7 de jul de 2017


[Resenha] Melodia Mortal - Pedro Bandeira & Guido Carlos Levi

Ficha Técnica

Título: Melodia Mortal
Autor: Pedro Bandeira & Guido Carlos Levi
ISBN: 978-85-9517-002-5
Páginas: 240
Ano: 2017
Editora: Fábrica231
Será que Mozart foi assassinado por Salieri? Tchaikovsky morreu de cólera ou envenenamento? Chopin morreu mesmo tuberculoso? E Beethoven, foi vítima do alcoolismo? A resposta, ou, pelo menos, algumas hipóteses plausíveis para essas perguntas estão em Melodia mortal, estreia na ficção adulta de um dos maiores autores para o público juvenil do país. Escrito a quatro mãos por Pedro Bandeira com o médico Guido Carlos Levi, o livro examina, à luz dos conhecimentos da medicina contemporânea, os indícios possíveis sobre as mortes polêmicas de alguns grandes compositores da música clássica. E quem conduz a investigação é ninguém menos que Sherlock Holmes, auxiliado pelo seu fiel escudeiro, o doutor John H. Watson, que narra as aventuras do detetive na empreitada. Talvez não seja possível, tanto tempo depois, elucidar a causa dessas mortes que a medicina da época não foi capaz de precisar, mas a diversão é garantida neste romance cheio de teorias científicas e enigmas que formam um intricado quebra-cabeça, na tradição da melhor literatura policial.

Resenha

O ilustre autor de livros juvenis, Pedro Bandeira, se junta ao médico Guido Carlos Levi, para criarem uma obra muito interessante; rica em detalhes históricos e sob a curiosa – e gratificante – narrativa de ninguém mais, ninguém menos do que o Dr. John H. Watson, o braço direito do detetive mais famoso da literatura: Sherlock Holmes.

Em “Melodia Mortal”, os autores irão retratar contos supostamente perdidos de Sherlock e Watson, utilizando da mesma atmosfera criada por Sir Conan Doyle, onde o detetive e o médico precisam solucionar casos aparentemente impossíveis. O genial aqui, é que essas novas aventuras giram de certo modo em torno de grandes musicistas, entre eles Mozart, Chopin e Beethoven.
– Que tempo, Holmes!
– Olá Watson – cumprimentou-me. – Bela tarde para ficarmos confortavelmente em casa lendo um bom livro à frente da lareira, hein? [...]
P. 38
Após cada conto – são seis no total –, o leitor irá usufruir de um debate fictício entre médicos, fãs das histórias de Sherlock. Eles participam mensalmente de uma convenção, e nela debatem os contos e as informações obtidas pelas investigações de Holmes, e com a ajuda das tecnologias atuais e suas formações médicas, eles opinam e debatem sobre as mortes dos famosos compositores, tentando chegar a um veredito sobre seus óbitos.

Apesar de ser uma obra ficcional, “Melodia Mortal” se mostra bastante precisa nos fatos históricos, principalmente aqueles que cercam a vida dos músicos, não somente o processo de doenças e mortes, mas também a infância, a época que viviam e como começaram a se apaixonar e trabalhar com música.

Um artista como Mozart nunca deveria morrer! Deveria viver para sempre! Tornar-se eterno!
O professor Hathaway levantou os olhos molhados para a médica e respondeu:
– E por acaso ele não se tornou?
P. 118
A participação do doutor Guido Carlos Levi é importante, pois dá uma veracidade aos fatos, que são melhores destrinchados e que acabam se tornando bem verossímeis, sob a narrativa do também doutor John Watson. Tal narrativa além de tornar a escrita rica, complementa a realidade, e faz com que os casos sejam mais elaborados e críveis, mesmo que tal acontecimento na vida real não tenha sido da maneira que foi descrita – fato difícil de provar, devido as centenas de anos que se passaram desde as mortes destas pessoas.

