21 de nov de 2017


[Resenha] A Vida Antes do Homem - Margaret Atwood

Ficha Técnica

Título: A Vida Antes do Homem
Título Original: Life Before Man
Autor: Margaret Atwood
ISBN: 978-85-325-1786-2
Páginas: 351
Ano: 2005
Tradutor: Léa Viveiros de Castro
Editora: Rocco
A monotonia dos afazeres domésticos, a rotina do trabalho, as frustrações amorosas, o sexo fortuito, o tédio da existência e das relações humanas, a persistência das lembranças sofridas, a ronda da morte são tudo quanto resta aos três personagens principais deste novo romance de Margaret Atwood. Um retrato amargo do mundo e seus nadas.





Resenha

Margaret Atwood não tem medo de discutir assuntos, que são considerados por muitas pessoas, desconfortáveis. Pelo contrário, Margaret gosta de colocar "o dedo na ferida" e mostrar através de sua narrativa como precisamos discutir e questionar sobre as coisas. Em A Vida Antes do Homem não foi diferente. História centrada em três personagens e através deles sabemos suas rotinas e o passado de cada um.

Elizabeth é uma mulher inteligente e que parece ter a vida perfeita. Aparentemente vive bem com seu marido e suas duas filhas, além de uma posição respeitável em seu trabalho. Entretanto, mantinha casos extraconjugais e o seu último caso teve um final traumático e que abalou profundamente a personagem. Elizabeth não vive de verdade, ela faz suas atividades no automático, tem pensamentos conflituosos e por vezes não desejaria levar a vida que tem. Ao decorrer da história somos apresentados ao passado dela e a figura de sua tia Muriel. Uma mulher rígida, malvada - em várias situações - e que é responsável por episódios de sofrimento na vida de Elizabeth. Ser criada por essa tia determinou bastante as ações de Elizabeth no futuro.
Não, obrigada. Não quero nenhum comprimido para me ajudar a passar por isso. Não quero mudar o meu humor. Eu poderia descrever com detalhes este humor para você mas não tenho certeza de que isto trará benefício para você ou para mim. -Elizabeth p. 111
Nate, marido de Elizabeth, é advogado mas trabalha atualmente criando brinquedos de madeira e que se coloca como vítima em várias situações. Senti que Nate tem problemas em assumir erros. Parece que a culpa é sempre de um terceiro que o fez agir de determinada maneira. Como pai ele é excelente, mas como homem e marido não é o melhor exemplo. Assim como Elizabeth, Nate também casos extraconjugais. Inclusive, existe uma espécie de acordo entre o casal. Manter as aparências, mesmo todo mundo sabendo dos casos, e os dois continuarem a farsa do casamento. Elizabeth e Nate são o exemplo de comodismo e posse.
Mas ele continua correndo, como se precisasse corre; como se estivesse correndo na direção de alguma coisa. -Nate p. 60
Lesje é uma personagem cativante e que é colocada no meio desse casal tão problemático. Trabalha no mesmo museu que Elizabeth, nunca foram próximas. Como se não bastassem os problemas enfrentados com seu namorado William, Nate decide - após terminar com seu caso passado - que está apaixonado/encantado por Lesje. Tendo uma visão mais romântica das coisas, apesar de um comportamento pé no chão, Lesje decide viver um caso com Nate e após essa decisão as coisas começam a seguir um curso ruim para a personagem. Emocionalmente ela estava abalada e cheia de dúvidas.
Ela não entende por que seu coração está batendo de forma tão dolorosa, tentando obter oxigênio na escuridão daquele espaço exterior. Ele está tirando alguma coisa dela. Se ele a ama, por que ela foi banida? -Lesje p. 144
Margaret Atwood escreveu um livro sobre a rotina de três pessoas que tiveram suas vidas, desde a infância, marcadas por eventos que os mudaria para sempre. Os anseios, as fraquezas, o comodismo, os desejos humanos são alguns pontos que aparecem nesse romance de Atwood. A crítica clara as instituições como Família, Casamento e Religião. Como nem tudo que as pessoas se esforçam para aparentar é verdade. Em A Vida Antes do Homem, Elizabeth e Nate escolheram uma maneira de operar dentro do casamento e na vida que interfere de maneira nada positiva na vida de terceiros. O acordo entre eles meio que cega ambos. Eles não pensam que as decisões tomadas em relação a terceiros podem trazer consequências desastrosas. Existe um profundo vazio, uma solidão, mesmo na presença de outras pessoas. Atwood nos mostra as relações humanas baseadas em aparência e onde tudo é fugaz. Leitura recomendada! 
Comentários
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3 comentários:

  1. Auri!
    Pelo visto a autora gosta mesmo de trazer em seus enredos problemas que devem ser discutidos, embora muitas vezes, nem todos aceitem.
    Achei interessante ela ter retratado a vida de três pessoas, suas dificuldades e relações.
    “ Lança o saber e não terás tristeza.” (Lao-Tsé)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!

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  2. Auri
    confesso que seria dificil eu ler sem uma indicação
    não é meu tipo de leitura mas tenho me permitido ler coisas diferentes das que leio habitualmente!
    Vou anotar pra quem saber ler em outro momento.

    Bjooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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  3. Olá!
    Gostei muito do livro, tem uma premissa muito boa, a trama é envolvente, com uma historia bem intrigante. Fiquei curiosa sobre a leitura!

    Meu Blog:
    Tempos Literários

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