14 de ago de 2017


[Resenha] O Duelo dos Imortais - Colleen Houck

Ficha Técnica 

Título: O Duelo dos Imortais
Título Original: Reignited
Autor: Colleen Hock
ISBN: 978-85-8041-721-0
Páginas: 111
Ano: 2017
Tradutor: Ana Ban
Editora: Arqueiro
Quem são os deuses que regem os caminhos e descaminhos de Amon e Lily, os corajosos heróis da série Deuses do Egito? Por que esses deuses tramam conquistas e vinganças, envolvendo a humanidade em suas maquinações? E por que deixam nos ombros de alguns jovens mortais a responsabilidade pela salvação do mundo? Antes que Lily e Amon se encontrassem, antes mesmo que o caos dominasse o cosmos e os deuses precisassem de três irmãos corajosos para combater o mal, muita coisa já estava em jogo. Em O duelo dos imortais, vamos conhecer a história dos quatro irmãos que assistiam, com seus poderes especiais, o grande Amon-Rá no governo da Terra: Osíris, o generoso deus da agricultura, que ajuda os mortais a crescer e prosperar em seu ambiente natural. Ísis, a linda deusa da criação, que promove a saúde e o bem-estar. Néftis, a doce vidente, que mantém o equilíbrio entre os seres vivos e o universo. E por último Seth, o mais jovem, que cresceu desprovido de poderes e desprezado por todos. Quando, finalmente, os poderes de Seth se manifestam, que efeito sobre a humanidade terá a perigosa mistura de uma infância marcada pela rejeição, uma intensa paixão não correspondida e o incrível poder de desfazer coisas, pessoas... e até deuses? Romance, traição e vingança são os fios que tecem esta trama surpreendente, cujos personagens imortais despertam em nós os mais profundos sentimentos.

Resenha

Como já disse em minhas resenhas, a série “Deuses do Egito” da Colleen Houck não vai caminhando muito bem; recheada de problemas desde os personagens fracos até a narrativa capenga, a autora cria uma saga fraca, apesar do vasto e criativo universo que permeia esses livros. 

Porém, ao decidir escrever o conto “O Duelo dos Imortais”, um precursor de “O Despertar do Príncipe” e “O Coração da Esfinge”, Houck abandona seus personagens principais, Lily e Amon, para focar simplesmente nos deuses egípcios, escolha que acabou provando que dessa empreitada ainda pode sair uma obra aceitável. 

– Não estou apaixonada por um mortal – disse Ísis.
Ele deixou a cabeça pender para o lado e buscou esclarecer:
– Então ele é imortal?
– É. Mas é complicado.
P. 19

Basicamente iremos acompanhar uma nova história de amor, em um patamar diferenciado, pois se trata de um romance de deuses. Ísis, a deusa da criação, está apaixonada por um outro deus, Osíris, porém as regras de Amon-Rá, o mais alto dos deuses egípcios e responsável por reger a Terra, é bem clara: os deuses não podem relacionar entre sí.

Para apimentar ainda mais o romance, e complicá-lo também, entra em cena Seth, o mais jovem dos deuses e com um novo poder altamente destrutivo. Seth deseja Íris mais do que tudo no mundo, e não admite que ela esteja apaixonado por outro, estando disposto a destruir tudo e todos para tê-la em sua posse (desse jeitinho machista mesmo).

Mas como driblar as ordens de Amon-Rá? Forçar o amor de Ísis garantirá que ela escolha Seth ao invés de Osíris? E como esse triângulo amorosos afetará o futuro do mundo, incluindo o trágico romance de Amon e Lily?

Enquanto ele se afligia com essas coisas, Ísis se ergueu de onde estava sentada e se aproximou dele. Nos olhos dela, ele enxergava a eternidade do cosmos, o nascimento das estrelas, o movimento das nebulosas. Eles o transfixavam, lançavam um feitiço sobre ele, e ele se sentiu embriagado pelo luar refletido neles. Mas isso não importava. Ele precisava dizer a ela o que tinha a intenção de dizer.
P. 44

“O Duelo dos Imortais” é uma versão romantizada de um compêndio de histórias clássicas da mitologia egípcia, e talvez por isso, apesar das mudanças, consegue agradar. Ainda que tenhamos cinco deuses principais no conto, a narrativa foca principalmente em Ísis, acompanhando-a e introduzindo o leitor ao seu universo pessoal.

