23 de jan de 2018


[Resenha] A Estrela da Meia-Noite - Marie Lu

Ficha Técnica 

Título: A Estrela da Meia-Noite
Título Original: The Midnight Star
Autor: Marie Lu
ISBN: 978-85-7980-343-7
Páginas: 254
Ano: 2017
Tradutor: Rachel Agavino
Editora: Rocco Jovens Leitores
Adelina Amouteru sobreviveu à febre do sangue, fez uso de seus dons, formou seu próprio exército, vingou-se de seus traidores e conquistou a vitória. Mas seu reinado triunfante está ameaçado, e o inimigo não vem de fora; a sede de vingança da jovem levou seu lado cruel e sombrio a sair do controle, e ela terá que curar antigas feridas se quiser manter tudo o que conquistou. No desfecho da eletrizante trilogia Jovens de Elite, Marie Lu coloca sua protagonista diante de uma nova ameaça que a levará a revisitar fatos dolorosos do seu passado e a fazer uma aliança arriscada e difícil. Será que Adelina está preparada para se transformar na estrela da meia-noite e, finalmente, conhecer a paz?

Resenha

Marie Lu me conquistou lá atrás, com seu primeiro livro. Ao criar personagens fortes, inteligentes e humanos, Marie entregou uma das melhores distopias da atualidade: "Legend". Iniciar uma nova série após um grande sucesso, serviria para reafirmar o talento de Lu além de suas primeiras publicações, e felizmente, a saga Jovens de Elite chegou e foi mais um excelente e eficaz trabalho na biografia da autora.

Em “A Estrela da Meia-Noite”, terceiro e último volume da série, nos deparamos mais uma vez com nossa poderosa anti-heroína Adelina. Com seu jeito obscuro e bastante cruel de governar, a então agora rainha continua com sede de vingança contra aqueles que lhe privaram de usufruir de seus poderes no passado. Enquanto Adelina governa e luta para conquistar novos territórios, algo afeta os Jovens de Elite, os enfraquecendo e levando-os a morte.

Sem saber o que está acontecendo, a Sociedade dos Punhais e a Sociedade da Rosa precisarão deixar suas diferenças de lado para solucionarem um problema em comum. Porém, Adelina além de sofrer com os tormentos pessoais, começa a desconfiar que uma traição dentro de sua guarda é eminente, fato que refletirá em suas escolhas, e obviamente, na batalha final que se aproxima. O egoísmo e sede de vingança de Adelina serão justificativas para que a mesma não mude suas atitudes? E afinal, o que será dos Jovens de Elite caso a destruição em massa não seja interrompida?

Precisarei extirpar esses insurgentes antes que eles se tornem uma ameaça real. Precisarei fazer da morte deles um exemplo mais duro. Precisarei ser mais implacável.
Esta é a minha vida agora.
P. 23

“A Estrela da Meia-Noite” é obscuro e desafiador, ao ponto que os acontecimentos finais vão se desenrolando, o leitor continua sem desconfiar das reviravoltas que estão por vir. Marie Lu tem em sua manga várias cartas coringas, e ela faz questão de usar todas. Desenvolver uma história com crítica social já faz parte de sua natureza, e aqui não é diferente. A acidez da escrita é evidente, e isso reflete principalmente na personagem principal, que foge claramente da figura heróica e boazinha. 

Mas, nem por isso, Adelina é odiável. As camadas que a cobrem são muitas, e faz parte do processo descobrir seus motivos e razões de ser como é, e isso a torna uma personagem riquíssima e um ótimo objeto de interesse por parte do leitor. Acredito que neste volume veremos o ápice de seu comportamento, para o bem ou para o mal. Suas escolhas são reflexos de uma sociedade opressora, e apesar de ser uma ficção, não há como não haver uma reflexão e comparação com a realidade.

Então, ele fecha os olhos e fica estirado no chão. Seu corpo fica imóvel. Sei, sem dúvida, que ele se foi.
P. 120

Acredito que o melhor de “A Estrela da Meia-Noite”, além do ótimo desenrolar dos fatos, é a escrita de Marie Lu. Detalhada e no ponto certo, mesmo este sendo o menor dos três volumes da série, a autora consegue dar vida às palavras, criando um universo vivo e extremamente palpável, apesar da fantasia da obra. Os capítulos são devorados rapidamente e a leitura flui, até quando somos pegos de surpresa e sofremos com inesperados eventos, tais eventos que prometem chocar qualquer leitor. Se você gosta de um final alucinante, aqui você vai encontrar.

