21 de ago de 2017


[Resenha] Piano Vermelho - Josh Malerman

Ficha Técnica 

Título: Piano Vermelho
Título Original: Black Mad Wheel
Autor: Josh Malerman
ISBN: 978-85-510-0206-3
Páginas: 318
Ano: 2017
Tradutor: Alexandre Raposo
Editora: Intrínseca
Ex-ícones da cena musical de Detroit, os Danes estão mergulhados no ostracismo. Sem emplacar nenhum novo hit, eles trabalham trancados em estúdio produzindo outras bandas, enchendo a cara e se dedicando com reverência à criação — ou, no caso, à ausência dela. Uma rotina interrompida pela visita de um funcionário misterioso do governo dos Estados Unidos, com um convite mais misterioso ainda: uma viagem a um deserto na África para investigar a origem de um som desconhecido que carrega em suas ondas um enorme poder de destruição. Liderados pelo pianista Philip Tonka, os Danes se juntam a um pelotão insólito em uma jornada pelas entranhas mortais do deserto. A viagem, assustadora e cheia de enigmas, leva Tonka para o centro de uma intrincada conspiração. Seis meses depois, em um hospital, a enfermeira Ellen cuida de um paciente que se recupera de um acidente quase fatal. Sobreviver depois de tantas lesões parecia impossível, mas o homem resistiu. As circunstâncias do ocorrido ainda não foram esclarecidas e organismo dele está se curando em uma velocidade inexplicável. O paciente é Philip Tonka, e os meses que o separam do deserto e tudo o que lá aconteceu de nada serviram para dissipar seu medo e sua agonia. Onde foram parar seus companheiros? O que é verdade e o que é mentira? Ele precisa escapar para descobrir. Com uma narrativa tensa e surpreendente, Josh Malerman combina em Piano Vermelho o comum e o inusitado numa escalada de acontecimentos que se desdobra nas mais improváveis direções sem jamais deixar de proporcionar aquilo pelo qual o leitor mais espera: o medo.

Resenha


Josh Malerman provou seu talento ao lançar o seu primeiro livro, o elogiado e premiado thriller “Caixa de Pássaros”. Agora, Malerman tenta continuar surpreendendo ao criar sua nova aposta literária, “Piano Vermelho”, que segue bastante os moldes de sua obra de estréia, apesar de ter um ponto crucial de divergência. 

Aqui iremos conhecer Philip Tonka, pianista da Danes, uma pequena banda de Detroit, que certa vez já serviram como banda oficial do exército norte-americano durante a guerra. Iniciamos a trajetória de Tonka ao encontrá-lo destroçado em uma cama de hospital, no final da década de 50. Philip e sua banda foram enviados até o continente africano para tentar identificar um ruído sonoro, este que segundo os agentes de segurança dos Estados Unidos, poderia ser fonte de uma arma nuclear poderosa. 

O tal som é altamente perturbador, quem o ouve têm alucinações, enjoos, tonturas e o pior de tudo, pode ter seus ossos todos quebrados, fato que aconteceu com Philip e o colocou em coma durante 6 meses. Agora que acordou, Tonka precisa se lembrar exatamente do que aconteceu lá no deserto africano. O que era de fato o som? Onde está o restante dos integrantes da Danes? Como ele saiu da África e voltou para os Estados Unidos? Seria um ruído realmente capaz de destruir todo o seu corpo? Se sim, como – e por que – ele sobreviveu?
– Eles precisam da gente – argumenta.
– Quem são eles?
– Os Estados Unidos.
P. 54/55
“Piano Vermelho” é instigante. Bem escrito, muito bem elaborado e altamente viciante, a leitura flui rapidamente, fazendo o leitor devorar os capítulos intercalados; uns que mostram a vida de Philip ao ser recrutado para esta missão suicida e os demais narrado seis meses após estes fatos, com ele já acordado no hospital. Tal disposição narrativa foi utilizada pelo autor também em “Caixa de Pássaros”, e Malerman deixa claro que consegue fazer esse balanceamento de uma forma que ajuda a construir e manter o suspense.

