22 de jan de 2018


[Cinema] Viva - A Vida é uma Festa


É difícil assistir Viva sem lembrar de The book of life (que eu me recuso a chamar pela tradução horrorosa de Festa no céu), outra animação que se passa durante o Día de los muertos. Os dois filmes se passam no mesmo feriado e têm protagonistas que são apaixonados por música, a ponto de se rebelarem contra suas famílias. Apesar disso, os dois longas têm enfoques completamente diferentes. 

O feriado mexicano dura três dias e, ao contrário do brasileiro, celebra os falecidos de forma alegre, visto que se acredita que neste dia eles podem visitar suas famílias. Por isso as pessoas vão até os cemitérios e decoram os túmulos de seus ancestrais com flores e coisas que eles gostavam, como comida, bebida e fumo. Aqueles que não vão ao cemitério montam um altar colorido em casa com fotos e ofrendas, como as comidas favoritas do morto, flores e bebida. É um feriado marcado por música, lembranças e as famosas caveiras mexicanas. 

Em The book of life, que vale muito a pena ser assistido e é um dos meus filmes favoritos, La Muerte (governante do reino dos mortos que ainda são lembrados) e Xibalba (governante do reino dos esquecidos) apostam o destino de três crianças humanas. Já adultos, um deles encara uma aventura por três reinos para voltar pra casa e se provar pra sua família.


Em Viva (que originalmente se chama Coco, diminutivo de Socorro, bisavó do protagonista), nós seguimos a aventura de Miguel, um menino que sonha em ser músico mas que faz parte de uma família em que a música é proibida porque seu tataravô abandonou tudo para ser músico. Miguel sonha em ser como o grande Ernesto de la Cruz, o maior cantor do México, que estrelou filmes e telenovelas. Quando toca o violão de Ernesto no dia de los muertos, ele vai parar no reino dos mortos e sai em busca de seu antepassado músico para receber sua bênção e poder voltar pra casa. 

Nessa jornada, ele tem ajuda de Dante (que, por incrível que pareça, é uma raça real chamada pelado mexicano ou Xoloitzcuintle), o segundo cachorro mais fofo da Pixar (só perde pro Dug, de Up) e de Hector, que promete ajudá-lo a encontrar seu antepassado. O único problema é que ele precisa encontrar seu tataravô até o amanhecer ou ele pode ficar preso para sempre no reino dos mortos. Os três se aventuram por festas enquanto tentam escapar da tataravó de Miguel, que quer que ele abra mão da música para sempre. 


Visualmente, o filme é um espetáculo. O nível de detalhamento dado ao visual da Mamá Ines (originalmente chamada de Coco) é de deixar a gente boquiaberto. As cores, presentes até nos esqueletos dos mortos, são vibrantes e deixam bem claro que o Día de los muertos não é um feriado triste, mas uma oportunidade de celebrar os antepassados e sua memória. A música tipicamente mexicana é lindíssima, com destaque pra “Lembre de mim”, que vai me fazer chorar pra sempre. E, convenhamos, quem não quer a Pepita como bicho de estimação? 

Miguel e Hector formam uma dupla excelente. Os dois tem objetivos que se complementam e as motivações de Hector são totalmente compreensíveis. Enquanto o menino quer ser músico, o morto quer ser lembrado para não desaparecer, que é o que acontece quando os espíritos são esquecidos. Seu medo de “morrer” definitivamente é o que move suas ações ao longo do filme. Mamá Imelda também tem um arco muito triste e tocante, principalmente quando a gente descobre mais sobre seu passado. 

O filme é uma jornada cultural emocionante e divertida, com música excelente e efeitos incríveis. É uma história sobre a importância da família e de lembrar da sua herança, sobre ancestralidade e como às vezes o amor que a gente tem pelo que faz a gente feliz também faz com que a gente cometa loucuras (tipo tocar o violão de um morto dentro de um mausoléu no día de los muertos). 

Numa escala de um a cinco cachorros da Disney, o quanto eu gostei do filme:

Comentários
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7 comentários:

  1. Tamy!
    Desde que vi o primeiro trailler desse filme ou animação, como queira, fiquei com vontade de assistir, primeiro porque é ambientado no México um lugar rico em cultura e depois, porque a perfeição como a Pixel faz seus filmes é de encher os olhos.
    Fico feliz que tenha aprovado.
    Desejo uma semana produtiva e abençoada!
    “Bem aventurados os que mudam suas atitudes sem esperar um ano novo.” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

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  2. Quando eu e minha família vimos o trailer desse filmes, ficamos com muita vontade de ver.
    Parece ser uma história tão bonitinha e engraçada!

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  3. Tô louca pra assistir!
    sei que vou me emocionar bastante, sempre qd se trata de contato entre os mortos e os vivos eu me emociono!

    Bjoooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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  4. Gosto dessa apresentação cultural presente no filme, e até auto explicativo, pela questão de falar sobre o feriado de finados, que muitas crianças desconhece o real sentido, e neste filme temos a diversão e alegria como uma forma de ensinar sobre esta data. Outro ponto que nos chama a atenção e o trabalho com os desenhos dos personagens, incluindo muita cor, e outras características visuais. Sinceramente estou louca para assistir ao filme.

    Venha participar do sorteio de um kit da caixinha da TAG Livros http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/

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  5. Olá!
    Amo filme de animação, eu já vi trailer desse filme e quero muito assistir. A historia é muito fofa e engraçada ao mesmo tempo, espero assistir logo, logo!

    Tempos Literários

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  6. Opa, Tamy.

    Que ótima dica que trazes.
    Eu não tinha conhecimento da animação em questão, e fiquei bem curiosa para assistir. Após ler sua resenha, fui lá no Filmow para colocar a animação na listinha de "Quero Ver" e vi que a classificação dada é muuuuuuuuuuuito boa (hoje está em 4,5/5).
    Enfim, a temática da animação é um pouco inusitada. Espero que seja uma experiência muita agradável de assistir.

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  7. O que eu mais gostei nesse filme foi a retratação desse festival eu fiquei bem surpresa quando eu aprendi mais sobre o Dia dos Mortos eu fiquei bem surpresa com algumas fotos tipo eles fazem essas festas dentro de cemitérios cara é muito em cima e Aqui no Brasil é todo aquele clima de melancolia

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