O design da capa ainda não me agrada muito, apesar do título continuar em alto-relevo, porém sem dúvidas é o melhor produto final entre todas da série. As cores são boas e combinam entre sí, e a imagem escolhida não é tão gritante quanto as demais, principalmente a do lobo e das ondas presentes na capa do volume dois, “A Sociedade da Rosa”.

Em resumo, “A Estrela da Meia-Noite” não fica para trás comparado aos demais volumes da trilogia, nem mesmo pela diferença na quantidade de páginas (o exemplar anterior tem mais ou menos 80 páginas a mais). Poder ver o desfecho de Adelina e companhia de uma forma prazerosa e satisfatória foi uma excelente surpresa, apesar de que, vindo de Marie Lu, decepção não é uma palavra que combina nem um pouco com seu trabalho. Não vejo a hora de poder desfrutar de suas próximas criações, e até lá ficarei aqui me recuperando dos baques finais dos Jovens de Elite.

– Tudo isso acabará logo – digo. – E o seu dever para com os deuses será cumprido.
P. 163
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Comentários
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8 comentários:

  1. Oi Tácio
    não conhecia a autora, na vdd nunca li nada dela.
    Não é meu estilo de leitura, mas nunca descarto totalmente, um dia quem sabe eu me permita ler algo mais diferente do que costumo ler.

    Bjoooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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  2. Já tinha lido algumas resenhas a respeito desta trilogia, porém ainda não li nenhuma das obras da autora. Porém agora percebendo que esta distopia e muito bem descrita, e ainda consegue fazer uma crítica a sociedade, já que me deixou interessada. Outro ponto e que a trama possui muitas revira voltas, e a autora consegue nos surpreender com seus trunfos. Enfim, esta deve ter sido uma leitura agradável, e um desfecho de fazer o leitor suspirar. Quero muito dar uma chance a esta trilogia, espero não me decepcionar.

    Venha participar do sorteio de um kit da caixinha da TAG Livros http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/

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  3. Tácio!
    Não li nenhum dos livros da série ainda.
    Bem, mesmo que a sociedade não aceite o que é feito por Adelina e que ela não é tão boa quanto se imagina, tem a perda da irmã que ela não sabe onde anda e deve mexer com ela.
    Gosto desse lance de poderes.
    Entendo que a explicação seja um pouco mirabolante e não dá para engolir, mas acredito que aí está a mudança total do enredo e a lógica anterior, é um tanto desafiante, não?
    Desejo uma semana produtiva e abençoada!
    “Bem aventurados os que mudam suas atitudes sem esperar um ano novo.” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

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  4. Olá!
    Já vi muito esse livro e os outros, não tive um certo interesse em ler mas vejo que tem uma historia interessante com uma premissa muito boa. Não seja muito m eu gênero mas me deixou com uma certa curiosidade em ler.

    Tempos Literários

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  5. Ooi, sinto muita vontade de ler algo dessa autora, ela parece ter uma escrita muito boa.
    Quero muito ler essa série, gosto muito desse gênero de livro.

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  6. hey Tácio.

    Hm, eu já tinha acompanhado algumas críticas feitas em relação à primeira trilogia da autora: Legend. E desde então eu tenho mantido interesse em fazer a leitura da obra. Deve fazer um bom tempo que foi lançado, talvez? Eu ainda pretendo ler, certamente. Ler a crítica do último livro de uma outra trilogia da autora, aumentou ainda mais o interesse que eu já tinha em conferir Legend, e que parece agradar a muita gente.

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  7. Eu já li alguns livros dessa escritora e teve boas experiências com as obras dela no caso A trilogia Legend e ouvi falar nesses novos lançamentos dessa nova série dela mas eu não fiquei tão interessada na hora a sinopse do primeiro livro não me chamou atenção mas é dessa assim eu vou tentar arriscar a leitura desse livro mas eu não prometo nada até porque as distopias para mim Ultimamente não tem se inovado muito

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  8. Oi, Tácio.

    O livro ter como papel principal a Adelina, ou seja, uma vilã, diferencia o livro. Além, de nos dá a oportunidade de talvez conhecer um outro lado dela, e as razões que a levaram a ser como ela é... Mesmo que nada seja justificável.

    A descoberta de uma traição em sua guarda, talvez desperte ainda mais o seu lado vingativo.

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