Eu gostei bastante da leitura, porém a experiência só não foi excelente devido aos eventos finais, que não me agradaram muito. O que é curioso, pois muita gente criticou o final de “Caixa de Pássaros” por ser misterioso demais, coisa que me fascinou. Em “Piano Vermelho”, acho que talvez o autor tenha sofrido com tais críticas e tenha decidido ser um pouco mais claro com o seu mistério, o que para mim não funcionou como eu desejava.
Greer assente em meio ao silêncio que criou. Saboreia o momento. Então acrescenta:
– Alguma coisa nesse lugar quer que a gente chegue lá.
Greer tem a atenção de todos. Ele faz uma pausa dramática e o avião range contra o vento.
– Eu até diria que fomos convidados.
P. 87
Quando você constrói uma situação como a de “Piano Vermelho”, onde não sabemos exatamente o que está acontecendo, a nossa mente fica em alerta para qualquer possibilidade. Mesmo que não a esperemos, se houver uma boa justificativa e tiver sentido, nós iremos aceitar, ou pelo menos tentar entender de acordo com o universo ambientado. Josh Malerman, ao invés de manter o suspense, opta por tentar explicar o tal som, e para piorar, tal explicação não é muito clara. Ou seja, era melhor não ter tentado explicar nada e sustentado o ideal imaginário, pois vale muito mais um bom mistério que o leitor irá refletir, do que uma situação hipoteticamente clara extremamente decepcionante. 

No mais, apesar dos pesares, curti “Piano Vermelho”, e ainda acho Josh Malerman um excelente novo autor com uma carreira promissora e um potencial altíssimo. Espero ver em sua próxima empreitada a mesma carga de suspense de seus dois livros publicados, mas com uma nova estrutura de enredo e narrativa, até mesmo como forma de desafio. Enquanto isso, torcer para a adaptação cinematográfica de “Caixa de Pássaros” chegar o mais cedo possível.
O passado é presente e o presente é louco, e Philip liga a lanterna, desliga, vira à direita, dobra à esquerda, prossegue, fecha os olhos, abre os olhos, respira fundo, ignora, absorve.
Quando liga a lanterna outra vez, ele dá um grito.
P. 250
Saraiva | Cultura | Fnac | Livraria da Folha
Comentários
7
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7 comentários:

  1. Ainda não li Caixa de Pássaros, mas tá na minha listinha faz um booom tempo. Piano Vermelho é outra leitura que quero fazer, a premissa é super intrigante e não resisto a um bom mistério, e quando possui uma boa narrativa, como parece ser algo de Josh Marleman, minhas expectativas ficam bem altas.
    É uma pena que o final, no entanto, não tenha te agradado tanto. Já havia visto críticas sobre o final de Caixa de Pássaros e se o autor foi afetado por elas, acho uma pena, já que pode ter sido prejudicial. Resta esperar e torcer para que em suas próximas obras ele continue surpreendendo, e dê o final que acha correto para suas histórias, de acordo com o clima delas.
    Abraços

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  2. Oi Tácio, ainda não conheço a escrita do autor e sendo sincera leio muito poucos suspenses, mas sei que foi bem elogiado em sua estréia e apesar de que em tua opinião o final de O Piano vermelho deixa um pouco a desejar, no geral livro parece ser bom e assim fico feliz que o autor esteja conseguindo se firmar como um bom autor desse gênero. Gostei da resenha, se surgir a oportunidade vou querer conferir as obras do autor com certeza e pretendo ver a adaptação cinematográfica ;)

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  3. Tácio!
    Li Caixa de pássaros e até gostei, mas não foi mesmo lá essas coisas todas.
    Bem curiosa em ler Piano Vermelho.
    Pelo que entendi, o autor agora vai usar outro sentido para conduzir o enredo.
    Uma pena que não tenha gostado!
    Boa semana!
    "...Aceite com sabedoria o fato de que o caminho está cheio de contradições. Há momentos de alegria e desespero, confiança e falta de fé, mas vale a pena seguir adiante..."(Paulo Coelho)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE AGOSTO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  4. Olá !!!
    Ainda não tive oportunidade de ler Caixa de Pássaros e Piano Vermelho mas quero muito!!
    Já ouvi muitos elogios e como sou fã de mistérios e suspense eu preciso conhecer a escrita do autor.
    Adoro quando o enredo do livro flui rápido e é viciante..

    Bjo

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  5. Eu estou doida para ler alho desse autor! Falaram super bem de caixa de pássaros e eu fiquei muito intrigada com a sinopse! Esse novo livro me deixou mais curiosa ainda! Não costumo ler muitas coisas do gênero, porém sempre gosto de mudar um pouco e ler algo mais diferente. A capa está muito boa e o trama também parece ser cheio de mistério.

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  6. Hey,

    Nunca li nada do autor mas sempre ouvir fala muito bem dele, e sou louca para ler um livro dele, depois dessa resenha fiquei mega empolgada para ler.

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  7. Olá!
    Eu ainda quero muito ler esse livro, a premissa dele é muito boa, a historia te envolve de uma maneira incrível. A capa e muito simples mas ao mesmo tempo te chama atenção, estou ansiosa para ler esse livro.

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