14 de nov de 2017


[Resenha] Não Conte Nosso Segredo - Julie Anne Peters

Ficha Técnica 

Título: Não Conte Nosso Segredo
Título Original: Keeping you a secret
Autor: Julie Anne Peters
ISBN: 978-85-93911-01-9
Páginas: 304
Ano: 2017
Tradutor: Cristina Lasaitis
Editora: Hoo
Com o namorado dos sonhos, o cargo de Presidente do Conselho Estudantil e a chance de ir para uma Universidade de Ivy League, a vida não poderia estar mais perfeita para Holland Jaeger. Ao menos, é o que parece. Até que Ceci Goddard chega na escola e muda tudo. Ceci e Holland têm sentimentos que não conseguem esconder, mas como todos ao redor vão lidar com este novo romance? Entre intrigas, preconceitos e a não aceitação dos pais, Ceci e Holland lutam para manter-se juntas, mas o amor delas pode não ser tão forte quanto as críticas da sociedade... Não conte nosso segredo é o primeiro livro da autora Best-seller no New York Times, que promete emocionar leitores de todas as idades e gêneros.

Resenha


Não conte nosso segredo é um livro dividido em dois. São duas histórias distintas, como dois atos de uma peça ou dois filmes de uma duologia, que contam com os mesmos personagens mas conflitos diferentes. Esses "dois livros" se comunicam pouco e parecem muito desconexos para fazer o roteiro funcionar.

A primeira parte vai até mais-ou-menos sessenta por cento do livro e conta a descoberta da Holland, essa garota no último ano do ensino médio. Holl (que na minha cabeça é a Katherine Langford) parece ter tudo: emprego legal, namorado popular (que é menos legal do que parece), família decente, status na escola. Tudo isso é ameaçado conforme ela percebe que está se apaixonando pela Ceci (que na minha cabeça é a Ellen Page). As duas não podiam ser mais diferentes: Holl namora um rapaz e tem amigos homofóbicos, enquanto Ceci é "assumida e com orgulho".

Inicialmente, as duas vão se aproximando e percebendo que tem um crush uma na outra. Como o livro é narrado do ponto de vista da Holland, a gente vê a reação dela a tudo isso e só depois descobre as coisas pela perspectiva da Ceci. O processo de se apaixonar por outra pessoa é longo e um pouco frustrante, com muitos desencontros, como muitas vezes acontece de verdade. Quando elas descobrem que seus sentimentos são recíprocos, começam um romance que não engrena em momento nenhum. Parece que a autora é muito eficaz em descrever angústia mas pouco eficiente em lidar com cenas de paquera. As personagens dizem que se amam mas não dá pra perceber isso nas interações entre elas. Nesse ponto, faltou descrever os momentos fofinhos entre o casal, como o David Levithan faz tão bem em seus livros sobre casais de meninos. Senti falta de cenas da Ceci e da Holl fazendo coisas de casal, conversando sobre família e escola, fazendo cafuné uma na outra ou assistindo filmes juntas.

É chocante ver como os coadjuvantes reagem ao fato de uma personagem ser assumidamente lésbica e, apesar das reações deles não terem o menor sentido lógico, elas são verossímeis, porque é assim que muitas pessoas reagem na vida real. Uma das cenas mais incômodas do livro é quando alguns membros do conselho estudantil reclamam da criação de um grupo gay na escola, dizendo que eles estão querendo "se expor demais" e que não tem tantos gays assim na escola, além dos comentários pejorativos sobre a sexualidade de outros personagens. A protagonista naõ sabe como reagir. O choque aqui vem do fato de Holland viver em uma bolha e ser completamente alheia às dificuldades de viver fora do armário. Ela não entende nada do que acontece e talvez o leitor sentisse mais empatia pelo casal se a Ceci fosse a protagonista. O ponto de vista dela, da garota assumida que se apaixona por uma garota aparentemente hétero, parece muito mais interessante. E ver em primeira mão as dificuldades pelas quais ela passa ajudaria as pessoas a entenderem melhor como a homofobia (nesse caso, a lesbofobia) é prejudicial.

A segunda parte é mais violenta, física e psicologicamente, e conta o que acontece quando as pessoas descobrem sobre o relacionamento das duas. As reações variam de ok a totalmente inaceitável e elas tem que lidar com as consequências de Holland ser forçada para fora do armário. É triste e ninguém deveria passar por isso, mas as descrições são bem realistas.

