19 de dez de 2017


[Resenha] Romance Entre Rendas - Loretta Chase

Ficha Técnica 

Título: Romance Entre Rendas
Título Original: Dukes Prefer Blondes
Autor: Loretta Chase
ISBN: 978-85-8041-763-0
Páginas: 320
Ano: 2017
Tradutor: Simone Reisner
Editora: Arqueiro
Que lady Clara Fairfax é dona de uma beleza estonteante, Londres inteira já sabe. Mas a fila de pretendentes que bate à porta de sua casa com propostas de casamento já está irritando a jovem. Cansada de ser vista apenas como um ornamento, Clara decide afastar-se um pouco da alta sociedade e se dedicar à caridade. Um dia, numa visita a uma obra social, ela depara com uma garota em perigo e pede ajuda ao alto, sombrio e enervante advogado Oliver Radford. Radford sempre foi avesso à nobreza, mas, para sua surpresa, pode vir a se tornar o próximo duque de Malvern. Embora queira manter sua relação com Clara no campo estritamente profissional, aos poucos ele percebe que ela, além de linda, é inteligente, sensível e corajosa. E quando a perspectiva de casamento se aproxima, tudo o que Radford pode fazer é tentar não perder a cabeça por Clara. Será que a herdeira mais adorada da sociedade e o solteiro menos acessível de Londres serão vítimas de seus próprios desejos? Em Romance entre rendas, livro que encerra a série As Modistas, Loretta Chase nos brinda com uma história envolvente e cheia de paixão, com personagens fortes e marcantes.

Resenha


Romance Entre Rendas nos leva ao final da final da série As Modistas. Depois de termos conhecido as irmãs Noirot não poderia faltar o final perfeito para lady Clara Fairfax, personagem responsável pelo início dessa série.

Para quem acompanhou a série da Loretta viu que foi o objetivo de vestir lady Clara que levou Marcelline e suas irmãs em um plano mirabolante, afinal, vestir a próxima duquesa de Clevedon era o que a Maison Noirot precisava para conseguir credibilidade entre as damas da sociedade. Foi assim que Marcelline conheceu o duque de Clevedon e o plano seguiu um curso completamente diferente do que foi traçado e ela terminou casada com o duque. Depois Sophia conheceu o irmão de lady Clara, o conde de Longmore e acabou casando-se também. Para finalizar, Leonie conhece o marquês de Lisburne, primo de lady Clara e recém chegado do continente.

Lady Clara Fairfax uniu toda essa série e nada mais justo do que ela ter o seu momento também. Na verdade, ao longo dos livros vamos tendo vislumbres da personalidade de Clara, como ela é inteligente, sagaz e é podada pela mãe  e pela sociedade, que lhe cobra um alto preço por ser uma jovem de beleza estonteante e de ter sido criada para casar-se com Gervaise, o duque de Clevedon, que após a morte dos pais foi criado na residência dos Fairfax. Mas, após perceber que Gervaise não a amava, Clara desfez o compromisso que tinham, mas desde então tem recebido diversas propostas de casamento de homens interessados apenas no status que ela lhe daria.
Ela era como um puro-sangue que todos desejavam possuir. Ou o mais recente e arrojado modelo de carruagem.
Sua beleza a cercava como um grande muro de pedra. Os homens não conseguiam ver dentro dela.
Isso acontecia porque os homens só olhavam para as mulheres. Eles não as escutavam. Principalmente quando eram tão lindas.
Quando as mulheres belas falavam, os homens apenas fingiam que as ouviam. Afinal de contas, todos sabiam que, na verdade, as mulheres não tinham cérebro.
P. 16-17
Entretanto, aos vinte e dois anos, ela acredita que será difícil encontrar um marido adequado para se casar, então talvez seja melhor direcionar suas energias para outras atividades. É com esse pensamento que ela resolve ajudar uma jovem da Sociedade das Costureiras para a Educação de Mulheres Desafortunadas, Bridget Coppy, a encontrar seu irmão caçula que se envolveu com pessoas do mundo do crime. E é assim que sua vida cruzará novamente com Oliver Radford.

Oliver sempre foi considerado diferente. Por uma série de questões de herança, George Radford, filho de um dos filhos mais novos do duque de Malvern, viu-se no ramo da família que precisaria de uma posição em alguma profissão "cavalheiresca", o que só lhe davam as opções entre as Forças Armadas, a Igreja ou a Lei. Com uma mente aguçada ele optou pela lei e seu filho, com o mesmo talento, seguiu seus passos anos depois. Como se isso já não fosse suficiente para o outro lado da família os ignorarem ainda havia o fato de George ter se casado com uma mulher divorciada, uma lady, mas divorciada.

