27 de dez de 2017


[Resenha] O Livro do Cemitério: Volume 1 - Neil Gaiman, P. Craig Russell & Outros

Ficha Técnica

Título: O Livro do Cemitério: Volume 1
Título Original: The Graveyard Book: Volume 1
Autor: Neil Gaiman
Adaptação: P. Craig Russell
Ilustração: Kevin Nowlan, P. Craig Russell, Tony Harris, Scott Hampton, Galen Showman,
Jill Thompson & Stephen B. Scott
ISBN: 978-85-7980-386-4
Páginas: 188
Ano: 2018
Tradutor: Ryta Vinagre
Editora: Rocco Jovens Leitores
Bestseller do The New York Times e premiado com as medalhas Newbery (EUA) e Carnegie (Reino Unido), o romance O livro do cemitério, do cultuado escritor Neil Gaiman, ganha versão em quadrinhos adaptada por P. Craig Russell, parceiro de Gaiman em diversos livros, incluindo a versão em HQ de outro clássico do autor, Coraline. O livro é o primeiro de dois volumes que acompanham a trajetória de Ninguém Owens, ou Nin, um garoto como outro qualquer, exceto pelo fato de morar em um cemitério e ser criado por fantasmas. Cada capítulo nesta adaptação de Russell acompanha dois anos da vida do menino e é ilustrado por um artista diferente, apresentando uma variedade fascinante de estilos que dão ainda mais vida à atmosfera ao mesmo tempo afetuosa e sombria da história.

Resenha


Mais uma aclamada e premiada obra de Neil Gaiman ganha uma adaptação em quadrinhos pelas mãos de P. Craig Russell, que além de editar o texto original, contribui também em conjunto com outros 6 artistas para ilustrar “O Livro do Cemitério: Volume 1”.

Como deixa bem claro o título, está é a primeira parte de dois volumes deste best-seller ganhador da medalha Newbery, prêmio literário norte-americano voltado para os destaques infanto-juvenis. A obra também foi agraciada com o Carnegie Medal, equivalente ao prêmio anterior, só que do Reino Unido, se tornando assim a primeira publicação a ganhar ambas condecorações.

Dividido em seis capítulos, cada um comandado por um renomado artista em especial (o capítulo três é feito em dupla), “O Livro do Cemitério” ganha vida e cores ao retratar uma trágica história que envolve muita fantasia, como qualquer boa obra de Gaiman. Além de P. Craig Russell, os demais artistas envolvidos no projeto são Kevin Nowlan, Tony Harris e Scott Hampton, Galen Showman, Jill Thompson e Stephen B. Scott.
 
O enredo de “O Livro do Cemitério” gira em torno de Ninguém Owens, ou simplesmente Nin. Quando ainda era um bebê, a família de Nin foi brutalmente assassinada, e ele conseguiu fugir das garras do assassino pois engatinhou de sua casa até o cemitério que ficava nas redondezas. Ao chegar lá, os espíritos se afeiçoaram a ele, e notando que o mesmo corria perigo de vida, decidiram tomá-lo como seu protegido.

Sob os cuidados dos fantasmas, Nin foi crescendo e crescendo, sendo educado e alfabetizado pelos moradores do cemitério, mas sempre se questionando o motivo de não poder ter amigos iguais a ele e nem o fato de ser proibido de cruzar os limites da propriedade. Acompanhando de dois em dois anos da vida de Nin em cada capítulo, nós leitores iremos nos deliciar com as mágicas aventuras desse garotinho, ao mesmo tempo que torcemos para que o mal que uma vez atingiu sua família, não consiga lhe encontrar em seu novo lar.

“O Livro do Cemitério” é uma obra rica e cativante, seus personagens são super bem desenvolvidos e repletos de camadas a serem descobertas. A ambientação da história não podia ser mais intrigante, assim como o desenrolar da jornada de Nin. Aqui temos a oportunidade de ver tal saga ganhar vida pelas mãos de diversos artistas, cada qual com sua própria técnica e traços.
 
Se tratando dos artistas, posso dizer que a arte da maioria me agradou visualmente, e surpreendentemente elas no quadro geral não se destoam umas das outras. Artisticamente falando, o capítulo que menos me agradou foi aquele onde dois artistas dividiram a tarefa de ilustrá-lo. Além de terem traços distintos entre si, eles também se destacam em comparação aos demais capítulos, principalmente uma destas artes, que utiliza de um traço mais grosso e elaborado. Ironicamente, este capítulo sem dúvidas é um dos mais ricos e detalhados da obra.

A edição nacional está bem caprichada também, além de manterem a capa original da adaptação, a Rocco Jovens Leitores colocou a capa meio cartonada, que seria algo entre brochura e encadernado. O título tanto na capa quanto na lombada do livro são em dourado e para fechar com chave de ouro, a tradução ficou a cargo de ninguém mais ninguém menos do que Ryta Vinagre, a mesma responsável por traduzir as obras de Robert Galbraith (ou para quem preferir, J.K. Rowling).

Capa em inglês do Volume Dois
Eu não vejo a hora de ter em minhas mãos a segunda e final parte desta linda história ilustrada. Há alguns anos tive a chance de resenhar aqui no blog uma adaptação de Neil Gaiman feita também pelo P. Craig Russell, e assim como este volume, gostei muito da experiência. Então assim como aquela resenha de “Coraline”, termino esta afirmando que “O Livro do Cemitério” é uma HQ mais do que indicada, tanto pela qualidade dos traços de Russell e seus demais parceiros, quanto pela magnífica imaginação de Neil Gaiman.

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Comentários
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5 comentários:

  1. Oi, Tácio. A história é um pouco tenebrosa. Estranho ele ser criado por fantasmas e crescer em um cemitério, mas acho que há uma mensagem por trás disso, né? O foco talvez não seja esse.

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    1. Oi Daiane,
      há uma mensagem por trás sim, a maior delas seja o fato dos mortos terem mais compaixão com Nin do que os seus iguais, no caso os vivos.
      E não se preocupe, haha a história não é obscura nem tenebrosa, diria que é bem lúdica na verdade.
      Grande abraço

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  2. Olá Tácio! HQs não são meu gênero preferido de leitura, mas confesso que elas também têm seu charme. As ilustrações são mesmo muito bem feitas, com cores vibrantes e caricaturas realistas. Apesar dos mistérios que envolvem a trama, não me senti atraída pela história. Beijos

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  3. Olá, já li uma obra de Gaiman e simplesmente me apaixonei por sua escrita. O HQ derivado do livro do autor aparenta estar um primor em qualidade. Além disso, a história conta com uma aura sombria que chama bastante atenção, afinal não podíamos esperar algo ordinário vindo de Neil Gaiman. Beijos.

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  4. Tácio!
    Bem bacana ver os livros agora em HQ e se é do Neil Gaiman, melhor, fica mais fácil de visualisar os trechos e deve ser uma delícia.
    Um Novo Ano repleto de realizações!!
    “Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.” (Carlos Drummond de Andrade)
    cheirinhos
    Rudy

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