lispector
ISBN: 978-85-325-0814-6
Páginas: 32
Ano: 1968
Ilustração: Flor Opazo
Editora: Rocco Jovens Leitores

"A mulher que matou os peixes infelizmente sou eu." Clarice Lispector começa confessando o "crime" que cometeu sem querer. E para explicar como tudo aconteceu, ela escreveu uma história de compreensão e afeto, contando sobre todos os bichos de estimação que já viveram em sua casa. Os que vieram sem ser convidados e foram ficando, e os que ela escolheu para criar, e que foram muitos: uma lagartixa que comia os mosquitos e mantinha limpa a sua casa, cachorros brincalhões, uma gata curiosa, um miquinho esperto, vários coelhos... Antes de mais nada, ela explica que sempre foi alguém que gosta de animais, de crianças e também de gente grande. Todos os bichos que aparecem em seus livros fizeram, em algum momento, parte de sua vida. Nada mais natural, então, do que contar simplesmente o que aconteceu com cada um deles. Por isto mesmo, estas histórias são narradas de modo coloquial e muito próximo do cotidiano infantil. Mesmo quando ela fala sobre dor e perda, quando explica que, às vezes, as coisas acontecem diferente da maneira que queremos. Clarice mostra, em A mulher que matou os peixes, que além de conhecer muito de perto o universo infantil, é alguém que sabe conversar com crianças com extrema sensibilidade. Ela trata os sentimentos com toda a delicadeza e fala direto ao coração.

Resenha

“A Mulher que Matou os Peixes” é uma obra infantil escrita pela talentosa Clarice Lispector, a qual dispensa apresentações. Com muita delicadeza, sinceridade e riqueza, Clarice narra um conto sobre perdas e culpas, utilizando os animais para traçar a jornada de uma mãe que sem querer, matou os peixinhos do filho.
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"Voltando aos coelhos, tem gente que come coelho. Eu não tenho coragem porque é como se eu comesse um amigo."
Iniciando o livro com a confissão do “crime”, Clarice dá ponta pé a uma história envolvente sobre a relação dos seres-humanos com os animais (em sua maioria os domésticos), desde os mais pequenos como baratas, até os maiores, como no caso dos macacos, cachorros e gatos. Tudo isso com um ar bastante pessoal da autora, que narra seu envolvimento direto com esses animais no decorrer de sua vida, buscando através de tal revelação, o perdão de seus leitores por tamanho descuido.

Publicado no final da década de 60, mais precisamente em 1968, “A Mulher que Matou os Peixes”, apesar de ser voltado para o público jovem, se prova uma obra muito detalhista e de tom linguístico rico. Clarice consegue conversar muito bem com os pequeninos, sem deixar de lado sua marca narrativa, o que acaba criando um conto recheado de nuances.
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"Bem, agora descansem um pouco porque vou contar uma história tão terrível que até parece filme de mocinho e bandidos. É uma história de amor e ódio misturados num só coração."
Essa edição recentemente publicada pelo selo Rocco Jovens Leitores traz um aditivo especial: ilustrações de Flor Opazo, a neta de Clarice. Utilizando de técnicas de corte e colagem e com tons de cores bastante chamativos como amarelo, laranja e verde.

“A Mulher que Matou os Peixes” é um livro infantil gosto de se ler, e que com certeza aborda questionamentos pertinentes, tanto para os mais jovens, como para os adultos também. A escrita é toda construída em tom de confissão, mas também carrega bons ensinamentos, como o poder da amizade e do perdão. Sem dúvidas mais uma grande obra de Lispector, que, camaleoa que foi, conseguiu permear suscetivelmente por diferentes públicos.
"Bom, depois de contar uma história um pouco triste sobre a saudade da periquita, quero ficar alegre e alegrar vocês com outra história."
Comentários
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5 comentários:

  1. Que fofooooo! Adoraria ler esse livro. A Clarice é maravilhosaaa <3

    Beijos,
    Próxima Primavera

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  2. Tácio!
    Vindo da Clarice Lispctor só pode ser coisa boa.
    E nem sabia que ela tinha escrito um livro infantil.
    Deve ser cheio de ensinamentos e bem lúdico, já que é ilustrado.
    “Como eu não tenho o dom de ler pensamentos, eu me preocupo somente em ser amigo e não saber quem é inimigo. Pois assim, eu consigo apertar a mão de quem me odeia e ajudar a quem não faria por mim o mesmo.” (Desconhecido)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE JUNHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  3. Hey,

    Infelizmente não li nada da Clarice o que é um pecado literário enorme mas pretendo mudar isso logo, e adorei a resenha desse.

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  4. ai que fofinho espero ler um dia rsrs parec ser um livro bem gostosiho de ler ne rsrs
    um dia ainda vou ler rsrs

    beijos

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  5. Olá,
    Que fofura o livro, tem um ar bem diferente e infantil. Não li nada da autora além de frases, gostou muito das frases dela que são bem interessante e que te faz pensar. O livro com certeza não será diferente, terá uma obra incrivel e com uma mensagem maravilhosa por tras dela.

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