23 de ago de 2017


[Resenha] Carbono Alterado - Richard K. Morgan

Ficha Técnica 

Título: Carbono Alterado
Título Original: Altered Carbon
Autor: Richard K. Morgan
ISBN: 978-85-286-2165-5
Páginas: 490
Ano: 2017
Tradutor: Edmo Suassuna
Editora: Bertrand Brasil
Um eletrizante thriller noir de ficção científica em adaptação para série do Netflix No século XXV, a consciência de uma pessoa pode ser armazenada em um cartucho na base do cérebro e baixada para um novo corpo quando o atual para de funcionar. A morte, agora, nada mais é que um contratempo inconveniente, uma falha no programa. Takeshi Kovacs, um ex-militar de elite, após sua última morte, tem sua consciência transportada a Bay City, a antiga São Francisco, e é trazido de volta à vida para solucionar o assassinato de um magnata. Isso só para descobrir que seu contratante é a própria vítima, que voltou à vida em um novo corpo, mas sem as memórias do crime. Mal sabe Kovacs, porém, que essa investigação irá lançá-lo no centro de uma conspiração perversa até para os padrões de uma sociedade que trata a existência humana como um produto a ser comercializado.

Resenha


"Se você quiser justiça, terá que fazer isso com as próprias mãos. Leve para o lado pessoal. Cause o máximo de estrago que puder. deixe sua mensagem bem clara. Assim será bem mais provável que levem você a sério. De que considerem você uma pessoa perigosa."
Quellcrist Falconer, p. 176


Depois de levar mais tempo do que o esperado pra ler Carbono Alterado e sabendo que a Netflix está produzindo uma adaptação em 10 episódios que vai estrear ano que vem, eu só consigo pensar uma coisa: boa sorte.

O livro é narrado em primeira pessoa por Takeshi Kovacs, um ex-Emissário (que aqui equivale a um soldado de elite treinado para ser impiedoso), recém libertado de sua pena para investigar a morte de um executivo. Neste cenário (que foi descrito como noir mas que também pode ser chamado de cyberpunk ou distópico), as pessoas podem ter sua mente baixada para um cartucho que pode ser transferido para outro corpo. Crimes são punidos com armazenamento digital e os corpos dos criminosos, chamados de "capas", podem ser comprados e usados por outras pessoas enquanto eles cumprem suas penas.

Laurens Bancroft foi encontrado "morto" com um tiro na cabeça. Baixado para um novo corpo, ele recusa a ideia de suicídio, para desgosto da polícia local, e contrata Kovacs para descobrir o que realmente aconteceu. Essa investigação vai arrastar Kovacs numa espiral de violência, prostituição, crimes e intrigas muito mais extrema do que ele imaginava.

O protagonista do livro tem tanto carisma quanto o ator escolhido para interpretá-lo na série: nenhum. Takeshi é um sociopata altamente funcional, uma máquina de matar jogada num corpo que ele vai descobrir que não foi escolhido por acaso. No meio do caminho ele vai interagir com personagens tão ou menos carismáticos que ele, como é o caso da Miriam Bancroft. Meu deus, que mulher chata! Uma esposa troféu cruel e dissimulada que tem um relacionamento pouco saudável como marido. Além dela, temos Kristin Ortega, que começa como a policial mais mal humorada já escrita e evolui para uma versão menos mal humorada, Kadmin, o assassino mercenário treteiro, Reileen Kawahara, que sabe mais do que admite e que eu não me conformo que não vai ser interpretada pela Jessica Henwick, e o fantasma de Jimmy DeSoto, que tem o dom de aparecer quando o protagonista está mentalmente debilitado.

Na maior parte do tempo, o livro só faz sentido nas cenas de sexo, que são bem interessantes. Depois delas, graças a Zeus, o protagonista consegue se manter dentro das próprias calças (sério, são cinco menções ao próprio pênis em cento e vinte páginas!!). A segunda cena é mais bem elaborada e a conexão emocional entre os personagens é mais bem explorada.

Eu quase larguei o livro na página 159. Tem uma cena de estupro/tortura sexual extremamente desnecessária que acabou com a minha vontade de ler o resto. Então, se você tiver algum gatilho com isso, recomendo pular umas cinco páginas. Além dessa cena grotesca e descabida, tem o fato de que o protagonista é japonês/eslavo e fica preso no corpo de um cara branco. Tem tecnologia de troca de corpo? Tem. O corpo novo, ou capa, é relevante pra história? É. Mas essa relevância é mínima e não justifica o whitewashing do personagem. Faltou um leitor amigo pra dizer que esses dois pontos são problemáticos e totalmente não ok.

