19 de nov de 2017


[Resenha] Os Meninos que Enganavam Nazistas - Joseph Joffo

Ficha Técnica

Título: Os Meninos que Enganavam Nazistas
Título Original: Un sac de billes
Autor: Joseph Joffo
ISBN: 978-85-8286-410-4
Páginas: 284
Ano: 2017
Tradutor: Fernando Scheibe
Editora: Vestígio
Paris, 1941. O país é ocupado pelo exército nazista e o medo invade as casas e as ruas francesas. O poder de Hitler se mostra absoluto e brutal na França… É durante um dos períodos mais turbulentos da História que a emocionante narrativa de Joseph e Maurice se desenrola. Irmãos judeus de 10 e 12 anos de idade, eles perambulam sozinhos pelas estradas, vivendo experiências surpreendentes, tentando escapar da morte e em busca da zona livre para ganhar a liberdade. Essa é uma história real, autobiográfica, cuja espontaneidade, ternura e humor comprovam o triunfo da humanidade e da empatia nos momentos mais sombrios, quando o perigo está sempre à espreita… Os meninos que enganavam nazistas conta a fantástica e emocionante epopeia de duas crianças judias durante a ocupação, narrada por Joseph, o mais jovem.

Resenha

Sempre que eu leio um livro eu penso no propósito daquela história, se ela serve para alguma coisa, seja entreter ou ensinar algo. Uma pergunta que todo autor deve se fazer antes de lançar uma obra é "dentre tantas histórias que são lançadas todo ano, por que a minha é especial e interessante? O que faz com que ela mereça ser lida por outras pessoas?" Em muitos momentos durante a leitura de Os meninos que enganavam nazistas eu tive dúvidas em relação à serventia daquela narrativa.

O livro segue a jornada dos irmãos Joffo (10 e 12) pela França ocupada pelos nazistas, enquanto eles tentam fugir e encontrar os outros membros da família. Logo no começo do livro, o pai dos meninos explica que a família teve que se separar e que eles terão que ir sozinhos até outra cidade encontrar os irmãos mais velhos. Se a ideia parece loucura nos dias de hoje, imagine o tipo de desespero que faz com que os pais deixem duas crianças cruzarem três cidades sozinhas, sem documentos, com uma pequena fortuna na bolsa, em plena guerra.

A história é narrada em primeira pessoa pelo irmão mais novo, Joseph, que inexplicavelmente alterna entre narrativa no passado e no presente (não faço ideia se foi erro de tradução ou se o autor realmente escreveu assim) e obviamente não é um escritor, já que o livro tem um ritmo bem desinteressante. As memórias do autor são narradas em uma ordem que às vezes prejudica o entendimento e nenhum dos personagens têm características marcantes, de forma que é difícil lembrar quem é quem (eu ainda não estou convencida de que os irmãos mais velhos não são a mesma pessoa). O autor não adaptou nenhum aspecto da história real para beneficiar o entendimento do leitor e isso prejudicou a história.

Talvez fosse interessante ter contratado um escritor de verdade ou um biógrafo para adaptar e revisar a narrativa escrita pelo autor. Falta emoção, falta ritmo, falta algo que diferencie esta história de todas as outras que se passam na Segunda Guerra Mundial. Eu não consegui responder à pergunta do começo do texto, não consegui encontrar nada que torne esta história especial e emocionante e realmente acredito que faltou uma revisão mais precisa em termos de estrutura e desenvolvimento.

Outro aspecto incômodo do livro é o posfácio, em que o autor reclama a respeito de uma adaptação cinematográfica. Ele comenta que o pai dele não era como no filme, ignorando completamente que filmes não são uma transposição da realidade mas uma adaptação, a interpretação que uma equipe de direção e produção tem daquela obra e apenas uma das interpretações possíveis. Essa recusa em alterar os fatos é o que torna o livro tão sem graça. Podia ter sido muito melhor se alguns fatos tivessem sido omitidos ou até inventados. Nem sempre a realidade é empolgante o suficiente para virar livro.
Comentários
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3 comentários:

  1. Tamy!
    Gosto muito dos livros ambientados na 2ª guerra e na época do naxismo e achei bem interessante o entrosamento deles e como faziam para se disfarçarem e não serem judeus...
    Um final de semana carregado de luz e paz!
    “A arte de ser sábio é a arte de saber o que ignorar.” (William James)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!

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  2. Oi Tamy
    Ainda n li esse livro pq acho q vou chorar horrores
    hehehehehehehe


    Bjoooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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  3. Olá!
    Esse livro é muito triste, mostra um historia de uma época bastante intrigante e ainda mas sendo contado por uma criança. Eu tenho curiosidade dessa leitura!

    Meu Blog:
    Tempos Literários

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