A impressão que fica é de que a autora poderia ter escrito dois livros diferentes, um sobre primeiro amor e a descoberta da sexualidade, e outro sobre sair do armário e as consequências do preconceito. Juntar todos esses temas num mesmo livro foi confuso e fez o livro ficar longo demais, com várias cenas em que absolutamente nada acontece. O primeiro livro da Julie Anne Peters termina com a sensação de que tinha muito potencial mas que faltou um pouco de planejamento.
Comentários
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6 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    Respostas
    1. Tamy!
      Os livros LGBT estão em alta e gosto muito de ler as histórias.
      Bom ver que ela não tem preconceito em ser quem é e os pais aceitam, tão bom ter o apoio deles.
      Holland arrumou um namorado, hein?
      Bom ver que ela e Ceci acabam sendo conquistadas uma pela outra e tem um relacionamento e pena que é escondido.
      Que horror a escola e os pais de Holland serem tão homofóbicos.
      Uma pena que o final não foi do seu agrado, mas em compensação, mostra o que acontece na realidade da vida.
      O bom de ler livro do tipo é isso mesmo, sabermos o que as pessoas passam por serem LGBTs.
      Gostei demais!
      Desejo uma semana carregadinho de luz e paz!
      “ Inteligência não é não cometer erros, mas saber resolvê-los rapidamente.” (Bertolt Brecht)
      cheirinhos
      Rudy
      TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!

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  2. Oi Tamy
    Não li nada do gênero, li algumas resenhas, que como a sua, falam sobre esses 'dois livros' num só...pode ser que mais pra frente eu leia, mas no momento ele não está na minha lista.

    Bjoooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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  3. Olá!
    Eu gosto de livros que mostra gêneros totalmente diferente. Esse me deixou super curiosa pela trama e a historias delas são bem diferente mas tem algo em comum. Gostei muito das personagens, principalmente da Ceci mostra que é sem medo. Já está em minha lista!

    Meu Blog:
    Tempos Literários

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  4. Concordo plenamente com você, a ideia e trama é interessante, mas ainda fica faltando algo a mais, acho que a personalidade de ambas as personagens principais foi pouco explorada, a falta de paginas que possam refletir os pensamentos da personagem principal sobre si mesmo, como vemos em outros livros me incomoda um pouco, a falta de descrever faz você ficar tendo que usar a imaginação para cobrir os espaços vazios e tentar entende-la. O fato de não descrever quase nada sobre a aparência dos personagens, todos em geral até os secundários também me incomodou um pouco. Na primeira parte o livro fica prometendo ser um romance mas acaba deixando a desejar muito nisso, não ter cenas fofinhas e de interação no relacionamento das duas faz com que você fique meio sem entender mesmo esse amor já declarado logo no segundo ou terceiro encontro? Apesar de que a angustia da personagem Holl em querer ficar perto de Ceci e sua paixão e boa, mas ainda acho que poderia ser um pouco mais explorada. Parece que até a primeira metade do livro você esta vendo tudo dentro da cabeça de Holl, na segunda metade apesar de a narração continuar em na mesma pessoa parece que você já esta mais distante de Holl, como se estivesse vendo tudo agora meio que de cima, como se o afastamento de Holl não fosse só dos amigos e familia, mas também de você leitor,você passa a só ver as cenas acontecendo, ela passa a descrever menos seus sentimentos em relação as situações e começa a descrever mais as situações em si. o que faz parecer que o tempo todo a autor só queria escrever um livro sobre sair do armário mesmo, mas os resquícios românticos da primeira parte faz você ficar com expectativa de mais. Também não gostei muito da personagem de Ceci na segunda parte, ela parece mais infantil, e pelas poucas descrições da personalidade dela e de sua aparência você fica meio que tetando saber como ela é mas não compreende muito. A autora não da nenhuma pista de como Holl se sente a cada reação de Ceci, apenas descreve a situação, diz que a ama e pronto. Acho que uma das qualidades do livro no quesito romance é justamente o que você falou, ela mostra como é se apaixonar por alguém mostra como essa jornada acontece aos poucos e cada dia a aproximação de Holl e Ceci. mas no resto deixa mesmo a desejar nas cenas de paquera e interações entre as duas, acho que cenas de paquera mesmo foram umas 4. posso estar julgando mal mas a impressão que da é quase como se a autora tivesse vergonha de contar, ou se personagem estivesse com vergonha de contar, ou quisesse guardar aquilo para si mais uma vez é como se estivesse escondendo o segredo não só dos outros personagens mas do próprio leitor, pode ser por ser algo intimo também. depois do primeiro beijo o romance passa muito rápido, quase como se ela não quisesse nos contar e estivesse ansiosa logo para a segunda parte. mas no geral é um livro divertido, as personagens são engraçadas e ela leva você entender um pouco de o que as pessoas LGBT passam, esse processo e a reação de todos, é muito triste você vê como a Holl pra ela tudo isso aconteceu de uma maneira muito natural quase "inocente" e de repente ela tem que lidar com todas as ofensas e a mãe dela quase espancando-a , parece que ela esta sendo castigada por amar alguém, e isso é triste, e de repente uma menina que estava acostumada ao conforto de seu lar ter que se virar sozinha e lidar com toda aquela situação que parece que ela não tinha muito noção das consequências.

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  5. Enfim, foi legal o modo como a autora introduz Ceci aos poucos na rotina da personagem principal, quer dizer a vida dela não para, o fato da autora ir descrevendo sua rotina dia apos dia e como dentro de toda sua rotina e suas tarefas normais é que ela se apaixona por Ceci faz com que o livro pareca mais realista.

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