O livro melhora um pouco lá pelas páginas 250-300, mas não muito. Continua confuso, com uma série de termos tecnológicos que nunca são explicados, e depois de trezentas páginas você começa a não lembrar do fulaninho que foi mencionado no capítulo dois, sumiu e reapareceu agora. A edição poderia ter sido mais cuidadosa: o  livro tem uma série de erros de digitação e até erros de concordância verbal! Tudo isso poderia ter sido evitado com uma revisão eficiente.

A roteirista da série foi co-autora do roteiro de Ilha do Medo, o que me dá um pouco de esperança para a adaptação. Muita coisa vai ter que ser cortada e remendada e, pelo que consta no IMDB, personagens novos foram criados para série. Eu não confio no elenco escolhido porque parece que o único ator que não foi mal escalado vai interpretar um coadjuvante por dois episódios. É torcer pro roteiro ser só inspirado no livro e não baseado.
Comentários
7
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7 comentários:

  1. Oi Tamy, até bem pouco tempo ainda não tinha ouvido falar desse livro e da série que a Netflix vai lançar e espero que a série te surpreenda e seja melhor que o livro que não te agradou. Não vi os atores que foram selecionados pra atuarem na série e pra falar a verdade não sei bem o que pensar da história, pra leitura pelo menos por enquanto vou deixar passar, mas quando a série for lançada pretendo assistir ;)

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  2. Nossa! A sinopse é bem interessante, porém não sabia que tinha cena de sexo e estupro! Jurava que era mais uma distopia nesse universo literário.
    Vi que o livro não te agradou e acho que também não irá me agradar! Odeio ficar muito confusa quando estou lendo o livro, gosto de conexão com a história!
    Pularei essa leitura!

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  3. Olá!!
    Desde que li a sinopse desse livro eu sabia que não iria gostar..
    Sei lá .. meio confuso.

    Não leria!
    Bjo

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  4. Tamy!
    Bem, gosto muito desse estilo noir nos policiais, são mais clássicos e cheios de variantes.
    Gostei também da mistura da ficção de ter sua mente transportada para outro corpo após a morte, uma pena que as lembrabças não venham junto, pelo que entendi, já que o contratante não se lembra de quem o matou e precisa contratar o investigador.
    Não conhecia ainda e fiquei bem interessada em ler.
    "...Aceite com sabedoria o fato de que o caminho está cheio de contradições. Há momentos de alegria e desespero, confiança e falta de fé, mas vale a pena seguir adiante..."(Paulo Coelho)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE AGOSTO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  5. Eu até achei interessante a sinopse e apesar de não ser chegada em ficção científica, gosto de mistério e achei que podia ser legal dar uma chance. Mas agora, que li sua resenha, já vi que não vai valer a pena...
    A começar pelos personagens, por mais que nem sempre personagens de livros com essa temática sejam as pessoas mais simpáticas do mundo, aguentar um personagem como Takeshi seria... difícil, bem difícil. Se a escrita for em primeira pessoa, pior ainda ao ter que aturar a cabeça de um personagem chato e seu narcisismo com o que tem no meio das pernas. Eu não esperava que tivesse cenas de sexo, mas tá, ai eu poderia ignorar. Agora o que vem depois... eu já li livros em que havia menção a violência sexual, porém, nunca era algo que tinha uma cena explicita e os livros abordavam exatamente como isso é um problema grave na sociedade. Se só ler algo que era puramente mencionado eu me senti mal, sei que não funcionaria para mim uma cena tão detalhada. Eu tenho um belo de um gatilho com isso, já tenho problemas demais para querer arranjar outros com livros.
    Acho que darei adeus a Carbono Alterado. Pois, se na escrita nem mesmo o mundo e seus termos são explicados de forma eficiente ao leitor, deixando confusão no ar, entre os outros detalhes já citados, sei que não é o livro ideal para mim.
    De toda forma, gostei muito da sua resenha. Eu acho que escapei de uma furada graças a ela.
    Abraços

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  6. Hey,

    Nunca li nada do gênero mas fiquei completamente fascinada preciso ler e assistir.

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  7. Olá!
    Gostei muito da trama, tem uma premissa muito boa. Já tinha lido resenhas sobre ele e gostei bastante. Uma historia muito envolvente, te faz querer descobrir os mistério que há na trama, com certeza já foi para minha lista de leitura.

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