Eu gostei muito da atmosfera criada por Bandeira e Levi, e principalmente curti a ousadia e genialidade em reviver Holmes e Watson, sem perder a identidade de personagens tão icônicos. Porém, houveram dois fatores que me incomodaram um pouco. O primeiro deles foi que os capítulos que mostram os debates entre os médicos são um pouco arrastados. Após lermos um conto envolvente, precisamos lidar com personagens que não conhecemos, em uma narrativa cheia de nomes que não nos significa nada, além de muitas vezes demorar de chegar ao ponto crucial de bater o martelo sobre como tal artista de fato morreu.
– O quê, Holmes? Isso quer dizer que…
– Que você está enganado quanto à constituição do casalzinho, meu caro!
– O quê, Holmes? O quê? Holmes! Espere aí! Holmes! Holmes!
P. 149
O outro ponto foi a utilização do termo “homossexualismo” durante o conto de Ilitch Tchaikovsky, que era homossexual. Historicamente falando, a palavra homossexual atrelada ao sufixo ismo, representou durante anos ideia de doença mental. A Associação Americana de Psiquiatria há uns anos – 1993 –, retirou de sua lista de doenças tal conotação, para que a mesma não fosse mais associada a ideia de uma disfunção. Ache primeiramente que o termo foi utilizado desta forma por Sherlock e Watson para reafirmar a época em que o conto se passava, porém o termo foi repetido várias vezes dentro do capítulo, incluindo na narrativa presente, durante a convenção médica. Faltou um pouco de cuidado dos autores, e também da revisão nesse quesito, afinal, sem querer, acabam reforçando um termo com conotação pejorativa.

No mais, “Melodia Mortal” é uma leitura gostosa e é sempre bom poder desfrutar da genial peculiaridade de Sherlock Holmes e de seus casos, mesmo que não venham sob o punho de Sir Conan Doyle. Vale dizer também que a capa e a edição do livro são lindíssimas, e só deixam o livro ainda melhor.

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Comentários
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7 comentários:

  1. Tácio!
    Li muito Pedro Bandeira na minha adolescência e fico feliz em ver que o novo livro dele em parceria, traz personagem tão importante para a literatura, como Watson.
    Gosto de contos e deve ser interessante ver os médicos discutirem sobre diversos assuntos e deixarem o leitor embevecido.
    Um maravilhoso final de semana!
    “Não saber é o que torna nossa vida possível.” (Lya Luft)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE JULHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  2. Olá,
    Quando li o tiulo desse livro eu apararentemente pensei que o livro trataria sobre os musicos classicos, já que disseram que antes deles criarem a 9 sifonia teria sido morto, pensei que falaria sobre isso mas me pareceu bem diferente a historia. O livro e bem interessante, não leio muito conto mas sei que tem uma premissa muito maravilhosa.

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  3. Gosto de Pedro Bandeira desde a minha época de escola, amei "A droga da obediência". Não sabia que ele escrevia para adultos também, que coisa boa!
    Adorei que é em contos e que os mistérios são desvendados por Sherlock e Watson!
    Deve ser um livro maravilhoso mesmo!

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  4. Eu não conhecia este livro e nunca li nada de Pedro Bandeira, mas fiquei bem curiosa para ler este livro por a história se tratar de contos do Sherlock Holmes, gosto de histórias de investigação, então acredito que irei gostar da história deste livro.

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  5. Hey,

    Nunca li nada do universo do Sherlock Holmes, e nem li nada do Pedro Bandeiras, apesar da ótima resenha não me chamou atenção, não é algo que eu leria.

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  6. eu li muito pedro bandeira durante a minha infância/adolescência
    mas assim, sempre que eu vejo essas "adaptações" do sherlock fico com um pouco de medo(mesmo sendo de um autor que eu goste). bom, mas vou dar uma chance para vc se vale a pena ler e ficou verossimel, colocar na minha lista.
    espero poder ler em breve

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  7. Este livro parece ser incrível, nunca li nenhum historia sobre o Sherlock, mas confesso que vontade é o que não me falta, amo livros de investigação e tenho certeza que eu iria adorar este livro.

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