Radford, ou o Corvo como é conhecido por todos, tem talento para os tribunais e adora o seu trabalho, mas ele e o pai têm sido ameaçados de herdar o ducado de Malvern, algo que nem sonham em querer (Quantos queriam, não é mesmo?! Mas eles preferem a liberdade de não tê-lo). Paralelo a isso, ele se vê abordado pela jovem lady Clara, que veio disfarçada ao seu escritório para contratar seus serviços e encontrar Toby Coppy.
— O senhor não tem noção de como é minha vida no mundo que chama de fantasia — prosseguiu ela, no mesmo tom tenso. — Não sabe o que é passar a vida inteira numa redoma, com todos ao seu redor protegendo-o principalmente de si mesmo, porque acham que não se comporta como uma garota deveria se comportar. Não sabe o que é assistir a seus irmãos irem à escola, fazer novos amigos e ter aventuras que nunca terá. Não sabe o que é ser repreendido por ler demais. Não sabe o que é ser ensinado a esconder sua inteligência, caso contrário assustará os cavalheiros; e a sufocar suas opiniões, pois as damas não devem pensar por conta própria, devem sempre concordar com os homens. — Ela bateu o pé. — O senhor não sabe nada sobre mim. Nada!
P. 77-78
Embora seja algo diferente, Radford encontra em Clara uma oponente à altura de sua inteligência e ele percebe isso rapidamente, o que faz com que tenhamos diálogos interessantes, cheios de farpas e Clara pode finalmente ser ela mesma.
O Sr. Radford era mais divertido, intrigante e excitante do que qualquer outro homem que ela conhecera e por isso ela o queria. Mas ele era um homem, não um livro, um brinquedo ou um jogo. Ele tinha uma carreira na qual prosperava. Tinha um futuro brilhante - a menos que alguém o matasse - no qual ela não se encaixava. Talvez ele gostasse dela e a desejasse. Mas é preciso viver no mundo e o mundo odeia grandes lacunas nas posições sociais. Se o abismo fosse menor e mais fácil de atravessar, seus caminhos teriam se cruzado ao longo dos últimos treze anos.
P. 173
A química dos dois é incrível e a gente percebe que eles estão atraídos um pelo outro, mas a diferença social entre eles é grande. Clara é filha do marquês de Warford, foi criada para se casar com um duque, tem ótimas relações, inclusive com os reis. Como seus pais aceitariam que ela se casasse com um advogado? Um grande advogado deveria vencer essa causa.

Oliver é maravilhoso e ver sua mente trabalhando é magnífico, principalmente quando seu lado racional discute com o lado emocional, e quase sempre perde se o assunto for Clara. Os outros personagens também são ótimos, os pais de Oliver nos explica muito de sua personalidade, seu melhor amigo e sócio é a prova de que para estar ao lado dele como igual é preciso ter uma mente tão aguçada quanto. Davis, a criada pessoal da Clara, também nos permite ver o quanto as mulheres eram subestimadas, ainda mais das classes mais baixas, ainda que tivessem o conhecimento necessário para outras atividades.

Sem dúvida a Loretta foi muito feliz nessa série, trazendo personagens diferenciados para uma série de Romance de Época. Num momento onde a Sociedade prezava pelos títulos de nobreza, ela traz personagens que trabalham e gostam disso. Ainda que se envolvam com a nobreza a gente percebe que eles são felizes em suas carreiras, não buscam um par com um título para mudar de vida, muito pelo contrário, são reativos quanto a possibilidade de tornarem-se nobres.

Adorei a série, que para mim só foi melhorando com o caminhar da história e terminou maravilhosamente bem, com personagens divertidos, inteligentes e sagazes.

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Comentários
7
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7 comentários:

  1. Olá Layane! Nunca li nada da autora, embora adore romance de época. Achei a história bem construída, sem um romance forçado. Me interessei pela trama principalmente pelo motivo inusitado que une o casal e a bondade de Lady Clara. Gostei dessas farpas que você comentou, é muito bom ver o sarcasmo dos personagens evoluir para amor. Beijos

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    1. Eu comecei lendo O Príncipe dos Canalhas e logo depois O Últimos dos Canalhas, também publicados pela Arqueiro, mas gostei muito mais dessa série.
      Experimente, Aline, acho que irá gostar ;)

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  2. Lay!
    Bom ver que a química entre os dois é magnifíca.
    Infelizmente ainda não tive oportunidade de ler nenhum livro dessa série, embora goste demais da autora, justamente porque ela consegue construir personagens críveis e uma ambientação perfeita.
    Sem contar com todo o drama que o livro traz e o romance, claro.
    Quero poder ler.
    Que a semana seja abençoada!
    “Desejo a você e à sua família um Natal de Luz! Abençoado e repleto de alegrias. Boas Festas!” (Priscilla Rodighiero)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA dezembro 3 livros + 2 Kits papelaria, 4 ganhadores, participem!

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    1. Espero que possa ler logo, Rudy. Esse diferencial dos personagens da Loretta é ótimo, trabalhadores em uma época onde isso não era bem visto... ADORO.

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  3. Olá, adoro quando uma série se encerra sem deixar a desejar. Romance Entre Rendas proporciona ao leitor mais uma trama recheada do glamour da época e com uma protagonista decidida. Vejo que o romance acontece de forma gradual, construindo aos poucos os laços entre os protagonistas. Beijos.

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    1. Concordo com você Alison, o fim de uma série sempre me deixa apreensiva, do autor acabar correndo demais ou enrolando, e a Loretta foi muito feliz nesse livro, lhe garanto.

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  4. Olá!
    Eu já ouvir fala muito dessa serie e eu estou desejando muito ler, obtenho o segundo livro e me deixa ansiosa pela leitura, um romance muito fofo.

    Meu Blog:
    Tempos Literários

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