29 de out de 2017


[Resenha] O Problema do Para Sempre - Jennifer L. Armentrout

Ficha Técnica 

Título: O Problema do Para Sempre
Título Original: The problem with forever
Autor: Jennifer L. Armentrout
ISBN: 978-85-01-11005-3
Páginas: 390
Ano: 2017
Tradutor: Rachel Agavino
Editora: Galera Record
Mallory viveu muito tempo em silêncio. Mas o destino lhe reserva um novo desafio. E ela percebe que está na hora de encontrar a própria voz Já na infância, Mallory Dodge percebeu que só poderia sobreviver se ficasse calada. Teve que aprender a ficar o mais quieta possível. Aprendeu a passar despercebida. A se esconder. Mas agora, após ter sido adotada por pais amorosos e dedicados, ela precisa enfrentar um novo desafio: sobreviver ao último ano do Ensino Médio numa escola de verdade. O que Mallory não imaginava é que logo no primeiro dia de aula daria de cara com um velho amigo que não via desde criança, quando viviam juntos no abrigo. E começa a notar que não é a única que guarda cicatrizes do passado, além de uma paixão adormecida e inevitável.

Resenha


A infância de Mallory foi horrível. Ela passou muitos anos no sistema de adoção e viveu em um lar extremamente abusivo com seu melhor amigo. Um amigo que sempre a defendia dos adultos e que prometeu que a protegeria para sempre. Depois de uma noite particularmente terrível (cujos detalhes a gente só descobre depois), eles são separados e Mallory é adotada por um casal de médicos, passando os anos seguintes estudando em casa e frequentando terapia. Quatro anos depois, ela decide que é hora de enfrentar a escola e, no seu primeiro dia de aula, descobre que seu amigo Rider está na sua turma. A partir daí Mallory terá que lidar com sua dificuldade em falar em público, sua famíla, que acha que Rider pode desencadear más lembranças, e seus sentimentos por um amigo que ela não sabia se ainda estava vivo.


É muito difícil falar sobre famílias abusivas, especialmente na literatura. Muitas pessoas tem tendência a achar que quem tem uma casa e comida não deveria reclamar e que "levar uns tapas de vez em quando nunca matou ninguém", apesar de todas as estatísticas e de pesquisas apontarem os efeitos negativos de castigos físicos. Pessoas que apanharam na infância têm tendência maior a desenvolver problemas de auto-estima e socialização e agressividade. É um assunto complexo e falar sobre ele pode servir de gatilho para muitas pessoas. Felizmente, as cenas de abuso no livro não são descritas de forma explícita, então é possível ler sem reviver traumas.


O livro tem um tom suave na maior parte das cenas. A narração é delicada, em contraste com o tema, e é inspirador ver os pequenos progressos da protagonista. Uma das mensagens mais importantes do livro é de que cada pessoa reage ao trauma de uma forma diferente e tem seu próprio tempo para se curar. É importante respeitar o tempo de cada um e celebrar as pequenas vitórias, como falar em público ou fazer novos amigos. Mallory tem dificuldades de fala devido aos abusos físicos e psicológicos que sofreu e parte da narrativa é dedicada a contar seu progresso em se relacionar com os colegas.


Apesar de Mallory ser uma personagem muito bem construída, eu acabei me identificando mais com o Rider, que foi um pouco mais danificado pelos abusos e tem uma postura mais pessimista, mais autodepreciativa. Ele passou por maus bocados depois do abrigo e teve que lidar com situações mais difíceis, mas no final das contas, é só um garoto triste e perdido. Dá vontade de abraçar os dois, ele e Mallory, toda vez que eles revivem o pesadelo do abrigo.

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"precioso demais para este mundo" - eu lendo sobre o Rider
Os coadjuvantes também são muito carismáticos. Créditos para Keira e Jayden, por serem uns amores e créditos extras para Ainsley por ser uma diva e uma amiga sensacional. E mesmo os personagens que agem de forma negativa em algum momento, como Carl e Paige, tem atitudes compreensíveis. Não existem vilões, só pessoas que tem atitudes inapropriadas porque não sabem como reagir a situações que elas não entendem.


O livro é delicado o suficiente para não brutalizar um tema que já é difícil e, ao mesmo tempo, sincero o suficiente para não romantizar o trauma. Excelente leitura para quem gosta de romance com um pouco de drama.

P.s.: o coelho da capa é uma referência a O coelho de veludo, da Margery Wiliams, livro que Rider lia para Mallory e que tem um papel importante na história.
Comentários
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4 comentários:

  1. Tammy!
    Essa questão do abuso psicológico e físico nas crianças é um caso sério mesmo.
    Fico feliz em ver que a autora soube abordar o tema de forma mais crível e mostrando que o amor de todas as formas, pode ajudar a melhorar os traumas que são deixados.
    Deve ser um livro doloroso, ao mesmo tempo, enriquecedor.
    Gostaria de ler.
    Desejo uma semana maravilhosa e florida!
    “Para saber uma verdade qualquer a meu respeito, é preciso que eu passe pelo outro.” (Jean-Paul Sartre)
    Cheirinhos
    Rudy

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  2. Oi Tamy
    Confesso que pela capa eu n daria nada pelo livro e n daria nenhum atenção. Mas lendo a sinopse e sua resenha, fiquei bastante curiosa!
    Vou anotar pra ler em novembro (vou encaixar hehehehehe)


    Bjooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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  3. Oi Tammy, gostei muito da resenha, já tô interessada nesse livro há um tempinho e ler uma resenha positiva que fala da delicadeza com que a autora abordou um assunto complicado aumenta minha vontade de ler e espero que seja logo rsr :)

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  4. Ainda não tinha visto esse livro!
    Achei bem legal a sinopse e a resenha fechou com chave de ouro!
    Gosto muito de livro que tem problemas do passado que terão que superar para poder seguir em frente!
    Adorei a capa, é muito bonita.

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