6 de out de 2017


[Resenha] A Filha Perdida - Elena Ferrante

Ficha Técnica 

Título: A filha perdida
Título Original: La figlia oscura
Autor: Elena Ferrante
ISBN: 978-85-510-0032-8
Páginas: 176
Ano: 2017
Tradutor: Marcello Lino
Editora: Intrínseca
“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.” Com essa afirmação ao mesmo tempo simples e desconcertante Elena Ferrante logo alerta os leitores: preparem-se, pois verdades dolorosas estão prestes a ser reveladas. Lançado originalmente em 2006 e ainda inédito no Brasil, o terceiro romance da autora que se consagrou por sua série napolitana acompanha os sentimentos conflitantes de uma professora universitária de meia-idade, Leda, que, aliviada depois de as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá com o pai, decide tirar férias no litoral sul da Itália. Logo nos primeiros dias na praia, ela volta toda a sua atenção para uma ruidosa família de napolitanos, em especial para Nina, a jovem mãe de uma menininha chamada Elena que sempre está acompanhada de sua boneca. Cercada pelos parentes autoritários e imersa nos cuidados com a filha, Nina parece perfeitamente à vontade no papel de mãe e faz Leda se lembrar de si mesma quando jovem e cheia de expectativas. A aproximação das duas, no entanto, desencadeia em Leda uma enxurrada de lembranças da própria vida — e de segredos que ela nunca conseguiu revelar a ninguém. No estilo inconfundível que a tornou conhecida no mundo todo, Elena Ferrante parte de elementos simples para construir uma narrativa poderosa sobre a maternidade e as consequências que a família pode ter na vida de diferentes gerações de mulheres.

Resenha

Questionamento. A filha perdida, de Elena Ferrante, é a terceira história das Crônicas do Mal de Amor. As histórias não são entrelaçadas, então não é necessário ler na ordem. A honestidade da personagem Leda desmistifica o olhar que se tem sobre a mulher que se torna mãe.

Leda é uma professora universitária, quarenta e sete anos, e que se sente extremamente aliviada com a mudança de suas filhas. Como a própria protagonista descreve, o alívio é proveniente de uma casa arrumada, silenciosa, sem as obrigações que sempre lhe foram impostas por ser mãe. As duas filhas estão morando no Canadá com o pai e, diferente do que se convencionou imaginar, Leda não está se arrastando pelos cantos com a ausência de suas filhas. Com a partida delas, a personagem vê a possibilidade de ser quem ela era antes da maternidade.


Ela decide passar as férias numa cidade litorânea do sul da Itália e é nesse cenário de sol e alegria que descobrimos um pouco mais sobre a história de Leda. Não que a vida dela tenha sido péssima antes das filhas partirem, mas Leda narra as imposições, as obrigações, os comportamentos esperados e a pressão de ser mãe em nossa sociedade. As lembranças do passado chegam durante o período de suas férias no qual a personagem interage com uma mãe  e sua filha pequena.


É um retrato corajoso de uma personagem que acredita que sua vida seria completamente diferente - e até mais feliz - caso não fosse mãe. Parece até meio óbvio chegar a essa conclusão, mas pensemos como é a reação, discurso das pessoas quando uma mulher não tem o desejo de ser mãe. Leda ao conviver com outra mãe, tão nova e que parece amar e abraçar a maternidade do "jeito esperado" pela sociedade, nos mostra que - diferente do que as pessoas pensam - nem toda mulher quer ou tem a "vocação" para ser mãe. O passado vem como uma tentativa, também, da protagonista em entender a relação que presencia. E isso porque para ela os sentimentos foram completamente opostos. Ela não mostra a maternidade idealizada pela sociedade, a maternidade que "são flores". E como, mais uma vez, tudo é empurrado para as mulheres. Responsabilidade total do sexo feminino e desculpas para um pai ausente. Ferrante mais uma vez nos apresenta uma mulher que rompe com o que é socialmente imposto. A narrativa é simples e ao mesmo tempo arrebatadora. Toda crítica, sinceridade, honestidade, os questionamentos a cerca da mulher em sociedade estão ali e não foi necessário uma narrativa extensa. Em Um amor incômodo senti falta de um desenvolvimento mais detalhado, apesar de ter gostado do livro. Em A filha perdida tudo se encaixou, fluiu e me fez pensar em como é um livro necessário. Se trata daqueles livros que você quer indicar imediatamente e deseja conversar sobre.
O corpo de uma mulher faz mil coisas diferentes, dá duro, corre, estuda, fantasia, inventa, se esgota e, enquanto isso, os seios crescem, os lábios do sexo incham, a carne pulsa com uma vida redonda que é sua, a sua vida, mas que empurra você para longe, não lhe dá atenção, embora habite sua barriga, alegre e pesada, desfrutada como um impulso voraz e, todavia, repulsiva como o enxerto de um inseto venenoso em uma veia.


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Comentários
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3 comentários:

  1. Auri!
    Gosto dos detalhes, porém se são insignificantes para trama, para que inseri-los, concorda?
    E que chato a protagonista ficar ligada no passado e não perceber o presente.
    Nossa!
    Mas, ainda assim, se traz questões relevantes e que devem ser discutidas, acredito que vale a pena a leitura.
    Desejo um ótimo final de semana!
    “Saber quando se deve esperar é o grande segredo do sucesso.” (Xavier Maistre)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE OUTUBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  2. Oi Auri
    Não conhecia o livro, a sinopse não me chamou tanta a atenção, mas pode ser que mais pra frente eu leia sim!

    Bjooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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  3. Não conhecia o livro, porém gosto quando podemos ler fora de ordem e as tramas não entrelaçadas.
    Não é tipo de leitura que estou acostuma, por isso a premissa não me atraiu tanto.
    Mas para quem gosta, parece ser uma ótima leitura.

    beijos
    She is a Bookaholic

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