Com apenas 111 páginas, todo o enredo se desenvolve muito rápido, e em maioria das partes, Colleen consegue manter uma boa estrutura narrativa. Apesar de ser um conto, há espaço de sobra para além do romance, como ação e aventura, com algumas pitadas de surpresas e traições, na tentativa de surpreender o leitor.

Ele tinha visto a doença do amor em outras pessoas, mas não a compreendera, não plenamente. Agora reconhecia a condição em si mesmo. Ísis era uma flor intoxicante e ele era uma abelha indefesa, hipnotizada por ela. Agora que ele a tinha experimentado, estava marcado. Cheio do pólen doce dela. Se o peso daquilo o arrastasse para baixo até que ele se afogasse nos braços dela, então consideraria sua vida bem vivida.
P. 67

A capa de “O Duelo dos Imortais” mantém a beleza dos livros da Colleen publicados pela Arqueiro, trazendo mais uma vez o detalhe metalizado e o leve relevo no título e no nome da autora. Infelizmente, provavelmente culpa desse papel especial e do pequeno número de páginas, as orelhas do livro ficam levanto, sendo impossível de deixar o livro 100% fechado.

Mesmo que esta não seja uma leitura excepcional, Colleen acerta pela primeira vez na série “Deuses do Egito”. Utilizando bem os elementos da mitologia egípcia, a autora consegue criar uma ótima atmosfera, que difere totalmente da confusão dos volumes anteriores. O final do conto poderia ter sido melhor trabalhado, e talvez rolado uma conexão com a história de Lily e Amon no epílogo, mas não estamos podendo reclamar, né? Já houve um avanço, e ele foi agradável. 


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Comentários
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6 comentários:

  1. Olá !!
    Antes eu tinha muita vontade de começar a ler essa série mas por causa de muitos comentários ruins sobre os livros eu desisti.
    Que bom que esse conto a trama corre mais e a escrita é mais fluida.
    Mas eu continuo não querendo ler a série.

    Bjos

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  2. Oi Tácio, essa é uma série que por enquanto só tenho acompanhado as resenhas, que variam entre positivas e negativas, o que é uma pena, pois a mitologia que a autora escolheu pra desenvolver esse romance parece ser bem rica e era pra que a maioria das opiniões fosse positiva :/ Ms gostei de saber que esse livro melhora e muito em relação aos outros pra ti e como é um conto que se passa antes da história de Lily e Amon acho até que pode ser lido antes por quem não começou a série né? A capa é bonita, ms é triste essa questão das orelhas do livro. Gostei da resenha e vou ficar de olho nas resenhas do próximo volume e quem sabe futuramente eu resolva ler ;)

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    1. Oi Lili,
      Exato, o conto pode ser lido por quem não leu os outros livros, ou até mesmo por quem não tem pretensão em lê-los. Funciona como um conto mitológico qualquer. =]

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  3. Tácio!
    Apenas pelo fato de trazer a vida de vários dos deuses, já seria uma leitura interessante, e ainda mostrando o porque de tudo ter acontecido com Seth e não ter o triângulo amoroso, torna a leitura essencial, principalmente sendo o precursor dos anteriores.
    Não li ainda nenhum dos livros, mas é uma série que muito me interessa.
    Desejo uma semana de muita luz e paz!
    “Para cultivar a sabedoria, é preciso força interior. Sem crescimento interno, é difícil conquistar a autoconfiança e a coragem necessárias. Sem elas, nossa vida se complica. O impossível torna-se possível com a força de vontade.” (Dalai Lama)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE AGOSTO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  4. Olá!
    Já li varias resenha sobre esse livro, alguns dão pontos positivos e outros negativos, apesar de ser um livro assim, eu achei super interessante a historia, tem um pouco de mitiologia grega e isso me encanta.

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  5. Hey,

    Adoro mitologias por isso tenho vontade de ler a série, mesmo com alguns pontos negativos, pretendo ler.

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