10 de dez de 2017


[Resenha] O Escravo de Capela - Marcos DeBrito

Ficha Técnica

Título: O Escravo de Capela
Autor: Marcos DeBrito
ISBN: 978-85-62409-89-9
Páginas: 283
Ano: 2017
Editora: Faro Editorial
O Escravo de Capela
Durante a cruel época escravocrata do Brasil Colônia, histórias aterrorizantes baseadas em crenças africanas e portuguesas deram origem a algumas das lendas mais populares de nosso folclore. Com o passar dos séculos, o horror de mitos assustadores foi sendo substituído por versões mais brandas. Em “O Escravo de Capela”, uma de nossas fábulas foi recriada desde a origem. Partindo de registros históricos para reconstruir sua mitologia de forma adulta, o autor criou uma narrativa tenebrosa de vingança com elementos mais reais e perversos. Aqui, o capuz avermelhado, sua marca mais conhecida, é deixado de lado para que o rosto de um escravo-cadáver seja encoberto pelo sudário ensanguentado de sua morte. Uma obra para reencontrar o medo perdido da lenda original e ver ressurgir um mito nacional de forma mais assustadora, em uma trama mórbida repleta de surpresas e reviravoltas.

Resenha

Uma vingança assustadora. O Escravo de Capela, terceiro livro de Marcos DeBrito, nos conta uma história cheia de suspense, terror, vingança e muito sangue. O cenário é o nosso país na época da escravidão e o autor faz um recorte para mostrar a vida dessas pessoas escravizadas na Fazenda Capela. 

A família composta por pai e dois filhos, os Cunha Vasconcelos eram os grandes produtores de açúcar da região e tinham um jeito cruel e exagerado de lidar com seus escravos. A escravidão por si só já é um processo doloroso, terrível e injusto e essa família contribuía para o pesadelo daquelas pessoas tão sofridas e maltratadas. 
Dentro da senzala, as paredes de pedra assentadas com barro não permitiam que os fachos de luz encontrassem caminho para enfraquecer a penumbra do recinto. Os escravos permaneciam na escuridão mesmo com a chegada de uma nova manhã. 
P. 27
Antônio Batista, pai de Antônio Segundo e de Inácio, é o dono da Fazenda Capela e se orgulha da fama que a fazenda tem perante as outras famílias de seu círculo social. Antônio Segundo é o filho sádico, extremamente cruel e desequilibrado. Os castigos aos escravos dão prazer ao herdeiro de Batista, ele é o retrato do Brasil escravocrata. Durante a leitura não pude deixar de imaginar quantos Antônios não açoitaram por prazer pessoas que eles julgavam inferiores, pessoas reais, com sofrimentos reais. Inácio é o diferente da família, mas se beneficiou e se beneficia deste sistema. Médico e com ideias opostas as de seu irmão e seu pai.

Após mais uma compra de escravos, Sabola chega a Fazenda Capela e não compreende ainda a língua e os hábitos. Por causa disso é açoitado, severamente castigado com os instrumentos de terror de Antônio Segundo. Sabola tem o desejo de conseguir escapar da fazenda e para isso escuta o conselhos de um escravo mais velho e que esteve muito perto de conseguir. Eis que acontece algo terrível com Sabola e no dia seguinte eventos sobrenaturais rondam a Fazenda Capela.
- Não adianta ter pressa, Sabola. Algumas coisas levam tempo. Muito mais do que você imagina. Mas se for por algo que vale a pena ter, então vale a pena esperar. 
P. 68 
Primeiro contato com a escrita de Marcos DeBrito e fiquei hipnotizada pela história e muito alegre de ter lido mais um autor extremamente talentoso e brasileiro. DeBrito conta a história de uma das figuras mais emblemáticas do nosso folclore, em um período que marcou a História de nosso país e dando características de suspense/terror em seu desenvolvimento. A figura do Saci vingativo e ao mesmo tempo buscando justiça. Sempre tive em mente o Saci como uma entidade brincalhona e que gostava de pregar peças. Foi diferente e assustador imaginar essa mesma figura buscando vingança e sedenta por sangue. O Escravo de Capela é um livro muito bom pela forma com que conduz a história. Simples, sem muitos artifícios e que prende atenção de quem lê. Mais do que recomendado! 
As doze badaladas que tocaram no bater da meia-noite soaram como sinos de uma imponente torre gótica mal-assombrada para torturar ainda mais a sanidade arruinada. O timbre assustador do metal ecoando na sala entre as paredes escorridas de sangue completava o clima macabro com sua sonoridade tétrica. 
P. 163
Comentários
7
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7 comentários:

  1. Auri!
    Que o Marcos é um autor fenomenal, é inquestionável.
    E ver que soube usar o folclore local, junto com fatos realmente existentes e criar uma ficção espetacular e carregada de assombro, faz com que queira ler logo mais esse livro dele.
    É minha leitura atual...
    Bom domingo!
    “A melhor mensagem de Natal é aquela que sai em silêncio de nossos corações e aquece com ternura os corações daqueles que nos acompanham em nossa caminhada pela vida.” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA dezembro 3 livros + 2 Kits papelaria, 4 ganhadores, participem!

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  2. Olá Auri! Não conheço a escrita do autor mas pelos quotes achei bem detalhista e poética. O livro tem uma temática muito boa, pois além de denunciar as atrocidades da escravidão nos transposta para o passado de nosso país. O tom sombrio que o autor criou serviu para instigar o leitor. É um livro que eu gostaria de ler. Beijos

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  3. Oi, Auri. Essa mistura do folclore com algo tão marcante (escravidão) e existente é excepcional, se for bem trabalhado. Mas, não sei se eu leria, simplesmente por causa do folclore e tal, que torna o livro muito fantasioso...

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  4. Oi Auri
    até me arrepiei com a sinopse hhehehehee
    Veja beeeem, jpa fiquei com medo
    sou mt mole pra essas histórias.
    Imagino que seja um livro super bacana mas eu n tenho vontade (coragem) e ler.


    Bjooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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  5. Olá, achei interessante a proposta de autor de resgatar um ícone do folclore nacional dotando-o de uma personalidade no mínimo ousada. Outro ponto de chama atenção é o período na qual a obra se passa, que combina perfeitamente com a tendência de justiceiro do Saci. Beijos.

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  6. Desde a primeira resenha que li a respeito deste livro que confesso que ainda estou na duvida se dou ou não uma chance a leitura. Dou, porque me despertou curiosidade, principalmente porque e notório o quanto a estória prende o leitor já nas primeiras páginas, com uma estória cheia de surpresas. E as vezes tenho receio por se tratar de um tema mais voltado pro terror, um gênero que não tenho costume de ler, e com um personagem vingativo e sedento por vingança, e por isto não sei se será algo que vai me agradar.

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  7. Olá!
    Li tantas resenha sobre esse livro que me deixa muito ansiosa pela leitura. Eu ganhei esse livro e vejo que ele é uma historia emocionante e bem intrigante, já que baseia em uma época que existia os escravos. Eu desejo ler em breve!

    Meu Blog:
    Tempos Literários

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